|miniaturadaimagem|Vista das ruínas da fábrica. Ao fundo, parte do distrito de Perus miniaturadaimagem|Locomotiva Decauville, de fabricação francesa, utilizada para manobras nas minas de extração de matéria prima em Cajamar/SP, para a fábrica de cimento Companhia Brasileira de Cimento Portland Perus S/A foi um complexo cimenteiro pioneiro no Brasil. A fábrica era localizada no distrito de Perus, na Zona Noroeste do município de São Paulo. A empresa foi fundada em 1924 e a fábrica foi inaugurada em 26 de junho de 1926.

Até a sua venda em 1951, a empresa era subsidiária da Lone Star Cement co., empresa dos Estados Unidos que à época era líder no setor. É considerada a primeira empresa de cimento portland no Brasil, embora tenha havido experiências anteriores que não lograram êxito.

Foi fundada por um consórcio envolvendo o grupo canadense Drysdale & Pease (70% do controle acionário) e sócios brasileiros minoritários, dentre os quais o político Sylvio de Campos (filho de Bernardino de Campos e irmão do presidente do estado Carlos de Campos) que foi figura central para o sucesso do empreendimento, sendo o primeiro presidente da Cia.

A localização da empresa era estratégica, por diversos fatores:

Ficava na capital paulista, que à época estava se desenvolvendo, demandando muito cimento. Já existia uma indústria caieira instalada na região, sendo possível aproveitar parte da infraestrutura, tal como a Estrada de Ferro Perus-Pirapora, um ramal ferroviário que ligava as jazidas localizadas na região de Água Fria, atual centro de Cajamar, até a Estação Perus da São Paulo Railway (ferrovia que ligava o Porto de Santos ao interior paulista), pertencente à atual Linha 7-Rubi. Sylvio de Campos também era acionista das caieiras e da linha férrea. A linha férrea possibilitava acesso fácil ao óleo utilizado para alimentar os fornos. Ficava vizinha à jazida calcária conhecida como "Grupo São Roque", que estende-se do estado de São Paulo, desde a região de Perus e Caieiras, até o estado do Paraná. Estava próxima da Usina Hidrelétrica Edgard de Sousa, a primeira usina hidrelétrica paulista, do grupo Light, cujo advogado era Carlos de Campos. Isso facilitava a alimentação dos equipamentos utilizados no processo de produção do cimento.

Em 1951 foi adquirida pelo Grupo JJ Abdalla, um conglomerado industrial, agrícola e financeiro. Em 1964 José João Abdalla teve seu mandato de deputado cassado por corrupção. Em 1965 descobertas sobre as práticas fraudulentas do Grupo Abdalla levaram a abertura de um inquérito que averiguou, em 1969, que todas as 32 empresas não recolhiam quaisquer impostos. Em decorrência disso, em 1973, acompanhando a ordem judicial de falência, a Cia Perus teve decretada a intervenção federal. Em 1974 a Cia Perus, as pedreiras e a ferrovia foram confiscadas pela União para cobrir parte das dívidas. Em 1979 o Sítio Santa Fé (fazenda de reflorestamento utilizada para alimentar os fornos da Perus) também foi confiscado, sendo que uma parte foi utilizada para criar o Parque Anhanguera e outra parte se tornou o Aterro Sanitário Bandeirantes, o "Lixão de Perus". Na década de 1980 outro terreno que pertencia à Cia Perus foi desapropriado para a construção do Parque Estadual Villa-Lobos; contudo, uma série de falhas e omissões no decorrer do processo permitiram à família Abdalla obter direito a uma indenização bilionária, a maior já paga na história do país.

No começo dos anos 1980 a Cia. Perus voltou para a iniciativa privada através de um leilão realizado pela União, na qual o único lance foi dado pelo Consórcio Chohfi-Abdalla.

Com a urbanização do entorno, a fábrica passou a sofrer pressão dos moradores por conta da poluição causada pelo pó de cimento. Dezenas de toneladas eram despejadas na atmosfera por ano, causando o desabamento de telhados de casas em bairros próximos à empresa. O forno ainda em funcionamento tinha mais de 30 anos e, para evitar paradas para manutenção, o Grupo Abdalla havia optado por não instalar os filtros. Em 1980, após pressão popular e cobrança do poder público, a fábrica desativou o Forno número 4, deixando de fabricar o clínquer, matéria prima do cimento portland, para comprá-lo da Indústria Santa Rita, se dedicando apenas à moagem e ensacamento. Quando a Santa Rita foi comprada pela Votorantim, o preço do clínquer se tornou inviável. Por fim, a fábrica encerrou suas atividades em 1986.

A Cia. Perus se tornou conhecida também por ter sido palco de uma greve não-violenta que durou 7 anos, entre 1962 e 1969, a Greve dos Queixadas.

Desde os anos 1990, grupos culturais e movimentos sociais de Perus querem construir um centro cultural na região.

Ver também Argamassa Cimento Concreto Cimento Portland Branco

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