O Cinema da Índia é produzido por uma indústria que é a maior do mundo em termos de venda de bilhetes e a segunda em número de filmes produzidos (somente em 2011 foram produzidos 1 255 longas-metragens e 1 771 curtas-metragens), atrás apenas da Nigéria. Os bilhetes de cinema na Índia estão entre os mais baratos do mundo. A indústria é sobretudo suportada por um vasto público. Em cada 3 meses um público tão grande quanto a população da Índia visita as salas de cinema. Os filmes indianos são populares em várias partes do mundo, especialmente em países com comunidades indianas de tamanho significativo.

A introdução do cinema na Índia 1896 – 1910 O cinema foi introduzido na Índia a 7 de Julho de 1896. Começou com a apresentação de alguns filmes dos irmãos Lumière, no Hotel Watson em Bombaim (actualmente Mumbai). No mesmo ano a Madras Photographic Strore publicitava as “fotografias animadas”. Em 1897 começaram em Bombaim projecções diárias de filmes pelo Clifton and Co.’s Meadows Street Photography Studio.

Em 1898, Hiralal Sen começou a filmar cenas de produções teatrais no Classic Theatre de Calcutá (Kolkata em bengali). Ele começou a fazer filmes como complemento de produções teatrais. Estes eram mostrados como atracções durante os intervalos das apresentações teatrais, em projecções privadas para as famílias da alta sociedade ou levados a lugares distantes onde os actores não podiam ir . Um dos filmes muito famosos foi " Os 3 patetas".

Harischandra Sakharam Bhatavdekar, conhecido como Save Dada, importou uma cine-câmera de Londres pelo preço de 21 guinéus e filmou o primeiro documentário indiano sobre um encontro de luta livre nos Hanging Gardens, em Bombaim, em 1897. Em 1901, ele gravou o regresso de Ragunath P. Paranjpye, de Cambridge, que havia assegurado uma distinção em Matemática da Universidade de Cambridge, e de M. M. Bhownuggree, o que foi considerado o primeiro filme noticioso indiano. Ele também filmou o Delhi Durbar de Lord Curzon (o vice-rei da Índia), que marcou a coroação de Eduardo VII em 1903.

O potencial comercial do cinema também foi testado nesta época. O “Grand Kinetoscope Newsreels” de F. B. Thanewala foi um caso de sucesso. J. F. Madan foi outro produtor de cinema bem sucedido, que lançou vários filmes de êxito. Ele também lançou a Madan Theatres Limited, que se tornou a maior casa de produção, distribuição e exibição e o maior importador de filmes americanos depois da Primeira Guerra Mundial. Os seus filmes foram marcados por um alto grau de sofisticação técnica, facilitados pela utilização de experientes directores estrangeiros tais como Eugenio De Liguoro e Camille Legrand. Esta experiência foi complementada por grandes cenários e populares histórias mitológicas que asseguravam bons lucros.

As casas de cinema foram estabelecidas em grandes cidades indianas desta época, tal como o Novelty Cinema de Bombaim e o Elphinstone Picture Palace em Calcutá (estabelecido por J. F. Madan em 1907). À parte destes, algumas projecções cinematográficas eram organizadas em tendas. Outra forma popular de exibir filmes eram os cinemas itinerantes. Em 1904, Manek Sethna fundou a Touring Cinema Co. Em Bombaim e um ano mais tarde, Swamikannu Vincent, um projectista de vias-férreas que estabeleceu um cinema itinerante que ia até pequenas cidades e aldeias do sul da Índia.

1910 - 1920

right|thumb|200px|Uma cena do filme Raja Harishchandra. A primeira longa-metragem indiana foi uma narrativa de nome Pundalik, por N. G. Chitre e Dadasaheb Torne. Em 1913 foi produzido Raja Harishchandra, um filme de Dadasaheb Phalke. Phalke assistiu a uma projecção de A Vida de Cristo, no American-India Cinema e sentiu-se inspirado a fazer filmes ele mesmo. Ele estava convencido acerca da possibilidade de estabelecer uma indústria cinematográfica que focasse temas indianos. Nesse respeito ele disse: “Como a vida de Cristo, nós podemos fazer filmes sobre Rama e Krishna”. O filme seria acerca do honesto rei que em nome dos seus princípios sacrificou o seu reino e a sua família perante os deuses, que impressionados com a sua honestidade restauram a antiga glória deste rei. O filme foi um sucesso, e Phalke continuou a fazer filmes mitológicos até à chegada do cinema sonoro, época em que a sua popularidade começou a diminuir.

Em 1918 foi lançado a primeira longa-metragem do Sul da Índia Keechaka Vadham de Rangaswamy Nataraja Mudaliar. No ano seguinte ele fez o filme Draupadi Vastrapaharanam, que incluiu no elenco a atriz anglo-indiana Marian Hill no papel de Draupadi.

1920 - 1940

Por volta de 1920 a produção de filmes na Índia já atingia os 27 filmes anuais.Em 1931 chegam-se a uns incríveis 207 filmes anuais. Nesta época surgiram muitas novas companhias de produção e novos cineastas.

Os anos 30 trouxeram muitas mudanças à indústria cinematográfica, do ponto de vista técnico e estilístico. O fato mais importante ocorreu em 1931 quando foi lançado o primeiro filme sonoro indiano Alam Ara, do director Ardeshir Irani. Este filme foi dublado em hindi e urdu e foi um grande êxito, iniciando uma revolução no cinema indiano. O seu sucesso fenomenal levaram a muitas outras produções que incluíam diálogo, canto e dança. Também no sul da Índia a era dos filmes sonoros havia começado, com os filmes Bhakta Prahlad em telugo e Kalidass em tâmil, ambos também lançados no ano de 1931.

Ao mesmo tempo a década de 1930 é também reconhecida como uma década de protesto social na história do cinema indiano. Nesta época desenvolveram-se três centros cinematográficos principais em Bombaim (Mumbai), Calcutá (Kolkata) e Madras (Chennai). Destes três, Bombaim fazia filmes com o objectivo de uma distribuição mais a nível nacional enquanto que Madras and Calcutá eram conhecidas pelos seus filmes regionais.

1940 - 1960 miniaturadaimagem|Selo indiano de 2007 em homenagem a Ritwik Ghatak A década de 1940 até ao fim da década de 1950, viu a produção de filmes com um alto componente de vibrantes sequências de música e dança, e são considerada por muitos como a época mais memorável da história do cinema indiano. Esta época também viu surgir uma das imagens de marca do cinema indiano as canções em playback, um canto profissional executa a música enquanto que os atores e atrizes dançam e fingem cantar a música. Lata Mangeshkar, e a sua irmã Asha Bhonsle, Muhammed Rafi, Kishore Kumar foram os cantores que dominaram a indústria de cinema hindi.

Os anos 50 foram uma época única no cinema indiano em que surgiram vários directores talentosos. Em 1953 o director de cinema bengali, Ray lançou um dos seus clássicos Pather Panchali. O seu trabalho recebeu o reconhecimento Internacional com o prémio de Melhor Documento Humano no Festival de Cannes, seguiram-se a este muitos outros prémios nacionais e internacionais.

Além de Ray, Mrinal Sen, Ritwik Ghatak e outros receberam um grande reconhecimento internacional pelos seus filmes. Eles são considerados os fundadores do Novo Cinema Indiano. Enquanto que, Satyajit Ray, Mrinal Sen, Aravindan, Ritwik Ghatak, Rituparna Ghosh estavam ser pioneiros no cinema artístico indiano, por volta de mesma época, até mesmo o cinema popular estava a abordar temas sociais, particularmente na indústria de cinema hindi, com cineastas tais como Bimal Roy, Raj Kapoor, Mehboob Khan, Guru Dutt etc. Muitos destes filmes quebraram recordes nas bilheteiras tal como no caso de Do Bigha Zamin de Bimal Roy, Mother India de Mehboob, Shree 420 e Awara de Raj Kapoor e Pyasa de Guru Dutt.

1960 - 1980

Nos anos 60 e 70, de muitos filmes com alto valor de produção. Os filmes em hindi mais populares deste período foram: Pakeeza de Kamal Amrohi, Bobby de Raj Kapoor, Kabhi Kabhi, Amar Akbar Anthony, Hum Kisise Kum Nahin, e Muqaddar ka Sikandar. O filme mais popular de todos que marcou a história do cinema indiano foi Sholay de Ramesh Sippy.

1980 - 2000

Nesta época no cinema comercial hindi, tornaram-se habituais os musicais românticos. Mr. India, Tezaab, Qayamat se Qayamat Tak, Main Pyar Kiya, Chandni, Jo Jeeta Wohi Sikander, Hum Hain Rahi Pyarke, Baazigar, Hum Apake Hai Kaun, Krantiveer, Raja, Dilwale Dulhaniya Le Jayenge, Rangeela foram alguns dos mais populares filmes hindi.

Atualidade

Hoje em dia o cinema indiano, especialmente o cinema Hindi, não só é popular na Índia mas também em partes do Oriente Médio, Paquistão, Reino Unido, Austrália, Estados Unidos e em muitos outros lugares onde existem grandes comunidades indianas. Filmes como Lagaan, Salaam Bombay e Monsoon Wedding têm feito o mercado internacional reparar definitivamente que a Índia está destinada a voos maiores no que diz respeito ao cinema.

Indústrias regionais de cinema

A Índia é um país extenso onde são faladas muitas línguas. De acordo com o censo de 1991 existem cerca de línguas na Índia. Se forem agrupadas as línguas que estão fortemente relacionadas ou dialectos compreensíveis, chegaríamos a um número de 1 576 línguas, ou se consolidarmos ainda mais chegaríamos ao número de 114 línguas principais. Os produtores indianos já fizeram filmes em 30 das línguas mais faladas. Contudo, apenas os maiores grupos linguísticos são apoiados por fortes indústrias cinematográficas. Estes são o hindi, tâmil, telugo, bengali, marata, canarês, e o malaiala. As estatísticas oficiais categorizam os filmes indianos de acordo com a língua em que são distribuídos.

Existe um grande grau de mobilidade entre as indústrias regionais de cinema. Muitos que trabalham em indústrias regionais de cinema, assim que vêm o seu talento e popularidade estabelecidos, passam a trabalhar a nível nacional ou até mesmo internacional. Por exemplo, A. R. Rahman, um dos compositores indianos mais conhecidos do cinema indiano, começou a sua carreira no cinema tâmil em Chennai mas actualmente também trabalha no cinema hindi e internacionalmente em cidades como Londres e Nova Iorque. Similarmente alguns filmes que foram bem sucedidos numa língua foram muitas vezes dublados em outras línguas ou até mesmo ganharam novas versões em outras línguas.

Cinema bengali

thumb|right|250px|Satyajit Ray A história do cinema bengali vem desde a década de 90 do século XIX quando ocorreram as primeiras projecções em Calcutá. Depois de uma década, as primeiras sementes da indústria foram lançadas por Hiralal Sen, quando este fundou a Royal Bioscope Company, que produzia cenas de várias representações teatrais populares do Star Theatre, Minerva Theatre e do Classic Theatre. Muito tempo depois do trabalho de Sen, Dhirendra Nath Ganguly estabeleceu em 1918, a Indo British Film Co, a primeira produtora bengali. Contudo a primeira longa-metragem bengali, Billwamangal, foi produzido em 1919, pelo Mangal Theatre. Bilat Ferat, foi a primeira produção da IBFC, em 1921. A produção do New Theatre, o filme Dena Paona foi o primeiro filme sonoro bengali. Depois disso atravessou-se uma longa história como nomes tais como Satyajit Ray, Mrinal Sen e Ritwik Ghatak e outros que ganharam fama internacional assegurando o seu lugar na história do cinema. Hoje existem duas indústrias de cinema na língua bengali, uma em Kolkota (Calcutá), na Índia e outra menos conhecida em Dhaka, no Bangladesh (chamada de Dhallywood). A indústria de cinema bengali há muito que é centrada em Tollygunge, um distrito de Kolkata, por isso a indústria de cinema bengali também é popularmente conhecida como Tollywood, mistura das palavras Hollywood e Tollygunge.

Os filmes bengalis costumam estar entre os favoritos do júri dos Prémios Nacionais de cinema, quase todos os anos sem excepção. Algumas das personalidades mais populares do cinema bengali incluem Kishore Kumar, Mithu Chakraborty, Uttam Kumar, Soumitro Chatterjee, e mais recentemente Proshenjit. Alguns outros bengalis que foram bem sucedidos são Ashok Kumar, Bimal Roy, Aparna Sen, Shchitra Sen, Hemanta Mukherjee, Maan Dey, Sandhya Mukhopadhyay e Rituparno Ghosh.

Cinema hindi (Bollywood)