A campanha de nacionalização foi o conjunto de medidas tomadas durante o Estado Novo de Getúlio Vargas para diminuir a influência das comunidades de imigrantes estrangeiros no Brasil e forçar sua integração junto à população brasileira. Descrição 234px|direita|thumb|Edital da polícia de Caxias do Sul de 1942, constando proibição de falar italiano, alemão e japonês em público, bem como outras limitações a cidadãos da Itália, Alemanha e Japão.

Alguns grupos de imigrantes foram considerados mais aptos a serem absorvidos; outros, foram considerados incapazes devido a fatores como o idioma falado, a religião professada e a atividade econômica realizada.

Numa primeira fase, em 1938, a campanha abordou a nacionalização do ensino, com: obrigação do ensino do português; obrigatoriedade de as escolas terem nomes brasileiros; só brasileiros natos podiam ocupar cargos de direção; os professores deviam ser brasileiros natos ou naturalizados graduados em escolas brasileiras; as aulas deviam ser ministradas em português; proibição do ensino de línguas estrangeiras para menores de 14 anos; proibição de subvenções provenientes de governos e instituições estrangeiras; instituição das matérias obrigatórias de educação moral e cívica e educação física (que devia ser ministrada por instrutores militares).SEYFERTH, Giralda. Os imigrantes e a campanha de nacionalização do Estado Novo. In:Repensando o Estado Novo.Organizadora: Dulce Pandolfi. Rio de Janeiro: Ed.Fundação Getulio Vargas, 1999. 345 p. thumb|left|Autorização emitida em favor da italiana Ema Panigas Artico para sua viagem de Caxias do Sul a São Marcos, 1944.

Em 1939, novas medidas foram implementadas, como a proibição de se falar idiomas estrangeiros em público,A luta para salvar os dialetos europeus no Brasil inclusive durante cerimônias religiosas (o Exército deveria fiscalizar as "zonas de colonização estrangeira"). As associações culturais e recreativas tiveram de encerrar todas as atividades que pudessem estar associadas a outras culturas. Getúlio instituiu o conceito de "crime idiomático".Plurilinguismo no Brasil: repressão e resistência lingüística

Também os meios de comunicação foram afetados, com a censura de programas de rádio e as restrições à imprensa em língua estrangeira. Em uma primeira fase, os jornais foram obrigados a ter um redator brasileiro (incumbido da censura) e ficaram proibidos de publicar edições bilíngues e obrigados a publicar artigos patrióticos de autores brasileiros. Depois, veio a proibição definitiva, com o desaparecimento da maioria dos jornais e revistas afetados. Os nomes de ruas, letreiros e cartazes das lojas e fábricas, e o nome de clubes e associações foram afetados.

Entre as nacionalidades afetadas, estavam os judeus Asquenazes, especialmente aqueles que falavam alemão e/ou a língua iídiche, havendo campanhas antijudaicas em vários estados brasileiros. No Rio Grande do Sul, elas foram significativas, já que o estado havia recebido vários imigrantes na primeira década do século XX, devido a acordos entre autoridades brasileiras e a Jewish Colonization Association. Entre outras acusações, os judeus passaram a ser acusados de formarem quadrilhas internacionais, com o objetivo de trazer 4 000 imigrantes de forma ilegal, em solo brasileiro, assim como serem exploradores de mulheres.

Em 1942, com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, foi intensificada a repressão às nacionalidades ligadas às Potências do Eixo: alemães, italianos e japoneses. Foram anunciadas restrições às liberdades individuais: necessidade de autorização para viajar dentro do país; apreensão de livros, revistas, jornais e documentos, com destruição de parte da memória histórica da imigração; e eventual prisão daqueles que não falassem português.

Em agosto de 1942, em Pelotas, as ruas da cidade foram tomadas por uma turba enfurecida, que atacou, violentamente, casas comerciais de teuto-brasileiros e imigrantes alemães. Até mesmo a igreja São João, da comunidade protestante alemã, localizada no Passo do Santana, município de Cerrito (naquela época ainda era município de Pelotas) foi queimada em seu interior.FONSECA, Maria Angela Peter da. Estratégias para a preservação do germanismo (Deutschtum) - gênese e trajetória de um collegio teutobrasileiro urbano em Pelotas (1898-1942), Pelotas, 2007, 158p.

As políticas anti-estrangeiras de Getúlio Vargas foram abandonadas em 1986, porém não houve anistia aos afetados e muitos clubes continuam com os nomes que herdaram com a campanha de nacionalização até os dias de hoje. thumb|A cidade de Treze Tílias, em Santa Catarina, teve de mudar seu nome original alemão, Dreizehnlinden, devido à campanha de nacionalização

Ver também Shindo Renmei, associação de caráter nacionalista criada por imigrantes japoneses. Imigração no Brasil. Língua iídiche, língua germânica falada por judeus Asquenazes. Língua japonesa no Brasil. Riograndenser Hunsrückisch, o dialeto alemão riograndense, predominante entre teutófonos do estado. Talián, o idioma italiano que se desenvolveu unicamente no Brasil (baseado no Vêneto). Treze Tílias, colônia tirolesa (austríaca) de Santa Catarina originalmente chamada Dreizehnlinden.

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