Pensamento de grupo (em inglês, groupthink) é uma expressão cunhada pelo psicólogo Irving Janis em 1972, para descrever o processo pelo qual um grupo social pode tomar decisões inadequadas ou irracionais. A adesão do indivíduo ao pensamento de grupo pode ocorrer quando desejo de manter a lealdade do grupo se torna mais importante do que fazer as melhores escolhas. O pensamento de grupo pode fazer com que grupos tomem decisões precipitadas e irracionais, já que a atitude crítica e o dissenso tendem a ser frequentemente tratados como elementos disruptores do equilíbrio coletivo. Segundo Janis, o pensamento de grupo é "uma deterioração da eficiência mental, da capacidade de confrontar a realidade e de julgamento moral que resulta de pressões dentro do grupo". Os membros do grupo frequentemente sofrem de excesso de confiança e têm uma crença inquestionável na competência e na autoridade moral do próprio grupo. A dissidência costuma ser desencorajada e pode até mesmo levar à sua expulsão de membros grupo, e estes, para evitar punições, permanecem em silêncio, o que cria a ilusão de concordância ou unanimidade no grupo.
Ao participar de uma tomada de decisão em grupo, cada indivíduo tende a moldar suas atitudes ou opiniões ao consenso grupal, não só no intuito de reafirmar sua conformidade ao grupo mas também de preservar a própria coesão grupal. Tal comportamento, ainda que prefeitamente racional, pode conduzir cada participante a concordar, a qualquer custo, com o que lhe parece ser o pensamento dominante no grupo. Desse modo produzem-se decisões grupais desconformes com o pensamento de cada indivíduo, o que caracteriza um processo decisório disfuncional ou irracional. Nesse processo de busca da decisão consensual, o grupo tende a minimizar a importância dos conflitos ou mesmo a negar sua existência (eventualmente, desqualificando ou inibindo a expressão de pontos de vista divergentes), em prejuízo de uma avaliação crítica das ideias.
O pensamento de grupo é uma construção da psicologia social, mas tem amplo alcance e influencia a literatura nos campos de comunicação social, ciência política, administração e teoria organizacional,Marques, Juracy C. Pensamento de grupo: O risco de decisões equivocadas e a diversidade de perspectivas na solução de problemas tendo sido aplicado também ao estudo do comportamento de grupos religiosos.
Origem A expressão foi criada em 1952 por William H. Whyte, na revista Fortune:
Irving Janis foi o precursor das pesquisas sobre a teoria do pensamento de grupo. Ele não cita Whyte, mas explica que a palavra groupthink foi criada por analogia com doublethink Traduzido em português como duplipensar. Nessa linha, o termo groupthink poderia ser traduzido como "grupipensar". e termos similares que integravam o vocabulário da novilíngua do romance 1984, de George Orwell. A princípio, assim ele definiu o conceito de pensamento de grupo:
Ver também
Comportamento coletivo Comportamento de manada Comportamento divergente Conformismo Comportamento emergente Decisão por consenso Dinâmica de grupo Efeito adesão Efeito do falso consenso
Experimentos de Asch Grupo de interesse Identidade social Influência social Inteligência coletiva Ostracismo Psicologia das massas Senso comum Viés cognitivo
Bibliografia Giddens, Anthony; Duneier, Mitchell; Appelbaum, Richard P.. Essentials of Sociology. New York. W.W. Norton & Company, 2006. McCauley, Clark. The Nature of Social Influence in Groupthink: Compliance and Internalization. "Journal of Personality and Social Psychology". Vol. 57 (1987), pp. 250–260. Vaughan, Diane. The Challenger Launch Decision: Risky Technology, Culture, and Deviance at NASA. Chicago. University of and Chicago Press, 1996.
Ligações externas
Existe uma origem da crise de identidade do professor? in "Revista Espaço Acadêmico" nº 31, dezembro de 2003 (ISSN 1519.6186) Trabalho em equipe in "Recanto das Letras", 15 de setembro de 2006 Um exemplo prático de pensamento de grupo
Categoria:Comportamento humano Categoria:Consenso Categoria:Pensamento Categoria:Processos grupais Categoria:Vieses cognitivos