Pseudobatos horkelii (anteriormente conhecida como Rhinobatos horkelii), popularmente chamada de raia-viola ou raia-viola-de-focinho-longo, é um elasmobrânquio da família Rhinobatidae, endêmico do Oceano Atlântico OcidentalLessa, R. & Vooren, C.M. (2007). Rhinobatos horkelii (em Inglês). IUCN 2013. Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2013 Versão 2. . Página visitada em 31 de março de 2014.REZENDE, T, M.; BARRETO, R.; FELIZOLA, K. M.. Record of Pseudobatos horkelii (Rhinopristiformes: Rhinobatidae) off the state of Sergipe, Brazil, Southwestern Atlantic Ocean. Pan-American Journal of Aquatic Sciences, v. 15, n. 1, p. 23-27, 2020.MENNI, R.; STEHMANN, M. Distribution, environment and biology of batoid fishes off Argentina, Uruguay and Brazil. A review. Revista del Museo Argentino de Ciencias Naturales Nueva Serie, v. 2, n. 1, p. 69-109, 2000..
Etimologia
Pseudobatos vem das palavras gregas pseudēs, que significa “falso” e batis, “raia”HARPER, Douglas. Online Etymology Dictionary. cf. www.etymonline.comFishBase: A Global Information System on Fishes. FishBase.org. Acesso em 28 de abril de 2021., enquanto horkelii foi batizado em homenagem ao botânico alemão Dr. Johann Horkel da Universidade de Berlim, que proveu uma amostra da espécie preservada em álcoolWATKINS, M.; BEOLENS, B. O. (2015). Sharks: An Eponym Dictionary. Pelagic Publishing Ltd. p. 69. ISBN 978-1-78427-037-7..
Já o nome “raia-viola” foi atribuído por conta do formato do corpo, que se assemelha a um instrumento musical quando visto por cimaMERRIAM-WEBSTER. Online Dictionary. https://www.merriam-webster.com/.
Taxonomia e sistemática miniaturadaimagem De acordo com os esquemas, a raia-viola é do filo dos cordados, e ainda é um peixe cartilaginoso (Chondrichthyes), assim como os tubarões, seus parentes próximos, tanto que muitas vezes costumamos nos referir ao grupo dos “tubarões e raias”SAPERJ (ed.). TUBARÕES E ARRAIAS SÃO PARENTES? 2016. Disponível em: http://saperj.com.br/2016/06/17/tubaroes-e-arraias-sao-parentes/. Acesso em: 03 maio 2021.. Como dito anteriormente, antes a espécie do verbete em questão era denominada de Rhinobatos horkelii, porém, com sua reclassificação em 2016, passou a ser reclassificado como Pseudobatos horkelii. A tabela logo ao lado mostra brevemente a sua classificação taxonômica, desde o Reino até a espécie a qual pertence além de seu estado de conservação/ ameaça atual.
O Clado abaixo, ilustra um pouco a linhagem genética até encontrarmos os cordados (Chordata).
Logo abaixo, podemos agora ver o clado que ilustra brevemente a linhagem genética dos tubarões e raias, e nele está destacada onde se encontra a espécie do verbete: Pseudobatos horkelii.
Distribuição geográfica e habitat De acordo com o Sistema de Informação sobre a Biodiversidade BrasileiraSistema da Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr). Disponível em: <https://ala-hub.sibbr.gov.br/ala-hub/occurrences/search?q=lsid:117296&fq=>. Acesso em: 11 abr. de 2021., teve seu primeiro registro no ano de 1700, no estado do Rio de Janeiro - BR (-23.047718 / -43.349847) e identificado por Garman S. Ledger.
O registro mais recente da P. horkelii ocorreu no ano de 2014, por Alberto Ferreira De Amorim, na cidade de Santos/SP - BR (-24.5 / -45783333), mais precisamente na plataforma Continental entre 40 e 70 metros de profundidade. Os referidos dados podem ser acessados na base de dados do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio)https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/comunicacao/publicacoes/publicacoes-diversas/livro_vermelho_2018_vol6.pdf .
Os seguintes mapas demonstram a distribuição da espécie ao longo da costa brasileira, tendo inclusive registros em parte da costa uruguaia. É possível perceber maior concentração da espécie na região do extremo sul e sudeste do BrasilOpenStreetMap. Disponível em: <https://www.openstreetmap.org/export#map=4/-15.03/-37.79>. Acesso em: 11 abr. de 2021..{ "type": "FeatureCollection", "features": [
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] }Em geral, seu habitat é configurado por ambientes bentônicos da plataforma continental, podendo ser encontrados em fundos de areia ou de lama. A Raia-viola adulta vive nas águas costeiras mais rasas de novembro a março, época de acasalamento e nascimento dos filhotes. Em seguida, movem-se para o mar e podem ser encontradas pelo resto do ano em águas de até 130 pés de profundidade. Os recém-nascidos e juvenis vivem em águas de até 20 pés de profundidade durante todo o anoNATIONAL OCEANIC AND ATMOSPHERIC ADMINISTRATION. Brazilian Guitarfish. NOAA Fisheries Species Directory. 2021. Disponível em: <https://www.fisheries.noaa.gov/species/brazilian-guitarfish>. Acesso em: 11 abr. de 2021.. Na região sul do Brasil, ocorre ao longo do ano, sem variação sazonal de sua abundância, classificando-a como espécie residente desta área como um todoVOOREN, C. M.; LESSA, R. P.; KLIPPEL, S. Biologia e Status de Conservação da Viola Rhinobatos horkelii. Ações para a conservação de tubarões e raias no su do Brasil. Porto Alegre: Igaré, 2005. 262 p. Disponível em: <https://www.researchgate.net/publication/299573092_Biologia_e_Status_de_Conservacao_da_Viola_Rhinobatos_horkelii>. Acesso em: 11 abr. de 2021..
Biologia e história natural
Reprodução e Ciclo de Vida P. horkelii é uma espécie vivípara de gestação lecitotrófica, onde os embriões desenvolvem-se utilizando os grandes sacos vitelinos dos ovócitos maduros como reserva nutricionalWOURMS, J. P.; GROVE, B. D.; LOMBARDI, J. The Maternal-Embryonic Relationship in Viviparous Fishes. In: Fish physiology. Academic Press, 1988. p. 1-134.. Esses ovócitos contém aproximadamente 30 g de vitelo, utilizados pelos embriões até nascerem com peso médio de 50 g. Após o nascimento, o neonato ainda possui dentro de seu abdômen uma reserva de cerca de 7 g de vitelo, que o sustenta durante os primeiros dias de sua vida livreLESSA, R.; VOOREN, C. M.; LAHAYE, J. Desenvolvimento e ciclo sexual das fêmeas, migrações e fecundidade da viola Rhinobatos horkelii (Müller & Henle, 1841) do Sul do Brasil. Atlântica, v. 8, p. 5-34, 1986.. Durante todo o primeiro ano de vida os filhotes e juvenis permanecem em águas rasas costeirasVOOREN, C. M.; LESSA, R P. T.; BARRETO, R. R. P.; MONTEALEGRE-QUIJANO, S.; KOTAS, J. E.; SANTOS, R. A. Pseudobatos horkelii Müller e Henle, 1841. In.: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. (Org.). Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Vol. VI - Peixes. 1ed.Brasília: ICMBio. 2018; 6:1092-1096. (https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/comunicacao/publicacoes/publicacoes-diversas/livro_vermelho_2018_vol6.pdf) LESSA, R. P. Biologie et dynamique des populations de Rhinobatos horkelii (Muller and Henle, 1841) du Plateau continental due Rio Grande so Sul (Brésil). Ph. D. diss. Oceanography, Univ. Bretagne Occidentale, 1982..
O ciclo reprodutivo desses batóides é anual e sincronizado entre a população, o que significa que todas as fêmeas adultas dão à luz na mesma época do ano. Migrações sazonais ocorrem entre profundidades e estão relacionadas com o ciclo reprodutivo da espécie e variações de temperatura ao longo da costa da Plataforma Sul. Após a cópula, as fêmeas se dispersam em águas profundas, onde mantêm seus embriões em letargia por muitos meses até o final da primavera, quando retornam para águas costeiras rasas (em profundidades de até 20 m) e mais quentes (20 a 25 oC) e o desenvolvimento embrionário se inicia. Desse modo, o período entre a fecundação e o nascimento dos neonatos é de aproximadamente 12 meses, embora o desenvolvimento do embrião dure apenas 4 meses. Logo após o parto, as fêmeas copulam novamente, e em todos os momentos, exceto durante o breve intervalo entre o parto e a gravidez subsequente, as fêmeas adultas estão prenhes, e tem de 3 a 12 filhotes por gestação. O tamanho da ninhada está relacionado ao tamanho das fêmeas adultas, que podem chegar a 135 cm de comprimento total (CT), enquanto os machos podem atingir CT de 125 cm.
Já a maturidade sexual inicia-se nos machos dos 4 aos 5 anos, com 75 cm a 87 cm de comprimento total. Nas fêmeas ocorre dos 5 aos 8 anos, com 75 cm a 110 cm de CT, sendo que a maturidade tardia nas fêmeas se dá por conta da maior longevidade, podendo chegar a 28 anos, em comparação com os machos que costumam viver aproximadamente 15 anos.
Alimentação A alimentação das raias-viola é composta por invertebrados bentônicos, poliquetas, crustáceos, moluscos bivalves e peixes.
Características da espécie Os representantes do gênero Pseudobatos são reconhecidos por possuírem o corpo coberto por dentículos dérmicos, caudas longas e largas e região anterior do corpo em formato de disco subtriangular, com focinho rígido formado por uma grande cartilagem rostral. Possuem narinas compridas com coroa transversalmente achatada. As raias da espécie P. horkelii ainda apresentam de 56 a 68 dentes na mandíbula superior e 62 a 74 dentes na inferior, que aumentam de tamanho em direção ao centro das mandíbulas, e o dorso de coloração uniforme marrom-chocolate ou verde-oliva acinzentado, não possuindo marcas mais pálidas ou escuras. As barbatanas dorsais têm formato triangular e possuem tamanhos semelhantes, com margens retas ou ligeiramente convexasVOOREN, C.M.; LESSA, R.P.; KLIPPEL, S. 2005. Biologia e status de conservação da viola Rhinobatos horkelii. In: VOOREN, C. M.; KLIPPEL S. (Ed.). Ações para a conservação de tubarões e raias no sul do Brasil. Porto Alegre: Igaré, p. 33-56.Pollom, R., Barreto, R., Charvet, P., Chiaramonte, G. E., Cuevas, J. M., Herman, K., Martins, M. F., Montealegre-Quijano, S., Motta, F., Paesch, L & Rincon, G. 2020. Pseudobatos horkelii. The IUCN Red List of Threatened Species 2020: e.T41064A2951089. HTTPS://DX.DOI.ORG/10.2305/IUCN;UK.2020-3.RLTS.T41064A2951089.EN. Downloaded on 22 may 2021.BIGELOW, Henry Bryant; SCHROEDER, William Charles. Fishes of the Gulf of Maine. US Government Printing Office, 1953..
O crescimento do clásper é mais rápido perto da idade em que se atinge a maturidade sexual, padrão comumente observado em várias espécies de elasmobrânquios. Testículos e ovários também tornam-se mais pesados em função do CT de machos e fêmeas. O aumento de peso das gônadas reflete o investimento na reprodução através da atividade vitelogênica e da secreção de espermatozoidesMaruska, K. P., Cowie, E. G., & Tricas, T. C. (1996). Periodic gonadal activity and protracted mating in elasmobranch fishes. Journal of Experimental Zoology, 276(3), 219–232. https://doi.org/10.1002/ (ISSN)1097-010XMartins, M. F., Pasquino, A. F., & Gadig, O. B. F. (2018). Reproductive biology of the Brazilian guitarfish, Pseudobatos horkelii (Müller & Henle, 1841) from southeastern Brazil, western South Atlantic. Journal of Applied Ichthyology, 34(3), 646–652. doi:10.1111/jai.13652.
Comportamento