thumb|Psiquê reanimada pelo beijo de Cupido, escultura de Antonio Canova.

Limerência é um estado cognitivo e emocional involuntário que resulta de um desejo romântico por outra pessoa (objeto da limerência) combinado por uma intensa, avassaladora e obsessiva necessidade de se ter o sentimento correspondido. O termo foi cunhado em 1979 pela psicóloga e escritora norte-americana Dorothy Tennov para descrever o conceito que havia surgido em suas pesquisas em meados da década de 1960, quando entrevistou mais de 500 pessoas sobre o amor. A palavra apareceu pela primeira vez no ano de 1979 livro "Love and Limerence: The Experience of Being in Love" (Amor e Limerência: A Experiência de Estar Apaixonado, em tradução livre).

Mais recentemente, a limerência foi definida em relação ao transtorno obsessivo-compulsivo como “um estado interpessoal involuntário que envolve pensamentos, sentimentos e comportamentos intrusivos, obsessivos e compulsivos que são contingentes e dependem da percepção de reciprocidade emocional da parte do objeto de interesse”.

Limerência também foi definida em termos de seus efeitos potencialmente inspiradores e de sua relação com a teoria do apego, que não é exclusivamente sexual, como sendo "um estado involuntário potencialmente inspirador de adoração e de apego a um objeto da limerência envolvendo pensamentos, sentimentos e comportamentos intrusivos e obsessivos que vão da euforia ao desespero, a depender da reciprocidade emocional percebida”.

A teoria do apego enfatiza que "muitas das mais intensas emoções surgem durante a formação, manutenção, interrupção e renovação dos primeiros laços afetivos".John Bowlby, "Attachment", in Richard Gregory ed, The Oxford Companion to the Mind (Oxford 1987) p. 57 Sugere-se que "o estado de limerência é a experiência consciente da motivação do incentivo sexual" durante a formação de um vínculo: "uma espécie de experiência subjetiva da motivação do incentivo sexual" durante o "intensivo... estágio de formação de pares" do vínculo afetivo humano.

A limerência pode durar dias, meses, anos, ou até mesmo pelo resto da vida da pessoa afetada.

Características "O conceito de limerência oferece um contorno especial ao domínio semântico do amor", sendo uma tentativa de fazer um estudo científico sobre a natureza do amor. Limerência é considerada o estado cognitivo e emocional de uma pessoa que está emocionalmente apegada ou até mesmo obcecada por uma outra pessoa. Este estado é geralmente experimentado de maneira involuntária e caracterizado por um forte desejo de reciprocidade dos sentimentos, uma forma quase obsessiva de amor romântico. Para Tennov, "a atração sexual é um componente essencial da limerência... o objeto de limerência é um parceiro sexual em potencial".

Limerência é às vezes também interpretada como paixão, ou o que é popularmente conhecido como "uma atração", no entanto, no discurso comum, a paixão inclui aspectos de imaturidade e extrapolação causados for insuficiência de informações, e geralmente dura um período menor. Tennov observa como a limerência "pode ​​dissolver-se logo após o seu início, como no começo de uma atração adolescente centrada em frenesi", mas a pesquisadora se concentra mais no momento em que "vínculos limerentes são caracterizados pela cristalização de "entropia", como descrito por Stendhal em seu ensaio Sobre o amor, de 1821, onde uma nova paixão amorosa começa a se transformar perceptivamente... características atraentes são exageradas e características não atraentes recebem pouca ou nenhuma atenção.... [criando] um objeto de limerência" .

De acordo com Tennov, existem pelo menos dois tipos de amor: a) "limerência", que ela descreve como, dentre outras coisas, "apego amoroso", e b) "afeto amoroso", o vínculo que existe entre um indivíduo e seus pais e filhos. Ela observa, no entanto, que uma forma pode evoluir para a outra: 'aqueles cuja limerência foi substituída pela ligação afetiva com o mesmo parceiro podem dizer... "éramos muito apaixonados quando nos casamos, hoje nós nos amamos muito". A distinção é comparável com a conclusão de etólogos "entre as funções da atividade sexual de formação de par e manutenção de par", assim como "a fixação descrita pelos teóricos do apego é muito semelhante à necessidade de reciprocidade emocional apontada no conceito de limerência de Tennov, e ambas estão ligadas à sexualidade.

A limerência é caracterizada por pensamentos intrusivos e sensibilidade acentuada a eventos externos que refletem a disposição do objeto de limerência para com o indivíduo afetado, e pode ser experienciada como felicidade intensa ou extremo desespero, dependendo da reciprocidade dos sentimentos. Basicamente, é o estado de se deixar completamente levar por uma paixão ou amor, irracionais, chegando até mesmo ao ponto de dependência psicológica. Normalmente, a pessoa é inspirada por uma intensa paixão ou admiração por alguém. A limerência pode ser difícil de entender para quem nunca viveu o sentimento, sendo portanto um estado muitas vezes menosprezado por não-limerentes como fantasias ridículas ou uma construção de ficção romântica.

Tennov diferencia entre limerência e outras emoções, afirmando que o amor envolve a preocupação com o bem-estar e os sentimentos da outra pessoa. Enquanto a limerência não exige isso, essas preocupações podem certamente ser incorporadas. Afeto e carinho estão normalmente à disposição de uma outra pessoa, independentemente desses sentimentos serem recíprocos, enquanto na limerância, se deseja profundamente uma retribuição, embora o sentimento permaneça inalterado caso não haja reciprocidade. O contato físico com o objeto de limerência não é necessário nem basta para que haja uma experiência individual de limerência, ao contrário do que experimenta pessoas que sentem atração sexual.

Quando padrões de apego insalubres ou traumas de infância influenciam a limerência, o objeto de limerência pode ser construído como uma idealização das figuras envolvendo o apego doentio ou trauma originais. Em tais casos, a falta de reciprocidade pode, na verdade, servir para reforçar as lições aprendidas em experiências de laços afetivos insalubres anteriores, e, portanto, reforçar a limerência.

Componentes A limerência envolve o pensamento intrusivo sobre o objeto de limerência. Outras características incluem desejo agudo de reciprocidade, medo da rejeição e timidez inquietante na presença do objeto de limerência. Em casos de limerência não correspondida, o alívio temporário pode ser encontrado em imaginar vividamente a reciprocidade do objeto de limerência. Tennov sugere que os sentimentos de limerência podem ser intensificados com adversidades, obstáculos ou distância – Intensificação através de adversidade". Uma pessoa com limerência aguda pode apresentar sensibilidade a qualquer ato, pensamento ou condição que possam ser interpretados favoravelmente. Isto pode incluir uma tendência a conceber, fabricar ou inventar explicações "razoáveis" para justificar por que ações neutras seriam sinais de uma paixão oculta da parte do objeto de limerência.

Uma pessoa que experimenta limerência apresenta uma intensidade geral de sentimentos que minimizam outras preocupações. Em seus pensamentos, uma pessoa limerente tende a enfatizar o que é admirável no objeto de limerência e evitar quaisquer atributos negativos ou problemáticos.

Pensamento intrusivo e fantasia miniaturadaimagem|400x400px|Francesca da Rimini (c. 1890) por José Benlliure Gil. Francesca, uma figura histórica e caso de amor trágico, é representada na Divina Comédia de Dante como atormentada pela paixão, condenada a um círculo do Inferno junto a um redemoinho de outros amantes No auge da limerência, pensamentos sobre o objeto de limerência são, ao mesmo tempo, persistentes, involuntários e intrusivos. Tais "pensamentos intrusivos sobre o objeto de limerência, parecem ser motivados geneticamente": De fato, a limerência é, antes de tudo, uma condição de obsessão cognitiva. Todos os eventos, associações, estímulos e experiências voltam os pensamentos para o objeto de limerência com uma consistência enervante, enquanto que, inversamente, os pensamentos constantes sobre o objeto de limerência definem todas as outras experiências. Se um determinado pensamento não tem nenhuma conexão anterior com o objeto de limerência, logo uma conexão é estabelecida.

A fantasia limerente é insatisfatória a menos que seja enraizada na realidade, porque o sonhador pode querer que a fantasia pareça realista e de alguma forma viável. Em estado grave, os pensamentos intrusivos podem ocupar completamente as horas de vigília de um indivíduo, resultando – como no caso de dependência grave – em interrupção significativa ou completa dos interesses normais e atividades da pessoa limerente, incluindo trabalho e família. Para limerentes em série, isso pode resultar em debilitante insucesso constante ao longo da vida na escola, trabalho e família. Comparações feitas entre limerência e dependência de substâncias tóxicas podem chamar a atenção para a constante, disponibilidade livre e gratuita da "droga eleita" pelo limerente, uma vez eles estão essencialmente sofrendo por um desequilíbrio químico no cérebro.

Fantasias relacionadas com ideias impossíveis são normalmente descartadas pelo sonhador. Às vezes, a fantasia é retrospectiva: eventos reais são reproduzidos com grande vivacidade a partir da memória. Esta forma predomina quando aquilo que é visto como evidência de uma possível reciprocidade pode ser re-vivenciado (uma espécie de história seletiva ou revisionista). Caso contrário, a longa fantasia é antecipatória, começando no cotidiano e culminando na realização do objetivo. A fantasia limerente também pode envolver um evento incomum, muitas vezes trágico.

As longas fantasias formam pontes entre a vida cotidiana do limerente e o momento de êxtase intensamente desejado. A duração e a complexidade de uma fantasia dependem da disponibilidade de tempo e a ausência de distrações. A felicidade do momento de consumação imaginado é maior quando os eventos imaginários que o precedem são possíveis (ainda que representem graves desvios do provável). Nem sempre são inteiramente agradáveis, e quando a rejeição parece provável, os pensamentos se concentram em desespero, às vezes ao ponto do suicídio. O caráter agradável ou desagradável do estado parece ser quase independente da intensidade da reação. Embora a direção do sentimento, ou seja feliz vs infeliz, mude rapidamente, com "picos dramáticos de flutuabilidade e desespero", a intensidade dos pensamentos intrusivos e involuntários altera-se menos rapidamente, e apenas em resposta a um acúmulo de experiências com o particular objeto de limerência.

Pessoas limerentes ocasionalmente têm fantasias em sonhos. Tais sonhos apresentam uma forte emoção e felicidade quando experienciados, mas muitas vezes acabam em desespero quando a pessoa desperta. Os sonhos podem reacender sentimentos fortes em relação ao objeto de limerência após a diminuição dos sentimentos.

Medo da rejeição Junto com a ênfase em qualidades positivas percebidas no objeto de limerência e a preocupação com a esperança pela correspondência dos sentimentos, há um temor de que o sentimento esbarre no exato oposto de reciprocidade: a rejeição. Pode-se experimentar dúvidas e incertezas consideráveis, levando a "incapacitação pessoal expressa através de uma timidez perturbadora na presença da pessoa [objeto de limerência]" - algo que provoca dor, mas também de uma certa forma aumenta o desejo, e pode ainda se espalhar para situações que envolvam outros possíveis objetos de limerência, embora geralmente não afete outras esferas da vida.