Ekatarina Velika (Português: Catarina, a Grande, também conhecida como EKV) foi uma banda de culto da década de 80 na ex-Jugoslávia, (actualmente Sérvia), tendo sido também um dos grupos mais influentes a emergirem na cena musical de Belgrado.
Inicialmente chamado Katarina II, o grupo conseguiu sobreviver ao abandono de alguns dos seus membros ao longo dos anos, tornando-se, na sua carreira de doze anos, numa das mais importantes bandas rock de todos os tempos. O núcleo duro da banda era constituído por Milan Mladenović (vocalista/guitarrista), Margita Stefanović (teclista) e Bojan Pečar (baixista).
História Katarina II (1982–1984) Após o fim dos Šarlo Akrobata, em Fevereiro de 1982, Milan Mladenović (guitarra, vocais) decide, juntamente com Gagi Mihajlović (guitarra), Dušan Dejanović (bateria) e Zoran “Svaba” Radomirović (baixo), formar uma nova banda. Baptizada de Katarina II, devido ao amor não-correspondido de Gagi por uma rapariga chamada Katarina, a primeira fase do grupo é marcada pela instabilidade, com muitos dos elementos da banda a abandonarem o projecto. No final de 1982, após uma actuação na sala de cinema Topčiderska Zvezda, Margita Stefanović junta-se ao grupo. Pianista clássica de formação, Margita irá dar um novo alento à secção rítmica dos Katarina II, desfalcada desde a saída de “Svaba” para os Du Du A e de Dejanović para os Disciplina Kičme, liderados por Dušan Kojić "Koja", antigo companheiro de Milan nos Šarlo Akrobata.
A vaga aberta na bateria seria preenchida por um antigo elemento dos Grupa I, Branko Kuštrin “Mango”, o qual ficaria com os Katarina II por apenas alguns meses, sendo substituído pelo antigo colega de Milan nos Šarlo Akrobata, Ivan Vdović “VD”. No início de 1983, Bojan Pečar, antigo baixista dos VIA Talas , torna-se membro da banda. Na primavera desse mesmo ano, os Katarina II participam na Bienal de Zagreb, sendo bem recebidos pela crítica. Pouco tempo depois, gravam o material para o seu álbum de estreia, contando com a colaboração do actor Svetislav Goncić na flauta. As sessões de gravação das músicas foram concluídas no estúdio Druga Maca. Mas, devido a uma conjugação de factores, muitos deles tendo que ver com a fraca qualidade do equipamento técnico, o material ficou inutilizado.
No ano seguinte, nos estúdios da Radiotelevizija Slovenija, a banda aceitou a proposta do músico Srdan Marjanović, à época director musical da editora ZKP RTLJ, para re-gravar as músicas do álbum de estreia. Katarina II, o homónimo álbum de estreia, seria lançado em 1984, com a maioria das letras a serem escritas por Milan, exceptuando-se apenas as canções Vrt (Jardim) e Platform (Plataforma), compostas por Gagi, enquanto que a melodia partia de uma colaboração entre os dois. Em faixas como Aut (Fora), Jesen (Outono), Radostan Dan (Dia Alegre), Treba da Se Čisti (Precisas de Ser Limpo), Ja Znam (Eu Sei), a banda conseguiu conciliar a sensibilidade descritiva das letras de Milan com a energia do estilo new wave. O disco foi produzido por Đorđe Petrović e contou com a participação de artistas convidados como Mario Čelik nas congas e do membro dos Film, Juri “Kuzma” Novoselić no saxofone.
Pouco tempo depois do lançamento do álbum, a banda passou por novos ajustes no seu alinhamento. Após desentendimentos com Milan quanto ao rumo da banda e de ter tido problemas com a Justiça, acabando preso, Gagi, após cumprida a pena, seria informado pelos restantes membros dos Katarina II de que já não era membro do grupo. No entanto, como Gagi reclamava direitos autorais pela utilização do nome Katarina II, a banda viu-se forçada a escolher outro. Acrescendo a este facto, Vdović sairia também da banda, devido a problemas relacionados com o consumo de drogas, juntando-se mais tarde aos Du Du A e, posteriormente, aos Heroji. Ivan Fece “Firchie”, antigo baterista dos Luna, seria o seu substituto.
Ekatarina Velika, S Vetrom uz Lice (1984-1987) Com o fim dos Katarina II, os restantes membros da banda continuaram a trabalhar, escolhendo para o grupo um novo nome, Ekatarina Velika (Catarina, a Grande, em referência à antiga czarina da Rússia). Durante esta fase, os EKV dão inúmeros concertos por toda a ex-Jugoslávia, parando amiúde em Belgrado, Zagreb e Ljubljana (capitais das repúblicas sérvia, croata e eslovena, respectivamente), onde fazem as suas aparições nas televisões locais.
No início de 1985, gravam o seu segundo álbum, o primeiro como Ekatarina Velika. Igualmente homónimo do nome da banda, o novo disco é gravado nos estúdios Sim, em Zagreb, sendo produzido por Vladimir Smolec e pelos membros do grupo. Contando com as participações especiais de Massimo Savić, vocalista dos Dorian Gray e de Tomo in der Mühlen, guitarrista dos Karlowy Vary, o álbum proporciona à banda alguns dos seus primeiros sucessos. Oči Boje Meda (Olhos Cor de Mel), Modro i Zeleno (Azul e Verde) e Tattoo (Tatuagem). Levando à letra o nome desta última canção, a capa do álbum, criada por Dušan Gerzić, apresenta os elementos da banda com o corpo pintado com motivos utilizados nos rituais dos índios americanos. Após o lançamento do álbum, a 22 de Março de 1985, os EKV tocaram fora da Jugoslávia pela primeira vez na sua carreira, deixando uma boa impressão no festival Dias da Cultura, em Turim, Itália. Outro concerto memorável tem lugar em Zagreb, inserido no programa Bolje vas Našli, que fomentava o intercâmbio entre bandas de diferentes repúblicas da ex-Jugoslávia.
Em finais de 1985, Fece deixou a banda para cumprir o serviço militar obrigatório no JNA (Exército da Jugoslávia), juntando-se posteriormente aos Laboratorija Zvuka. Para o seu lugar chegou Ivan Ranković “Raka”, da banda Tvrdo Srce i Velike Uši. No ano seguinte, já com o novo alinhamento estabilizado, os EKV lançam o seu terceiro álbum, S Vetrom uz Lice (Contra o Vento), que seria a sua rampa de lançamento para o estrelato. O disco, produzido por Milan, Margita e Dragan Čačinović, teve como principal característica a utilização do sampler de 8 bits, E-mu Emulator II. Com os sucessos Budi Sam na Ulici (Sozinho na Rua), Ti Si Sa Moj Bol (Vocês São a Minha Dor), Kao da je Bilo Nekad (Como Era Uma Vez) e Novac u Rukama (Dinheiro nas Mãos), veio a recepção pouco calorosa, queixando-se os críticos das semelhanças com o trabalho dos Simple Minds.
Lançado o álbum, o grupo fez várias tournées pela Jugoslávia, gravando uma das suas cinco actuações no clube Kulušić, todas elas com lotação esgotada. O material, gravado a 2 de Novembro de 1986, seria lançado no início de 1987, no álbum ao vivo EKV 19LIVE!86. A banda promoveu o lançamento deste álbum em Belgrado, durante o mês de Janeiro, triunfando em toda a linha com os seis concertos esgotados no centro cultural Dom Omladine. Ainda na primavera desse ano, Ivan Ranković decidiu sair dos EKV, de modo a formar um novo grupo (Ulica Od Meseca) com os seus antigos companheiros dos Tvrdo Srce i Velike Uši. Ranković foi substituído pelo actor Srđan Todorović, antigo baterista dos Disciplina Kičme. A sua primeira aparição com a banda surge a 9 de Abril, no festival New Rock, realizado no clube La Locomotive, em Paris. No outono desse mesmo ano, os EKV recebem o prémio Sedam Sekretara SKOJa pelos seus sucessos musicais.
Ljubav, Samo Par Godina za Nas (1987-1991) Durante o verão de 1987, a banda apresenta o seu novo disco, Ljubav (Amor), co-produzido pela banda e pelo músico australiano Theodore Yanni. O novo trabalho evidenciava um som mais orientado para as sequências rítmicas das guitarras. A capa seria da autoria de Margita e do artista Vuk Vidor. Temas relevantes deste novo álbum foram Zemlja (Terra), Pored Mene (Além de Mim), Ljubav (Amor), 7 Dana (7 Dias) e Ljudi iz Gradova (Pessoas das Cidades). Ljubav continha ainda o primeiro sinal da sombria presciência que haveria de marcar alguns dos maiores sucessos da banda, a canção Tonemo (Afundamo-nos). A banda cimentaria ainda com este álbum o seu estatuto de atracção ao vivo, esgotando por duas vezes a arena de desporto Pionir Hall. Nova tournée é iniciada em princípios de 1988, convidando os EKV a vocalista dos Oktobar 1864, Tanja Jovićević, e o vocalista e guitarrista dos Van Gogh, Zvonimir Đukić, como músicos de apoio nos espectáculos ao vivo. Fece regressa à banda, substituindo Todorović na bateria durante a digressão, antes de se mudar para Nova Iorque, em Maio desse mesmo ano.
Em Janeiro de 1989, a banda conclui as gravações do seu quinto álbum de estúdio, Samo Par Godina za Nas (Apenas Alguns Anos para Nós), contando com a colaboração de Mitar Subotić (produção do álbum, guitarra) e Tanja Jovićević (voz de apoio). Visto pelos críticos como a mera continuação do álbum anterior, Samo Par Godina za Nas acabaria por se tornar num dos melhores álbuns da história do rock. Sucessos como Krug (Círculo), Srce (Coração) e Par Godina za Nas (Alguns Anos para Nós) marcariam toda uma geração. A banda estava agora no seu auge, actuando no festival EBU-UER em Novi Sad e, em 1990, no festival Midem, em Cannes, e na primeira bienal de música rock europeia realizada em Toulouse. No final desta digressão, Todorović deixa a banda com o intuito de se focar na sua carreira de actor. Bojan Pečar decide também partir, mudando-se para Londres. Entretanto, para colmatar estas saídas, os EKV convidam o antigo baterista dos U Škripcu, Marko Milivojević, e Miško Petrović "Plavi", antigo baixista dos VIA Talas, D’ Boys e Piloti.
Dum Dum, Neko nas Posmatra (1991-1994) Em 1991, os EKV lançam um novo álbum, intitulado Dum Dum (Bang Bang). Tendo como artistas convidados o antigo membro dos Plejboj, Bata Božanić, Dušan Petrović (ambos baixistas), Tanja Jovićević (voz de apoio), Zvonimir Đukić (guitarra) e Mitar Subotić nos teclados, o álbum será o reflexo da situação política do país, mergulhado numa guerra fratricida entre as diferentes repúblicas que constituíam a República Socialista Federativa da Jugoslávia. Produzido por Theodore Yanni, terá como principais canções Dum Dum (Bang Bang), Idemo (Vamos), Zabranjujem (Eu Proíbo) e Bledo (Pálido). No ano seguinte, Milan participa no projecto musical anti-guerra Rimtutituki, que contaria ainda com a colaboração de membros dos Električni Orgazam e dos Partibrejkers, lançando o single Slušaj 'Vamo (Oiçam).
No verão de 1992, a banda partiu em digressão com o seu novo baixista, Dragiša Uskoković "Ćima”. A 25 de Setembro desse ano, Ivan Vdović, antigo baterista dos EKV, morre, vitimado pela SIDA.
O último álbum de estúdio do grupo, Neko nas Posmatra (Alguém nos Observa), será lançado em Maio de 1993. Partindo de uma abordagem mais acessível ao grande público em termos de som, nem por isso deixam as letras de manter uma toada pessimista quanto ao futuro, sendo, porém, bastante menos pesado que o seu predecessor, Dum Dum. Os principais destaques deste álbum foram Zajedno (Juntos), Just Let Me Play Some Modern R'n'R Music (Apenas Deixem-me Tocar Alguma Música Rock), Jadransko More (Mar Adriático) e Ponos (Orgulho). Pela primeira vez, a banda inclui uma cover, Istina Mašina, música originalmente tocada pela banda jugoslava Time. Este álbum foi produzido por Milan e teve como convidados Srđan Todorović, Tanja Jovićević e um coro de crianças (na canção Jadransko More).