Antonio Augusto da Silva Fagundes (Alegrete, Dicionário Cravo Albim de Música Brasileira – Porto Alegre, ), conhecido como Nico Fagundes, foi um poeta, compositor, ator, advogado e apresentador de televisão brasileiro.

Reconhecido na cultura gaúcha, foi premiado diversas vezes como poeta, novelista, compositor, autor e ator de teatro, televisão e cinema. É respeitado como autoridade em Folclore gaúcho, História do Rio Grande do Sul, Antropologia, Religiões afro-gaúchas, Indumentária do Rio Grande do Sul, Cozinha Gauchesca e danças folclóricas.

Dedicou atenção à relação da cultura gaúcha com o restante do Brasil e com os países da bacia do Prata. Ao longo da carreira, constituiu acervo bibliográfico de referência e desenvolveu atuação como pesquisador e conferencista bilíngue, com reconhecimento no Rio Grande do Sul, no Uruguai e na Argentina, tendo obras citadas como referência no campo.

Biografia Filho de Euclides Fagundes e Florentina da Silva Fagundes, era formado em Direito, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul e mestre em Antropologia Social. Todos os seus cursos foram realizados na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Aos 16 anos, começou a trabalhar no jornal Gazeta de Alegrete como cronista e repórter. Na Rádio Alegrete, apresentou programas humorísticos e gauchescos.

Em 1954, com 20 anos, mudou-se para Porto Alegre e, como poeta, é apresentado ao 35 CTG por Lauro Rodrigues. Tornou-se amigo e companheiro de Waldomiro Souza, Horácio Paz, João Palma da Silva, Amandio Bicca, Niterói Ribeiro, Luiz Menezes, José Hilário Retamozo, Hugo Ramirez e João da Cunha Vargas, ícones da poesia gauchesca da época. Todos frequentavam o rodeio do 35 CTG, às quartas de noite e aos sábados de tarde, na Avenida Borges de Medeiros, no quinto andar da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul).

Ainda em 1954, começou a trabalhar no jornal A Hora, onde lançou Jayme Caetano Braun (cujo ingresso no 35 CTG ele apadrinhou), Aparício Silva Rillo e José Hilário Retamozo. No final da década, ingressou na TV Piratini.

Em 7 de maio de 1960, casou-se com a professora Marlene Nahas, e juntos, fundaram o Grupo de Danças Folclóricas, apresentando-se em vários lugares do mundo. O casal teve cinco filhos: Antonio Augusto Fagundes Filho, Márcia Nahas Fagundes, Valéria Nahas Fagundes, Rodrigo Nahas Fagundes e Alexandra Nahas Fagundes. Fundaram, também, o Brique da Redenção. Nos anos 1970, Marlene formou-se em Direito na UFRGS. O casal permaneceu junto por 26 anos, separando-se em 1986. Nico casou mais duas vezes e teve mais um filho do segundo casamento, André Taquari Nunes Fagundes.

Tornou-se amigo, nos anos 1960, de Glaucus Saraiva, com quem anteriormente brigou pelos jornais. Depois, tornaram-se admiradores mútuos.

Durante 30 anos, a partir de 1982, esteve à frente do programa dominical Galpão Crioulo, da RBS TV, onde tornou famoso o bordão "Gaúchos e gaúchas de todas as querências". Nico apresentou quase 1,5 mil programas até 13 de maio de 2012, quando passou o comando para seu sobrinho Neto Fagundes.

Ganhou prêmios e concursos em Vacaria, Alegrete e em Porto Alegre. Em 1986, recebeu o título de Cidadão Emérito de Porto Alegre, pela Câmara Municipal de Porto Alegre.

Foi um dos fundadores, em 1990, da Confraria dos Cavaleiros da Paz, atualmente Embaixadores da Tradição e do Folclore do Rio Grande do Sul. Aceitou o desafio de um conterrâneo para refazer a cavalo caminhos antes traçados pela guerra. No dia 1 de junho daquele ano, no comando da primeira grande Cavalgada, Nico ponteava e soltava o grito “- De a cavalo, indiada!”, brado que marcaria todas as cavalgadas sob seu comando.

Também foi um dos criadores do Conjunto de Folclore Internacional Os Gaúchos, onde foi diretor durante 15 anos, e da Escola Gaúcha de Folclore, de nível superior e ligada ao Instituto de Tradições e Folclore e que funcionou durante seis anos.

Como advogado, teve como clientes cantores e personalidades ligadas à cultura regional gaúcha, como Teixeirinha e Gildo de Freitas.

Em 2000, ele teve um acidente vascular cerebral (AVC), ficando hospitalizado por dois meses mas se recuperando. Em 2010, chegou a ficar em coma induzido após uma infecção geral no organismo. Dois anos depois, voltou à UTI pelo mesmo problema.

Obras É autor ou coautor de cerca de cem músicas regionalistas. Sua obra mais conhecida é o Canto Alegretense, canção que escreve e seu irmão Bagre Fagundes musicou, uma das mais populares do cancioneiro gaúcho. A música foi criada em 1980 e apresentada pela primeira vez no Galpão Crioulo, em 1983.

Na década de 1970, dirigiu dois filmes: O Negrinho do Pastoreio (1973) e O Grande Rodeio (1975). Enquanto o primeiro ainda é encontrado em mídia física e em mostras dedicadas ao protagonista da obra, Grande Otelo, as cópias do segundo, em película, deterioram-se com os anos. Mesmo a que estava em posse de Nico perdeu-se devido à conservação inadequada do material, extremamente sensível. Os negativos originais estão na Cinemateca Brasileira, em São Paulo. O Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, na capital gaúcha, por sua vez, conta com cerca de 20 minutos do filme, mas que não pode ser exibida devido à sua fragilidade.

O Negrinho do Pastoreio conta a lenda de mesmo nome. Além de Grande Otelo, teve em seu elenco Breno Mello.

Em O Grande Rodeio, rodado em grande parte em São Borja, a filha de um rico fazendeiro do Rio Grande do Sul, Rosinha, educada no Rio de Janeiro, despreza os valores caros a seu pai, muito ligado às tradições gaúchas. Em uma visita à família, encontra seu pai organizando um grande rodeio em sua cidade natal. Ao ver a mudança da filha, o fazendeiro pede a um estudioso do folclore gaúcho, professor Antonio, que ensine a cultura do Estado à sua herdeira. Nas aulas, em meio a intensas discussões, os dois se apaixonam. Porém, o noivo carioca da filha do fazendeiro, envolvido em novidades como kung-fu, caratê e discos do Alice Cooper, chega à cidade e acaba gerando um duelo entre os pretendentes. O filme é estrelado por Nico no papel de Antonio, Rejane Schumann como Rosinha e Ayrton dos Anjos, o Patineti, como o noivo carioca. Também aparecem em cena atores e músicos como Alberto Ruschel, Luiz Menezes, Barbosa Lessa, Leopoldo Rassier, Os Araganos, Os Muuripás, Os Angüeras, Os Serranos e Bagre Fagundes. A produção teve, à época, um grande investimento: 350 mil cruzeiros.

Foi, também, roteirista de Pára, Pedro! (1969) e atuou em filmes como Ana Terra (1971), Pobre João (1975) e Lua de Outubro (2001).

Em 1985, interpretou Bento Gonçalves na minissérie O tempo e o vento, da TV Globo. Teve, ainda, uma coluna semanal no jornal Zero Hora, onde abordava assuntos ligados à cultura regionalista.

Seu primeiro livro de versos chama-se Com a Lua na Garupa e o segundo Ainda com a Lua na Garupa. O terceiro tem o nome de Canto Alegretense, livro em que aparecem muitas letras das suas canções mais famosas dentre as 370 gravadas e regravadas por vários intérpretes e parceiros. É autor, também, da Antologia da Poesia Épica no Rio Grande do Sul.

Em sua trajetória como pesquisador, publicou livros que resgataram histórias do Rio Grande do Sul, como Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul, onde reuniu quatro mitos e 94 lendas gaúchos, e História do Rio Grande do Sul, onde abordou os episódios fundadores do Estado e sua integração com a região do Prata. Falou da Guerra dos Farrapos em Revolução Farroupilha e da Revolução de 1923 em O Combate da Ponte do Ibirapuitã. Em Indumentária Gaúcha tratou das vestimentas típicas do Rio Grande do Sul.

Morte Nico Fagundes faleceu dia 24 de junho de 2015, com 80 anos de idade, em Porto Alegre, por problemas respiratórios.

Em sua homenagem, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou, por meio da Lei Nº 12.468, de 7 de novembro de 2018, a nomeação do ancoradouro da Usina do Gasômetro como Ancoradouro Nico Fagundes.

Discografia

1986 - Causos 1987 - Folclore Puro 1995 - CD Poesias 2008 - CD O Fino do Grosso 2010 - Os Fagundes - Nico, Bagre, Neto e Ernesto

Filmografia

Televisão

O Tempo e o Vento (Globo, 1985) - Bento Gonçalves

Cinema

1971 - Ana Terra (Longa-metragem) 1973 - O Negrinho do Pastoreio (Longa-Metragem) 1976 - A Quadrilha do Perna Perna Dura (Longa-metragem de Teixeirinha) 1977 - Na Trilha da Justiça (Longa-metragem de Teixeirinha) 1980 - Tropeiro Velho (Longa-metragem de Teixeirinha)

Ligações externas Nico Fagundes

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