A Empresa de Cervejas da Madeira, Lda. (ECM), é uma empresa regional de produção e distribuição de bebidas da Região Autónoma da Madeira, certificada pelas normas nacionais e europeias (ISO 9001 e ISO 14001).Certificada pelas normas europeias

Em 1934, as famílias madeirenses Araújo e Tavares com a Sociedade Águas do Porto Santo Ld.ª proprietários da Fábrica Leão, a família Miles proprietária da “H.P. Miles” e da fábrica Cervejaria Atlântica “Atlantic Brewery” e a família Leacok com “Leacok & e Companhia Lda., através de uma pareceria estratégica fundaram a Empresa de Cervejas da Madeira Lda. (ECM).

Em 1965 juntou-se, a Sociedade Central de Cervejas SARL, prosseguindo assim as atividades da empresa, na criação, produção, engarrafamento e comercialização da cerveja e de refrigerantes variados, na Madeira e nos Açores até à nacionalização de 30 de agosto de 1975 (DL nº474/75) provocada pela Revolução Portuguesa de 25 de Abril de 1974.

Desde então, até 1987, ou seja durante 11 anos os representantes da quota nacionalizada da Sociedade de Águas do Porto Santo Ld.ª mantiveram-se na administração, não se percebendo a efetivação da referida nacionalização, apesar de não receberem dividendos e de ser de conhecimento público que o Governo Regional da Madeira ter anunciado a intenção de reprivatizar a quota em causa.

Em 1999, o VII Governo Regional da Madeira, presidido pelo PSD, sem que tenha aceite a reversão solicitada por requerimento da Sociedade Águas do Porto Santo Lda. (detentores da cota nacionalizada) datado de 4 de fevereiro de 1994, vende as quotas nacionalizadas ao Grupo Pestana, um reputado grupo hoteleiro português que ainda mantem a posse.

A ECM mantem as atividades para que foi criada, fabrica, comercializa e distribui marcas próprias de cervejas, refrigerantes e águas, representando ainda marcas noutras categorias (espirituosas, vinhos, sumos e néctares, águas, leites, azeites, vinagres e molhos), mantendo no entanto como referências principais as marcas criadas pela empresa, antes da nacionalização, como sejam a Cerveja Coral em 1969, a Brisa Maracujá em 1970 e a Laranjada.

Desde sempre, as bebidas produzidas pela ECM foram premiadas mais de uma centena de vezes com Medalhas da Monde Selection,118 Medalhas Monde Selection (até 2007) sendo de destacar as 16 de Grande Ouro e 15 de ouro para a Brisa Maracujá, 1 de Ouro para a Laranjada e duas de Grande Ouro e 25 de ouro para a cerveja CORAL.

História e Fundação - 1872/1934

Em 1872, Henry Price Miles, um britânico que desde criança se radicou na Madeira fundou a Cervejaria Atlântica “Atlantic Brewery”, a primeira fábrica em Portugal a produzir cerveja em moldes industriais. Na época, poucos madeirenses conheciam a bebida. Para convencer as pessoas de que esta bebida era de boa qualidade, a família Miles resolveu oferecer pelas ruas do Funchal garrafas de cerveja transportadas em cestos de vindima. Inicialmente conhecida por “ale”, só quando o seu consumo se generalizou, é que a cerveja passou a denominar-se “beer”, como é vulgarmente apelidada hoje em dia pelos ingleses. esquerda|miniaturadaimagem|272x272px|Fábrica Leão Após a chegada do Eng. António Egídio Henriques de Araújo (1894 - 1977) de regresso à Madeira, em finais de 1919, depois de se formar em Londres em Engenharia Eletrotécnica, juntamente com o seu pai José Gomes Henriques de Araújo e numa pareceria com a família Tavares na pessoa do Sr, Francisco Dias Tavares, fundou em 1922 a Fábrica Leão, cujas quotas eram integralmente detidas pela Sociedade Araújos, Tavares e Passos Ld.ª. A fábrica tinha como objeto social a produção e comercialização de cerveja e refrigerantes, sendo as mais destacadas a Cerveja denominada "Pilsner" e o famoso refrigerante gasoso de laranja denominado "Laranjada" que se diz ser o refrigerante mais antigo de Portugal (1872 uma criação de Henry Miles).

Foi da fusão da Fábrica Leão com a Fábrica "Atlantic Brewery” que surgiu a E.C.M fundada em 1934.

Inicio da atividade - 1934/1975 miniaturadaimagem|270x270px|Fábrica da ECM - Arq. Rui Goes Ferreira - 1965 miniaturadaimagem|267x267px|Cerveja CORAL Após a falência do Banco Henrique Vieira da Silva e devido a grande recessão que se seguiu, nos finais dos anos 20 início dos anos 30, as duas empresas cervejeiras da Madeira concluíram que não seria viável a existência de duas fábricas num mercado tão pequeno como o da Madeira.

Assim em 1934, a administração das empresas “Araújo, Tavares e Passos, Lda.” e da Sociedade da “Água do Porto Santo Lda.”, realizaram uma cessão de quotas, da primeira para a segunda empresa, alterando a razão social para a “Empresa de Cervejas da Madeira, Lda. (ECM)”, admitindo dois novos sócios: “Leacok & e Companhia Lda. e a “H.P. Miles” que para ficar com uma quota idêntica há da “Água do Porto Santo Lda.” teve que pagar 500 contos.

Surgia assim a “Empresa de Cervejas da Madeira” que resulta assim da fusão das duas únicas fábricas de cerveja da Madeira – “Fábrica Leão” e “Fábrica Miles” propriedade de “Araújo, Tavares e Passos, Lda.” e “H.P Miles & Companhia”, respetivamente. A distribuição das quotas na ECM ficou assim distribuída; “Sociedade de Água do Porto Santo Lda.” com 47%, a “H.P Miles & Companhia” também com 47% e a “Leacok & e Companhia Lda.” com os restantes 6% da empresa.

Em 1935, a ECM adquire nos Açores 80% das quotas da fábrica de cerveja e refrigerantes João Melo de Abreu Lda. ficando assim quase monopolista do mercado de cervejas das Regiões Autónomas Portuguesas, mantendo a atividade e o crescimento moderado durante cerca de 25 anos, até à chegada em 1961, de Anthony Miles que regressa Madeira para ingressar o concelho de administração, acrescentando conhecimento adquirido e nova dinâmica.miniaturadaimagem|271x271px|Brisa Maracujá e a Laranjada miniaturadaimagem|270x270px|Fábrica da Sociedade de Água do Porto Santo no Porto Santo. Em 1965, em resultado das boas relações que tinha com Humberto Pelágio administrador da Sociedade Central de Cervejas SARL acabada de ser fundada, o Eng. António Egídio Henriques de Araújo temendo a concorrência no mercado da cerveja da Madeira, propõe que a “Água do Porto Santo Lda.” e a “H.P Miles & Companhia” com Anthony Miles, cedam, cada uma, 15% das suas quotas à dita Sociedade. Aceite pela administração da ECM, diz-se que este acordo foi selado com um aperto de mão que se diz ter mais validade de um qualquer acordo escrito. Desde então é nomeado o Dr. Carlos de Ornelas Monteiro representante da Central de Cervejas, que segundo dizem tomou as rédeas da empresa com a proteção de Anthony Miles. Neste mesmo ano de 1965, é inaugurado o novo Edifício Fabril da Empresa de Cervejas da Madeira na Rua Alferes Veiga Pestana, Funchal, um projeto do arquiteto Ruis Goes Ferreira com estrutura do Eng. Gonçalo Nuno Malheiro da Araújo.

Em 1967 nasce a cerveja Coral, uma marca comprada a uma empresa de licores franceses.

Com o crescimento que se verificava na venda e comercialização, a ECM sentiu a necessidade de criar uma nova empresa para a distribuição que se chamava DIFEL - Distribuidora de Cervejas e Refrigerantes do Funchal, que viria a ser fundamental para o crescimento sustentado da empresa. No início dos anos 70 com a frota da DIFEL em crescimento, já eram 15 viaturas, é alargada a distribuição para toda a ilha com armazéns em Santa Cruz, Ribeira Brava, Arco da Calheta e Porto Moniz.

Em 1969 nasce a marca Brisa, uma denominação criada internamente, para um refrigerante gaseificado, nos sabores Laranja, Limonada, Limão, Cola e Água Tónica e no início da década de 1970 surge o sabor Maracujá que viria a ser o refrigerante com mais sucesso de todos os produzidos na ECM. Em 1973 a ECM, amplia a parceria que tinha com a Central de Cervejas e começa a produzir a Cerveja Sagres, tendo um ano depois lançado o refrigerante Schweppes.

Após 40 anos de atividade comercial de grande sucesso, com a Revolução Portuguesa de 1974, as quotas com capital Português propriedade da “Água do Porto Santo Lda.” e da "Central de Cervejas" na Empresa de Cervejas da Madeira foram nacionalizadas, deixando as quotas de capital estrangeiro da “H.P Miles & Companhia” e "Leacok & e Companhia Lda.” intactas, com graves prejuízos que daí advieram.

Importante referir, que através de comunicado datado de 9 de setembro de 1975, publicado no Diário de Noticias da Madeira, os trabalhadores da ECM " ... votaram maciçamente contra a Nacionalização ...".

Processo de nacionalização - 1975/1999 miniaturadaimagem|270x270px|Fábrica da ECM - 1996 Em 30 de agosto de 1975 (DL nº474/75), em consequência da intervenção do Estado no sector cervejeiro, foi decretado pelo governo de Vasco Gonçalves, que as duas quotas de 32% propriedade da “Água do Porto Santo Lda.” e da "Central de Cervejas" na Empresa de Cervejas da Madeira, seriam nacionalizadas, ficando assim na posse do Instituto de Participações do Estado (IPE).

De imediato, os acionistas da sociedade “Água do Porto Santo Lda.” e fundadores da ECM, reclamaram o direito de reversão da quota nacionalizada, que acabou transferida para a região no âmbito do processo autonómico, como garantia típica da nacionalização, considerada uma forma particular ou especial de expropriação por utilidade pública . miniaturadaimagem|266x266px|Interior da Fábrica da ECM - Câmara de Lobos Assim em 1976, na sequência da nacionalização do sector cervejeiro e institucionalização da Autonomia da Região, a quota de “Aguas do Porto Santo, Lda.” (32%) passa para património da RAM, tendo Instituto de Participações do Estado pago a "misera" quantia de 60.000 contos (300.000€) pelos 32% da quota nacionalizada da Empresa de Cervejas da Madeira.

O capital ficou então assim distribuído, 64% no Instituto de Participações do Estado (IPE), a “H.P Miles & Companhia” manteve os seus 32% e "Leacok & e Companhia Lda. com os mesmos 6%. Com esta nacionalização, logo, o Governo Regional nomeia o Dr. Nicolau Borges como delegado e mais tarde um administrador para o Concelho de Administração.

Em 1977 e até 2003, a Coca-Cola concede à ECM autorização para engarrafar, produzir e comercializar os seus produtos, que tinham uma quota de mercado inferior à das marcas tradicionais da ECM, o que era quase inédito no panorama internacional. Por exemplo a "Laranjada" na ilha da Madeira tinha, teve e ainda mantem maior cota de mercado do que a tradicional coca-cola.

Em 1985 é lançado o primeiro refrigerante sem gás, a BRISOL maracujá e a Brisa com sabor a maça é lançado em 1988.

Até 1987, na administração da empresa, ainda se mantinham os representantes dos acionistas nacionalizados da “Água do Porto Santo Lda.” , até que o III Governo Regional da Madeira (de que fazia parte o atual presidente do Concelho de Administração da ECM - Dr. Miguel Sousa como Secretário Regional do Comércio e Transporte) regista a quota nacionalizada da Sociedade de Água do Porto Santo Lda. em seu nome.

Em 1991 a ECM adquire os restantes 20º da fábrica de cerveja e refrigerantes João Melo de Abreu Lda. na posse do Governo Regional dos Açores.

Nesta mesma década, Anthony Miles com a “H.P Miles & Companhia” adquire a participação de 6% "Leacok & e Companhia Lda., ficando com 38%, assumindo assim a presidência do Conselho de administração até 1993, altura em que o Dr. Miguel de Sousa, deputado do PSD na Assembleia Legislativa Regional é nomeado administrador em representação da quota nacionalizada na mão do Governo Regional da Madeira.

Em 1994 o Grupo Pestana entra no capital da ECM, via aquisição de 51% da “H.P Miles & Companhia”, assumindo o Dr. Miguel Sousa como presidente do Conselho de administração da ECM, cargo que ainda ocupa.