A Sideritis candicans, comummente conhecida como erva-branca ou selvageira (não confundir com a Sideritis candicans var. multiflora, que também dá por este nome comum), é uma planta do género Sideritis, da família das Lamiáceas endémica do arquipélago da Madeira que medra principalmente em zonas expostas das maiores altitudes, se bem que também pode surgir em falésias junto ao litoral.

Descrição Apresenta-se como um arbusto perene, pequeno, de até 1 metro de altura, ramoso, densamente coberto por um tomento esbranquiçado a acinzentado. As folhas são ovado-lanceoladas a ovadas, agudas a obtusos no ápice, arredondadas a cordiformes na base, com 2,5–12 × 1,5–7,5 cm de comprimento, levemente crenadas a quase inteiras, pecioladas.

As flores são pequenas, de corola de cor amarelo-creme, glabrescente ou levemente pubescente na parte externa, dispostas em inflorescências ramificadas de até 30 cm de comprimento. O cálice mede 5–6,5 mm, com dentes de 1–1,5 mm; o tubo da corola tem 4–5,5 mm, não exserto; o lábio superior mede 2–2,5 mm e o inferior 2,2–3,5 mm, com o lobo médio levemente entalhado. As núculas são ovoides, com cerca de 1,5 mm.

Esta planta apresenta floração entre março e julho.

Distribuição A espécie é endémica do arquipélago da Madeira, com distribuição diferenciada por variedade. A var. candicans ocorre exclusivamente na ilha da Madeira, em clareiras da laurissilva e outros lugares expostos, principalmente acima dos 600 metros de altitude, surgindo também em certos pontos da costa norte da ilha. A var. crassifolia distribui-se por sítios secos e pedregosos na Ponta de São Lourenço e nas Ilhas Desertas, nomeadamente na ilha do Bugio. A var. multiflora ocorre nos picos de Porto Santo e em certos pontos do litoral sul da Madeira, como Cabo Girão e Machico.

Usos Na medicina tradicional da Madeira, a selvageira é utilizada em infusões pela sua aplicação em fitoterapia. Estudos farmacológicos com extratos da parte aérea da variedade eriocephala demonstraram atividades analgésica e anti-inflamatória, com destaque para a fração clorofórmica como a mais ativa nos modelos experimentais de dor química e edema.

Plantio Esta espécie pode plantar-se tanto por sementeira como por estacaria, configurando, quando madura, um pequeno arbusto alvacento com folhas assaz hirsutas.

Taxonomia A espécie foi descrita por William Aiton e publicada em Hortus Kewensis 2: 289, em 1789. O sinónimo heterotípico Leucophae candicans (Aiton) Webb & Berthel. foi publicado em Hist. Nat. Iles Canaries 3(2;3): 100 (1845).

Esta espécie conta com as seguintes variedades:

Sideritis candicans var. candicans Sideritis candicans var. crassifolia Lowe Sideritis candicans var. multiflora Mend.-Heuer

Ver também

Bibliografia Press, J. R.; Short, M. J. (1994). Flora of Madeira. Natural History Museum, Londres. ISBN 0-11-310017-5. Jardim, R.; Francisco, D. (2000). Flora Endémica da Madeira. Múchia Publicações, Portugal. ISBN 972-8622-00-7. Árvores e Florestas de Portugal - Açores e Madeira, Edic. Público, Comunicações, SA. Dep. Legal nº 254481/2007.

Ligações externas

Categoria:Lamiaceae Categoria:Flora da Madeira Selvageiras Categoria:Flora de Portugal