Fortaleza dos Cavaleiros (); ), também chamada Fortaleza dos Curdos () e Fortaleza do Hospital (), é um castelo cruzado na Síria e um dos mais importantes castelo medievais preservados. O sítio foi ocupado pela primeira vez no por um assentamento de tropas curdas aquarteladas lá pelos mirdássidas do Emirado de Alepo. Como resultado, foi conhecido como Fortaleza dos Curdos. Em 1142, foi dado pelo conde aos hospitalários. Ficou sob controle deles até sua queda em 1271, pelo que ficou conhecido como Fortaleza do Hospital; o nome Fortaleza dos Cavaleiros foi cunhado no .

Os cavaleiros começaram a reconstruí-lo nos anos 1140 e concluíram as obras cerca de 1170, quando um terremoto danificou-o. A ordem controlou alguns castelos junto a fronteira do Condado de Trípoli, fundado após a Primeira Cruzada, e a Fortaleza dos Cavaleiros estava entre os mais importantes e agiu como centro de administração e base militar. Após uma segunda fase de construção realizada no , tornou-se um castelo concêntrico. Essa fase criou a muralha exterior e deu ao castelo sua aparência atual. A primeira metade do século foi descrita como sua "Idade de Ouro". No seu zênite, abrigou uma guarnição de cerca de cavaleiros. Tamanha guarnição permitiu aos hospitalários coletar tributo de ampla área. Desde os anos 1250, a sorte dos hospitalários acabou e em 1271 o sultão Baibars capturou-a após cerco de 36 dias, supostamente através de uma carta forjada que parecia ser do grão-mestre dos hospitalários, levando à rendição dos cavaleiros.

O interesse renovado nos castelos cruzados no levou à sua investigação, e planos arquitetônicos foram feitos. No fim do ou início do XX, um assentamento foi criado dentro dela, causando danos à estrutura. Os 500 locais foram removidos em 1933 e a fortaleza foi dado à França, que encabeçou programa de limpeza e restauração. Quando a Síria tornou-se independente em 1946, assumiu o controle. Hoje, uma vila chamada existe no entorno e tem população de cerca de pessoas. A fortaleza está situada cerca de 40 quilômetros a oeste de Homs, perto da fronteira com o Líbano, e faz parte da província de Homs. Desde 2006, ela a Fortaleza de Saladino foram reconhecidas pela UNESCO como Património Mundial. Foi parcialmente danificado na Guerra Civil Síria por bombardeios e recapturas pelas forças do governo sírio em 2014. Desde então, obras de reconstrução e conservação começaram no sítio. Relatórios da UNESCO e do governo sírio sobre o estado do sítio são produzidos anualmente.

Etimologia

A palavra árabe moderna para castelo é Kalaa (قلعة‎), mas Krak des Chavaliers é conhecido como Hosn (حصن‎), ou "forte". Isso se deve ao nome da fortificação anterior no mesmo sítio chamada Ḥoṣn al-Akrād (حصن الأكراد‎), "Forte dos Curdos". Foi chamada pelos franceses Le Crat e então, por confusão com karak (fortaleza), Le Crac. Crat foi provavelmente uma versão francesa de Akrad, a palavra para curdos. Após os cavaleiros hospitalários tomarem controle do castelo, tornou-se conhecido como Crac de l'Ospital; o nome Crac des Chevaliers (também escrito Krak des Chevaliers) foi introduzido por Guillaume Rey no .

Localização

O castelo fica no topo de uma colina de 650 metros de altura a leste de Tartus, na Síria, na fenda de Homs. Do outro lado da fenda, a 27 quilômetros de distância, encontrava-se o Castelo Gibelacar do (Hicem ibne Acar). A rota através do estrategicamente importante fenda de Homs liga as cidades de Trípoli e Homs. Ao norte do castelo fica a Cordilheira Costeira da Síria, e ao sul o Líbano. A área circundante é fértil, beneficiada por correntes e abundante chuva. Comparado ao Reino de Jerusalém, os outros estados cruzados tinham menos terra adequada à agricultura; porém, os picos de calcário do Condado de Trípoli estavam bem adaptados aos locais defensivos.

Propriedade no Condado de Trípoli, concedida aos cavaleiros na década de 1140, incluía a Fortaleza dos Cavaleiros, as cidades de Rafaneia e Monte Ferrando e o vale do Beca que separava Homs e Trípoli. Homs nunca esteve sob o controle cruzado, então a região ao redor da fortaleza era vulnerável às expedições da cidade. Enquanto sua proximidade causou problemas aos cavaleiros para defender seu território, também significou que Homs estava perto o suficiente para atacarem. Por causa do comando do castelo da planície, tornou-se a base mais importante dos cavaleiros na área.

História

Origens e período cruzado

thumb|esquerda|upright=1.05|Levante em 1135

De acordo com o historiador árabe do ibne Xadade, em 1031, o emir mirdássida de Alepo e Homs, Xible Adaulá Nácer, estabeleceu um assentamento de curdos no sítio do castelo, que foi então chamado Hicem Alçafe (Ḥiṣn al-Safḥ). Nácer restaurou-o para ajudar a restabelecer o acesso mirdássida a costa de Trípoli após perderem o vizinho Hicem ibne Acar aos fatímidas em 1029. Por Nácer guarnecê-lo com tropas curdas, ficou conhecido como Fortaleza dos Curdos (Ḥiṣn al-Akrād). Estava estrategicamente situado na borda sul da Cordilheira Costeira e dominou a estrada entre Homs e Trípoli. Quando construindo castelos, engenheiros frequentemente escolheu sítios elevados, como colinas e montanhas, que forneceu obstáculos naturais.

Em janeiro de 1099, na jornada para Jerusalém durante a Primeira Cruzada a companhia de foi atacada por sua guarnição, que atormentou as forrageiras de Raimundo. No dia seguinte, Raimundo marchou sobre o castelo e o encontro abandonado. Os cruzados brevemente ocuparam o castelo em fevereiro no mesmo ano, mas abandonado quando continuaram sua marcha para Jerusalém. A ocupação permanente começou em 1110, quando Tancredo da Galileia controlou-o. O primeiro castelo era substancialmente diferente do atual e nenhum traço do primeiro castelo sobreviveu no sítio.

As origens da ordem dos Cavaleiros Hospitalários são incertas, mas provavelmente emergiu em torno dos anos 1070 em Jerusalém. Começou como uma ordem religiosa que cuidava dos doentes, e depois protegeu os peregrinos da Terra Santa. Após o sucesso da Primeira Cruzada em capturar Jerusalém em 1099, muitos cruzados doaram sua nova propriedade no Levante ao Hospital de São João. As primeiras doações foram ao recém-formado Reino de Jerusalém, mas com o tempo a ordem estendeu suas possessões ao Condado de Trípoli e o Principado de Antioquia. A evidência sugere que nos anos 1130, a ordem se militarizou quando Fulque de Jerusalém conferiu o castelo recém-construído de Bete-Gibeline à ordem em 1136. Uma bula papal emitida entre 1139 e 1143 pode indicar a ordem contratando pessoas para defender os peregrinos. Havia também outras ordens militares, como os Cavaleiros Templários, que ofereciam proteção aos peregrinos.

thumb|Levante em 1190

Entre 1142 e 1144, o conde , conferiu propriedade no condado à ordem. Segundo o historiador Jonathan Riley-Smith, os hospitalários efetivamente estabeleceram um "palatinado" dentro de Trípoli. A propriedade incluía castelos com os quais os hospitalários deveriam defender o condado. Junto dessa fortaleza, tinham outros quatro castelos junto as fronteiras do Estado, que permitiram a ordem dominar a área. O acordo da ordem com Raimundo afirmou que se não acompanhasse os cavaleiros da ordem na campanha, os espólios pertenciam só à ordem e, se estivesse presente, seria dividido igualmente entre ele e a ordem. Além de que, Raimundo não podia fazer a paz com os muçulmanos sem a permissão dos hospitalários. Eles fizeram da Fortaleza dos Cavaleiros centro de administração de sua propriedade, realizando obras no castelo que fariam-o uma das fortificações cruzadas mais elaboradas do Levante.

Após adquirir o sítio em 1142, começaram a construir um novo castelo para substituir a antiga fortificação curda. A obra durou até 1170, quando um terremoto danificou o castelo. Uma fonte árabe cita que o tremor destruiu a capela do castelo, que foi substituída pela atual. Em 1163, os cruzados foram vitoriosos contra Noradine na Batalha de Bucaia perto da fortaleza. As secas entre 1175 e 1180 obrigaram os cruzados a assinar uma trégua de dois anos com os muçulmanos, mas sem Trípoli incluído nos termos. Nos anos 1180, raides de cristãos e muçulmanos se tornaram mais frequentes. Em 1180, Saladino se aventurou no Condado de Trípoli, devastando a área. Recusando-se a encontrá-lo numa batalha aberta, os cruzados recuaram à relativa segurança de suas fortificações. Sem capturar castelos, Saladino não conseguiu assegurar controle da área e, assim que se retirou, os hospitalários revitalizaram suas terras danificadas. A Batalha de Hatim em 1187 foi uma derrota desastrosa para os cruzados: o rei de Jerusalém Guido de Lusignan foi capturado, bem como a Vera Cruz, uma relíquia descoberta durante a Primeira Cruzada.

thumb|esquerda|Reconstrução artística do castelo. De Guillaume Rey, Estudo sobre os monumentos da arquitetura militar dos cruzados na Síria e na ilha de Chipre (1871) thumb|esquerda|A área entre as muralhas interna e externa é estreita e não servia para acomodação thumb|esquerda|O extremo leste da capela abobadada do castelo

Depois, Saladino ordenou a execução dos cavaleiros templários e hospitalários, dada a importância das duas ordens em defender os Estados cruzados. Após a batalha, os castelos hospitalários de Belmonte, Belvoir e Bete-Gibeline caíram perante os inimigos. Após essas perdas, a ordem focou sua atenção em seus castelos em Trípoli. Em maio de 1188, Saladino liderou um exército para atacar a Fortaleza dos Cavaleiros, mas ao avistar o castelo, decidiu que era muito bem defendido e marchou contra o castelo hospitalário de Margate, que também falhou em capturar. Outro terremoto aconteceu em 1202, e pode ter sido depois deste evento que o castelo foi remodelado. A obra do foi o último período de construção na Fortaleza dos Cavaleiros e deu a sua aparência atual. Um circuito de pedra envolvente foi construído entre 1142 e 1170; a estrutura anterior tornou-se pátio ou ala interna do castelo. Se houve um circuito de muros ao redor da quadra interna que antecedia as atuais paredes externas, nenhum vestígio dela foi descoberto. A primeira metade do foi caracterizada como a "Idade de Ouro" da Fortaleza dos Cavaleiros. Enquanto outras fortalezas dos cruzados foram ameaçadas, ela e sua guarnição de soldados dominaram o entorno. Foi efetivamente o centro de um principado que permaneceu sob os cruzados até 1271 e foi a única área interior importante a permanecer constantemente sob controle deles no período. Os cruzados que passavam pela área costumavam parar no castelo e provavelmente faziam doações. Rei visitou-o em 1218 e proclamou-o como castelo "chave das terras cristãs". Ficou tão impressionado que deu renda anual de 60 marcos para o mestre e 40 para os irmãos. Godofredo, tio do célebre cronista João de Joinville, morreu ali em 1203 ou 1204 e foi enterrado na capela do castelo.