Bernd Schuster (Augsburgo, 22 de dezembro de 1959) é um treinador e ex-futebolista alemão. É considerado um dos maiores jogadores de futebol da década de 1980, IRNBERGER, Harald (agosto de 2007). Wo gut nicht gut genug ist. Kicker Sportmagazin - "Champions League 07/08", pp. 34-37 embora sua forte personalidade o tenha impedido de consagrar-se mais.

Schuster era conhecido por reunir liderança, força, agressividade, técnica e visão de jogo, além da capacidade de realizar passes, lançamentos, cobranças de falta e de manter o controle da bola. É um dos poucos jogadores que passaram por três dos quatro maiores clubes espanhóis - Barcelona, Real Madrid e Atlético de Madrid - tendo conquistado títulos por todos eles.

O ex-futebolista português Paulo Futre, que foi seu colega no Atlético, resumiu as principais qualidades do jogo de Schuster ao colocá-lo em seu elenco ideal, em entrevista à revista FourFourTwo: "Tinha uma grande visão de jogo e combinava isso com muita inteligência. Era um líder em campo e fazia lançamentos. O jeito como ele distribuía passes precisos em campo era único".FUTRE, Paulo (março de 2009). Meu 11 perfeito. FourFourTwo n. 5. Editora Cádiz, p. 82

Como jogador Surgimento precoce Vindo das categorias de base do Augsburg, de sua cidade-natal, em 1978 ele assinou com o Colônia, que havia acabado de conquistar tanto a Bundesliga quanto a Copa da Alemanha. Na temporada 1978/79, o clube deixou os torneios domésticos de lado e priorizou a Copa dos Campeões da UEFA. Schuster, usando a mesma camisa 10 de Wolfgang Overath, de quem foi considerado sucessor na equipe,FREITAS, Carlos Eduardo (junho de 2006). A história falou mais alto. Copa'06 n. 5. Pool Editora, pp. 38-41 participou de uma campanha que por muito pouco não foi histórica: o Colônia chegou às semifinais e era o favorito contra o azarão Nottingham Forest, ainda mais após ter arrancado um empate de 3 x 3 na Inglaterra - chegou a estar vencendo por 2 x 0.

Além disso, nenhum clube até então havia conseguido vencer fora de casa em uma semifinal do torneio, mas foi o que aconteceu: os britânicos ganharam de 1 x 0 na Alemanha Ocidental com um gol aos 20 minutos do segundo tempo. Para piorar, a final, que seria vencida pelos ingleses, seria na própria Alemanha, em Munique. O consolo para Schuster foi o reconhecimento de Jupp Derwall, o técnico da Alemanha Ocidental: dias após a eliminação, em maio daquele ano, o jovem foi convocado pela primeira vez para a seleção principal; ele já jogava pelas seleções de base de seu país.

Na ressaca da decepção, o Colônia ficou apenas em quinto na Bundes de 1979/80. na Copa da Alemanha, o clube chegou à final, mas perdeu para o Fortuna Düsseldorf. A promissora habilidade e visão de jogo de Schuster, de qualquer forma, lhe garantiram, a seguir, na Eurocopa 1980. Schuster saiu do torneio não só com o título, mas como a maior revelação da competição. Isso e sua habilidade e elegância em ocupar espaços no meio-campo, realizar lançamentos com precisão e chegar ao ataque de surpresa seduziram os dirigentes do Barcelona, que contrataram-no já para a temporada 1980/81. Foi o suficiente para Schuster ficar atrás apenas de seu compatriota Karl-Heinz Rummenigge na avaliação da France Football para o tradicional prêmio oferecido publicação ao melhor jogador europeu, a Ballon d'Or.

Barcelona Na Catalunha, foi talvez o maior ídolo nos anos 80, marcando 63 gols em 170 jogos mesmo como jogador de meio de campo. Nas oito temporadas nos blaugranas, todavia, enfrentou diversos contratempos que o impediram de ter mais taças: na primeira delas, o time estava forte na disputa pelo título, mas o rendimento caiu no tempo em que o colega e artilheiro Quini ficou sequestrado (obteve-se apenas um ponto em seis partidas nesse período) e a equipe saiu das primeiras posições. A taça ficou com a Real Sociedad, quatro pontos à frente. Curiosamente, em seu primeiro ano na Espanha ele reencontrou o Colônia, que levou a melhor: nos dezesseis-avos-de-final da Copa da UEFA, sua ex-equipe venceu agregadamente por 4 x 1. Ainda assim, conseguiu já ali seu primeiro título por um clube, a Copa do Rei (sobre o Sporting Gijón).

Para Schuster, o pior veio na segunda temporada: em jogo contra o Athletic Bilbao, teve o joelho esquerdo quebrado por uma entrada de Andoni Goikoetxea, interrompendo um desempenho individual que vinha consolidando seu sucesso na Espanha. Novamente seriamente desfalcado, o Barcelona perderia o título por pouco: a Real Sociedad voltou a vencer a liga, desta vez por apenas dois pontos. Já na Recopa Europeia, a equipe foi campeã, mas sem Schuster em campo: ele, por conta da lesão, ficou fora dos campos até o final da temporada, perdendo um lugar certo na Copa do Mundo de 1982.

Em 1983, jogando ao lado de Diego Maradona, ganhou novo troféu no Barça. Ainda não havia sido o Espanhol, que ficou com o Athletic Bilbao (seis pontos à frente), mas nova Copa do Rei, com o especial sabor de derrotar o Real Madrid na decisão. Porém, o Barcelona continuou a ter desfalques trágicos de suas grandes estrelas, dessa vez com o próprio Maradona, outro a ser fraturado pelo mesmo Goikoetxea, no ano seguinte; os catalães perderem por um ponto a liga para o Athletic, que venceu os blaugranas também na decisão da Copa do Rei. O argentino sairia do clube após aquela temporada de 1983/84, mas o Barcelona conseguiria o título espanhol na edição seguinte, e de forma arrasadora: foram dez pontos de vantagem sobre o segundo colocado (o Atlético de Madrid). A quebra do jejum de onze anos alçou Schuster à condição de mito, enquanto na terra natal tornava-se um renegado: ainda em 1984, ainda com 24 anos e meses antes da Eurocopa daquele ano, renunciou à Seleção Alemã-Ocidental.

Voltando a disputar a Copa dos Campeões da UEFA, o Barcelona centrou fogo no torneio, que jamais havia conquistado - enquanto o Real possuía já seis títulos. O campeonato espanhol de 1985/86, que ficaria com o arquirrival (campeão com onze pontos de vantagem sobre o vice, o próprio Barcelona), foi deixado de lado enquanto o Barça avançava no continente, chegando à decisão. O favoritismo era total: a final seria na Espanha (em Sevilha) e o adversário era o desconhecido Steaua Bucareste. Para completar, a Europa Oriental jamais havia conquistado o torneio. Os romenos seguraram o 0 x 0 e venceram nos pênaltis, em que todos os jogadores do Barcelona erraram suas cobranças. Schuster não participou das penalidades, tendo sido substituído anteriormente.

As duas temporadas que se seguiram ao fracasso seriam estressantes para Schuster. Além de ser feito de bode expiatório pela traumática perda continental, ele, que colecionava brigas com todos os técnicos que passavam pelo Barcelona, de Udo Lattek a Luis Aragonés e Helenio Herrera, ficou às turras com o presidente barcelonista, Josep Lluís Núñez. Neste caso, por não ver cumprida a promessa de aumento de salário feita pelo dirigente após ser usado por ele na campanha deste para a reeleição.CAMILLI, Leonardo (agosto de 2008). Pela porta dos fundos. Trivela n. 30. Trivela Comunicações, pp. 44-45 Os árbitros também não escapavam das estripulias do "anjo loiro": um deles comentaria posteriormente que durante o jogo inteiro era verbalmente agredido por ele com palavras impublicáveis, em alta voz, "com um terrível sotaque alemão, mas em perfeito espanhol".

As discussões com o presidente Núñez fizeram com que este ordenasse o afastamento do meia durante toda a temporada 1986/87, como castigo, Nessa temporada, o Barcelona quase ficou com o título, perdendo por um ponto para o Real Madrid. Schuster, talvez a peça que tivesse faltado, voltou a jogar na de 1987/88. Todavia, o Barcelona fez temporada sofrível: ficou em sexto e 23 pontos atrás do campeão - para piorar, novamente o Real. Cansado do mau ambiente, o alemão, idolatrado por alguns torcedores e odiado por outros tantos, acertou transferência para o próprio arquirrival. A conturbada saída, todavia, não o fez deixar de ser um dos maiores símbolos culés na década de 1980; Schuster, inclusive, tornou-se em 2004 o 115.088º sócio do clube catalão, carteira esta que ele não deixou de manter mesmo em sua volta ao Real Madrid como treinador, em 2008.

Nos dois rivais de Madrid Os novos ares lhe renderam agora mais títulos: na temporada de estreia em Chamartín, foi logo campeão espanhol e da Copa do Rei. A decepção ficou na Copa dos Campeões da UEFA: aspirando ao título ausente havia mais de duas décadas, o maior vencedor do torneio chegou às semifinais, mas foi destroçado por um 6 x 1 agregado do futuro campeão, o Milan.

Na de de 1989/90, embora o Real perdesse a Copa do Rei para o Barcelona, o cenário no Espanhol se repetiu: Schuster, municiando os artilheiros Míchel, Hugo Sánchez e Emilio Butragueño na equipe responsável pelo recorde de 107 gols marcados em uma única edição da La Liga, participou do pentacampeonato madridista seguido, igualando um recorde que na Espanha pertencia ao próprio Real Madrid: o da década de 1960, quando os blancos eram comandados por Ferenc Puskás e Alfredo Di Stéfano. O feito ofuscou nova eliminação frente ao Milan na Copa dos Campeões: desta vez nas oitavas-de-final e por 1 x 2 agregados.

O alemão era o maestro da equipe oitentista repleta de jogadores crescidos no Real (além de Míchel e Butragueño, também Manuel Sanchís, Rafael Martín Vázquez e Miguel Pardeza, este já saído do clube quando ele chegou), conhecida como Quinta del Buitre. Todavia, aquelas duas temporadas acabaram sendo as suas únicas como jogador dos merengues. Se desentendeu também com a cúpula do Real, após recusar inicialmente uma excursão do time pela América do Norte em junho de 1990, logo após o título espanhol. Na época, ocorreria a Copa do Mundo de 1990 e boa parte do elenco madrilenho iria jogar por alguma seleção. Schuster, que já não jogava mais pela Alemanha Ocidental, e Hugo Sánchez, que vira o seu México ser desclassificado, seriam as atrações da turnê. O alemão viajou a contragosto e foi afastado pelo presidente Ramón Mendoza na volta à Espanha. Vendo-se em uma situação insustentável (o desconforto foi tamanho que a sua volta ao clube, anos mais tarde, como treinador, foi vista como uma reconciliação), voltou a negociar com um rival.

Schuster transferiu-se desta vez para o Atlético de Madrid. Depois de certo ceticismo inicial, pois já estava na casa dos 30 anos, ele, assim como conseguira nos dois clubes anteriores, venceu a Copa do Rei em sua primeira temporada na nova equipe. Sua segunda estadia em Manzanares por pouco não foi histórica: na anterior, o Atlético fora vice-campeão espanhol, mas dez pontos atrás do Barcelona; já naquela, os rojiblancos, com Schuster armando as jogadas para as conclusões do artilheiro Manolo, lutaram até o fim a um título que não vinha havia quinze anos - mas a liga, agora por dois pontos, voltou a ficar com os blaugranas. Na Recopa Europeia, o Atleti chegou a eliminar o Manchester United com um 4 x 1 agregado nas oitavas-de-final, mas caiu nas quartas em empate contra o Brugge por ter feito menos gols fora de casa.

Em compensação, Schuster conseguiu naquele 1991/92 um bi na Copa do Rei, e em grande estilo: contra o Real Madrid, em pleno Santiago Bernabéu, Don Bernardo garantiu a conquista colchonera com um antológico gol de falta. A temporada 1992/93 não foi tão boa: o Atlético sentiu a ausência de Schuster, que se contundira, e ficou apenas em sexto. O campeão, novamente o Barcelona, ficou quinze pontos na frente. Schuster decidiu sair ali, novamente por desentender-se com a direção: não aceitando críticas do presidente Jesús Gil, ele acertou a volta a seu país.

Aposentadoria