miniaturadaimagem|Vittorio Gassman (como Brancaleone da Nórcia) no centro da foto, com Gianluigi Crescenzi (como Taccone) em cena do filme "O Incrível Exército de Brancaleone" (1966) L'armata Brancaleone () é um filme de comédia e aventura italiano lançado em 1966, dirigido por Mario Monicelli. Possui Vittorio Gassman no papel principal. Foi exibido no Festival de Cinema de Cannes no mesmo ano em que foi lançado.
O filme, considerado um clássico, retrata os costumes da cavalaria medieval através da comédia satírica. Na Itália, recebeu o prêmio de melhor fotografia, melhor figurino e melhor trilha sonora. É inspirado no Dom Quixote, de Miguel de Cervantes.
No enredo, Brancaleone e seus homens enfrentam perigos como a peste negra, os sarracenos, os bizantinos e bárbaros, focalizando temas como as relações sociais do feudalismo e o poder da Igreja Católica. O contexto histórico é a Baixa Idade Média, quando o trinômio peste, fome e guerra marca a crise do século XIV e do sistema feudal.
Em 1970, Mario Monicelli dirigiu a continuação, intitulada Brancaleone alle Crociate (br: Brancaleone e as Cruzadas/pt: Uma aventura nas Cruzadas).
Sinopse
O filme é considerado um expoente de um gênero clássico do cinema italiano conhecido commedia all'italiana e retrata os costumes da cavalaria medieval através da sátira, mostrando um jovem aristocrata chamado Brancaleone (Vittorio Gassman) que, educado no código de cavalaria da ética, deve reivindicar uma alegada herança que consiste em um feudo. Por isso, Brancaleone recorre ao apoio de um punhado de bandidos mal armados e muito temerosos, que só procuram fugir das agruras do banditismo sem correr grandes riscos, e a quem o protagonista da fantasia chama seriamente de "meu exército" (chamado armata em italiano). A ingenuidade e a falta de coragem de Brancaleone e seu temido "exército" causam situações irônicas e humorísticas, enquanto o grupo de aventureiros mal equipados busca realizar sua missão.
O Quixote de Monicelli O filme, um pilar fundamental da commedia all'italiana, subverte os estereótipos da cavalaria medieval através de uma sátira aventureira e sarcástica que transita entre o ridículo e a ternura. Sob a direção de Mario Monicelli, a obra funde o absurdo de Luigi Pirandello à influência direta de Miguel de Cervantes, sendo aclamada pela crítica como a transposição cinematográfica mais fiel ao espírito satírico de Dom Quixote. Tal conexão é visível na figura de Brancaleone di Norcia, cuja armadura improvisada — um mosaico de sucatas que parece evocar guerreiros de diversas eras e culturas — remete visualmente ao traje de "papelão e ferrugem" do herói castelhano.
Mais do que uma farsa, a produção utiliza uma estética que remete a quadrinhos e teatros de marionetes para traçar um paralelo com a Itália contemporânea, transformando a busca do seu "exército de maltrapilhos" em uma alegoria da corrida dos italianos rumo às riquezas do "milagre econômico". Premiado na Itália por sua excelência técnica em fotografia, trilha sonora e figurino, o filme apresenta um universo marcado pela barbárie e pela piedade irracional, onde o rigor visual dos cenários confere uma precisão histórica palpável à narrativa. Ao modular o registro entre a zombaria e a simpatia pelo seu protagonista "anti-heróico", a obra se consolida como um estudo complexo sobre o descompasso entre o idealismo e a realidade.
Expressão A expressão "exército de Brancaleone" (em italiano, armata Brancaleone) transcendeu o universo cinematográfico, tornando-se uma locução comum no vocabulário político e social, tanto na Itália quanto em países de língua portuguesa. Culturalmente, o termo é utilizado para descrever um grupo de pessoas que se une para uma missão, atividade ou empresa, mas que demonstra uma enorme falta de organização, competência ou recursos.
Diferente de um grupo simplesmente incapaz, a expressão carrega o matiz do filme de Monicelli: uma associação de indivíduos heterogêneos e "trapalhões" que, sob uma liderança muitas vezes fanfarrona, tentam alcançar objetivos grandiosos com meios precários. Na esfera política contemporânea, é frequentemente empregada de forma pejorativa por analistas para classificar coalizões frágeis, ministérios desorganizados ou movimentos oposicionistas sem coesão estratégica. Além do significado figurado, a obra também legou ao vocabulário italiano um dialeto inventado — uma mistura de latim macarrônico com vernáculos arcaicos — que influenciou a forma como a cultura popular satiriza a solenidade histórica.
Elenco principal Vittorio Gassman...Brancaleone da Nórcia Gian Maria Volonté...Teofilatto Dei Lionzi Catherine Spaak...Matelda Enrico Maria Salerno...Zenone Carlo Pisacane...Abacuc Ugo Fangareggi...Mangoldo Gianluigi Crescenzi...Taccone Folco Lulli...Peccoro Barbara Steele...Teodora Maria Grazia Buccella...La vedova Alfio Caltabiano...Arnolfo Mão-de-ferro
Ligações externas
Categoria:Filmes dirigidos por Mario Monicelli Armata Brancaleone Armata Brancaleone Categoria:Filmes em língua italiana Categoria:Filmes ambientados na Itália Categoria:Filmes ambientados no século XI Categoria:Filmes com trilha sonora de Carlo Rustichelli Categoria:Filmes baseados em poemas Categoria:Filmes baseados em obras de autores da Espanha Categoria:Filmes ambientados na Idade Média