thumb|300px|right|As ruínas da Igreja de St Phillip, Tortola, uma das mais importantes ruínas históricas do Território.

A História das Ilhas Virgens Britânicas é geralmente, para fins didáticos, dividida em cinco períodos: Povoamento ameríndio pré-colombiano, a partir de uma data incerta Povoamento dos primeiros europeus, aproximadamente de 1612 até 1672 Controle britânico, de 1672 até 1834 Emancipação, de 1834 até 1950 O Estado moderno, de 1950 até os dias de hoje

Esses períodos de tempo são utilizados apenas por conveniência. Existe um período incerto de tempo desde quando o último dos Arawak deixou o que mais tarde se chamaria Ilhas Virgens Britânicas até os primeiros europeus iniciarem um povoado lá no início da década de 1600, mas cada período começa com uma mudança dramática do período que o precede, e assim é um modo conveniente para compartimentar o assunto.

Povoamento pré-colombiano

O primeiro registro de povoamento do Território foi pelos índios Arawak da América do Sul, por volta de 100 a.C.. Porém, há alguma disputa acerca das datas. Alguns historiadores colocam-na mais tarde, por volta do ano 200, mas eles sugerem que os Arawaks podem ter sido precedidos pelos índios Ciboney, que pensam terem vivido nas proximidades de Saint Thomas por volta do início de 300 a.C.Vernon Pickering, A Concise History of the British Virgin Islands, página 6 Existe alguma evidência da presença de ameríndios nas ilhas anteriormente a 1500 a.C., embora aja um pequeno apoio acadêmico para a ideia de um povoamento permanente em qualquer uma das atuais Ilhas Virgens Britânicas naquele tempo.

Os Arawaks habitaram as ilhas até a década de 1400 quando foram expulsos pelos Caraíbas, uma tribo mais agressiva das ilhas das Pequenas Antilhas, e de quem originou-se o nome Mar do Caribe. Alguns historiadores, entretanto, acreditam que essa crença popular de que os guerreiros caraíbas caçavam os pacíficos arawaks pelas ilhas caribenhas está arraigada em estereótipos europeus simplistas, e que a verdadeira história é mais complexa.

Nenhum dos posteriores visitantes europeus às Ilhas Virgens jamais reportou qualquer contato com ameríndios nos locais onde mais tarde se tornaria as Ilhas Virgens Britânicas, apesar de que Colombo teria um encontro hostil com nativos caraíbas da ilha de Saint Croix.

Comparativamente pouco é conhecido sobre os primeiros habitantes do Território. As maiores descobertas de cerâmica Arawak têm acontecido perto de Belmont e Smuggler's Cove no noroeste de Tortola, porém muitos outros sítios tem sido encontrados, inclusive no Soper's Hole, Apple Bay, Coxheath, Pockwood Pond, Pleasant Valley, Sage Mountain, Russell Hill (atualmente Road Town), Pasea, Purcell, Paraquita Bay, Josiah's Bay, Mount Healthy e Cane Garden Bay. Modernas escavações arqueológicas regularmente levam os historiadores locais a reverem o que eles anteriormente pensavam e conheciam sobre os primeiros habitantes das ilhas. Descobertas noticiadas nos jornais locais em 2006 levam a acreditar que o povoamento das ilhas pelos Arawaks devem ter sido muito mais significativos do que se antigamente supunha.

1472 - As primeiras explorações europeias

O primeiro europeu a avistar as Ilhas Virgens foi Cristóvão Colombo em 1493 em sua segunda viagem para as Américas. Colombo deu-lhes o extravagante nome de Santa Ursula y las Once Mil Vírgenes (Santa Úrsula e suas 11.000 Virgens), abreviado para Las Vírgenes (As Virgens), devido à lenda de Santa Úrsula. Ele é também lembrado por ter pessoalmente dado o nome de Virgem Gorda, para o que ele pensou ser a maior ilha do grupo.

A Espanha reivindicou as ilhas por ter sido a primeira a descobri-las, mas não fez nada para garantir a sua posse, e nunca instalou nenhum povoado no Território. Em 1508 Juan Ponce de León fundou San Juan de Puerto Rico, e escreveu para os jornais espanhóis sugerindo que o povoado utilizasse as Ilhas Virgens para a prática da pesca, mas nada além disso. Não está claro se eles chegaram a navegar até as atuais Ilhas Virgens para pescarem, e a menção pode ainda estar a referir-se às atuais Ilhas Virgens Americanas.Navegar de Porto Rico até Tortola implica navegar contra os ventos dominantes por aproximadamente 70 milhas. Nas embarcações atuais, a viagem pode durar de dois a três dias.

Em 1517 Sir Sebastião Caboto e Sir Thomas Pert visitaram as ilhas em seus caminhos de volta de suas explorações por águas brasileiras.

thumb|left|Sir Francis Drake, que visitaria as ilhas quatro vezes, e daria o seu nome ao seu canal principal.

Sir John Hawkins visitou as ilhas três vezes, a primeira em 1542 e depois novamente em 1563 com uma carga de escravos a bordo com destino a Hispaniola. Em sua terceira visita, ele esteve acompanhado de um jovem capitão que se chamava Francis Drake a bordo do navio Judith. Mais tarde o canal central das Ilhas Virgens Britânicas receberia o nome deste jovem capitão.

Drake retornaria em 1585, e é relatado que ele teria ancorado em North Sound na Virgem Gorda antes do seu taticamente brilhante ataque a Santo Domingo. Drake retornou no final de 1595 em sua última viagem durante a qual ele morreria.

Em 1598 o Conde de Cumberland utilizou as ilhas como base para o seu ataque a La Fortaleza e Porto Rico.

Em 1607 alguns relatos sugerem que John Smith tenha passado pelas Ilhas Virgens durante a expedição comandada pelo Capitão Christopher Newport para fundar uma nova colônia na Virgínia.

O monarca inglês, Rei Jaime I, concedeu uma patente para o Conde de Carlisle para Tortola, bem como "Angilla, Semrera (ilha Sombrero) & Enegada". Ele também recebeu cartas-patente por Barbados, St. Kitts e "todo o Caribe" em 1628. Carlisle morreu logo após, mas seu filho, o segundo Conde de Carlisle, arrendou as patentes para Lord Willoughby por 21 anos em 1647. Nenhum deles jamais tentou povoar as ilhas do norte.

Primeiro povoado neerlandês

Foi um corsário neerlandês chamado Joost van Dyk que organizou o primeiro povoado permanente no Território em Soper's Hole, no extremo Oeste de Tortola. Não se sabe precisamente quando ele chegou pela primeira vez no Território, mas em 1615 o povoado de van Dyk foi mencionado nos relatos contemporâneos espanhóis, destacando a sua recente expansão. Ele fez comércio com os Espaniardos e Porto Rico e cultivou algodão e tabaco.

Algumas fontes sugerem que os primeiros assentamentos nas Ilhas Virgens foram feitos pelos espanhóis, que exploravam o cobre nas minas de Virgem Gorda, mas não há evidências arqueológicas que sustentem a existência de qualquer povoado espanhol nas ilhas em tempo algum, ou qualquer mina de cobre na Virgem Gorda antes da década de 1800.

Em 1625 van Dyk foi reconhecido pela Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais como o único "Patrono" de Tortola, e mudou suas operações para Road Town. Durante o mesmo ano van Dyk concedeu algum apoio (não militar) ao Almirante neerlandês Boudewijn Hendricksz, que saqueou San Juan de Puerto Rico. Em setembro de 1625, em retaliação, os espanhóis comandaram um ataque total à ilha de Tortola, derrubando suas defesas e destruindo seu embrionário povoado. Joost van Dyk refugiou-se na ilha que mais tarde receberia o seu nome, e protegeu-se lá dos espanhóis. Ele mais tarde mudou-se para a ilha de Saint Thomas até que os espanhóis desistissem e retornassem para Porto Rico.

Apesar da hostilidade espanhola, a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais ainda considerou que as Ilhas Virgens possuíam um importante valor estratégico, uma vez que elas estavam localizadas aproximadamente a meio caminho entre a colônia neerlandesa na América do Sul (atual Suriname) e o mais importante povoado neerlandês na América do Norte, Nova Amsterdã (atual Nova Iorque). Grandes armazéns de pedras foram construídos em Freebottom, perto de Port Purcell (bem a leste de Road Town), com a intenção que esses armazéns facilitassem as trocas de cargas entre as Américas do Norte e a do Sul.

thumb|right|Os restos do Forte Charlotte, construído em um antigo posto de observação erguido pelos neerlandeses.

Nesse tempo, os colonos neerlandeses ergueram algumas pequenas fortificações e um forte com três canhões acima dos armazéns, na colina onde o Forte George seria construído pelos ingleses. Eles também construíram uma paliçada de madeira para atuar como um posto de observação acima de Road Town no local onde seria futuramente o Forte Charlotte. Eles também posicionaram tropas no "dojon" espanhol perto de Pockwood Pond, que mais tarde seria conhecido por Forte Purcell, mas atualmente chamado de "o Calabouço".

Em 1631 a Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais manifestou interesse pelo cobre que havia sido descoberto na Virgem Gorda, e um povoado foi fundado naquela ilha, que passou a ser conhecido por "Little Dyk's" (atualmente chamado de Little Dix).

Em 1640 a Espanha atacou Tortola em uma operação comandada pelo Capitão Lopez. Mais dois ataques foram realizados pelos espanhóis em Tortola, em 1646 e em 1647 comandados pelo Capitão Francisco Vincente Duran. Os espanhóis ancoraram um navio de guerra em Soper's Hole no extremo oeste e os homens desembarcaram na praia. Eles então enviaram outro navio para bloquear o porto de Road Town. Depois que uma equipe de exploradores fizeram um relato seguro para o ataque, os espanhóis desembarcaram mais homens e atacaram o Forte Purcell por terra. Os neerlandeses foram massacrados, e os soldados espanhóis continuaram sua marcha em direção a Road Town, onde eles mataram todos e destruíram o povoado. Eles aparentemente não atacaram os pequenos povoados mais acima da costa em Baugher's Bay, ou em Virgem Gorda.

Declínio da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais

Os povoados não eram, apesar de tudo, um sucesso econômico, e as evidências sugerem que os neerlandeses gastavam a maior parte de seu tempo mais lucrativamente engajados na pirataria que comerciando. A falta de prosperidade do território refletiu na falta de sucesso comercial da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais como um todo.

A companhia mudou sua política, e buscou ceder ilhas como Tortola e Virgem Gorda para pessoas privadas para que estas promovessem novos assentamentos e criassem postos de comércio de escravos. A ilha de Tortola foi depois vendida para Willem Hunthum na década de 1650 e o interesse da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais pelo Território efetivamente terminou.

Em 1665 os colonos neerlandeses de Tortola foram atacados por um pirata britânico, John Wentworth, que chegou a capturar 67 escravos que foram enviados para Bermudas. Este é o primeiro relato oficial da existência de escravos no Território.

Posteriormente em 1666, existiam relatos que um número de colonos neerlandeses foi levado por uma invasão de "salteadores e piratas" britânicos, embora um número ainda de neerlandeses tenham permanecido nas ilhas.Vernon Pickering, A Concise History of the British Virgin Islands, página 23

1672 - Colonização britânica

As Ilhas Virgens Britânicas passaram para o controle britânico em 1672, no início da Terceira Guerra Anglo-Neerlandesa, e tem permanecido assim desde então. Contudo, as circunstâncias dos britânicos tomando o controle ainda não estão muito claras. Os Países Baixos declaram que em 1672 Willem Hunthum colocou Tortola sob a proteção do Coronel Sir William Stapleton, o Governador-Geral das Pequenas Antilhas. O próprio Stapleton relata que ele capturou o Território logo após o início da guerra.

O que está claro é que o Coronel William Burt foi enviado para Tortola e tomou o controle da ilha antes de 13 de julho de 1672 (data que Stapleton reportou a conquista do Conselho de Comércio). Burt não tinha o número suficiente de homens para ocupar o Território, mas antes de deixar a ilha, ele destruiu os fortes neerlandeses e removeu todos os seus canhões para Saint Kitts.O que talvez sugira a conquista ao invés da custódia.