thumb|direita|upright=1.2|O Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, expoente da estética humanista da Renascença italianaAccademia, Veneza Arte italiana é a expressão utilizada para caracterizar todo o processo evolutivo das artes visuais que floresceram no território atualmente compreendido pela Itália, desde as manifestações artísticas da Antiguidade até os dias de hoje. Na Roma Antiga, sob influência da cultura helênica, a península Itálica tornou-se um importante centro de difusão da chamada teknê grega e da ars latina (concepção que unia a habilidade artística à capacidade produtiva do indivíduo), com fortes consequências no campo da escultura, da cerâmica e da arquitetura.
Séculos depois, durante a Idade Média, a arte italiana contribuiu para uma nova concepção estética do estilo gótico, opondo-se a seus efeitos dinâmicos em favor de uma interpretação mais paleocristã. O Renascimento, por sua vez, implicou uma busca de uma linguagem racional e na valorização da herança da Antiguidade. De forma ambivalente, o maneirismo buscará estabelecer limites a esses elementos clássicos, ao mesmo tempo que endossará a academização da produção artística italiana. No Barroco lançam-se as premissas de uma arte pomposa e de efeitos - cujo rebuscamento atingirá seu ápice no Rococó e seu o ocaso no neoclassicismo. No que tange à arte moderna, a Itália teria no futurismo uma de suas mais singulares criações.
Arte etrusca esquerda|thumb|upright=1.2|Busto etrusco
A arte da civilização estrusca teve seu apogeu entre os séculos VIII e II a.C. Habitantes da Itália central (atual Toscana), os etruscos sofreram diversas influências no campo das artes de outras civilizações do Mediterrâneo (fenícios, egípcios, assírios). Mas foi sobretudo o contato com a cultura helenística que possibilitou aos etruscos a apropriação de determinados elementos de técnica escultórica e do modelado que mais tarde foram a base para o desenvolvimento de um estilo de características bastante peculiares - que por sua vez exercerá inconteste influência sobre a arte romana, até ser totalmente absorvido por esta já no século I d.C. Os artistas etruscos eram habilidosos artesãos, aptos a trabalharem com diversos suportes (terracota, cerâmica, bronze, ouro, marfim) e a criarem peças para as mais distintas funções (estatuária religiosa e fúnebre, buccheros, joias, entre outros). Também eram versados na execução de bustos e afrescos, utilizados, sobretudo, na decoração de câmaras funerárias.
Arte romana
thumb|direita|upright=1.3|Afresco da Vila dos Mistérios, Pompeia A arte romana só adquiriu personalidade própria tardiamente. Em suas origens, sofreu influência dos etruscos e, por intermédio destes, do helenismo, que conheceu também graças à proximidade das colônias gregas. A partir das primeiras grandes conquistas (meados do século IV - meados do século II a.C.), os butins enriqueceram Roma com numerosas obras helenísticas, o que estimulou, juntamente com os artistas gregos, o desenvolvimento das artes plásticas. A partir do , as artes visuais romanas, assim como a arquitetura e o urbanismo, eram destinadas a secundar os intentos políticos do império. Ao fim dessa época, a decoração mural pintada (I estilo) se reduzia à imitação dos revestimentos de mármore.
Posteriormente, desenvolveu-se o II estilo, com a introdução dos espaços imaginários, do que dão testemunho os afrescos e mosaicos de Herculano e Pompeia. Sob o império de Augusto, desenvolveu-se o III estilo (por volta de 15 a.C.), que se notabilizou por uma reação contra o irrealismo da época precedente, no momento em que, sob Nero, o IV estilo reapareceu na decoração arquitetônica, enquadrando paisagens imaginárias já entrevistas no II estilo. Durante o reinado de Adriano, surgiram os sarcófagos ornados com baixos-relevos, ao passo que a escultura oficial deixava transparecer o classicismo helenístico. Sob Constantino, a arte romana experimentou uma autêntica renascença clássica. Desde então, a sobrevivência helenística e a tradição oriental, intimamente ligadas, foram o fermento da arte cristã oficial e da arte bizantina.
A arte medieval
Durante a Idade Média, sob influência da Igreja Católica, a produção artística italiana voltou-se à temática religiosa. Não obstante a predominância de temas sacros, aprofundou-se a incorporação de distintas correntes estéticas, em razão da convivência, pacífica ou não, com os chamados povos bárbaros, e das diferentes acepções que a arte cristã possuía no território europeu.
Arte paleocristã
esquerda|thumb|upright=1.2|Página do Vergilius Vaticanus, iluminura do Biblioteca Apostólica Vaticana O triunfo do cristianismo determinou uma rápida transformação das formas arquitetônicas antigas às necessidades da liturgia. A partir do , surgiramm dois tipos de plantas: a basílica, de longas naves e transepto com abside (Basílica de São Pedro, Roma) e o santuário com plano central dos batistérios e mausoléus (Santa Constância, Roma, c. 350). O desenvolvimento da arquitetura e a consequente necessidade de decorar vastas superfícies impulsionou a execução de mosaicos, bastante difundidos na Mesopotâmia e profundamente ligados à tradição greco-romana. Utilizado na decoração interna de igrejas, o mosaico permitiu produzir vibrantes imagens policromáticas, ao substituir cubos de mármore por pedaços de vidro colorido. No que tange à escultura, as restrições do Antigo Testamento à idolatria acabaram por restringir dramaticamente a liberdade artística vigente em períodos anteriores e a as possibilidades expressivas. Não obstante, a pintura mural persistiu, sobretudo na decoração das catacumbas romanas, nas quais se percebe a influência da arte romana tardia, na busca de elementos arquitetônicos para embasar a ilusão espacial e as figuras planas de corpo proporcional. Os motivos pagãos persistentes foram reformulados, ganhando novas interpretações de cunho cristão.
Do século V ao século IX direita|thumb|upright=1.2|Afresco do no Mausoléu de Gala Placídia, Ravena Com a divisão do Império Romano (395) e sua posterior dissolução, apagou-se o prestígio de Roma. Ravena tornou-se a capital (402), alternadamente latina, bárbara e bizantina, rica em monumentos nos quais o mosaico, nova decoração mural, elevou-se à altura de arte maior (mausoléu de Gala Placídia, c. 425; basílicas de São Vital, (531), e de São Apolinário em Classe, c.540). A partir do século V, surgiram as iluminuras, que devem sua importância, no contexto do cristianismo, à necessidade de manutenção e propagação das escrituras sagradas. Não obstante sua função religiosa, elas apresentam uma rica variedade cromática, não isenta de certa influência da estrutura espacial e da geometrização típicas da pintura greco–romana. No , no norte da Itália, então sob o domínio lombardo, desenvolveu-se uma civilização original que se manteve até a época carolíngia (afrescos de Castelseprio, fim do século VII - início do , ao passo que Veneza voltou-se resolutamente para o Império Bizantino, ligando-se por muito tempo ao Oriente.
A arte românica
esquerda|thumb|upright=1.2|Púlpito do Duomo de Ravello, 1272, por Niccolò di Bartolomeo Por volta do ano 1000, nasceu, no norte da Itália, a primeira arte românica meridional, caracterizada por edifícios de exteriores simples, decorados por bandas lombardas, com campanários adjacentes e volumes interiores articulados e mais frequentemente cobertos com telhados do que com abóbadas. Uma importante diversificação ocorreu em seguida: na planície do rio Pó, as fachadas passaram a ostentar galerias em arcadas (igrejas de Pavia, Como, catedrais de Módena, Ferrara, Parma) e algumas grandes basílicas cobriram-se de abóbadas em ogivas de perfil triangular (Santo Ambrósio de Milão, c.1100). A tradição bizantina imperou na Catedral de São Marcos, em Veneza (consagrada em 1094). Na Toscana, prevaleceram a beleza dos materiais e a decoração exterior (catedral, batistério e campanário de Pisa; batistério e igreja de São Miniato em Florença). A região sul, ocupada pelos normandos, privilegiou a monumentalidade sem, no entanto, renunciar aos efeitos decorativos, como nas igrejas com mosaicos da Sicília (catedrais de Palermo, Cefalù, Monreale, . Em contrase com o que ocorria nas manifestações paleocristãs, as igrejas foram ricamente decoradas, interna e externamente. A escultura em pedra de grandes proporções renasceu, pela primeira vez desde os romanos, atrelada à decoração arquitetônica, bem como a pintura. Ambas serão carregadas de esquematização e simbolismo, característicos de um período em que o artista aprende a representar o que sente, e não somente o que vê.
A arte gótica
direita|thumb|upright=1.2|Cimabue (florentino, c. 1240 - c. 1302). Maestà, c. 1270Museu do LouvreParis Profundamente ligada à tradição romana, a Itália conheceu tardiamente o fenômeno gótico, que se expressou de maneira original, opondo aos efeitos dinâmicos valorizados no resto da Europa uma concepção estática e horizontal, de herança paleocristã e espírito cisterciense. Os exemplos são muitos na Toscana e na Umbria, em Florença (igrejas de Santa Maria Novella, Santa Croce, Santa Maria del Fiore), em Siena, Perúgia, Assis, Orvieto, e mais raros nas duas extremidades da península, onde chegaram influências de além Alpes (catedral de Milão, iniciada em 1386). Paralelamente desenvolveu-se a arquitetura civil, favorecida pelo apogeu do movimento comunal (Palazzo Vecchio de Florença, Palazzo Comunale, Ca' d'Oro em Veneza).
A escultura colocou as premissas de uma arte verdadeiramente italiana. A escola de Pisa abriu o caminho, representada por Nicola e Giovanni Pisano, e difundida por Andrea Pisano em Florença, onde também se destacou Andrea Orcagna. Uma renovação ainda mais radical manifestou-se na pintura, com Pietro Cavallini em Roma, Cimabue em Florença e, sobretudo, Giotto di Bondone em Assis e Pádua, cuja influência iria determinar toda uma tendência da arte pictórica italiana do século XIV, que tem entre seus expoentes Taddeo Gaddi, Bernardo Daddi e Maso Di Banco. Em Siena, Duccio di Buoninsegna realizou uma revolução semelhante, continuada por Simone Martini e pelos irmãos Ambrogio e Pietro Lorenzetti. Veneza prolongou a arte bizantina, como se percebe nas obras de Paolo Veneziano, ao passo que o norte da Itália exemplificou o gótico internacional, que, no início do século XV, atingiu seu apogeu com Gentile da Fabriano, Jacopo Bellini e Antonio Pisanello. Entre as outras notáveis atividades artísticas do período gótico merecem destaque o interesse cada vez maior pelos vitrais, fartamente utilizados na arquitetura religiosa, e a produção de iluminuras, com a proliferação dos manuscritos assim denominados Livro das Horas.
O Renascimento No plano da criação artística, o movimento do Renascimento traduziu-se pela busca de uma linguagem racional e pela retomada da herança da Antiguidade. Como características do movimento sobressaem o estabelecimento de uma perspectiva derivada de regras matemáticas precisas, a busca por uma relação ideal entre figuras e cenários, e a nova posição central do homem como protagonista da história e como medida de todas as coisas. O Renascimento italiano é comumente dividido em três fases distintas: o quattrocento, a fase clássica e o maneirismo.
O Quattrocento esquerda|thumb|upright=1.2|Leonardo da Vinci (toscano, 1452-1519). Mona Lisa, 1503-1507Museu do Louvre, Paris