O ubique (ubyx) é uma língua extinta do grupo de línguas caucasianas do noroeste, falado pelos até 1992. A palavra deriva do exônimo wəbəx, na língua adigué abdzakh (circassiano). Na literatura linguística, sem grafia vernacular em português, é referida por vários nomes diferentes: ubykh e ubyx do inglês, ubıh do turco, oubykh do francês, pekhi (do próprio ) e a variante germanizada Päkhy.

Considerada extinta, o idioma tinha por característica marcante o fato de ter oitenta e quatro consoantes e apenas duas vogais (e uma terceira, , aparece somente em palavras emprestadas) e seu último falante, morto aos 88 anos, Tevfik Esenç, deixou centenas de horas da fala gravadas, graças ao trabalho do linguista Georges Dumézil.

Características gerais O ubykh distingue-se pelas seguintes características, algumas das quais são compartilhadas com as línguas caucasianas do noroeste: É uma língua ergativa, que não realiza diferenciação sintática entre o sujeito de uma frase intransitiva e o objeto direto de uma frase transitiva. A ergatividade parcial parece não ter importância na gramática, coisa pouco comum em outras línguas. É fortemente aglutinante, empregando principalmente raízes bissilábicas, chegando palavras isoladas a atingir nove ou mais sílabas de longitude: aχʲazbatʂʾaʁawdətʷaajlafaqʾajtʾmadaχ se ao menos não tivesses sido capaz de fazer que ele o sacasse tudo outra vez debaixo de mim para eles. Afixos fundem-se muito raramente. Tem um sistema nominal simples, contrastando só quatro casos nominais e não marcando o número gramatical no caso direto ou no locativo. O sistema de concordâncias verbais é bastante complexo. Os verbos portugueses só devem concordar com o sujeito; os verbos do ubykh devem concordar com o sujeito, o objeto direto e o indireto e o benefactivo também devem estar marcados no verbo.

História thumb|direita|200px|Kirantukh Berzeg, último príncipe ubykh. Ubykh era falada no costa leste do Mar Negro próxima a Sochi até 1864, quando o povo ubykh foi retirado da região pelos russos. Na ocasião os ubykh se estabeleceram na Turquia, fundando vilas como Hacı Osman, Kırkpınar, Masukiye e Hacı Yakup. O turco e o circassiano se tornaram as línguas preferidas para comunicação do dia-a-dia, tendo muitas palavras dessa língua sido incorporadas ao ubykh.

A língua ubykh se extinguiu em 7 de outubro de 1992, quando seu último falante fluente, “Tevfik Esenç” morreu dormindo. Felizmente, antes disso, pesquisadores linguistas como Georges Charachidzé, Georges Dumézil, Hans Vogt e George Hewitt haviam coletado e organizado milhares de páginas de material, gravações de áudio referentes à língua moribunda, a partir de contatos com Esenç e Huseyin Kozan. O ubykh não tivera até então nenhum registro escrito por sua comunidade falante, mas uma poucas frases haviam sido escritas por Evliya Celebi em seu livro “Seyahatname”. Além disso, uma boa parte da tradição oral do povo ubykh, bem como alguns dos ciclos da saga Nath foram sendo transcritos. Tevfik Esenç também aprendeu pouco antes de sua morte a escrever ubykh na escrita desenvolvida por Dumézil.

Julius von Mészáros, um linguista húngaro, em visita à Turquia em 1930 anotou informações diversas em ubykh. Seu trabalho “Die Päkhy-Sprache foi aprofundado, detalhado, extenso e minucioso de forma a permitir por seu sistema de transcrição (que pode não representar todos os fonemas ubykh) da língua e a fundação de uma linguística ubykh.

O francês Georges Dumézil também visitou a Turquia em 1930 para obter registros do ubykh, tornando-se o mais prestigiado e famoso linguista desse idioma de todos os tempos. Publicou uma coletânea do folclore ubykh já no final da década de 1950, como o que atraiu a atenção dos linguistas de todo o mundo para a particularidade da língua de ter tão poucos (somente dois) fonemas vogais. Hans Vogt, um norueguês, produziu um completíssimo Dicionário, o qual, embora com muitos erros (corrigidos depois por Dumézil), é ainda uma Obra-prima e uma ferramenta essencial para os linguistas ubykh.

Mais tarde, entre o final dos anos 60 e início dos 70, Dumézil publicou vários "papers" sobre e Etimologia ubykh, em especial sobre suas origens norte-caucasianas. Seu livro Le Verbe Oubykh (1975), uma coletânea bem compreensiva da morfologia nominal e verbal do idioma é uma das mais significativas obras sobre a língua ubykh.

Desde os anos 80, a pesquisa linguística ubykh decaiu de forma drástica, não foram publicados mais tratados. Porém, o linguista holandês Rieks Smeets nesta primeira década do século XXI vem compilando um novo dicionário ubykh com base nas obras de 1963 de Vogt, havendo um projeto similar ma Austrália. Os remanescentes étnicos ubykh vêm também mostrando interesse em aprender a língua.

Alguns autores que tiveram literatura publicada em ubykh: Brian George Hewitt Catherine Paris Christine Leroy Georg Bossong Georges Dumézil Hans Vogt John Colarusso Julius von Mészáros Rieks Smeets Tevfik Esenç Wim Lucassen

Morfologia É uma língua ‘’’polissintática’’’ e ‘’’aglutinativa’’’, com formas nominais:: * nós não devemos ser capazes de voltar, * se você tivesse dito isso.

Os limites exatos entre Substantivos e Verbos é de difícil distinção. Qualquer substantivo pode ser a raiz de um verbo ‘’estativo’’: ( child, eu era uma criança); muitas raízes verbais podem se tornar substantivos pelo uso de Afixos: ( dizer, minha fala, o que eu falo;Dumézil, G. 1975 Le verbe oubykh: études descriptives et comparatives. Imprimerie Nationale: Paris.Hewitt, B. G. 2005 North-West Caucasian. Lingua 115: 91-145.

Sua fonologia também é complexa com 83 consoantes distintivas (três das quais aparecem só em empréstimos linguísticos). No entanto, de acordo a algumas análises linguísticas, só possui duas vogais, mas estas têm um grande número de alófonos devido à quantidade de consonantes que podem as acompanhar.

Fonologia O ubykh é conhecido por seu enorme inventário consonantal, distinguindo 84 consoantes (4 deles, contudo, apenas figurando em empréstimos), mas com o inventário vocálico frequentemente reduzido a apenas dois fonemas.Dumézil, G. Documents anatoliens sur les langues et les traditions du Caucase, III: Nouvelles études oubykhs. Librairie A. Maisonneuve: Paris, 1965.

Consoantes Representação no Alfabeto Fonético Internacional dos sons consonantais do ubykh.

  Labial Alveolar Post-alveolar Alveolo-palatal Retroflex Velar Uvular Glotal plain Faring. Plena Labial. Plena Labial. Plena Labial. Palat. Plena Labial. Faring. Palat. Plena Labial.|lab. Faring. Faring.& Lab. Plosiva Surda Sonora Ejetiva Africadae Surda Sonora Ejetiva Fricativa Surda Sonora Ejetiva Nasal Cons. Aproximante Cons. Vibrante Cons. Lateral Cons. Muda Ejetiva - Fricativa Aproximante

Notas Observa-se um grande número de séries básicas. Em ubykh há consoantes básicas em nove pontos de articulação. Alguns estudiosos agrupam as palatais aproximantes com as séries velares palatalizadas, o que foi apresentado aqui para reduzir espaço. A “stop” glotal também é anotada, mas somente como "alofone" de . Das três articulações secundárias: Palatalização, abreviada "pal.", é indicada como <>. Labialização, abreviada "lab.", é indicada como <>. Faringealização, abreviada "phar.", é indicada como <>. Ejetivas são indicadas com “apóstrofo” (<>). As séries denominadas como post-alveolares e “retroflex” são todas post-alveolares. A coluna mais à direita indica a post-alveolar “apical” e a mais à esquerda indica post-alveolar ”laminal fechada”, sendo transcrita como post-alveolares (Cf. Catford). As “stop” velares e a fricativa labiodental são encontradas somente nas palavras oriundas das línguas turca e circassiana. Exceto as labiais, as fricativas são labiodentais, as demais são bilabiais.

80 das 84 consoantes são presentes no vocabulário nativo da língua. As velares plenas e a sonora fricativa labiodental estão principalmente em palavras de origem estrangeira e em onomatopeias: ('corvo') do Turco karga), ('sarrafo finon') possivelmente do “Abdzakh” Adyghe), ('legado, herança') do Turco vakıf), ('som de vidro quebrado'). Do mesmo modo, as labiais faringealizadas são quase que exclusivamente observadas em palavras onde estão associadas com outra faringealizada (exemplo: 'de mão cheia'), mas são por vezes encontradas fora do contexto (exemplo: raiz verbal 'explodir, arrebentar'). Por fim, é principalmente encontrada em interjeições e em palavras de origem estrangeira, sendo que somente uma palavra nativa apresenta a mesma: ('agora').

A frequência das consoantes do ubykh é muito variável, o que é de se esperar: Somente o fonema ocorre em 12% das consoantes num texto comum. Isso se deve ao seu uso nos: *sufixos marcadores dos casos “ergativo” e “oblíquo” plural e singular Prefixos de concordância verbal ergativa das terceiras pessoas do plural e singular verbal Sufixos derivativos adverbiais Sufixos dos tempos presente e imperfeito Sufixos que denotam várias formas verbais não finitas

Muitos poucos "alofones" de consoantes são observados, principalmente por causa da pequena diferença acústica que pode ser fonêmica com tantas consoantes envolvidas. No entanto, as fricativas labializadas alveolares e a “stop” ejetiva uvular do sufixo no sufixo de tempo passado são muitas vezes pronunciadas como “stop glotais”, devido à influência da kíngua "karbadina" e da língua adigué.

A consoante não se verifica como inicial de palavras. A consoante somente é inicial no nome próprio . Quaisquer outras consoantes podem iniciar palavras. Não há estudos sobre quais consoantes podem ou não aparecer no fim de palavras, havendo, porém, uma nítida prevalência por sílabas “abertas” do tipo C-V sobre sílabas “fechadas” V-C ou C-V-C. As consoantes faringealizadas e não foram ainda registradas na posição final de palavras, porém, essas estatísticas pode ser anômala, pois essas vogais são muito raras, existindo em pouquíssimas palavras.

A alveolar vibrante não é muito comum no vocabulário nativo do Ubykh e aparece quase somente em palavras estrangeiras. Assim, o fonema carrega um conceito “fono-estético” de ação em andamento ou repetitiva em alguns poucos verbos, em especial ~ ('rolar em torno') and ~ ('mover-se como uma serpente').

Dialeto de Karacalar Uma forma diversa para a fonologia do ubykh falada por Osman Güngor, habitante de "Karacalar", foi investigada pelo linguista Georges Dumézil nos anos 60. Essa fala se distinguia da fonologia padrão em alguns aspectos:

As “stops” alveolares labializadas se amalgamavam nas correspondentes “stops” bilabiais . As fricativas alveolo-palatais se amalgamavam nas correspondentes palato-alveolares em contrapartida . não existia. Não se distingue mais a faringealização, existindo apenas nos “lexemas” ('estar doente') e ('latir'), sendo substituída em certos casos pela “geminação” (padrão ('cão') → Karacalar ) e em ao menos um caso pela “ejetivação” (padrão ('milho torrado') → Karacalar ). A palatalização das consoantes uvulares não é mais fonêmica, sendo substituída em muitos casos pela geminação (padrão ('tossir') → Karacalar ). A africativa “retroflexiva” sonora é, em alguns casos, amalgamada com .

Outros dialetos Não houve registro de muitos dialetos do ubykh, mas um dialeto mais divergente do idioma básico foi percebido por Dumézil. Gramaticalmente, é similar à língua básica, mas tem um sistema sonoro bem diferente, sendo que certos sons não existem, havendo apenas 62 fonemas diferentes. desapareceram nos fonemas . não se distinguia mais das . parecem ter desaparecido. A faringealização não era mais distintiva, sendo que muitos casos foram substituídos por consoantes geminadas. A palatalisação de consoantes uvular não era mais fonêmica.

Vogais