thumb|direita|250px|Primeiro número do Journal des sçavans, datado de 5 de janeiro de 1665. Le Journal des sçavans, posteriormente Journal des savants, é a mais antiga revista científica da Europa. O primeiro número apareceu em Paris em 5 de janeiro de 1665 sob a forma de um boletim de doze páginas, onde anunciava seu objetivo de fazer conhecer "o que acontece de novo na República das letras".Le Journal des sçavans, Du lundy V. janvier M.DC.LXV, Paris, J. Cusson, 1665.
História A primeira edição apareceu em formato de panfleto in-quarto de doze páginas, na segunda-feira, 5 de janeiro de 1665. Isso ocorreu dois meses antes do lançamento da Philosophical Transactions of the Royal Society, em 6 de março de 1665, em Londres.
O médico e enciclopedista francês do século XVIII, Louis-Anne La Virotte (1725–1759), teve acesso à revista graças à proteção do chanceler Henri François d'Aguesseau.
O conteúdo original noticiava a publicação das principais obras publicadas na Europa. Incluía obituários de homens notáveis, história eclesiástica, descobertas nas artes e ciências, incluindo física e química, invenções mecânicas, matemáticas e relatórios jurídicos. A filosofia natural fazia parte de seu escopo inicial. Noticiando tudo que considerava interessante para o publico letrado ou "eruditos", ou seja, a todas as pessoas instruídas. Considera-se que tenha sido o primeiro periódico científico já publicado.
A revista interrompeu sua publicação em 1792, durante a Revolução Francesa. Embora tenha reaparecido brevemente em 1797, sob o título atualizado de Journal des savants, a publicação regular só foi retomada em 1816. A partir de então, o Journal des savants passou a ser publicado pela Imprensa Nacional, sob o patrocínio do Institut de France.
De 1908 a 2020, foi publicado sob o patrocínio da Académie des Inscriptions et Belles-Lettres. Em 2021, a empresa belga Peeters assumiu sua publicação. Atualmente, continua sendo um dos principais periódicos acadêmicos voltados às humanidades na França.
Artigos históricos O Journal des savants desempenhou um papel importante na disseminação do conhecimento científico, facilitando a comunicação entre os estudiosos. Entre os principais artigos mais famosos publicados pelo periódico estão:
A Micrografia, de Robert Hooke, publicada em setembro de 1665, no qual o autor descreve e ilustra observações realizadas com o auxílio de instrumentos ópticos, especialmente microscópios e telescópios.
Os novos telescópios de Giuseppe Campani, um dos primeiros artigos da primeira edição, apresentava uma nota sobre os novos telescópios desenvolvidos pelo astrônomo, ótico e inventor italiano.
O relato sobre o nascimento de um “monstro” em Oxford, também entre os dez artigos do primeiro número, o periódico publicou um relato sobre um nascimento considerado extraordinário, mostrando a diversidade de temas que faziam parte de seu conteúdo inicial.
A nova edição de De l'homme, de René Descartes , o primeiro número também trouxe um comentário sobre uma nova edição do tratado de Descartes, evidenciando o caráter bibliográfico e crítico do periódico.
As publicações sobre a história da Igreja na África, o número inaugural incluiu uma resenha das publicações mais recentes sobre o tema, reforçando a abrangência histórica e religiosa do periódico.
O primeiro navio de casco duplo, de William Petty, o Journal des savants esteve entre os periódicos que informaram seus leitores sobre o desenvolvimento do projeto de William Petty.
A balança aritmética de Cassini, o periódico noticiou a invenção atribuída ao astrônomo italiano Giovanni Domenico Cassini, demonstrando seu interesse por instrumentos e inovações técnicas.
O uso dos relógios de Huygens por Robert Holmes, o Journal des savants noticiou o uso dos relógios desenvolvidos por Christiaan Huygens a bordo do navio Reserve, em observações realizadas por Robert Holmes.
A determinação da velocidade da luz por Ole Rømer, publicada na revista em 1676, estabeleceu que a luz não se propaga instantaneamente. O valor obtido era cerca de 26% inferior ao valor real.
A classificação dos seres humanos por François Bernier, em 1684, publicou o texto Nouvelle division de la terre, par les différentes espèces ou races d'homme qui l'habitent (“Nova divisão da Terra pelas diferentes espécies ou raças de homens que a habitam”), no qual Bernier propôs uma classificação dos seres humanos em diferentes grupos.
A exposição das ideias de Leibniz sobre a Monadologia, em 1692, Leibniz publicou no Journal des savants uma exposição de suas ideias filosóficas relacionadas à Monadologia.
O estudo de Anquetil-Duperron sobre o zoroastrismo, em 1762, o periódico publicou um estudo de Abraham Hyacinthe Anquetil-Duperron sobre o zoroastrismo, contribuindo para a divulgação de conhecimentos sobre a religião persa na Europa.
A denominação das Ilhas Bonin, em 1817, um artigo de Jean-Pierre Abel-Rémusat, baseado em uma interpretação equivocada de fontes japonesas, contribuiu para a denominação das Ilhas Bonin.
Ver também Denis de Sallo
Referências BIRN, Raymond. Le Journal des savants sous l’ancien régime. Paris: Klincksieck, 1965 COCHERIS, Hippolyte. Histoire du journal des savants depuis sa fondation jusqu’à nos jours. Paris: A. Durand, 1860 LA HARPE, Jacqueline Ellen Violette de. Le Journal des savants et la renommée de Pope en France au XVIIIe siècle. Berkeley: University of California Press, 1933 LA HARPE, Jacqueline Ellen Violette de. Le Journal des savants et l’Angleterre, 1702-1789. Berkeley: University of California Press, 1941 VITTU, Jean-Pierre. Le Journal des savants 1665-1714 (tese de doutorado)
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