Wrong Turn 2: Dead End é um filme américo-canadense de 2007, dos gêneros terror e slasher, dirigido por Joe Lynch e escrito por Turi Meyer e Al Septien. É a sequência de Wrong Turn (2003) e o segundo longa-metragem da série de filmes homônima. Os papéis principais são interpretados por Erica Leerhsen, Henry Rollins, Texas Battle, Aleksa Palladino, Daniella Alonso, Steve Braun e Kimberly Caldwell. No enredo, um grupo de participantes de um reality show ambientado numa floresta é atacado por uma família de canibais deformados.
A ideia para a produção do longa-metragem, concebido para ser lançado diretamente em vídeo, surgiu após o sucesso do primeiro filme que, embora tenha sido exibido originalmente nos cinemas, obteve melhor retorno financeiro apenas quando disponibilizado no mercado de mídia doméstica. Inicialmente, a produção contaria com o retorno dos atores que interpretaram os protagonistas no filme de 2003, entretanto, isso não se concretizou, assim como nenhum dos integrantes da equipe criativa do filme original trabalhou nesta continuação. As filmagens de Wrong Turn 2: Dead End ocorreram em 2006, em Vancouver, no Canadá.
O filme estreou em um festival de cinema do Reino Unido em 25 de agosto de 2007 e foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 9 de outubro do mesmo ano, sendo distribuído pela 20th Century Fox Home Entertainment. Arrecadou cerca de 9 milhões de dólares em vendas de vídeo no território norte-americano e tornou-se o filme da franquia Wrong Turn melhor avaliado pela crítica, obtendo 70% de aprovação no Rotten Tomatoes. Sua sequência, Wrong Turn 3: Left for Dead, foi lançada em 2009.
Enredo A caminho da locação de um reality show, Kimberly dirige por uma estrada cercada pelas matas da Virgínia Ocidental. Ela atropela acidentalmente um desconhecido e tenta socorrê-lo, mas ele a morde violentamente no rosto. Surge outra figura monstruosa que, com uma única machadada, divide Kimberly ao meio. As duas criaturas arrastam os pedaços da jovem mata adentro.
As filmagens do reality show ocorrem perto dali, sob o comando do militar veterano Dale Murphy. Os competidores são a angustiada Nina, o bom caráter Jake, a bondosa Amber, a promíscua Elena, o brincalhão Jonesy e a apaixonada Mara, namorada de M, diretor do programa. Eles espalham-se pelas matas para realizar provas, sem imaginar que estão sendo espreitados por uma família de canibais deformados e agressivos formada por Three Finger, Brother, Sister, Ma e Pa.
Os canibais matam um produtor do programa e capturam Dale. Nina e Mara entram numa cabana, onde testemunham o parto de Ma. Elas são vistas e fogem, mas Mara morre atingida na cabeça por um machado. Elena faz sexo oral em M e vai se bronzear, enquanto Brother se masturba ao observá-la. Enciumada, Sister mata Elena a facadas. Com uma espingarda, Dale atira em Three Finger.
M é capturado. Jake, Amber e Jonesy comem, sem saber, carne humana assada. Nina retorna e os alerta. Dale encontra um velho e este conta que as mutações dos canibais surgiram por endogamia e efluentes despejados no rio por uma antiga fábrica de papel. Ele revela ser pai dos mutantes e ataca Dale, que o explode com dinamite. Os canibais matam Amber e Jonesy.
Nina e Jake entram na fábrica, onde há uma garagem cheia de veículos roubados. Após decapitarem M, os canibais amarram Jake, aprisionam Nina numa cadeira com arame farpado, vão jantar e forçam Nina a comer. Dale mata Brother e Sister e liberta Nina e Jake. Ma e Pa matam Dale e tentam matar Jake num enorme moedor de carne, mas Nina os empurra no equipamento, matando-os. Nina e Jake vão embora, enquanto Three Finger, que sobreviveu, alimenta um bebê deformado.
Elenco Na ordem dos créditos:
Erica Leerhsen como Nina Henry Rollins como Coronel Dale Murphy Texas Battle como Jake Aleksa Palladino como Mara Daniella Alonso como Amber Steve Braun como Jonesy Matthew Currie Holmes como M Crystal Lowe como Elena Kimberly Caldwell como Kimberly Wayne Robson como Old Timer Ken Kirzinger como Pa Ashlea Earl como Ma Clint Carleton como Brother Rorelee Tio como Sister Jeff Scrutton como Three Finger Cedric De Souza como Neil John Stewart como Wojo Bro Gilbert como Chris Patton Oswalt como Tommy
Produção Desenvolvimento O filme Wrong Turn, produzido por Stan Winston, dirigido por Rob Schmidt e lançado nos cinemas em 2003, contou a história de um grupo de mutantes canibais que sobreviviam caçando pessoas que adentrassem o território deles. O longa-metragem faturou modestos 15,5 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos, mas ganhou um público significativamente maior depois que foi lançado em home video. Uma cena entre os créditos finais do filme mostra de relance um dos mutantes sobreviventes do confronto final, o que abria caminho para uma possível sequência. Assim surgiu o projeto de Wrong Turn 2: Dead End.
Em março de 2006, a Fangoria anunciou que a sequência de Wrong Turn estava em produção e seria lançada diretamente em DVD no final daquele ano. A equipe criativa do filme original não retornou para a sequência. O produtor Jeff Freilich, cujos créditos incluem Freddy's Nightmares (série derivada da franquia A Nightmare on Elm Street), entrou para o projeto de Wrong Turn 2 e assim explicou a história da continuação:
"Neste filme, uma rede de televisão escolhe um local para gravar uma nova série ao estilo Survivor. Eles imaginam: 'Os bosques da Virgínia Ocidental: um lugar perfeito para um reality show'''. Portanto, as pessoas que são vítimas disso são realmente vítimas. Foram trazidas para este local e imaginam que vai ficar tudo bem. Eles colocaram as câmeras em uma floresta "pós-apocalíptica", onde deveriam sobreviver contra todas as probabilidades, e é tudo encenação. [...] O problema é que existem pelo menos cinco dos canibais que vivem lá [e] os participantes do reality show rapidamente começam a ser caçados. Eles não têm saída."
Freilich disse que o filme não apresentaria "personagens estúpidos cometendo erros estúpidos" que os levam a uma situação mortal; assim como nos "grandes filmes de terror", Wrong Turn 2 mostraria pessoas incautas sendo colocadas em perigo. Ele comentou: "O público adora reality shows porque adora ver outras pessoas sendo humilhadas e torturadas, e aqui está a oportunidade perfeita para fazer isso num filme de terror". O filme contou com um orçamento de apenas 4 milhões de dólares, enquanto o filme original teve 12,6 milhões destinados à sua produção. Freilich afirmou que o orçamento baixo e um diretor "interessado apenas no salário" poderiam fazer filme cruzar facilmente a "linha entre o divertido e o previsível e brega", mas que a equipe estava decidida a "eliminar todas essas variáveis".
Direção e roteiro Eu queria fazer um filme de terror para os fãs. Queria fazer um lamento pelos filmes splatter dos anos 80. Quero pôr essa produção ao lado da primeira e ter a sensação de que alguém pode assistir a ambas e sentir que estão conectadas. Mas também estou tentando fazer o filme chamado O Outro Wrong Turn. — Joe Lynch, sobre suas ideias para o desenvolvimento de Wrong Turn 2.
Joe Lynch, na época um jovem entusiasta do gênero terror, foi contratado para dirigir o filme, estreando na direção de um longa-metragem. Seus créditos anteriores incluíam alguns videoclipes e roteiros para a Troma. Ao dirigir o vídeo da canção "Love?", da banda Strapping Young Lad, no qual prestou homenagem à franquia Evil Dead, ele chamou a atenção dos executivos da 20th Century Fox. Lynch recebeu a proposta para dirigir Wrong Turn 2: Dead End enquanto estava no Japão trabalhando num programa televisivo da rede G4. Ele comentou que assistiu a Wrong Turn por ser fã do artista de efeitos especiais Stan Winston e que admirava bastante o trabalho dele na criação dos três canibais do filme original; no entanto, como Winston não se envolveu no projeto da sequência, Lynch ficou desapontado e relatou: "Enviei uma boa carta a Stan dizendo que tenho todo o respeito do mundo pelo primeiro filme e não quero irritar os fãs. Nunca tive resposta dele, mas ele é um homem ocupado."
O roteiro foi escrito por Turi Meyer e Al Septien, que escreveram filmes como Leprechaun 2 e Candyman 3: Day of the Dead e episódios de Smallville e Andromeda. Os eventos do filme se passariam ao longo de um único dia. Lynch ficou muito empolgado com o texto e pensou, a princípio, que algumas cenas seriam impossíveis de filmar. Enquanto no primeiro filme o número de personagens diminuia ao longo da projeção, a sequência traria três diferentes núcleos de personagens, de modo que o objetivo era "tentar fazer um filme maior com orçamento menor". Lynch apresentou à 20th Century Fox Home Entertainment uma tese de treze páginas, elaborada com o auxílio do artista de storyboard Ken Perkins, sobre como exatamente ele queria filmar, a abordagem desejada, as influências que tinha e suas ideias para a seleção do elenco.
Lynch gostaria que seu filme começasse "leve" e fosse ficando gradativamente mais sombrio, ao contrário do longa original que teria sido "muito sério" do início ao fim. Os personagens deveriam conquistar a simpatia do público, tornando a violência mais impactante. O enredo não deveria lembrar o de Halloween: Resurrection, que também girava em torno de participantes de um reality show. Lynch cogitou acrescentar mais personagens mutantes, porém, concluiu que haveria excesso de canibais. O enredo original envolvia o retorno dos sobreviventes do primeiro filme, ideia descartada quando os produtores decidiram fazer uma sequência direto para vídeo. Nas primeiras versões do roteiro, a personagem Nina estaria grávida e Elena ficaria completamente nua durante uma cena inteira (na versão final, ela aparece brevemente em topless).
Lynch queria fazer um filme que tivesse conexão com o antecessor e que também funcionasse como uma homenagem aos filmes splatter da década de 1980. Ele modificou algumas cenas do roteiro para deixá-las mais violentamente explícitas, da forma que ele como um fã do gênero gostaria de ver. Em suas palavras: "em vez de mostrar arame farpado em volta do pulso de alguém, ou as mãos sendo pregadas na cadeira, algo que você pode ver em todo filme de terror como esse, por que não arame farpado em volta do braço? É isso que eu quero quero ver em um filme de terror." Da mesma forma, optou por mostrar explicitamente a morte da garota dividida ao meio na cena de abertura, em vez de apenas "cortar para a tela escura", como o roteiro previa; ele queria "ver esse efeito [na tela] e deixá-lo persistir durante os créditos finais".
O cineasta acrescentou que a morte de M, o ambicioso diretor do reality show, era "um pouco nebulosa" no roteiro, o que levou toda a equipe a discutir uma "maneira interessante de matá-lo", chegando a conclusão que "o melhor fim para um diretor é morrer diante das câmeras". A ideia da morte por decapitação surgiu do impacto que vídeos de decapitações reais, como a de Daniel Pearl, causaram em Lynch. Esses vídeos estavam sendo bastante disseminados na internet naquela época e Lynch queria encontrar uma maneira de transmitir ao menos "um décimo" do sentimento de perturbação que eles causavam, mas "sem parecer explorador, deixando você realmente perturbado e afetado por isso, sendo essa uma boa e segura [sensação de] perigo que um filme de terror pode proporcionar".