Sex é um livro de mesa de 1992 escrito pela artista musical estadunidense Madonna, com fotografias de Steven Meisel e Fabien Baron. Foi editado por Glenn O'Brien e publicado pela Warner Books, Maverick e Callaway. O livro contém conteúdo adulto, incluindo pornografia leve e simulações de atos sexuais, como sadomasoquismo.

Madonna desenvolveu Sex depois que Judith Regan, da editora Simon & Schuster, sugeriu um livro de fotografias eróticas. Ela o escreveu sob a perspectiva de uma personagem chamada "Mistress Dita", inspirada na atriz de cinema dos anos 1930, Dita Parlo. A obra foi influenciada por figuras do punk rock e da moda, incluindo Guy Bourdin, Helmut Newton e Robert Mapplethorpe. As fotos foram tiradas no início de 1992 em Nova Iorque e Miami, em locais como hotéis, casas de burlesco e ruas da cidade. O livro conta com participações especiais da atriz Isabella Rossellini, dos rappers Big Daddy Kane e Vanilla Ice, da modelo Naomi Campbell, do astro pornô gay Joey Stefano, do ator Udo Kier e da socialite Princesa Tatiana von Fürstenberg. A capa é de alumínio, com encadernação em espiral e revestida por uma folha de boPET.

Os editores de Madonna estavam apreensivos quanto ao lançamento e ao potencial comercial do livro. Ele foi lançado em 21 de outubro de 1992, um dia após o lançamento do quinto álbum de estúdio de Madonna, Erotica. Um CD também foi incluído junto com o livro, contendo a faixa "Erotic", uma canção com composição semelhante à de seu single similarmente intitulado "Erotica". Vendeu mais de 150.000 cópias no primeiro dia nos Estados Unidos e liderou a lista de best-sellers do The New York Times por três semanas. Em poucos dias, Sex vendeu mais de 1.5 milhão de cópias em todo o mundo e permanece como o livro de mesa mais vendido e de venda mais rápida de todos os tempos. Também permanece como uma das publicações esgotadas mais procuradas de todos os tempos.

Sex atraiu grande atenção da mídia e reações negativas, mas Madonna manteve-se firme em sua postura. Embora inicialmente tenha recebido críticas negativas de fãs e críticos, que consideraram que ela havia "ido longe demais", as avaliações posteriores foram mais positivas, com acadêmicos considerando-o uma fase definidora na carreira de Madonna. Sex é notável por seu impacto social e cultural e é considerado uma obra pós-feminista ousada.

Antecedentes e desenvolvimento De acordo com Giselle Benatar, da revista Entertainment Weekly, Madonna surgiu com duas ideias para o livro. A primeira delas é a de que ela havia concebido a ideia de um livro erótico durante as gravações do filme A League of Their Own. A segunda ideia é a de que Judith Regan — vice-presidente e editora-chefe da Simon & Schuster — voou para Los Angeles em março de 1991 para se encontrar com Madonna e seu empresário Freddy DeMann com uma proposta de um conjunto de fotos eróticas. A cantora havia inicialmente verificado se Regan tinha abordado outras celebridades com esse conceito, pois Madonna estaria interessada fazer parte disso apenas se fosse uma ideia original. No final da reunião, Madonna concordou "em princípio" para fazer um livro chamado Madonna's Book of Erotica and Sexual Fantasies. Ela disse à Regan que DeMann iria chamá-la para trabalhar os detalhes sobre o livro. No entanto, Madonna nunca entrou novamente em contato com Regan, que assumiu que a cantora não queria prosseguir com a ideia. Liz Rosenberg, assessora de Madonna, nunca confirmou nem negou tais alegações, mas de acordo com Benatar, Madonna começou a trabalhar no livro antes de se envolver nas gravações do filme A League of Their Own. Incialmente, a Warner Bros. Records e os diretores executivos da Time Warner estavam relutantes em permitir Madonna a publicar um livro, mas finalmente conceberam a ideia. Entretanto, Madonna foi forçada a assinar um contrato que a proibiu de mostrar pornografia infantil, bestialidade e imagens religiosas. Pouco depois de assinar este acordo, Madonna fundou a Maverick, uma empresa de entretenimento multimídia. Desde esse contrato, que dizia que ela tinha total controle artístico sobre qualquer trabalho lançado pela Maverick, o acordo que ela havia assinado com a Time Warner sobre o que não fazer no livro Sex tornou-se obsoleto.

thumbnail|left|upright|Um dos locais das sessões de fotos do livro foi o Hotel Chelsea (imagem). O título do livro seria X, mas Madonna mudou de ideia quando o filme Malcom X começou a ser divulgado. (O filme foi lançado três semanas depois do livro.) Ela disse para a revista Vogue: "Este é realmente um bom símbolo, e eu pensei nisso antes." A Warner Bros. comentou que o livro Sex foi muito difícil de ser produzido, exigindo contribuições de muitas empresas gráficas e de diferentes editoras. A gravadora também afirmou que, a fim de gerar qualquer lucro, o livro teria que vender pelo menos 350 mil cópias. Madonna contratou alguns talentos para o desenvolvimento do livro, e contou com a ajuda de amigos que trabalhavam na indústria musical, no cinema e na indústria da moda. A cantora contratou Fabien Baron como o diretor de arte, o fotógrafo de moda Steven Meisel, a editora Glenn O' Brien, o maquiador François Nars e o estilista capilar Paul Cavaco. O livro Sex teve diversas influências, incluindo iconoclastas do punk rock de modas anteriores, como Guy Bourdin e seu surrealismo e Helmut Newton com seu olhar sadomasoquista estilizado. Madonna originalmente queria que o livro fosse de uma forma oval, a fim de simular um preservativo, mas a impressão e a fabricação de tal livro teria sido muito caro. Meisel comentou que "Madonna e eu pudemos nos manter uns com os outros" e que "eu estou fazendo coisas para fazer as pessoas pensarem muito. Não é realmente para antagonizar ou apertar botões das pessoas. É realmente uma forma de apresentar uma outra maneira de ver as coisas (...)".

A maioria das fotos foram tiradas no formato de Super 8, e a maioria das sessões de fotos aconteceram em Nova Iorque e em Miami. Os locais em Nova Iorque incluem o Hotel Chelsea e o teatro burlesco masculino Gaiety (alguns dançarinos do teatro participaram de uma das sessões de fotos do livro), enquanto que em Miami a maioria das sessões foram filmadas em uma casa que Madonna havia comprado pouco antes de iniciar o projeto, bem como várias praias e ruas. Em uma manhã das sessões de fotos, Madonna estava empinada em torno de sua casa de 14 quartos em Miami completamente nua, e alguém sugeriu que ela saísse brincando na rua, e em seguida, de acordo com Baron, "a próxima coisa que está na rua são carros que gritaram a uma parada, os motoristas assobiaram, e um ciclista em transe caiu da bicicleta". Este foi apenas um dos muitos episódios loucos que aconteceram durante a filmagem do livro. De acordo com Baron, durante as sessões de fotos, "[Madonna] queria fazer algo louco e então nós chegamos a algo ainda mais louco". Uma das fotografias mais chocantes feitas para o livro, que contou com duas mulheres em uma traje pós-punk flanqueando Madonna com um delas segurando uma faca na virilha de Madonna, foi excluída do livro por ter sido considerada "muito violenta". Em outro ponto, enquanto o livro estava sendo produzido, algumas das fotografias foram roubadas, mas foram rapidamente recuperadas pelo FBI. De acordo com a revista New York, havia cerca de 80 mil fotografias tiradas para o livro, mas apenas um punhado estiveram na seleção final. A impressão do livro foi prorrogada por 15 dias, fazendo com que o processo de produção total durasse cerca de oito meses.

Design e conteúdo thumb|right|upright|A imagem mostra a corda de couro usada por Madonna no livro Sex, bem como no vídeo musical de "Erotica". Abaixo da corda, uma imagem do livro também pode ser vista. Envolvido e selado em uma folha de Mylar constituída por politereftalato de etileno, Sex contém 128 páginas e é encadernando em espiral com uma tampa de alumínio que tem a palavra "Sex" estampada no meio e uma etiqueta de aviso. A primeira página também mostra Madonna contra um céu azul fundo. Foram utilizados três tipos diferentes de papel para a impressão de Sex, e o projeto foi supervisionado por Madonna e pela Baron & Baron Inc. — constituído por Fabien Baron e o fotógrafo Siung Fat Tjia —, que já havia colaborado com a cantora, projetando a arte da capa de seu quinto álbum de estúdio, Erotica. Como este foi o primeiro projeto lançado pela Maverick, a embalagem foi crucial. Entretanto, Madonna não tinha fé no processo de publicação de "mercado em massa", sugerido pela Warner Books. Com isto, Baron sugeriu a artista de transferir o trabalho de embalagem para a Callaway Editions, concebida por Nicholas Callaway. Charles Melcher, co-editor do livro, disse que eles normalmente faziam "livros de arte requintados, com apenas 100 dólares fazíamos coisas bonitas e de alta qualidade". Foi um desafio para eles transformar as ideias de Madonna em realidade. A artista queria que a embalagem fosse selada, para que o leitor a rasgasse e começasse a ler o livro. Eles consideraram vários tipos de grampos antes de conceber a do saco selado, cuja ideia faz referência a um pacote de preservativos. A tampa de metal foi ideia de Madonna, que se inspirou no álbum Metal Box (1979), da banda pós-punk Public Image Ltd.. Melcher recorda: "Nós estávamos falando sobre materiais para a tampa, e fomos para a cozinha. [Madonna] apontou para a placa de metal na parte de trás de seu fogão e disse: 'Eu quero algo assim'. Fiquei muito impressionado com a forma como ela interage com o seu mundo de coisas originárias". A empresa comprou cerca de 1.500.000 libras (680.000 kg) de alumínio, sendo uma libra para cada livro. Os designers tiveram de fazer as tampas frontais e traseiras, e enquanto as fazia, eles estamparam e ionizaram o metal.

O livro abre com a introdução: "Tudo o que você está prestes a ver e a ler é uma fantasia, um sonho, faz-de-conta". Ao longo do livro, Madonna oferece poemas, histórias e ensaios. Ela também usa o pseudônimo "Mistress Dita", como uma homenagem à atriz alemã Dita Parlo; seus amigos nestas histórias são Bunny, Dex, Stella, Chiclet e Stranger. Segundo o biógrafo J. Randy Taraborrelli, uma grande parte do livro é lida como uma carta para uma revista pornográfica. Como um agradecimento por recuperar as fotos roubadas durante a produção do livro, Madonna menciona o FBI nos créditos de Sex: "(...) resgatando fotografias que fariam J. Edgar Hoover rolar". Madonna também queria explorar a noção de poder em Sex. Melcher disse que a artista queria falar sobre coisas "suaves e duras e macias e violentas [em Sex]. Ela jogou fora todos esses elementos no livro, que se refletiu nos materiais: (...) Papel não revestido, macio por dentro e revestido por metal duro do lado de fora".