Antônio de Castro Mayer AAPSJMV (Campinas, 20 de junho de 1904 – 25 de abril de 1991) foi um prelado católico brasileiro, bispo da Diocese de Campos, no estado do Rio de Janeiro. Participou do Concílio Vaticano II e tornou-se conhecido por sua oposição a correntes progressistas no período pós-conciliar. Foi fundador e dirigente da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney (AAPSJMV).

Em 1969, após a promulgação da revisão do missal romano pelo papa Paulo VI, a Diocese de Campos manteve a celebração da missa segundo o rito tridentino, autorizando a continuidade do uso da forma litúrgica anterior pelo clero local.

A partir de 1981, com a passagem de Antônio de Castro Mayer à condição de bispo emérito, seu sucessor na diocese, Carlos Navarro, afastou sacerdotes vinculados à celebração da missa segundo o rito anterior. Esses clérigos organizaram-se posteriormente na Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, sob a orientação de Antônio de Castro Mayer. Em período posterior, a entidade estabeleceu vínculo com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), dirigida por Marcel Lefebvre, tendo participado das sagrações episcopais realizadas em Écône, em 1988, o que levou a sua excomunhão. Antônio de Castro Mayer morreu em 1991, sendo sucedido por Licínio Rangel.

Infância e ministério presbiteral thumb|130px|esquerda|Antônio como seminarista em Roma.

Antônio de Castro Mayer era filho de João Mayer, imigrante alemão natural de Stettfeld, na Baviera, e de Francisca de Castro Mayer, pertencente a uma família numerosa católica. Ficou órfão de pai antes de completar sete anos de idade. Aos 12 anos, ingressou no Seminário Menor do Bom Jesus de Pirapora. Em 1922, iniciou a formação no Seminário Maior de São Paulo. Em razão do desempenho acadêmico, foi enviado a Roma por Duarte Leopoldo e Silva para aprofundamento dos estudos eclesiásticos na Pontifícia Universidade Gregoriana (PUG).

Foi ordenado sacerdote em 30 de outubro de 1927 pelo cardeal Basilio Pompilj, vigário-geral do Papa Pio XI. Posteriormente, obteve o grau de doutor em teologia na mesma instituição.

Após o retorno ao Brasil, atuou como professor no Seminário de São Paulo durante 13 anos, lecionando filosofia, história da filosofia e teologia dogmática. Em 1940, foi nomeado assistente geral da Ação Católica, presidida por Plínio Corrêa de Oliveira. Em 1941, foi nomeado cônego do Cabido Metropolitano de São Paulo e, no ano seguinte, promovido a vigário-geral da arquidiocese.

Em 1945, assumiu o cargo de tesoureiro da Paróquia de São José do Belém, acumulando funções docentes em disciplinas de religião e doutrina social da Igreja na Faculdade de Direito e no Instituto Sedes Sapientiae, ambos vinculados à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Episcopado Em 6 de março de 1948, Antônio de Castro Mayer foi elevado pelo papa Pio XII à dignidade de bispo titular de Priene e coadjutor, com direito de sucessão, da Diocese de Campos. Em 23 de maio do mesmo ano, a sagração episcopal foi celebrada na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em São Paulo, pelo núncio apostólico no Brasil, Carlo Chiarlo, tendo como co-consagrantes Ernesto de Paula, bispo de Piracicaba, e Geraldo de Proença Sigaud, bispo de Jacarezinho. Em 1949, sucedeu na Catedral Metropolitana de São Paulo, tornando-se bispo diocesano.

A partir da posse episcopal, realizou visitas pastorais em toda a diocese com o objetivo de avaliar as condições espirituais e materiais das paróquias, promovendo reorganização da estrutura paroquial em áreas urbanas e rurais. Durante esse período, interveio na reestruturação de ordens terceiras franciscana e carmelita, restabelecendo suas atividades em diversas localidades.

Em 1950, fundou o periódico Catolicismo, voltado à divulgação de temas religiosos e doutrinários, com circulação nacional e internacional. A publicação contou com colaboradores como Plínio Corrêa de Oliveira, José Azeredo dos Santos e Fernando Furquim de Almeida, além de clérigos como Geraldo de Proença Sigaud. No mesmo período, publicou a carta pastoral Problemas do Apostolado Moderno, de ampla repercussão, na qual abordava questões relacionadas ao apostolado católico contemporâneo.

Em 1956, instituiu o Seminário Menor da Diocese em São Sebastião de Varre-Sai.

Em 1967, obteve autorização para o funcionamento do Seminário Maior, com cursos de filosofia e teologia, posteriormente transferidos para a cidade de Campos.Biografia de D. Antônio no site do Mosteiro da Santa Cruz

No exercício do episcopado, atribuiu centralidade à devoção mariana, promovendo práticas como a recitação do rosário, o terço diário, a campanha do terço contínuo, a devoção às três Ave-Marias, a consagração ao Imaculado Coração de Maria e a observância dos primeiros sábados. Entre suas primeiras medidas como bispo, determinou a recitação de três Ave-Marias após a celebração da missa.

Durante o Concílio Vaticano II, participou das sessões conciliares e integrou o grupo conhecido como Coetus Internationalis Patrum. Após o concílio, manteve a celebração da forma tridentina do rito romano em sua diocese, mesmo após a reforma litúrgica promulgada por Paulo VI.

Em 1º de novembro de 1981, celebrou sua última missa pontifical na Catedral de Campos dos Goytacazes, ocasião em que foi homenageado por fiéis e membros do clero local pelos 33 anos de episcopado.

Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e ordenações de Écône thumb|direita|200px|Memorial a Antônio de Castro Mayer em Bom Jesus, com exposição de vestes corais compostas por batina roxa, barrete, solidéu e faixa, dispostas ao lado de uma mitra mitra), mozeta e sobrepeliz. O conjunto inclui peças utilizadas em diferentes ocasiões, incluindo as sagrações episcopais de Écône, na Suíça, em 1988Com a nomeação de novo bispo para a Diocese de Campos, Carlos Alberto Navarro (posteriormente arcebispo de Niterói), sacerdotes identificados com uma orientação litúrgica e doutrinal tradicional foram afastados de funções pastorais. Diante da situação, Antônio de Castro Mayer passou a apoiá-los, o que resultou na constituição da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Juntamente com Marcel Lefebvre, Castro Mayer dirigiu advertências à Santa Sé sobre o que ambos consideravam uma crise na Igreja Católica contemporânea.

Em 30 de junho de 1988, participou como co-consagrante nas ordenações de novos bispos realizadas por Lefebvre em Écône, Suíça, o que foi feito sem mandato pontifício (i.e. autorização do papa). Em consequência, foi declarada a excomunhão latae sententiae (automática) pelo Dicastério para os Bispos, posteriormente referida em documentos da Santa Sé relativos ao caso.C.I.C. 1382 - O bispo que confere a alguém a consagração episcopal sem mandato pontifício, assim como aquele que recebe dele a consagração, incorre em excomunhão latae sententiae reservada à Santa Sé.Motu Proprio Ecclesia Dei AflictaDecreto de excomunhão, 1 de julho de 1988

Após sua morte, Licínio Rangel assumiu a direção da União Sacerdotal São João Maria Vianney (USSJMV). Em 2001, a entidade foi reconhecida pela Santa Sé e reorganizada como Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney.

Em 21 de janeiro de 2009, o Dicastério para os Bispos publicou o decreto de protocolo número 126/2009, que revogou a excomunhão dos bispos ordenados por Marcel Lefebvre em 1988. O texto não mencionava explicitamente Antônio de Castro Mayer ou Marcel Lefebvre, o que gerou diferentes interpretações teológicas e canônicas quanto ao alcance do ato. Parte da literatura teológica interpretou o decreto como tendo implicações indiretas sobre a situação canônica dos dois prelados.

Últimos anos e morte O último ato público de Antônio de Castro Mayer foi a ordenação sacerdotal de Manoel Macêdo de Farias, realizada em Varre-Sai em 18 de dezembro de 1988, após seu retorno de Écône. A partir desse período, houve progressivo declínio de suas condições de saúde, com redução de suas atividades pastorais.

Faleceu em 25 de abril de 1991 por insuficiência respiratória e foi sepultado na cripta da Capela da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo.

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