Luís Cristóvão dos SantosSegundo a ortografia vigente à época do nascimento do biografado, seu nome grafava-se "Luiz". (Pesqueira, 25 de dezembro de 1916 — Recife, 30 de junho de 1997) foi um sociólogo, antropólogo, folclorista, cronista, escritor, promotor público e jornalista brasileiro. Também era conhecido pelos pseudônimos Ziul e Pajeú.
Estudou em Pesqueira e no Recife e concluiu o curso de bacharel em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito do Recife, em 1944. Funcionário Público Federal e Estadual, foi promotor de Justiça em diversas comarcas do sertão pernambucano. Fundou e Dirigiu o jornal Gazeta do Pajeú durante a década de 1950, Deputado Estadual pelo estado de Pernambuco na sigla UDN - União Democrática Nacional em 1947, também saiu candidato a vice-prefeito da cidade de Arcoverde em 1955 na chapa de Antônio Napoleão, participou ativamente na história cultural e política de Pernambuco, lutando por seus direitos e defendendo o Estado. Foi Chefe do Departamento Criminal do Estado de Pernambuco de 1976 a 1986. Devido a morte prematura de um filho, aposentou-se como advogado de ofício segundo a OAB, Ordem dos Advogados do Brasil. Escritor desde adolescente, Luís Cristóvão dos Santos também foi jornalista (A Voz do Sertão, Gazeta do Pajeú, Diario de Pernambuco e Jornal do Commercio), colaborador do Suplemento Cultural do Diário Oficial do estado de Pernambuco e em vários outros jornais do país, dentre muitos outros trabalhos publicados, contribuiu com muitos trabalhos na imprensa nacional e italiana.
Biografia Natural de Pesqueira, ainda menino foi morar em Custódia, para onde se mudou a família, e onde Manoel Cristóvão dos Santos, o pai, continuou sua atividade de farmacêutico.
Sobre sua infância, disse certa vez:
Formou-se em ciências Jurídicas na Faculdade de Direito do Recife, no ano de 1944. Em 1952, já no exercício da promotoria pública, casou-se com Marlene, de tradicional família de São José do Egito. Quem na redondeza, não lhe conheceu o genitor, patriarca Antônio Souza, proprietário da fazenda "Duas Barras" e senhor de prestígio político na região? - Estava vinculado, também ao sertão do Pajeú, o agrestino, que já deixara raízes em terras do Moxotó. Nele afirmavam-se, então, além do representante do Ministério Público, o poeta e cronista: Em sonetos impregnados do cheiro daqueles chãos adustos; em crônicas, impulsionadas por impressionante força telúrica, retrato - sociológico e poético - da alma sertaneja. Ninguém melhor do que ele, com firmeza de conhecimento sobre os costumes, a história, a geografia (física e humana) da região, ninguém melhor do que ele discorreu a respeito da seca, da fome, dos cangaceiros, dos repentistas, das vaquejadas, das novenas do mês de Maio. Os mais íntimos deram de lhe chamar pelo epíteto de Pajeú, talvez por ser ele o autor das mais belas páginas já escritas sobre o periódico curso d'água que, resultante da confluência de alguns regatos de denominações diferentes, oriundos quase todos dos mananciais da Serra do Teixeira, na Paraíba, depois de passar por São José do Egito, recebe, no município de Tuparetama, o seu nome definitivo.
Sua posse na Academia Pernambucana de Letras deu-se a 16 de Março de 1973.
Pelos anos 1940, em tertúlia literária na residência do poeta Waldemar Lopes, no bairro da Gávea, no Rio de Janeiro, encantou, com sua invulgar capacidade de contar histórias, a outros tantos intelectuais de renome, entre eles Raul Lima, José Conde, Aurélio Buarque de Holanda, Valdemar Cavalcanti e Odilo Costa Filho.
Profundamente amargurado pela morte prematura de um filho, afastou-se das rodas literárias, isolando-se em sua residência da rua Desembargador Goes Cavalcanti, no Parnamirim, Recife, de onde saía quase que tão somente quando precisava movimentar a conta bancária, ou nas visitas periódicas à sua granja de Arcoverde ou a sua casa de Gravatá.
Sobre Arcoverde, disse certa vez:
Na sessão ordinária da Academia Pernambucana de Letras, realizada no dia 14 de Julho de 1997, quando, por disposição estatuária, foi declarada vaga a cadeira nº4, prestou-se-lhe significativa homenagem reverenciadora da memória, com intervenções dos acadêmicos Luiz de Magalhães Melo, presidente da casa, Reinaldo de Oliveira, Maria do Carmo Barreto Campello de Melo, Waldemar Lopes, Luiz Marinho, Olímpio Bonald Neto e Waldenio Porto, ocasião em que se fez a leitura da crônica "Dona Carlinda", da qual se transcreve, aqui, o seguinte trecho, evidenciado do estilo personalíssimo do autor de Brasil de Chapéu de Couro:
Ao lado da Catedral, morava Dona Carlinda, carregada de filhos e companheira das reuniões, na capelinha do bispo, da Associação da Mães Cristãs. Mais à frente, detinha-se com Dona Estefânia, que era a bondade em pessoa. Por ali, as vezes topava com Dos Anjos, que vinha subindo a rua, ao lado de Maçu, e mal avistava mamãe, disparava: Carlinda, minha nêga, vinha pensando em você agorinha. E, como de costume, arranjava um dinheirinho, pra tentar a sorte na banca de Agostinho. O bicho de amanhã é urso, minha filha, vi Simão Rocha na loja de seu Cazuzinha e o palpite veio logo. E ali se ia, sonhando acordada, com a sorte grande que jamais lhe caiu às mãos humildes, até que morreu e se foi, com o vestido branco e a fita azul de filha-de-Maria, que era o tesouro de sua vida, morar em alguma estrela perdida na amplidão, onde não precisa de loteria pra ver, no reino tranqüilo de Deus, a infinita riqueza das constelações e a pedraria faiscante dos astros.
Contribuiu ainda para elaboração de vários livros, documentários, reportagens e filmes nacionais sobre o sertão brasileiro e sobre o Rio Pajeú, pelo qual lhe foi dada a alcunha.
Inspirado nele, o humorista Chico Anysio criou um de seus personagens, Pantaleão, famoso pelos bordões "é mentira, Terta?" e "não, Pedro Bó!".
Reconhecido na Itália como estudioso de Frei Damião pela Ordem dos Frades Menores Capuchinhos na Sicília.
O escritor falava fluentemente três idiomas (francês, latim, tupy e obviamente português) e era irmão do Monsenhor Antônio de Pádua dos Santos.
Faleceu no dia 30 de Junho de 1997 no Hospital Santa Joana, na cidade do Recife, devido a um derrame cerebral.
Obras thumb|Posse de Luiz Cristóvão na Academia Pernambucana de Letras. Hino ao Sertão (1938) Adolescência (1950) Bilhetes do Sertão (1950) Padre Cottart - Um Vigário do Pajeú (1953) Carlos Frederico Xavier de Brito - O Bandeirante da Goiaba (1953) Frei Damião - O Missionário dos Sertões (1953) Caminhos do Pajeú (1955) Brasil de Chapéu de Couro (1956) Caminhos do Sertão (1970) Chão de Infância (sonetos, 1983) Paisagem Humana do Pajeú'' (inacabada)
Prefácios Minha cidade, minha saudade : Rio Branco (Arcoverde), Luís Wilson, 1972
Hinos Hino da cidade de Pesqueira
Crônicas Um Chefe Político do Sertão do Pageú Flores Para Dona Carlinda Arco Verde Dona Carlinda A Espingarda O Irmão João Bolieiro O Sabiá da Serra Caboclinho Dos Anjos Cabo Chico Um Casamento no Pajeú O Governador e o "Praça" Hotel de beira-de-estrada O Carioca e o "Rusagá" Quando as Violas Gemem A Paisagem Perdida A Feira "Bau" O Violeiro Rogaciano As Andorinhas de Custódia Pajeú: Um Rio do Sertão "Muié Rendeira" Do Almocreve ao "Calunga" de Caminhão Uma Feira no Sertão A Batina e o Bacamarte O Cantador Inácio da Catingueira Um vigário do Pajeú Lampeão: Amor e Cangaço O Delegado e o Violão Um Coronel da Guarda-Nacional O Cavalo "Estrêla de Prata" Mestre "Tota" Vingança de Cabôclo Arigó no Asfalto "Xarapa" Flor de Jurema Adágios e Provérbios do Pajeú
Cargos públicos
Promotor Público Estadual e Federal Deputado Estadual (UDN) Secretário de Gabinete do Governo de Pernambuco (1964 - 1966) Chefe do Departamento Criminal do Estado de Pernambuco (1976 - 1986)
Prêmios Othon Bezerra de Mello da Academia Pernambucana de Letras "Caminhos do Pajeú" (1955) Othon Bezerra de Mello da Academia Pernambucana de Letras "Caminhos do Sertão" (1970). Library of Illinois University of Illinois "Caminhos do Sertão" (1999). Wisconsin Awards University of Wisconsin "Brasil de Chapéu de Couro" (2002). Medalha de Prata Comemorativa do Tricentenário da Restauração Pernambucana (1954). Medalha do Mérito da Fundação Joaquim Nabuco por sua relevante contribuição à cultura do estado de Pernambuco. Cidadão do Recife, recebido em Setembro de 1970.
40px Acadêmico Academia Pernambucana de Letras Eleito para a Academia Pernambucana de Letras em 19 de Abril de 1972, tomou posse na cadeira nº 4 em 16 de março de 1973 e a ocupou até seu falecimento em 30 de junho de 1997, dando lugar em 27 de Outubro de 1997 a Mário Márcio de Almeida Santos.
Patrono É patrono da cadeira nº 12 na Academia Pesqueirense de Letras e Artes, ocupada por Jarival Cordeiro do Amaral.
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