thumb|200px|Brasão de Armas da família Noronha. D. Garcia de Noronha (Lisboa,1479 — Cochim, 3 de abril de 1540), foi um fidalgo e estadista português, trineto do Rei D. Fernando I. Foi o terceiro vice-rei e o décimo governador da Índia (1537), já no final da sua carreira e vida. Na sua primeira viagem à Índia (1511 - 1512), terá avistado a ilha de Santa Helena.

Biografia D. Garcia de Noronha era filho de D. Fernando de Noronha e de sua mulher Constança de Castro (irmã de Afonso de Albuquerque), neto paterno de D. Pedro de Noronha, Arcebispo de Lisboa, e de Branca Dias Perestrelo, filha do primeiro casamento de Bartolomeu Perestrelo com Branca Dias.

Na sua primeira estadia no Oriente, de 1512 a 1516, foi capitão-mor do mar da Índia, cargo imediatamente abaixo do de vice-rei, na altura este era exercido por seu tio materno, Afonso de Albuquerque, com o qual esteve nas conquistas de Goa, Ormuz e Calecute e cujo governo secundou.

Foi fidalgo do Conselho de D. Manuel I e D. João III, 1.° senhor do Cartaxo e alcaide-mor do Castelo do Cartaxo, moço fidalgo e depois cavaleiro fidalgo da Casa Real, e tinha de moradia 6 500 reais por mês quando no início de 1538 regressou à Índia, na nau Espírito Santo, para tomar posse como vice-rei.

D. Garcia foi considerado «um dos maiores homens de Portugal» ou, como diziam na Índia, «o mais ousado doudo de Portugal», e a sua vida é tratada pelo cronistas, nomeadamente João de Barros, Damião de Góis, Fernão Lopes de Castanheda e Brás de Albuquerque, além de ser referido por Luís Vaz de Camões nos «Lusíadas».

Primeira estadia no Oriente (1512 - 1516) Serviu no Norte de África e partiu a primeira vez para a Índia em 1511 como capitão-mor da armada desse ano, de seis naus, uma por ele capitaneada e as demais tendo como capitães Cristóvão de Brito, Pêro Mascarenhas, Manuel de Castro Alcoforado, Jorge de Brito e D. Aires da Gama, irmão de Vasco da Gama.

A ilha de Santa Helena Nessa viagem, segundo o cronista Gaspar Correia, avistou - e deu-lhe o nome que mantém até hoje - a ilha de Santa Helena e os seus pilotos colocaram-na nos seus mapas. De acordo com o historiador A. R. Disney, esse acontecimento terá sido decisivo para transformar Santa Helena numa escala regular para as armadas que regressavam da Índia para Portugal, desde essa data até o século XVII.

Capitão-mor do Mar da Índia Chegou a Cochim em agosto de 1512, onde seu tio, o governador Afonso de Albuquerque, logo o nomeou capitão-mor do Mar da Índia. Notabilizou-se na conquista de Benastarim, na expedição ao Mar Roxo e nas negociações com o rei de Calecute. São de 1 de Outubro de 1513 os capítulos que fez D. Garcia de Noronha com o rei de Calecute, pelos poderes concedidos por Afonso de Albuquerque, capitão-mor e governador das Índias. O pacto concluído nessa data previa o pagamento de indemnizações de guerra por Calecute, estabelecia as condições de acesso português à compra de especiarias e estipulava que seria edificada uma fortaleza portuguesa na cidade.

Foi depois capitão-mor de Ormuz, em cuja conquista esteve e cuja fortaleza mandou construir.

Regresso e Portugal e missões em Marrocos (1516 - 1538) Em 1516 regressou a Portugal, onde permaneceu 22 anos, como conselheiro de D. Manuel I e senhor e alcaide-mor do Cartaxo. Esteve no casamento de D. Manuel I com D. Leonor e «foi hum dos Fidalgos que lhe beijarao a mão».

Quando o rei de Marrocos cercou Safim com um exército de 90 000 homens, D. João III nomeou D. Garcia de Noronha (em 1534) capitão-mor de armada que partiu para o Norte de África para combater a ameaça, o que conseguiu, obrigando o rei de Marrocos a levantar o cerco e ficando como capitão e governador de Safim de Maio a Setembro desse ano.

Vice-Rei da Índia (1538 - 1540) Já nomeado vice-rei, partiu de novo para a Índia em 1538, como capitão-mor da armada desse ano, de dez naus, e um ordenado de 8 000 cruzados e levando com ele 114 dos principais fidalgos do reino. miniaturadaimagem|D. Garcia de Noronha, tal como está retratado no LIvro de Lisuarte de Abreu Perante a ameaça otomana às possessões portuguesas na Ásia, D. João III decidira, sob influência da rainha D. Catarina e do conde da Castanheira, D. António de Ataíde, desistir de enviar para o governo da Índia o infante D. Luís, optando por nomear D. Garcia de Noronha, dada a sua efetiva experiência de guerra no Oriente. D. João III atribuiu-lhe ainda o título de vice-rei, tendo em vista impressionar o poder otomano.

Datada de 29 de Outubro de 1539, enviou D. Garcia de Noronha, vice-rei da Índia, uma interessante carta ao secretário de Estado António Carneiro, onde dá notícias de Ormuz e Baçaim e comenta o governo e decadência do Estado da Índia, sobretudo por causa das armadas e dos ofícios da fazenda real, concluindo que, estando ele com 44 anos de serviço e muito velho, se via sem forças para sustentar esse governo.

Esta situação viria contudo a piorar, após a sua morte, quando lhe sucedeu no governo da Índia D. Estêvão da Gama., como se pode deduzir do conteúdo de uma carta dirigida ao rei, em 3 de Novembro de 1540, 7 meses após a morte de D. Garcia, por Sebastião Garcez. A carta dá conta da grande desordem que havia na Índia depois do falecimento do vice-rei D. Garcia, afirmando que, depois de entrar no governo, D. Estêvão da Gama, teria introduzido na feitoria toda a fazenda que tinha, vendendo-a por maior preço e exercitando ainda outras "violências".

D. Garcia de Noronha tentou colocar alguma ordem no uso e abuso de privilégios em Goa, do que resultou queixa dos moradores para o rei, existindo um longo traslado de 11 de Outubro de 1539 do agravo que interpuseram por o vice-rei lhes não guardar os privilégios, graças e franquezas que D. Manuel I lhes concedeu, como também Afonso de Albuquerque, em nome do dito senhor, e que contém as respostas que o vice-rei deu.

Morreu em Cochim, em 3 de abril de 1540, indo sepultar à Sé de Goa, onde está no centro da capela-mor, numa magnífica lápide negra com as armas dos Noronha e a seguinte inscrição, em letra redonda com feição gótica: «Aqui jaz Dom Garcia de Noronha Viso Rei que foi da Imdia. Faleceo nesta cidade de Goa aos 3 dias dabril da era de 1540».

Casamento e descendência Casou-se, c. 1515, com sua prima D. Inês de Castro, filha de D. Álvaro de Castro, senhor do Paul do Boquilobo, e irmã de D. João de Castro, vice-rei da Índia (1545 - 1548).

Deste casamento teve geração, nomeadamente:

D. Álvaro de Noronha, capitão de Ormuz de 1550 a 1553, que defendeu a cidade durante o cerco imposto à fortaleza pelas tropas turcas enviadas por Solimão, o Magnífico, cujas forças haviam sitiado Diu em 1538. No seu regresso a Portugal, em 1554, perdeu a vida em naufrágio na costa da África, não tendo deixado sucessão;

D. António de Noronha, capitão de Malaca, casado com Joana de Albuquerque, filha do governador da Índia Garcia de Sá. Com geração, cuja representação ficaria na sua bisneta D. Joana de Noronha (c. 1571 - c. 1610), que casou em Aveiro, c. 1589, com Sebastião de Sousa de Meneses, senhor das casas de Pentieiros e Francemil - com descendência, nos condes de Bertiandos, nos senhores da Trofa, etc.

Toponímia Em São Domingos de Rana há uma rua com o seu nome.

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