250px|miniaturadaimagem|Militantes da Forza Nuova se manifestando em Verona em 2006. miniaturadaimagem|Um insulto homofóbico (“Zapatero é viado”) do lado de fora das janelas de uma sede, em Perugia, Itália. Força Nova (em italiano, Forza Nuova, FN) é um partido político nacionalista de extrema-direita italiano, fundado em 1997 por Roberto Fiore e Massimo Morsello. O partido é amplamente descrito por acadêmicos, jornalistas e organismos de monitoramento político como um movimento neofascista, tanto por sua simbologia quanto por suas referências ideológicas e históricas ao fascismo italiano do século XX. Forza Nuova e i suoi ragazzi. La Repubblica, 23 de dezembro de 2000. Italy far-right: Who are Forza Nuova?. BBC News.
Embora tenha participação eleitoral limitada, a Força Nova tornou-se conhecida principalmente por sua atuação extraparlamentar, pela organização de manifestações de rua e pelo envolvimento recorrente em controvérsias políticas e judiciais.
Ideologia A ideologia da Força Nova combina elementos do nacionalismo italiano, do catolicismo tradicionalista, do antieuropeísmo e de um forte discurso contrário à imigração. O partido rejeita explicitamente os princípios do liberalismo político contemporâneo, defendendo uma visão orgânica da nação baseada na identidade cultural, religiosa e na herança histórica. The rise of Italy’s far-right group Forza Nuova. The Guardian.
Entre suas principais posições estão: Revogação das leis abortistas: Oposição direta à legalidade do aborto. Família e crescimento demográfico no centro da política: Foco em políticas de incentivo à natalidade e estrutura familiar tradicional. Bloqueio da imigração e início de um repatriamento humano: Interrupção de fluxos migratórios e retorno de imigrantes aos seus países de origem. Banimento da maçonaria e de seitas secretas: Proibição de organizações maçônicas ou sociedades ocultas. Erradicação da usura e zeramento da dívida pública: Combate a juros abusivos e medidas drásticas sobre a dívida do Estado. Restauração da Concordata Estado-Igreja de 1929: Retorno aos termos originais dos Tratados de Latrão entre a Itália e o Vaticano. Revogação das leis "liberticidas" Mancino e Scelba: Extinção das leis italianas que proíbem a apologia ao fascismo e crimes de ódio/discriminação. Formação de Corporações para a defesa dos trabalhadores: Implementação de um modelo corporativista de organização do trabalho. 8 pontos do partido. Forza Nuova, 01 de Janeiro de 2026.
Pesquisadores observam que a Força Nova se insere na tradição do neofascismo europeu do pós-Segunda Guerra Mundial, mantendo continuidade simbólica e discursiva com grupos da direita radical do pós-guerra italiano. A red-brown alliance for Syria. Qantara.
História Fundação e origens A Força Nova foi fundada em 1997 por Roberto Fiore e Massimo Morsello, ex-integrantes do movimento neofascista Terza Posizione. Ambos haviam vivido no exterior durante os anos 1980, período marcado por investigações judiciais relacionadas à militância política radical na Itália. Forza Nuova: il 25 aprile fiori in piazzale Loreto. Corriere della Sera, 22 de abril de 2001.
Nos primeiros anos, o partido concentrou suas atividades em protestos, campanhas culturais e mobilização juvenil, com presença mais significativa em regiões como Lácio, Sicília, Vêneto e Puglia.
Anos 2000 Durante os anos 2000, a Força Nova buscou ampliar sua influência política por meio de alianças com outros grupos da extrema-direita italiana e da participação em eleições locais e nacionais. Apesar disso, seus resultados eleitorais permaneceram marginais, e o partido não conseguiu eleger representantes para o Parlamento italiano. Assalto alla sede di Forza Nuova, domani i neofascisti in piazza. La Repubblica, 18 de maio de 2007.
Controvérsias A Força Nova esteve repetidamente envolvida em episódios de violência política, confrontos com manifestantes antifascistas e investigações judiciais. Analistas apontam que o partido frequentemente adota estratégias de confronto direto como forma de manter visibilidade midiática. Italy’s fringe far right. Politico Europe.
Ataque à CGIL em 2021 miniaturadaimagem|Bandeira alternativa versão branca. Em outubro de 2021, dirigentes da Força Nova foram presos após a invasão da sede nacional da CGIL, a maior central sindical da Itália, durante protestos contra as restrições sanitárias impostas durante a pandemia de COVID-19. O episódio gerou ampla condenação política e reacendeu o debate sobre a aplicação das leis italianas que proíbem a reorganização do Partido Fascista. Italy arrests far-right leaders after union HQ attack. BBC News.
Situação legal Após os eventos de 2021, setores do parlamento italiano e da sociedade civil defenderam a dissolução da Força Nova com base na Constituição da Itália e na chamada Lei Scelba, que criminaliza a apologia ao fascismo. Até meados da década de 2020, o partido permaneceu formalmente ativo, embora sob vigilância judicial e com restrições a determinadas atividades públicas. Assalto alla CGIL, l’ombra dello scioglimento di Forza Nuova. La Repubblica.
Atuação internacional A Força Nova mantém contatos ideológicos com grupos nacionalistas e de extrema-direita em outros países europeus e fora da Europa, integrando redes transnacionais da direita radical contemporânea. Transnational far-right networks. Institute for Strategic Dialogue.
América do Sul Relatórios jornalísticos indicam que o partido buscou apoio entre comunidades da diáspora italiana na Argentina e no Brasil, promovendo eventos culturais, encontros informais e campanhas digitais voltadas a descendentes de italianos. Forza Nuova e i contatti all’estero. Il Post.
Brasil No Brasil, pesquisadores identificaram a circulação de material ideológico associado à Força Nova em redes sociais e fóruns digitais. Estudos sobre extremismo político apontam a existência de simpatizantes e pequenos núcleos ideológicos sem status legal como partido político. A atuação ocorre predominantemente no ambiente virtual, com discursos voltados à identidade europeia, imigração e conservadorismo religioso. A extrema-direita global e suas conexões. Nexo Jornal.
Especialistas destacam que essas conexões fazem parte de um fenômeno mais amplo de internacionalização da extrema-direita, caracterizado pelo intercâmbio de narrativas, símbolos e estratégias políticas. Transnational far-right networks. Institute for Strategic Dialogue.
Filiais e seções no Brasil e Argentina
No final de 2025 para 2026, a Força Nova anunciou por meio de seus canais oficiais do Telegram e WhatsApp a abertura de uma seção no Brasil e na Argentina com o objetivo de promover o retorno de descendentes de italianos ao território italiano. Segundo a organização, a iniciativa estaria ligada ao que chamou de ‘2026, o ano do retorno dos italianos do exterior’, apresentado como uma resposta ao declínio demográfico da Itália. A proposta, assinada por seu secretário nacional Roberto Fiore, defende duas frentes principais: a criação de um salário estatal para mães italianas, tratando a maternidade como uma missão social, e o incentivo ao retorno anual de cerca de meio milhão de ítalo-descendentes, especialmente da América do Sul e dos Estados Unidos, para que se restabeleçam no país, formem famílias e reforcem os laços considerados tradicionais da nação italiana.
Desempenho eleitoral Apesar de sua visibilidade midiática, a Força Nova nunca obteve representação significativa em eleições nacionais. Seu impacto político ocorre principalmente fora das instituições formais, por meio de mobilizações de rua, campanhas digitais e alianças informais. Italy far-right: Who are Forza Nuova?. BBC News.
Ligações externas Página oficial do Forza Nuova.
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