Sony Music Publishing (anteriormente Sony/ATV Music Publishing) é a maior editora musical do mundo, tendo mais de cinco milhões de músicas possuídas ou administradas desde o final de março de 2021. Com sede nos Estados Unidos, faz parte do Sony Music Group, que é propriedade da Sony Entertainment. A empresa foi formada como Sony/ATV em 1995 pela fusão da versão original da Sony Music Publishing e da ATV Music, que pertencia ao artista Michael Jackson. Em 1985, Michael Jackson comprou a ATV Music, que incluía o catálogo de músicas da parceria Lennon e McCartney.
Em 2012, um consórcio de investidores liderado pela Sony/ATV Music Publishing adquiriu a EMI Music Publishing, se tornando o maior administrador de edições musicais do mundo, com uma biblioteca de mais de três milhões de músicas.
A empresa formou-se originalmente pela união da Sony of America com a ATV Music, de propriedade do cantor Michael Jackson. Cada uma das partes faturava metade dos direitos autorais das músicas do catálogo. Em 2016, os herdeiros do artista decidiram vender a sua participação de 50% no catálogo para a Sony, numa quantia avaliada em 750 milhões de dólares. Em 2019, Jon Platt tornou-se CEO e chairman da Sony/ATV; em agosto, a curadoria da editora e da Sony Music Entertainment foram unidas sob a cautela do recém-formado Sony Music Group.
Em abril de 2019, Jon Platt tornou-se CEO/presidente da Sony/ATV Music Publishing depois que o contrato do antigo CEO/presidente Martin Bandier expirou. Em agosto de 2019, a gestão da Sony/ATV Music Publishing e da Sony Music Entertainment foram fundidas no recém-formado Sony Music Group.
História da ATV Music A Associated Television (ATV) foi uma emissora de televisão britânica fundada em 1955 por Lew Grade. Nas duas décadas seguintes, a ATV se expandiu por meio de aquisições para se tornar um conglomerado de entretenimento com linhas de negócios na indústria fonográfica, edição de música e produção de filmes.
A ATV entrou na indústria da música em 1958, quando adquiriu 50% da Pye Records, uma gravadora britânica."Pye Records Deal" Financial Times London 23 October 1958: 1 A ATV então expandiu-se para edição musical em 1966, quando adquiriu 50% da New World Music e Jubilee Music, subsidiárias da Chappell & Co."ATV Goes into Music Publishing" Financial Times London 3 June 1966: 9 A ATV também adquiriu os outros 50% da Pye Records, tornando-a uma subsidiária integral da ATV, incluindo a subsidiária de edição da Pye Records, Welbeck Music."ATV Buying up Pye Records for £2.1m" Financial Times London 13 July 1966: 1 miniaturadaimagem|esquerda|John Lennon e Paul McCartney tentaram adquirir o controle acionário da Northern Songs em 1969 A ATV adquiriu a Northern Songs, editora do catálogo de canções da parceria Lennon–McCartney, em 1969.Guest (2006) p8 O catálogo apresentava quase todas as canções escritas por John Lennon e Paul McCartney. A Northern Songs era copropriedade de John Lennon, Paul McCartney, Brian Epstein e Dick James, que possuía o controle acionário. Em 1969, Dick James se ofereceu para vender suas ações para a ATV. Lennon e McCartney então tentaram obter o controle acionário da empresa. Sua tentativa de obter o controle, parte de uma longa e acrimoniosa luta, falhou. O poder financeiro de Grade, seu adversário na guerra de lances, garantiu que as músicas escritas pelos dois Beatles passassem para o controle da ATV.
Em 1970, a ATV formou um empreendimento conjunto com a Kirshner Entertainment, chamada ATV-Kirshner Music."ATV,Kirshner Organize Global Publishing Co.; Maclen In Fold" Billboard August 22, 1970: 7 O contrato de parceria expirou no final de 1972, quando a ATV Music foi formada para administrar todos os interesses de edição da ATV, incluindo a Northern Songs. A ATV Music continuou sendo uma organização de sucesso na indústria musical ao longo dos anos 1970, em grande parte devido ao desempenho da Northern Songs. A ATV Music também firmou acordos de coedição com John Lennon e Paul McCartney, cujo contrato com a Northern Songs expirou em 1973.
Embora a ATV Music fosse bem-sucedida, sua empresa-mãe, agora conhecida como Associated Communications Corporation (ACC), começou a passar por dificuldades financeiras. De 1978 a 1981, os lucros da ACC diminuíram devido a perdas em sua divisão de filmes, e os preços das ações caíram drasticamente. O principal braço televisivo da ATV perdeu sua licença concedida pelo governo em sua então forma atual e foi reestruturado como Central Independent Television. Em 1981, Grade recebeu ofertas pela Northern Songs, despertando o interesse de vários licitantes. Paul McCartney, com a viúva de John Lennon, Yoko Ono, ofereceu 21 milhões de libras, mas a oferta foi recusada por Grade, que decidiu não vender Northern Songs separadamente depois que outros pretendentes — incluindo CBS Songs, EMI Music Publishing, Warner Communications, Paramount Pictures e Entertainment Co. — mostraram interesse em comprar a ATV Music como um todo.Moore, John.Jones, Peter.
Enquanto isso, o empresário australiano Robert Holmes à Court havia adquirido ações da ACC e iniciou uma oferta pública de aquisição em janeiro de 1982. Grade renunciou ao cargo de presidente e foi substituído por Holmes à Court, que adquiriu com sucesso o controle acionário da empresa. Depois que Holmes à Court assumiu o controle da ACC, a ATV Music deixou de estar à venda."West Coast Publishers Keep Things Happening" Record World 27 February 1982: 8
Venda da ATV Music para Michael Jackson miniaturadaimagem|170px|Michael Jackson adquiriu a ATV Music em 1985 e a fundiu com a Sony uma década depois Em 1981, o cantor estadunidense Michael Jackson colaborou com Paul McCartney, escrevendo e gravando várias músicas juntos. Michael Jackson ficou na casa de Paul e sua esposa Linda durante as sessões de gravação, tornando-se amigo de ambos. Uma noite, enquanto estava à mesa de jantar, Paul McCartney trouxe um caderno grosso e encadernado exibindo todas as canções das quais ele possuía os direitos de edição. Michael Jackson ficava mais animado conforme examinava as páginas do caderno. Ele perguntou sobre como comprar músicas e como as músicas eram usadas. McCartney explicou que a edição musical era uma parte lucrativa do negócio da música. Michael Jackson respondeu dizendo a McCartney que iria comprar as músicas dos Beatles um dia. McCartney riu, dizendo "Ótimo. Boa piada."Taraborrelli (2004) p333–334
Michael Jackson foi informado pela primeira vez que o catálogo da ATV estava à venda em setembro de 1984 por seu advogado, John Branca, que havia coordenado as aquisições anteriores de catálogos de Michael. Alertado sobre a concorrência que enfrentaria na compra de tais canções populares, Michael Jackson permaneceu resoluto em sua decisão de comprá-las.Taraborrelli (2004) p335–338 John Branca procurou o advogado de Paul McCartney para perguntar se o Beatle tinha a intenção de apresentar uma oferta. O advogado afirmou que não; era "muito caro". De acordo com Bert Reuter, que negociou a venda da ATV Music para Holmes à Court, "Tínhamos dado a Paul McCartney o primeiro direito de preferência, mas Paul não o queria naquele momento". A viúva de John Lennon, Yoko Ono, também foi contatada, mas também não entrou na licitação.
Os concorrentes na venda da ATV Music em 1984 incluíam a Entertainment Co. de Charles Koppelman e Marty Bandier, com sede em Nova Iorque, a Virgin Records, o magnata imobiliário de Nova Iorque Samuel J. LeFrak e o financista Charles Knapp. Em 20 de novembro de 1984, Michael Jackson fez uma oferta de 46 milhões de dólares para Holmes à Court. John Branca sugeriu o valor do lance depois de passar um tempo avaliando os ganhos do catálogo e sabendo de outro lance de 39 milhões de dólares. Michael Jackson estava interessado apenas nos direitos autorais da música, mas o pacote também incluía prédios, um estúdio de gravação e equipamentos de estúdio. Os dois lados assinaram um memorando de entendimento não vinculativo em dezembro de 1984 e a equipe de Michael Jackson iniciou um processo de quatro meses para verificar os documentos legais, relatórios financeiros e todas as composições significativas do catálogo de quase 4 000 canções da ATV Music.
Os dois lados começaram a redigir contratos em janeiro de 1985 e as reuniões de acompanhamento começaram em 16 de março. A equipe de Michael Jackson descreveu as negociações como frustrantes, com frequentes mudanças de posição por parte do vendedor. Um representante de Holmes à Court descreveu as negociações como um "jogo de pôquer". A equipe de Michael Jackson pensou ter chegado a um acordo várias vezes, mas novos licitantes entrariam em cena ou encontrariam novas áreas de debate. O acordo em perspectiva passou por oito rascunhos. Em maio de 1985, a equipe de Michael Jackson abandonou as negociações depois de gastar centenas de horas e mais de 1 milhão de dólares. Em junho de 1985, eles souberam que Koppelman/Bandier havia feito um acordo provisório com Holmes à Court para comprar o catálogo por 50 milhões de dólares.
Mas no início de agosto, Holmes à Court contatou Michael Jackson e as negociações foram retomadas. Michael Jackson apenas aumentou sua oferta para 47,5 milhões de dólares, mas teve a vantagem de poder fechar o negócio mais rapidamente, tendo concluído a diligência prévia da ATV Music antes de qualquer acordo formal. Ele também concordou em visitar a Austrália como convidado de Holmes à Court e aparecer no Channel Seven Perth Telethon. Holmes à Court incluiu mais alguns ativos e concordou em estabelecer uma bolsa de estudos em nome de Michael Jackson em uma universidade dos Estados Unidos. John Branca fechou o negócio e comprou a ATV Music em nome de Michael Jackson por 47,5 milhões de dólares em 10 de agosto de 1985. Em outubro de 1985, Michael Jackson cumpriu a cláusula de seu contrato de visitar Perth, Austrália Ocidental, e participar do Telethon, onde ele falou brevemente e conheceu duas crianças.
A única música dos Beatles no catálogo da Northern Songs que foi excluída da venda foi "Penny Lane", cujos direitos foram presenteados por Holmes à Court para sua então filha adolescente Catherine antes da venda, por ser sua música favorita dos Beatles.
Reações à aquisição Michael Jackson passou a usar as canções dos Beatles em vários comerciais, sentindo que isso permitiria que uma nova geração de fãs apreciasse a música. Paul McCartney, que havia usado o catálogo de músicas de Buddy Holly em comerciais, ficou triste. Em particular, foi relatado que Michael Jackson expressou exasperação com a atitude de Paul McCartney; ele sentiu que o músico deveria ter pago pelas canções que havia escrito. Na época, Paul McCartney era um dos artistas mais ricos do mundo, com um patrimônio líquido de 560 milhões de dólares e uma receita de royalties de 41 milhões. Michael Jackson afirmou: "Se ele não queria investir 47,5 milhões de dólares em suas próprias canções, então ele não deveria vir chorar para mim agora".
Aparecendo no Late Show with David Letterman logo após a morte de Michael Jackson em 2009, Paul McCartney falou sobre a aquisição das canções dos Beatles por Michael e o impacto disso em seu relacionamento (sic):
Ono ficou satisfeita por Michael Jackson ter adquirido a Northern Songs e chamou isso de "bênção". Falando em novembro de 1990, Ono declarou: "Homens de negócios que não são artistas não teriam a consideração que Michael tem. Ele adora as músicas. Ele é muito atencioso". Ela acrescentou que se ela e Paul McCartney fossem os donos das músicas, certamente haveria discussões. Ono explicou que nem ela nem Paul precisavam delas. “Se Paul conseguisse as músicas, as pessoas diriam: 'Paul finalmente conseguiu John'. E se eu conseguisse, eles diriam 'Oh, a Dragon Lady ataca novamente.'"