Sweet Charity é um espetáculo musical, de Bob Fosse (1927-1987), com música de Cy Coleman, letras de Dorothy Fields e libreto de Neil Simon, baseado no roteiro do filme italiano de 1957 Noites de Cabíria, de Federico Fellini. A produção foi dirigida e coreografada para a Broadway por Bob Fosse, tendo como protagonista sua esposa e musa, Gwen Verdon, no papel de uma dançarina contratada em um salão de dança na Times Square, ao lado de John McMartin.

O musical estreou na Broadway em 1966, onde recebeu nove indicações ao Tony Awards, vencendo o prêmio de Melhor Coreografia. A produção também foi encenada no West End e teve diversos revivals e montagens internacionais. Em 1969, foi adaptado para o cinema, com direção e coreografia de Bob Fosse em sua estreia como diretor de longas-metragens. Shirley MacLaine interpretou a personagem-título, e John McMartin reprisou seu papel da Broadway como Oscar Lindquist.

Ato I (com marcação de citações) A jovem Charity Hope Valentine é uma taxi dancer (dançarina contratada para acompanhar clientes) em um salão de dança chamado Fandango Ballroom, em Nova York. Com uma bolsa a tiracolo e um coração tatuado no ombro esquerdo, Charity encontra seu namorado, Charlie, no Central Park. Enquanto Charlie se admira silenciosamente, Charity verbaliza as cantadas que imagina que ele esteja dizendo e comenta o quanto ele é bonito (“You Should See Yourself”). Em seguida, Charlie rouba sua bolsa e a empurra no lago (geralmente representado pelo fosso da orquestra), fugindo logo depois. Os transeuntes comentam o aparente afogamento, mas nada fazem, até que um jovem espanhol finalmente a resgata.

Na Sala das Anfitriãs do Fandango Ballroom, Charity tenta convencer a si mesma e às demais dançarinas — céticas — de que Charlie tentou salvá-la. Nickie, colega de trabalho, diz a ela que “seu grande problema é que você administra seu coração como um hotel — tem homens entrando e saindo o tempo todo”. O gerente, Herman, chega para avisar que é hora de trabalhar. As dançarinas abordam o público no salão principal do Fandango Ballroom (“Big Spender”). Helene e Nickie tentam consolar Charity pela ausência de Charlie (“Charity’s Soliloquy”).

Na rua, após o expediente, Charity dá dinheiro a todos os mendigos que se aproximam, até perceber que ficou sem nada. Nesse momento, o astro de cinema Vittorio Vidal sai apressado do sofisticado Pompeii Club, perseguindo sua bela amante, Ursula. Ela se recusa a voltar para dentro com ele, e Vittorio, prontamente, leva consigo a sempre disponível Charity.

Dentro do Pompeii Club, os dançarinos executam a última sensação do momento, “The Rich Man’s Frug”. Para espanto geral, o famoso Vittorio está acompanhado da desconhecida Charity. Ela tenta desviar o assunto quando o tema é Ursula. Por fim, Vittorio decide dançar. Sem comer desde o café da manhã, Charity desmaia. Os dançarinos concordam que ela precisa “se deitar”. Vittorio pergunta “onde?”, e Charity recobra os sentidos o suficiente para sugerir: “no seu apartamento!”.

Deitada na cama de Vittorio, Charity afirma que já não está mais com fome. Ela admite que trabalha como anfitriã em um salão de dança, atribuindo isso ao “caprichoso dedo do destino” — uma de suas expressões favoritas. Vittorio se impressiona com seu humor e honestidade. Encantada, Charity pede uma fotografia autografada para provar às amigas que realmente esteve no apartamento dele. Enquanto Vittorio busca adereços de seus antigos filmes como prova adicional, Charity comenta sobre sua boa sorte (“If My Friends Could See Me Now”).

Ursula chega para se desculpar por seu ciúme; Charity é rapidamente escondida em um armário antes que Vittorio abra a porta (“Too Many Tomorrows”). Do interior do armário, Charity observa enquanto Vittorio e Ursula se reconciliam em sua cama com dossel. Na manhã seguinte, um Vittorio constrangido a acompanha até a saída.

De volta à Sala das Anfitriãs, as colegas ficam decepcionadas porque Charity não conseguiu tirar maior proveito da situação com Vittorio. Nickie anuncia que não pretende permanecer naquele emprego pelo resto da vida, levando as outras a especularem sobre carreiras alternativas (“There’s Gotta Be Something Better Than This”), mas Herman as traz de volta à realidade.

Charity decide buscar algum aprimoramento cultural no 92nd Street Y, onde fica presa em um elevador quebrado com o tímido contador de impostos Oscar Lindquist. Tentando acalmá-lo, Charity descobre que ele não é casado. Ela declara: “Oh, Oscar… Você vai ficar bem.” Depois de ajudá-lo a superar sua claustrofobia (“I’m the Bravest Individual”), os dois entram em novo pânico quando as luzes do elevador se apagam.

Ato II Após serem resgatados do elevador, Oscar convida Charity para ir à igreja. Eles participam de um encontro da chamada “Rhythm of Life Church”, que é interrompido por uma batida policial.

O relacionamento entre Charity e Oscar continua, mas ela ainda não revela sua verdadeira profissão. Em Coney Island, o casal fica novamente preso em um brinquedo defeituoso. Oscar permanece calmo, enquanto Charity demonstra insegurança quanto ao relacionamento.

De volta ao Fandango Ballroom, Charity decide pedir demissão. Posteriormente, ela confessa a Oscar que trabalha como anfitriã de salão de dança. Ele revela que já sabia, mas afirma que deseja se casar com ela.

Após uma festa de despedida no salão, Oscar reconsidera e decide não prosseguir com o casamento, dizendo que não consegue superar o passado de Charity. Ele a empurra no lago e vai embora.

Charity emerge da água, percebe que sua bolsa não foi roubada e retoma a dança inicial. O musical encerra-se com a projeção de três letreiros de neon com a frase: “And so she lived … hopefully … ever after.”

Números musicais

Ato I "Abertura" (Overture) "Você Deveria Se Ver" (You Should See Yourself) – Charity "Grande Gastador" (Big Spender) – Nickie, Helene e Dançarinas "Solilóquio de Charity" (Charity's Soliloquy) – Charity "Frug do Homem Rico" (Rich Man's Frug) – Conjunto "Se Meus Amigos Pudessem Me Ver Agora" (If My Friends Could See Me Now) – Charity "Muitos Amanhãs" (Too Many Tomorrows) – Vittorio "Tem Que Haver Algo Melhor Que Isso" (There's Gotta Be Something Better Than This) – Nickie, Helene e Charity "Sou o Indivíduo Mais Corajoso" (I'm the Bravest Individual) – Charity e Oscar

Ato II "O Ritmo da Vida" (The Rhythm of Life) – Daddy Brubeck e Conjunto "Baby, Sonhe Seu Sonho" (Baby, Dream Your Dream) – Nickie e Helene "Sweet Charity" (Sweet Charity) – Oscar "Para Onde Estou Indo?" (Where Am I Going?) – Charity "Sou uma Banda de Metais" (I'm a Brass Band) – Charity e Conjunto "Eu Amo Chorar em Casamentos" (I Love to Cry at Weddings) – Herman, Rosie, Nickie, Helene e Conjunto

Personagens

Charity Hope Valentine – Protagonista do musical; dançarina contratada (taxi dancer) no Fandango Ballroom. Oscar Lindquist – Contador tímido que inicia um relacionamento com Charity. Nickie – Dançarina do Fandango Ballroom e colega de Charity. Helene – Dançarina do Fandango Ballroom e amiga de Charity. Herman – Gerente do Fandango Ballroom. Vittorio Vidal – Astro de cinema italiano que conhece Charity no Pompeii Club. Ursula – Namorada de Vittorio Vidal. Daddy Brubeck – Líder da Rhythm of Life Church. Rosie – Nova dançarina do Fandango Ballroom. Charlie – Namorado de Charity no início do musical. Conjunto – Dançarinos, frequentadores do salão, membros da igreja e demais personagens secundários.

Produções

Broadway (1966) Sweet Charity estreou na Broadway em 29 de janeiro de 1966, no Palace Theatre. A produção foi dirigida e coreografada por Bob Fosse, com Gwen Verdon no papel-título e John McMartin como Oscar Lindquist.

O espetáculo recebeu nove indicações ao Tony Awards, vencendo na categoria de Melhor Coreografia para Bob Fosse. A produção original teve 608 apresentações.

West End A produção do West End estreou em Londres em 1967, seguindo o sucesso da montagem da Broadway.

Revivals O musical teve diversos revivals na Broadway, incluindo montagens em 1986, 2005 e 2016.

A versão de 2005, dirigida por Walter Bobbie e coreografada por Wayne Cilento, contou com Christina Applegate no papel de Charity.

Adaptação cinematográfica (1969) Em 1969, o musical foi adaptado para o cinema, com direção e coreografia de Bob Fosse, marcando sua estreia como diretor de longas-metragens. O filme foi estrelado por Shirley MacLaine como Charity e John McMartin reprisou seu papel como Oscar.

A trilha sonora original do filme foi lançada pela Universal Pictures e posteriormente relançada em edições restauradas.

No Brasil O espetáculo estreou no Brasil em 1993 (ficando em temporada até 1994) no Teatro Ginástico no Rio de Janeiro. Direção de remontagem de Gene Foote, com concepção e coreografia original de Bob Fosse. Direção Musical de Newton Cardoso, Direção Vocal de Monique Aragão, e Supervisão de Marília Pera e André Valle. Figurinos de Rosa Magalhães, Cenários de Lídia Kosovski e Ney Madeira, e Iluminação de Samuel Betts. No elenco Marcia Albuquerque (como Charity), Sidney Magal, Totia Meirelles, Sheila Matos, Ruben Gabira, Marianne Ebert, Maria Lucia Priolli, Claudia Provedel, Soraya Bastos, Claudio Figueira, Carlos Leça, José Antonio Carnevalle, Tatyana Paiva, Renata Dutra, Orlando Leal, Candida Ribeiro, Fernando Gillich, Helcio Mattos, Julio Brauer, Luis Carlos Buruca, Mario Dimitri, Minoro Takeuti, Andrea Maciel, Rosana Fachada.

Em 13 de setembro de 2006 estreia outra montagem de Sweet Charity, dirigida por Charles Möeller e Cláudio Botelho, o espetáculo tem Cláudia Raia no papel principal e Marcelo Médici como Oscar Lindquist, o espetáculo tem coreografias originais de Bob Fosse. Na história, a atriz paulista viveu a prostituta ingênua Charity Hope Valentine. Com 27 atores-bailarinos em cena, além de uma orquestra de treze músicos, o espetáculo contou com 2h40 de duração.

Prêmios e indicações

Produção original da Broadway (1966) A produção original de Sweet Charity recebeu nove indicações ao Tony Awards de 1966, vencendo na categoria de Melhor Coreografia para Bob Fosse. AnoPremiaçãoCategoriaIndicadoResultado1966Tony AwardsMelhor Musical 1966Tony AwardsMelhor Atriz em Musical 1966Tony AwardsMelhor Ator em Musical 1966Tony AwardsMelhor Direção de Musical 1966Tony AwardsMelhor Coreografia 1966Tony AwardsMelhor Cenografia 1966Tony AwardsMelhor Figurino 1966Tony AwardsMelhor Produção de Musical 1966Tony AwardsMelhor Orquestração

Revival da Broadway (2005) A produção de 2005 também recebeu indicações ao Tony Awards, incluindo Melhor Revival de Musical e Melhor Atriz em Musical para Christina Applegate. AnoPremiaçãoCategoriaIndicadoResultado2005Tony AwardsMelhor Revival de Musical 2005Tony AwardsMelhor Atriz em Musical

Gravações

Elenco original da Broadway (1966) A gravação original do elenco da Broadway foi lançada em 1966 pela Columbia Records, com Gwen Verdon e John McMartin nos papéis principais. O álbum apresenta as canções da produção original dirigida e coreografada por Bob Fosse.

Trilha sonora do filme (1969) A trilha sonora da adaptação cinematográfica de 1969 foi lançada pela Universal Pictures, com Shirley MacLaine no papel de Charity. A gravação inclui arranjos adaptados para o cinema e números musicais expandidos em relação à versão teatral.

Revival da Broadway (1986) O revival de 1986 teve gravação lançada pela RCA Victor, com Debbie Allen no papel de Charity. Esta versão inclui adaptações coreográficas e ajustes musicais em relação à produção original.

Revival da Broadway (2005) A produção de 2005, estrelada por Christina Applegate, também teve gravação oficial lançada. O álbum apresenta os arranjos da nova montagem dirigida por Walter Bobbie.

Ligações externas Sweet Charity — IBDB (Internet Broadway Database)}

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