B'Day é o segundo álbum de estúdio da artista musical americana Beyoncé Knowles, lançado internacionalmente através da Sony BMG Music Entertainment a 4 de setembro de 2006 para que coincidisse com o 25.° aniversário da artista. Gravado em apenas algumas semanas após a conclusão das filmagens de Dreamgirls (2007), o álbum apresenta uma sonoridade predominantemente associada ao R&B, hip hop e funk, incorporando ainda elementos de soul, pop, rock, dancehall e música latina. A produção combina referências da música urbana contemporânea com influências sonoras das décadas de 1960, 1970 e 1980 e contou com a participação de diversos produtores e compositores, dentre os quais Swizz Beatz destacou-se por ter trabalhado em quatro faixas do projeto, mais do que qualquer outro produtor individual.

A divulgação de B'Day decorreu entre 2006 e 2007 e foi sustentada por uma campanha que combinou singles, vídeos musicais e numerosas apresentações ao vivo. "Déjà Vu", com participação de Jay-Z, foi escolhido como primeiro single, seguindo-se "Ring the Alarm", "Irreplaceable", "Beautiful Liar", com Shakira, "Get Me Bodied" e "Green Light", além de lançamentos promocionais e faixas que obtiveram repercussão nas tabelas musicais. A campanha esteve também associada a diversas controvérsias, sobretudo em torno dos vídeos de "Déjà Vu" e "Ring the Alarm", dos créditos de composição de "Irreplaceable" e de questões relacionadas com a edição deluxe, culminando com uma regravação de "Kissing You", de Des'ree, sendo removida do álbum. Beyoncé apresentou canções do disco em diversas cerimónias de prémios e programas televisivos e, em 2007, levou o repertório para a The Beyoncé Experience, a sua segunda digressão mundial como artista a solo.

A receção crítica de B'Day foi geralmente positiva, com os críticos a destacarem sobretudo a energia da produção, a intensidade vocal da cantora e a abordagem mais agressiva e rítmica em comparação com Dangerously in Love (2003), embora algumas avaliações tenham apontado limitações na composição e na produção de determinadas faixas. Comercialmente, o álbum estreou no primeiro lugar da Billboard 200 nos Estados Unidos, vendendo 541 mil unidades na primeira semana, então a maior estreia da carreira de Beyoncé. Permaneceu 74 semanas na tabela e alcançou posições de destaque em vários outros mercados, incluindo Canadá, Japão, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia. O álbum recebeu múltiplas certificações, incluindo três discos de platina da Recording Industry Association of America (RIAA), e acumulou oito milhões de unidades comercializadas no mundo.

Nos prémios Grammy, B'Day venceu na categoria de Melhor Álbum de R&B Contemporâneo, além de gerar várias nomeações para Beyoncé e para as suas canções, incluindo "Déjà Vu", "Irreplaceable" e "Beautiful Liar". Nos anos seguintes, o álbum passou a ser objeto de avaliações retrospectivas que destacaram a sua importância na consolidação da identidade artística da intérprete, na valorização da componente visual dos seus projetos e na evolução que conduziria a trabalhos como Beyoncé (2013) e Lemonade (2016). No 20.º aniversário do seu lançamento, Beyoncé anunciou uma edição comemorativa de B'Day composta por 27 faixas e material adicional, incluindo lados B, gravações inéditas, versões em espanhol de canções selecionadas e o single "Morning Dew (Donk)", acompanhada por um livreto comemorativo de 60 páginas na edição física.

Antecedentes Após a realização de múltiplas sessões de estúdio em 2002 para a gravação de Dangerously in Love, o seu álbum de estúdio de estreia a solo, durante as quais registou até 45 canções, Beyoncé começou a considerar a possibilidade de desenvolver um segundo projeto que aproveitasse algumas das faixas que não haviam sido selecionadas para o alinhamento do primeiro álbum. A decisão surgiu na sequência do êxito crítico e comercial de Dangerously in Love, que viria a proporcionar à cantora cinco prémios Grammy. No entanto, os planos para o segundo álbum foram adiados em várias ocasiões. A 7 de Janeiro de 2004, um porta-voz da editora discográfica de Beyoncé anunciou que a artista colocara o projeto em espera para se concentrar na produção de Destiny Fulfilled (2004), o quinto e último álbum de estúdio de Destiny's Child. Pouco depois, Beyoncé interpretou o hino nacional dos Estados Unidos durante o Super Bowl XXXVIII, realizado na sua cidade natal, Houston, Texas, concretizando um sonho de infância.

O desenvolvimento do álbum voltou a ser adiado no final de 2005, quando Beyoncé passou a dedicar-se às filmagens de Dreamgirls (2007), adaptação cinematográfica do musical homónimo de 1981, no qual interpretou uma das personagens principais. Determinada a concentrar-se num projeto de cada vez, a cantora decidiu não retomar o trabalho musical até à conclusão das filmagens. Em entrevista à Billboard, afirmou igualmente que não pretendia escrever material para o novo álbum enquanto o filme não estivesse terminado.

Produção Concepção e desenvolvimento miniatura|150px|esquerda|O estúdio Sony Music, localizado na Cidade de Nova Iorque, foi alugado para a gravação de B'Day. Concluídas as filmagens de Dreamgirls, Beyoncé regressou ao estúdio para iniciar o trabalho no seu segundo projeto a solo. O período de interrupção havia acumulado diversas ideias e emoções que a artista pretendia transformar em música. Como resultado, decidiu começar a produção sem informar o seu pai e administrador, Mathew Knowles, mantendo inicialmente o projeto em segredo. Para além dela, apenas Max Gousse, o seu executivo de artists and repertoire, e a equipa de produtores seleccionada para o álbum tinham conhecimento das sessões. A equipa reuniu produtores e compositores de diferentes origens, entre os quais Rich Harrison, Rodney Jerkins, Sean Garrett, Cameron Wallace, The Neptunes, Stargate, Swizz Beatz e Walter Millsap. Angela Beyincé, prima de Beyoncé e colaboradora da cantora desde Dangerously in Love, e Makeba Riddick também participaram no processo de composição. Riddick integrou posteriormente a equipa depois de co-compor "Déjà Vu", que viria a ser o primeiro single do álbum.

Inspirada pelo método de trabalho de Jay-Z e de outros artistas associados à editora Roc-A-Fella, que recorriam à colaboração de vários produtores num mesmo disco, Beyoncé adotou uma abordagem semelhante. Contactou Harrison, Jerkins e Garrett e atribuiu a cada um uma sala de trabalho individual. Durante as sessões, deslocava-se entre as diferentes salas para acompanhar o progresso dos produtores, procedimento que, segundo a artista, promovia uma "competição saudável" entre eles. O processo de composição e produção era desenvolvido de forma simultânea. Quando Beyoncé concebia uma ideia para uma possível canção, comunicava-a aos colaboradores responsáveis pelo desenvolvimento da faixa, que podiam transformá-la em música num período de aproximadamente três horas. Enquanto discutia as letras com a equipa, outros colaboradores trabalhavam na produção. As sessões podiam começar às onze da manhã e prolongar-se por até quatorze horas diárias. Beyoncé assumiu ainda responsabilidades de composição, produção e arranjos em todas as canções inéditas incluídas na edição padrão de B'Day. Riddick descreveu o método de trabalho como um processo de natureza quase industrial, no qual os produtores trabalhavam simultaneamente em salas diferentes e Beyoncé circulava entre elas para colaborar e acompanhar o desenvolvimento das canções.

Embora inicialmente estivessem previstas seis semanas para a produção, B'Day foi concluído em apenas três semanas. Beyoncé chegou a gravar três canções por dia e concluiu as gravações em duas semanas, em Abril de 2006. As principais sessões decorreram no estúdio Sony Music, na cidade de Nova Iorque, que foi alugado especificamente para o projeto. Outros quatro estúdios foram utilizados em simultâneo. Nos Estúdios Great Divide, em Aspen, Colorado, foi gravada "Freakum Dress"; "Irreplaceable" foi registada nos Estúdios Lair; "Check on It", incluída como faixa bónus, nos Estúdios Henson Recording; e nos Record Plant, em Los Angeles, Califórnia, foram registadas "Kitty Kat" e "Green Light", tendo o estúdio também prestado assistência de engenharia acústica em "Déjà Vu".

Todas as canções da edição padrão foram gravadas no Sony Music e posteriormente masterizadas nos Bernie Grundman Mastering, em Los Angeles. Ao todo, foram produzidas 25 canções durante as sessões, das quais dez foram seleccionadas para a edição padrão do álbum. A masterização dessas faixas foi concluída no início de Julho de 2006 por Brian "Big Bass" Gardner, em Los Angeles.

Conceito e inspiração miniatura|150px|Beyoncé usou a animadora Josephine Baker como uma inspiração em B'Day. A concepção de B'Day foi fortemente influenciada pela participação de Beyoncé em Dreamgirls. O enredo acompanha The Dreams, um grupo fictício constituído por três cantoras que procuram alcançar o sucesso na indústria musical com a ajuda do empresário Curtis Taylor, cuja relação emocionalmente abusiva com Deena Jones, personagem interpretada por Beyoncé, constitui um dos elementos centrais da narrativa. A experiência no filme levou a cantora a desenvolver um projeto com uma temática predominantemente centrada no feminismo e no empoderamento feminino. Na faixa bónus "Encore for the Fans", Beyoncé explicou que Deena a inspirou a escrever canções que exprimissem aquilo que gostaria que a personagem tivesse dito ao longo do filme. Outra das influências associadas ao projeto foi Josephine Baker. Beyoncé viria posteriormente a prestar-lhe homenagem numa interpretação ao vivo de "Déjà Vu" no concerto Fashion Rocks de 2006, durante a qual utilizou uma mini-saia de inspiração havaiana ornamentada com bananas falsas, evocando um dos elementos mais característicos da imagem de Baker.

Musicalmente, B'Day combina uma diversidade de géneros da música norte-americana e, à semelhança de Dangerously in Love, incorpora elementos de música urbana contemporânea, sobretudo R&B e hip hop. O álbum distingue-se, contudo, pela utilização mais acentuada de instrumentação ao vivo e pela incorporação de referências sonoras às décadas de 1960, 1970 e 1980, obtidas em alguns casos através de amostras. "Suga Mama", por exemplo, apresenta influências de funk das décadas de 1970 e 1980 e utiliza guitarras de blues provenientes de uma amostra de "Searching for Soul" (1968), gravada por Jake Wade and the Soul Searchers. "Upgrade U" inclui uma amostra de "Girls Can't Do What the Guys Do" (1968), composta por Willie Clarke e Clarence Reid e interpretada por Betty Wright, enquanto "Resentment" utiliza "Think (Instrumental)" (1972), de Curtis Mayfield, incluída na banda sonora de Super Fly (1972). "Déjà Vu" apresenta uma sonoridade fortemente influenciada pela música do final da década de 1970, enquanto "Green Light" recupera características do groove clássico e "Get Me Bodied" incorpora elementos de twang, estilo associado à música originária do Texas.

Composição e características musicais