O realismo mágico é uma corrente artística, pictórica e literária da primeira metade do século XX. Também é conhecida como realismo fantástico ou real maravilhoso, sendo este último nome utilizado principalmente em castelhano. É considerada a resposta latino-americana à literatura fantástica europeia. A origem desse termo e seu escopo, entretanto, são muito mais gerais e têm sido usados para qualificar uma grande variedade de romances, poemas, pinturas e obras cinematográficas. Além disso, o realismo mágico conhece diversas variações e pode caracterizar vários estilos, estéticas, gêneros, correntes e movimentos na Ásia , Europa ou América.
O realismo mágico se desenvolveu fortemente nas décadas de 1960 e 1970, como produto de duas visões que conviviam na América hispânica e também no Brasil: a cultura da tecnologia e a cultura da superstição. Surgiu também como forma de reação, através da palavra, contra os regimes ditatoriais deste período. Dessa forma, mantem o elo com o realismo, nomeadamente levando em conta o contexto histórico, geográfico, étnico, social ou cultural..
Geralmente, ele busca forjar laços estreitos entre correntes geralmente opostas como o naturalismo, o maravilhoso e o fantástico para pintar uma realidade reconhecível, transfigurada pelo imaginário e na qual o racionalismo é rejeitado. Porém, não existe uma definição rigorosa e sua aplicação depende da abordagem intelectual e estilística do escritor ou do artista que a utiliza. O termo "Realismo Fantástico" ou "Realismo Mágico" surgiu no início do século XX, ligado à pintura alemã.
Entre os grandes autores do realismo mágico devemos citar o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (Prêmio Nobel de Literatura em 1967), os mexicanos Carlos Fuentes e Juan Rulfo, os argentinos Adolfo Bioy Casares e Julio Cortázar, o boliviano Jaime Sáenz, os peruanos José María Arguedas e Manuel Scorza. No Brasil, Jorge Amado também pode estar relacionado, em alguns aspectos de sua obra, como seu tratamento em seus romances à sincrética das religiões afro-brasileiras, além de Érico Veríssimo, autor que, apesar de não ser usualmente colocado no rol dos escritores do realismo mágico, escreve Incidente em Antares, mordaz crítica a hipocrisia da "boa sociedade", utilizando-se de uma greve de coveiros que impede os mortos de realmente descansarem, e por isto, estes "assombram" a cidade. No Brasil, o realismo mágico refletiu-se brilhantemente em peças televisivas, notadamente a obra de Dias Gomes, como Roque Santeiro e Saramandaia (particularmente esta última).
Finalmente, é emblemático o colombiano Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura em 1982, cujo romance Cem anos de solidão, publicado em 1967, é frequentemente citado como o modelo perfeito desse tipo de história.
Principais autores Muitos consideram o venezuelano Arturo Uslar Pietri o pai do realismo mágico, mas os autores vêm de muitos países:
Gabriel García Márquez, que ganhou o Prêmio Nobel de Literatura em 1982, é colombiano. Alejo Carpentier é cubano. Isabel Allende nasceu no Peru, mas possui ascendência chilena. Manuel Scorza, que descreve em suas cinco novelas as lutas do campesinato dos Andes Centrais, é peruano. Julio Cortázar e Jorge Luis Borges são argentinos. Murilo Rubião, José J. Veiga, Luís Bustamante, Aguinaldo Silva, Dias Gomes e Socorro Acioli são brasileiros.
Alejo Carpentier, no prólogo de Reino deste Mundo, enquadra sua obra no conceito de realismo maravilhoso, o qual o autor define como semelhante (sem ser idêntico) ao conceito de realismo mágico, característico da obra de Gabriel García Márquez.
Este conceito pode ser definido como a preocupação estilística e o interesse em mostrar o irreal ou estranho como algo cotidiano e comum. Não é uma expressão literária mágica: sua finalidade é melhor expressar as emoções a partir de uma atitude específica frente à realidade. Uma das obras mais representativas deste estilo é Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez.
Características do realismo mágico Os seguintes aspectos estão presentes em muitas histórias do realismo mágico, mas não em todas. Do mesmo modo, obras pertencentes a outras escolas podem apresentar algumas características dentre aquelas aqui listadas:
Conteúdo de elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens; Presença de elementos mágicos algumas vezes intuitivos, mas nunca explicados; Presença do sensorial como parte da percepção da realidade; Realidade dos acontecimentos fantásticos, embora alguns não tenham explicação ou sejam improváveis de acontecer; Percepção do tempo como cíclico ao invés de linear, seguindo tradições dissociadas da racionalidade moderna; Distorção do tempo para que o presente se repita ou se pareça com o passado; Transformação do comum e do cotidiano em uma vivência que inclui experiências sobrenaturais ou fantásticas; Preocupação estilística, partícipe de uma visão estética da vida que não exclui a experiência do real.
Ver também Baixa fantasia Literatura fantástica
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