A Dama do Lotação é um filme brasileiro de 1978 do gênero drama erótico, dirigido por Neville d'Almeida em 1978. Baseado no conto homônimo de Nelson Rodrigues.
O filme é a sétima maior bilheteria do cinema brasileiro, com 6,5 milhões de ingressos, superado apenas por Nada a Perder: Contra Tudo. Por Todos, Minha Mãe É uma Peça 3, Os Dez Mandamentos: O Filme, Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro, Dona Flor e Seus Dois Maridos e Minha Mãe é uma Peça 2.
Sinopse Solange e Carlos se conhecem desde a infância e se casam. Na noite de núpcias, Solange resiste ao seu marido, que, impaciente, acaba estuprando-a. Solange fica traumatizada e, apesar de desejar Carlos, não quer mais nada com ele. Para se satisfazer, ela começa a fazer sexo com homens que não conhece, que encontra andando de lotação (ônibus que faz transporte público).
Elenco Ator Personagem Sônia Braga Solange Nuno Leal Maia Carlos Jorge Dória Dr. Alexandre Paulo César Pereio Assunção Yara Amaral Dona Matilde Cláudio Marzo Psicanalista de Solange Roberto Bonfim Bacalhau Ivan Setta Mosquito Paulo Villaça Vadio Márcia Rodrigues Dolores Ney Santanna Contínuo Rodolfo Arena Malandro Thaís de Andrade Secretária do pai de Carlos Waldir Onofre Passageiro Washington Fernandes Passageiro Liège Monteiro
Recepção Marcelo Miranda em sua crítica para o Filmes Polvo disse que "A Dama do Lotação é quase um filme imbatível. Para atingir a massa popular que frequentava o cinema brasileiro nos anos 70, a protagonista era Sônia Braga, atriz muito em alta na época por participar com grande repercussão de novelas na Globo. O chamariz 'Sônia Braga pelada' foi fundamental para o alcance e repercussão que o filme conseguiu quando exibido comercialmente. (...) Visto mais de três décadas depois, o filme de Neville D’Almeida perdeu boa parte de suas cartadas: a atriz é motivo de chacota desde quando foi tentar carreira internacional e o uso de Nelson Rodrigues como baliza de reconhecimento já ficou para trás. E justamente por essas faltas é que (...) nos parece ainda tão fascinante: sem estes sustentáculos que o tempo tratou de explicitar, o filme continua surgindo muito forte na tela, ainda cheio de questões relevantes sobre a falsidade das relações sociais."
De acordo com o crítico Marcos Ribas de Faria, em artigo de 1978, o filme traz um discurso machista e moralista, que veicula o desejo e o prazer sexual da mulher com perversão e inferno.FARIA, Marcos Ribas de. A dama do lotação. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 abr. 1978. Nessa mesma direção, o diretor teatral Flávio Marinho considera que a estrutura de A Dama do Lotação faz de Solange um mero objeto. De acordo com Marinho, a proposta erótica poderia adquirir funções revolucionárias ao transgredir uma interdição. No entanto, acaba tomando-se conservadora, pois trata de maneira superficial o comportamento da personagem, ditado por convenções sociais e condicionamentos psicológicos.MARINHO, Flávio. A dama do lotação. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 21 abr. 1978.
O filme também recebeu críticas em relação ao seu apelo comercial. Com o título “A idiotia geral”, o artigo do jornalista Gilberto Vasconcellos, publicado em 1978, rechaça o apelo popular do filme: “O sucesso desse filme me lembra a ideia de Sartre: a opinião pública é besta. Manipulado e diariamente bombardeado pela indústria cultural, ela engole as maiores idiotices”.VASCONCELLOS, Gilberto. A idiotia geral. Folha de S.Paulo, São Paulo, 5 maio 1978. Ilustrada. p.42 O filme gerou críticas também quanto aos gastos de produção, divulgação e às políticas de distribuição de Embrafilme. Jairo Ferreira, em 11 de maio de 1978, diz que filmes com esse apelo publicitário prejudicam o cinema independente em detrimento do “Cinemão” da Embrafilme.FERREIRA, Jairo. “Cinemão, a receita da Embrafilme”. Folha de São Paulo. 11 maio 1978.
Controvérsia Na análise do filme publicada por Filipe Pereira no Papo de Cinema em agosto de 2016, consta que o gênero do filme, a pornochanchada, "foi um movimento utilizado pelos militares para desviar a atenção do povo da ditadura militar no Brasil (1964–1985), liberando através do sexo quase explicito a repressão política que habitava o Brasil. Por esses motivos, e pelo filão ter substituído o Cinema Novo como ponto principal do cinema brasileiro, este A Dama do Lotação (e tantos outros) é comumente tachado de arte menor pela crítica de cinema, mas em alguns casos há mensagens ocultas interessantes."
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