thumb|Última página do Didaquê A (; instrução, doutrina), também chamado de Instrução dos Doze Apóstolos (romanização do grego ) ou Doutrina dos Doze Apóstolos, é um escrito catequético do sobre o ensino cristão, constituído de dezesseis capítulos (considerada com valor histórico e teológico). O título lembra a referência de .

Data e autenticidade Estudiosos estimam que a Didaquê é um compilado de escritos anteriores a destruição do templo de Jerusalém, entre os anos 60 e , enquanto outros estimam que foi escrita entre os anos 70 e 90. Contudo, o consenso acadêmico é de que a Didaquê foi escrita entre 60 e com origem sendo na Judeia ou Síria. Segundo Willy Rordorf, a Didaquê é uma "compilação anônima de diversas fontes derivadas da tradição viva, de comunidades eclesiais bem definidas", portanto a questão da datação equivale à questão das datas das tradições ali registradas, que indubitavelmente remontariam ao , derrubando as teses de datação tardia ().Rordorf, W. "Didaché". In: Di Berardino, A. Dicionário patrístico e de antiguidades cristãs. Tradução de Cristina Andrade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002. pp. 404, 405.

Quanto à sua autenticidade, é de senso comum que o mesmo não tenha sido escrito pelos doze apóstolos, ainda que o título do escrito lhes faça menção. Contudo, estudiosos acreditam na compilação de fontes orais tendo recebido os ensinamentos que resultaram na elaboração do texto. Também é senso comum que tenha sido escrito por mais de uma pessoa.

O texto foi mencionado por escritores antigos, inclusive por Eusébio de Cesareia que viveu no , em seu livro "História Eclesiástica", mas a descoberta desse manuscrito, na íntegra, em grego, num códice do (ano 1056) ocorreu somente em 1873 num mosteiro em Constantinopla, o chamado Codex Hierosolymitanus.

É considerado apócrifo por Eusébio, Atanásio de Alexandria (c. 367) e Rufino (c. 380).

Conteúdo Nos escritos da Didaquê, além do ensino e da liturgia cristã, o Evangelho de Jesus é recomendado. A Didaquê também cita a oração do “Pai Nosso” como sendo “ensinada pelo Senhor” e finda com a afirmação em consonância com o livro Apocalipse, do Novo Testamento, de que Jesus voltará:

Nos escritos da Didaquê também são reforçados o batismo no nome do Pai, Filho e Espírito Santo, sendo argumento para os cristãos, que aceitam o dogma da Trindade (1 Deus em 3 pessoas), contrapondo-se a defesa de não-trinitários de que não existiam escritos cristãos do primeiro século que ensinassem o batismo no nome das 3 pessoas da Trindade.

A respeito de Jesus, ainda sobre o batismo, diz:

Tais escritos também sustentam argumentos de que existiam escritos do primeiro século apoiando a defesa da tese teológica de que Jesus é Deus.

Sobre questões polêmicas como o batismo, adverte para o batismo por imersão; sendo também admitido por efusão na inexistência de um corpo d'água. A Didaquê também acentua o jejum por parte do batizando e daquele que o vai batizar por cerca de três dias antes do batismo. Alguns credobatistas apontam para isso como uma prova de que o batismo infantil não era praticado na Igreja cristã primitiva.

Nos escritos da Didaquê há uma similaridade quando se referencia ora ao Pai como o Senhor, ora a Jesus como o Senhor, o que é aceito por alguns como a interposição entre as duas pessoas. Também fazendo a distinção de pessoa chamando Jesus de servo do Pai.

A Didaquê faz registro da celebração da eucaristia:

A Didaquê cita diretamente ou faz menção indireta a diversos livros do Novo Testamento: Mateus, Lucas, 1 Coríntios, Hebreus, 1 Pedro, Atos dos Apóstolos, Romanos, Efésios, Tessalonicenses e Apocalipse.

Ver também Antilegomena — Outros livros cuja canonicidade foi discutida. Testimonium Flavianum — Trate-se de parágrafo do livro Antiguidades Judaicas onde Flávio Josefo, no ano 93., comenta sobre Jesus Cristo.

Ligações externas

Christian Classics Ethereal Library: Didaquê Catholic Encyclopedia 1908: Didaché Jewish Encyclopedia: Didache

Categoria:Catecismos Categoria:Livros da Roma Antiga Categoria:Obras dos Padres da Igreja