Abadia do Bom Sucesso foi um povoado brasileiro do estado de Minas Gerais situado na região do Triângulo Mineiro. Foi formado por comunidades que, no século XIX, se juntaram em volta da capela de Nossa Senhora da Abadia, construída em 1841 por Manoel Pereira da Silva a mando de Maria Teixeira.
Fundado originalmente como arraial no ano de 1841, obteve sua emancipação política e administrativa em 1911. O município existiu sob essa denominação até 7 de setembro de 1923, data em que foi oficialmente rebatizado como Tupaciguara por força da Lei Estadual nº 843.
História
Período Primitivo e Colonização (Origens até 1822) Circa 3500 a.C. – Registros arqueológicos e documentais apontam a presença de populações nativas pertencentes à etnia Caiapós na área territorial do atual município.
1722 - O bandeirante paulista Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Anhanguera, atravessou a região, edificando dezoito aldeias em sua rota, dando assim início a sua colonização. Foram estabelecidos pontos de pouso e bases de proteção na rota, iniciando o processo de divisão das terras locais em sesmarias.
Período Imperial e Evolução Distrital (1822 a 1889)
1841 – Início do povoamento impulsionado por fluxos migratórios voltados para a atividade agropastoril vindos da Província de Goiás. Entre os primeiros moradores registrados estavam Maria Teixeira e seu cônjuge, Manoel Pereira da Silva.
1842 – Manoel Pereira da Silva formalizou a doação de parcelas de sua propriedade para a constituição do patrimônio religioso, iniciando a construção de uma capela votiva dedicada a Nossa Senhora da Abadia, inicialmente estruturada em madeira e taipa de pilão. Ao redor da capela, foram sendo erguidos novos ranchos simples, construídos à base de pau a pique e folhas de buriti, palmeira nativa do Cerrado, bioma da região, e da Amazônia.
1843 - Foi estabelecida a provisão do primeiro capelão local, Padre Joaquim José de Souza Neiva
1851 - O curato foi elevado a distrito subordinado a Uberaba sob a denominação de "Nossa Senhora da Abadia do Bom Sucesso", fato consolidado pela Lei Provincial nº 533, de 10 de outubro.
1858 - A Lei Provincial nº 900, de 8 de junho, tornou a localidade freguesia do município da Prata e estabeleceu legalmente o distrito de Abadia do Bom Sucesso.
14 de setembro de 1891 – A Lei Estadual nº 2 reorganizou as divisas regionais do novo regime republicano, transferindo o distrito de Abadia do Bom Sucesso para a jurisdição do município de Monte Alegre (atual Monte Alegre de Minas).
1905 – Registro do início das atividades da doutrina espírita na zona rural do Muquém, organizadas por Onofre de Almeida Novaes.
30 de agosto de 1911 – O distrito obteve sua autonomia política por meio da Lei Estadual nº 556, desmembrando-se de Monte Alegre para constituir o município de Abadia do Bom Sucesso. O território original foi formado por dois distritos: o da Sede e o de Mato Grosso.
1 de junho de 1912 – Ocorre a instalação jurídica e administrativa oficial dos poderes locais e da primeira legislatura da Câmara Municipal, elevando a sede à categoria de Vila. A primeira junta de governança foi composta pelo Presidente da Câmara, Joaquim Mendes de Carvalho, e pelos vereadores Coronel Ovídio Rodrigues da Cunha, Cônego Teófilo José de Paiva, Antônio da Mota Soares, Marcelino da Fonseca Mamede, Quintiliano José de Siqueira e João Sant'Ana de Araújo.
Década de 1920 – Período de expansão econômica baseada na produção de gado vacum e equino e nas lavouras de arroz, feijão e milho. O crescimento econômico estimulou a fixação de grandes fazendeiros na área urbana, iniciando o arruamento planejado da localidade. O escoamento da produção agropastoril regional utilizava a Vila como polo de concentração antes do envio ao Vale do Paranaíba. O agropecuarista Francisco de Melo instalou a primeira máquina mecanizada a vapor para beneficiamento de arroz na localidade.
7 de setembro de 1923 – Através da Lei Estadual nº 843, o governo do Estado de Minas Gerais alterou o topônimo do município de Abadia do Bom Sucesso para Tupaciguara (termo de origem tupi traduzido como "Terra da Mãe de Deus").
1924 – Fundação da Companhia Força e Luz Tupaciguarense, dando início à eletrificação pública do perímetro urbano.
10 de setembro de 1925 – A Vila de Tupaciguara foi elevada à condição de cidade por meio da Lei Estadual nº 893.
1927 – Fundação da Casa Bancária Teixeira, Ferreira e Cia., primeira agência de crédito local, descentralizando a dependência financeira que o comércio mantinha com Uberaba e Araguari.
1930 – Manifestações políticas públicas promovidas por integrantes da Aliança Libera (aliancistas) modificam a rotina local durante os desdobramentos da Revolução de 1930.
Crescimento Urbano e Período Contemporâneo (1930 ao Presente)
1932 – Durante a Revolução Constitucionalista, o prédio do Grupo Escolar local foi requisitado para servir de quartel ao 4º Batalhão de Comando.
18 de abril de 1937 – Instalação oficial da Comarca de Tupaciguara, criada previamente pelo Decreto-Lei nº 541 de 16 de março de 1936.
17 de dezembro de 1938 – O Decreto-lei Estadual nº 148 alterou o nome do Distrito de Mato Grosso para Araporã, suprimindo administrativamente a sua condição anterior e integrando suas terras ao povoado de Alvorada.
1940 – Demolição da antiga igreja matriz em estilo colonial no Largo da Matriz (então Praça Benedito Valadares) para a reestruturação do espaço público e edificação de um novo templo.
5 de janeiro de 1954 – Inauguração da Congregação Presbiteriana de Tupaciguara, estabelecendo o primeiro templo de vertente evangélica na cidade.
1956 – Conclusão das obras da nova Igreja Matriz de Nossa Senhora da Abadia, edificada em estilo arquitetônico gótico.
1970 – O Censo Demográfico do IBGE contabilizou 25.127 habitantes no município. Pela primeira vez na história local, a população urbana (13.383) superou o contingente de moradores da zona rural (11.744).
1978 – O fechamento das comportas da Usina Hidrelétrica de Furnas (Itumbiara) resultou no alagamento de terras cultiváveis e submersão de estradas interestaduais no município, gerando o lago artificial que redirecionou parte da economia local para o turismo hídrico.
27 de abril de 1992 – A Lei Estadual nº 10.704 promoveu a emancipação política do distrito de Araporã, desmembrando-o do território de Tupaciguara.
2006 – Promulgação do Decreto Municipal nº 50/2006, estabelecendo o tombamento histórico e a proteção especial da Imagem de Nossa Senhora da Abadia.
12 de abril de 2017 – O Decreto Municipal nº 083 oficializou o tombamento do Conjunto Urbano de Tupaciguara, protegendo estruturas como o Centro Administrativo "Dr. Enodes de Oliveira", a Praça Antônio Alves de Faria e o Monumento do Centenário.
2022 – O Censo Demográfico do IBGE registrou a população do município em 25.470 habitantes, com uma densidade demográfica de 13,98 hab/km² distribuída em uma área territorial de 1.822,53 km².
Limites Territoriais Originais (Século XIX) Os limites geográficos do antigo distrito foram definidos em 10 de outubro de 1851 pela Lei Provincial nº 533 (Artigo 7º), compreendendo a seguinte demarcação:
Norte e Oeste: Iniciando-se na confluência do Rio das Velhas (atual Rio Araguari) com o Rio Paranaíba, acompanhando o leito deste último abaixo até a foz do Ribeirão Piedade.
Sul e Sudoeste: Subindo pelo curso do Ribeirão Piedade até as proximidades das terras de cultivo do colono Frutuoso, cortando a área de buritizal nativo até o ponto geográfico denominado "Marco da Muliana".
Leste: A partir do Marco da Muliana, seguia pelo cume do espigão montanhoso mais elevado, confrontando com a Fazenda do Mato Grosso até atingir novamente o leito do Rio das Velhas, descendo por este até a barra no Rio Paranaíba.
Sociedade e Estrutura Demográfica
Grupos Familiares Históricos A fixação populacional e o desenvolvimento das estruturas agropastoris nas fases de arraial e vila contaram com a participação de clãs familiares proprietários de terras, com destaque nos registros históricos para:
Família Teixeira / Pereira da Silva: Responsáveis diretos pela doação das terras e fundação do arraial em 1841.
Família Rodrigues da Cunha: Grupo com atuação nas instâncias políticas locais durante a transição entre o Império e a República.
Família Silva Camargo: Liderada por José da Silva Camargo, grupo responsável pelas primeiras obras de ampliação da infraestrutura da capela original no século XIX.
Famílias Mendes de Carvalho, Mota Soares e Fonseca Mamede: Envolvidas na composição do primeiro corpo legislativo e administrativo municipal.
Sobrenomes Registrados: Memoriais resgatados pelo historiador Longino Teixeira apontam a forte presença histórica dos sobrenomes Alves Machado, Pires, Marques da Silva, Torquato Neves, Ferreira de Oliveira, Rosa Medeiros, Gomes Moreira, Melo e Castro no corpo demográfico ativo do município.
Dinâmicas Sociais e Imigração No início do século XX, o comércio local — concentrado na antiga Rua Direita (atual Rua Coronel Joaquim Mendes de Carvalho) — recebeu o influxo de famílias de imigrantes de origens libanesa e italiana. Nas décadas seguintes, os hábitos de sociabilidade urbana concentravam-se no fluxo do "Vai-Vem" na mesma via, impulsionado pelas atividades comerciais e pelo Cine Teatro Helena. No meio rural, destacavam-se os "Mutirões de Roçado", eventos de cooperação agrícola para a colheita ou limpa de terrenos, encerrados com festejos comunitários baseados na culinária regional e apresentações de música de viola.
Patrimônio Histórico e Cultural Protegido O município possui a Lei Complementar número 96 de 2007 que institui o Plano Diretor Participativo do Município de Tupaciguara. Conforme o artigo 44 desta lei, declara que a preservação do patrimônio cultural é dever do município e da sociedade. Os locais citados na lei municipal para preservação e restauração prioritários são:
Ruínas do Cemitério do Mato Grosso: Restos estruturais do cemitério pertencente ao extinto Distrito de Mato Grosso (atualmente Araporã), protegidos como patrimônio material local. Igreja de Nossa Senhora do Rosário: Considerada a edificação mais antiga existente no município, tombada pelo patrimônio histórico e alvo de ações públicas de restauração estrutural coordenadas pelo Conselho de Patrimônio e lideranças eclesiásticas. Museu Histórico Chico Ribeiro e Casa da Cultura "Tias Polveiras": na lei citada anteriormente, apenas a citação da "Casa da Cultura Tias Polveiras". O espaço abriga um museu com um mais de 1200 peças em seu acervo. Entre elas, armaria, artes sacras, indumentárias, numismática, discos, instrumentos musicais, documentos, fotografias, animais empalhados, etc. Imagem de Nossa Senhora da Abadia: Imagem sacra protegida por tombamento oficial por meio do decreto municipal nº 50/2006.
Igreja de Nossa Senhora do Rosário: Considerada a edificação mais antiga existente no município, tombada pelo patrimônio histórico e alvo de ações públicas de restauração estrutural coordenadas pelo Conselho de Patrimônio e lideranças eclesiásticas. Museu Histórico Chico Ribeiro e Casa da Cultura "Tias Polveiras": na lei citada anteriormente, apenas a citação da "Casa da Cultura Tias Polveiras". O espaço abriga um museu com um mais de 1200 peças em seu acervo. Entre elas, armaria, artes sacras, indumentárias, numismática, discos, instrumentos musicais, documentos, fotografias, animais empalhados, etc. Imagem de Nossa Senhora da Abadia: Imagem sacra protegida por tombamento oficial por meio do decreto municipal nº 50/2006.
Categoria:Povoados de Minas Gerais
Categoria:Tupaciguara Categoria:Triângulo Mineiro