thumb|270px|Trecho da A 11 em Brandemburgo, em 2009. Autobahn (pronúncia alemã: ˈɔːtə(ʊ)bɑːn 10px ouça) é o sistema rodoviário federal de acesso controlado da Alemanha. O termo alemão oficial é Bundesautobahn (plural Bundesautobahnen, BAB abreviado), que se traduz como "autoestradas federais". A construção da primeira autobahn, o trecho que liga Colônia e Bonn, começou em 1929; a abertura para o público ocorreu em 1932, no ano anterior à nomeação de Adolf Hitler como chanceler da Alemanha.

Legalmente, as autobahns não têm limites de velocidades para algumas classes de veículos. No entanto, limitações são impostas (e executadas) em áreas urbanizadas, propensas a acidentes ou em construção. Em caso de mau tempo, os limites de velocidades são impostos e frequentemente fiscalizados. Em trechos sem restrições de velocidade, aplica-se um limite recomendado (em alemão: Richtgeschwindigkeit), não compulsório, de 130 km/h (81 mph). Embora não seja ilegal conduzir acima da velocidade recomendada em trechos sem restrições, há um aumento da responsabilidade em caso de acidente. Por isso, tribunais têm decidido que um "condutor ideal", isento de responsabilidade absoluta em ocorrências "inevitáveis" nos termos da lei, não excederia a Richtgeschwindigkeit.

De acordo com a estimativa de 2008 do Conselho Europeu de Segurança de Transportes (ETSC, na sigla em inglês), 52% da rede autobahn tinha apenas o limite de velocidade recomendado; 15% tinha limites temporários por causa das condições meteorológicas ou de trânsito; e 33% tinha limites permanentes.

Em julho de 2017, o sistema Autobahn da Alemanha tinha um comprimento total de 12 996 km (8 075 mi), o que o colocava entre os mais densos e longos do mundo. Sistemas mais longos podiam ser encontrados, no mesmo ano, na China, com cerca de 136 000 km (84 817 mi), nos Estados Unidos, com mais de 74 000 km (45 981 mi) e na Espanha, com 14 701 km (9 135 mi). Em 2016, o Brasil tinha cerca de 14 000 km (8 699 mi) de autoestradas, e outros 1,3 mil km (808 mi) em duplicação e/ou construção. Portugal, por sua vez, apresentava uma extensão de cerca de 3 100 km (1 926 mi) de autoestradas no mesmo período.

Terminologia Autobahn (plural Autobahnen) é um termo alemão originado na década de 1930 que significa Auto 'automóvel' + Bahn 'caminho, percurso' ou 'autoestrada, rodovia'. O termo foi criado por Robert Otzen, um engenheiro de infraestrutura alemão, ex-presidente da "Associação para a Preparação da Rodovia Cidades Hanseáticas-Frankfurt-Basileia" (em alemão: Vereins zur Vorbereitung der Autostraße Hansestädte–Frankfurt–Basel, HaFraBa abreviado) e um dos ex-chefes da "Associação de Pesquisa para Estradas de Automóveis" (Stufa, acrônimo alemão), um grupo de lobby da indústria automobilística.

Nomes São chamadas de Bundesautobahn apenas as rodovias federais construídas com determinados padrões, incluindo, pelo menos, duas faixas por sentido, previstas para o tráfego de alta velocidade de veículos a motor, com faixas de rodagem separadas para a direção do tráfego, equipadas com pontos de conexão especiais para entrada e saída das rodovias (pistas de aceleração e desaceleração, respectivamente). Elas têm sinais e sistemas de numeração de trânsito próprios.

Na década de 30, quando começou a construção do sistema, o nome oficial era Reichsautobahn. Atualmente, existem no país várias outras rodovias de acesso controlado (Bundesstraße, no nível federal, e Landesstraße, no estadual), além das distritais e municipais, mas não fazem parte da rede Autobahn e são oficialmente designadas por Kraftfahrstraße (com raras exceções, como a A 995, que liga Munique, Giesing e Brunntal). Essas rodovias são consideradas autobahnähnlich (similares às autobahns) e às vezes são coloquialmente chamadas de Gelbe Autobahn (Autobahns Amarelas) porque a maioria delas é Bundesstraßen (rodovias federais) com sinais amarelos.

Construção thumb|250px|Trecho da A 831 próximo à Stuttgart-Vaihingen. Na placa, a sinalização de "Saída" da Autobahn (em alemão: Ausfahrt). Similares às autoestradas de alta velocidade em outros países, as autobahns têm pelo menos duas faixas de tráfego em cada sentido, com inclinações de 4% ou menos, separadas por uma barreira central com junções de diferentes níveis. Possuem ainda acesso restrito para veículos a motor que atingem no mínimo 60 km/h (37 mph). Todas as saídas das rodovias são para a direita e possuem acostamentos com cerca de 60 centímetros (24 polegadas) de largura, construídos com materiais variados. Em muitas autoestradas, os acostamentos foram reconstruídos com cerca de 120 centímetros (47 polegadas) de largura, ao se perceber que era preciso um espaço adicional de segurança para os veículos.

Nos anos do pós-guerra, as autobahns receberam uma camada mais grossa de asfalto e concreto, além da pavimentação dos acostamentos. Na época, a velocidade máxima permitida era a de aproximadamente 160 km/h (99 mph) em regiões planas, e velocidades menores eram usadas em terrenos montanhosos. Os projetos das autobahns foram idealizados para atenderem os padrões durante o período nazista, podendo suportar velocidades de até 150 km/h (93 mph) nas curvas.

O atual sistema de numeração das autobahns foi introduzido em 1974. Todas as rodovias são nomeadas usando a letra maiúscula A, o que simplesmente significa "Autobahn", seguida por um número (por exemplo, a A 8). As principais rodovias que atendem todo o território nacional da Alemanha têm um único dígito numérico. As autobahns mais curtas, de importância regional (por exemplo, a ligação entre duas grandes cidades ou regiões), têm um número de dois dígitos (por exemplo, a A 24, que liga Berlim e Hamburgo). O sistema é como se segue:

thumb|220px|esquerda|Mapa esquemático da localização das Autobahns, com numerações de 10 a 999.

A 10 a A 19, em Berlim, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental; A 20 a A 29, ao norte do país; A 30 a A 39, na Baixa Saxônia, Renânia do Norte-Vestfália e, em menor medida, na Turíngia, Saxônia e Alta Saxônia; A 40 a A 49, em Rhine-Ruhr e Frankfurt Rhine-Main; A 50 a A 59, na Região Baixa de Rhine e Colônia; A 60 a A 69, em Renânia-Palatinado, Sarre e no sul de Hesse; A 70 a A 79, em Francônia, Turíngia e Saxônia; A 80 a A 89, em Baden-Württemberg; e A 90 a A 99, em Altbayern e na região do Lago de Constança.

Existem também algumas autobahns mais curtas construídas apenas para o tráfego local (por exemplo, os anéis viários ou a A 555, que liga Colônia e Bonn), geralmente identificadas por três dígitos. O primeiro dígito é semelhante ao sistema descrito acima, de acordo com a região. As rotas de leste-oeste são sempre de número pares, e as de norte-sul sempre ímpares.

As autoestradas norte-sul são geralmente numeradas com números ímpares de oeste para leste, isto é, as estradas mais orientais têm números mais altos. Da mesma forma, as rotas leste-oeste são numeradas usando até mesmo números de norte (números inferiores) para sul (números mais elevados).

História thumb|250px|A antiga estrada Reichsautobahn que ligava Berlim e Munique, numa planície de Dessau em junho de 1939. A ideia para a construção das primeiras autoestradas foi concebida pela primeira vez no final da década de 1910 por alguns cidadãos influentes e fãs de automóveis. As primeiras vias para automóveis começaram a ser construídas em 1913 e foram nomeadas de "Estradas de Trânsito e Testes de Automóveis" (AVUS, acrônimo alemão). Com o início da Primeira Guerra Mundial, as obras foram interrompidas, sendo que trechos melhores projetados não progrediram muito além da fase de planejamento em consequência de problemas econômicos e da falta de apoio político.

Após a guerra, e com a necessidade de reaver os projetos de mobilidade urbana, houve uma nova investida para a construção das autoestradas em meados da década de 20, durante a existência da República de Weimar. O projeto HaFraBa, da iniciativa privada, planejou vias que atravessavam a Alemanha a partir de Hamburgo, na região norte, via Frankfurt am Main, na região central, terminando na Basileia, Suíça. Partes do projeto HaFraBa foram concluídas no fim dos anos 30 e início dos 40, com o interrompimento das construções, natural e eventualmente, por causa da Segunda Guerra Mundial.

A primeira autoestrada pública desse tipo foi concluída em 6 de agosto de 1932, um trecho com cerca de 20 km (12 mi) que ligava as cidades de Colônia e Bonn, aberto por Konrad Adenauer, na época prefeito (em alemão: Oberbürgermeister) de Colônia, membro do conselho administrativo do HaFraBa e futuro chanceler da Alemanha Ocidental. O trecho foi construído com quatro pistas e tinha 12 metros de largura. Duas pistas foram reservadas para cada direção, com o acréscimo de 2 metros em cada lado para os acostamentos. Para a política de tráfego daquela época, a construção de uma via de quatro pistas era um conceito muito inovador, sendo que essa demanda foi justificada com o argumento de que a segunda faixa de cada sentido seria utilizada para ultrapassagens, uma vez que os caminhões fluíam a uma média de 40 km/h (25 mph), e, portanto, levavam a um volume de tráfego muito lento.Grossjohann 1929, op. cit., p. 416 Atualmente, essa estrada é a A 555, mas na época ainda não era uma Autobahn, mas uma Kraftfahrstraße (estrada de veículo a motor). O trecho secundário que ligava as cidades de Bonn, Colônia e Düsseldorf foi considerado o mais movimentado da Alemanha na época, com um volume de tráfego superior a 1 800 veículos por hora. thumb|250px|esquerda|Adolf Hitler carregando terra durante cerimonial de inauguração das obras da Reichsautobahn; atrás dele, à direita, Fritz Todt. Poucos dias após a ocupação nazista de 1933, Adolf Hitler aceitou entusiasticamente um ambicioso projeto de construção da Autobahn, nomeando Fritz Todt, o Inspetor-Geral para Construção de Estradas da Alemanha, para liderar o planejamento, sendo a execução do projeto realizada pelos arquitetos alemães Alwin Seifert e Paul Bonatz. Nessa época, as propagandas de mobilidade urbana exerciam forte influência em todo o país, fazendo surgir a ideia do "carro do povo" (volkswagen, em alemão) ao enunciarem que as novas iniciativas não beneficiariam apenas os cidadãos ricos, mas a população em geral.

Em 1936, 130 mil trabalhadores foram empregados diretamente na construção, bem como um adicional de 270 mil na cadeia de fornecimento de equipamentos de construção, tais como aço, concreto, sinalização, equipamentos de manutenção, etc. Nas áreas rurais, novos campos para abrigar os trabalhadores foram construídos próximos às construções locais.Gartman 2009, p. 148 Contudo, muitos dos trabalhadores adoeceram ou morreram nos canteiros de obras, sobretudo por causa de doenças e da miséria. Nos períodos de greves, vários líderes foram enviados para os campos de concentração. thumb|250px|direita|Construção da Reichsautobahn próxima à Berlim, em abril de 1936. Contrariando o que muitas vezes se afirma, o programa de criação de empregos não era especialmente importante porque o pleno emprego foi quase alcançado até 1936. Além disso, a melhoria da infraestrutura nas rodovias não foi destinada principalmente para as ações das forças armadas. O seu valor militar foi limitado, pois as principais operações de transporte militar da Alemanha foram feitas por trem para economizar combustível. O Ministério da Propaganda tornou, entretanto, a construção das autoestradas um grande evento de mídia que atraiu atenção internacional.Tooze 2006, pp. 45–46, 59–60