The Black Cauldron é um filme de animação estadunidense de 1985 dos gêneros aventura e fantasia produzido pela Walt Disney Productions em associação com a Silver Screen Partners II e lançado pela Walt Disney Pictures. É vagamente baseado nos dois primeiros livros de As Crônicas de Prydain, de autoria de Lloyd Alexander, uma série de cinco romances que, por sua vez, são baseados na mitologia galesa.
Situado na terra mítica de Prydain durante o início da Idade Média, o filme conta a história de um místico caldeirão mágico desejado pelo temido Horned King que espera, assim que tomar sua posse, dominar o mundo com a ajuda de seus poderes sobrenaturais vindos do caldeirão. Contudo, um jovem chamado Taran, acompanhado da Princesa Eilonwy, de uma criatura chamada Gurgi, de sua porquinha Hen Wen e do simpático Sr. Flores Flama procuram impedir o vilão de alcançar o tão famigerado caldeirão.
Dirigido por Ted Berman e Richard Rich, que já haviam dirigido o filme de animação anterior da Disney The Fox and the Hound (1981), The Black Cauldron foi o primeiro filme de animação da Disney a ser gravado em Dolby Stereo. A Disney havia adquirido os direitos cinematográficos dos livros de Alexander em 1973, com a sua produção começando em 1980 tendo inicialmente sua previsão de estreia para o Natal de 1984. Durante a produção, o filme passou por um severo processo de edição, principalmente por conta de sua natureza sombria, que se mostrou perturbadora para as crianças durante uma exibição de teste. O recém-nomeado presidente do Walt Disney Studios, Jeffrey Katzenberg, ordenou que várias cenas fossem cortadas, temendo que o filme assustasse as crianças; como resultado, seu lançamento foi adiado para 1985. Apresenta as vozes de Grant Bardsley, Susan Sheridan, Freddie Jones, Nigel Hawthorne, Arthur Malet, John Byner, Phil Fondacaro e John Hurt; um prólogo é narrado pelo famoso ator e diretor John Huston.
Foi o primeiro filme de animação da Disney a receber uma "classificação PG" pela MPAA, bem como o primeiro filme do estúdio a utilizar imagens geradas por computador. The Black Cauldron foi lançado nos cinemas norte-americanos pela Buena Vista Distribution (sob o selo da Walt Disney Pictures) em 24 de julho de 1985; se tornou um fracasso de bilheteria ao arrecadar US$ 21 milhões na América do Norte contra um orçamento relatado pela Disney de US$ 25 milhões, embora um dos produtores do filme alegou que o longa teria custado mais de US$ 40 milhões. Considerando qualquer um dos dois valores, se tornou o filme de animação mais caro já feito na época. Seu prejuízo foi tão grande que colocou em risco o futuro do departamento de animação da Disney. Devido ao seu fracasso comercial, a Disney não lançou o filme em mídias domésticas até 1997. Com o passar dos anos, entretanto, o filme ganhou o status de clássico cult.22 Animated Cult Classics Worth Checking Out - MovieWeb
Enredo
Na terra de Prydain, um jovem garoto chamado Taran é um "guardador de porcos" que sonha ser um grande guerreiro na pequena fazenda do mago Caer Dallben. Dallben descobre que o seu inimigo Horned King está à procura de uma relíquia mística conhecida como Caldeirão Negro com o intuito de criar um exército invencível de guerreiros mortos-vivos para, dessa forma, dominar o mundo. Dallben teme, ainda, que Horned King consiga sequestrar sua porquinha Hen Wen, que possui poderes mágicos, para usá-la para localizar o caldeirão. Dallben ordena que Taran leve Hen Wen em segurança até um esconderijo na floresta. No caminho, entretanto, Taran acaba se descuidando da porquinha e a mesma acaba sendo raptada pelos servos de Horned King. O jovem rapaz segue-os até o castelo do vilão.
Durante o caminho, Taran acaba conhecendo o pequeno e importunado Gurgi, que se junta a Taran em sua busca. Ao chegar perto do castelo, Gurgi recomenda Taran a desistir do resgate da porquinha afirmando que o lugar é muito perigoso. Taran se nega a desistir e decide entrar no sombrio castelo sem a companhia de Gurgi; ele acaba encontrando Hen Wen, mas é logo descoberto. Contudo, Taran consegue libertar a porquinha jogando-a no lago que rodeia o castelo e a manda fugir. Antes de fazer qualquer esforço para tentar acompanhar a porquinha na fuga, Taran acaba sendo capturado e jogado num calabouço, enquanto que Hen Wen escapa ilesa do castelo e foge floresta adentro, não sendo mais vista.
Depois de se esgueirar pelas ruínas do castelo com o intuito de fugir, uma também prisioneira de Horned King chamada Princesa Eilonwy liberta Taran. Nas catacumbas abaixo do castelo, Taran e Eilonwy descobrem um antigo mausoléu onde repousa o corpo de um rei (que era o antigo dono do castelo, morto pelo vilão após este tomar posse do lugar); acima de seu túmulo está uma espada mágica, a qual Taran pega para si. O poder da espada permite que Taran lute eficazmente contra os capangas de Horned King. Taran e Eilonwy acabam libertando um outro prisioneiro, o senhor de meia-idade tocador de harpas Flores Flama. Os três escapam do castelo e se encontram com Gurgi. Quando Horned King descobre que Taran escapou, ele ordena seu ajudante Creeper a enviar comparsas para capturar Taran e os outros prisioneiros de uma vez por todas.
Seguindo uma trilha de pegadas deixada por Hen Wen, os quatro amigos descobrem o reino subterrâneo dos Elfies Folks, um grupo de pequeninos magos e fadas que revelam que a porquinha Hen Wen está sob sua proteção. Os minúsculos seres também afirmam saber onde está o famigerado Caldeirão Negro e Taran afirma que precisa encontrar o objeto e destruí-lo para neutralizar qualquer tentativa maléfica de Horned King. Eilonwy, Flores Flama e Gurgi se juntam a Taran na procura pelo caldeirão juntamente com o antipático Elfo Doli (braço direito do Rei dos Elfos) que é ordenado pelo seu Rei a levá-los para o Pântano de Morva enquanto que os outros Elfos ficam encarregados de levar a porquinha em segurança de volta para a fazenda de Caer Dallben. No tal pântano eles descobrem que o caldeirão está sob a guarda de três bruxas: Orddu, a líder do trio que é bastante gananciosa; Orgoch que possui uma enorme gula; e a Bruxa Orwen, que é mais benevolente e que se apaixona por Flores Flama à primeira vista.
Orddu concorda em dar o caldeirão em troca da espada mágica de Taran, o jovem rapaz concorda, embora ciente de que, perdendo sua espada, ele não terá mais chances de realizar seu antigo sonho de se tornar um valente guerreiro. Antes de desaparecerem, Orddu, Orwen, e Orgoch revelam que o caldeirão é indestrutível, e que seu poder só pode ser quebrado se alguém pular por livre e espontânea vontade dentro dele, contudo este alguém jamais retornará com vida. Depois das bruxas sumirem magicamente, nenhum dos amigos se encoraja a fazer tal tarefa; Elfo Doli, enfurecido com a situação, decide abandonar o grupo indo embora. Com isso, Taran descobre que trocou sua espada por nada e começa a se culpar pela situação, mas seus amigos o animam, principalmente Eilonwy. Eles são interrompidos pelos capangas de Horned King que os aprisionam novamente e também tomam o Caldeirão Negro para levar ao vilão. Gurgi, entretanto, consegue escapar, enquanto Taran, Eilonwy e Flores Flama são acorrentados.
Já com a posse do caldeirão, Horned King usa os poderes do objeto para criar um exército de mortos vivos para que eles enfim dominem o mundo sob a sua liderança. Gurgi corajosamente entra no castelo para salvar seus amigos. Quando a criatura os liberta, Taran decide se jogar no caldeirão para neutralizar seus poderes, mas Gurgi o impede pulando no caldeirão ele mesmo. Com isso, os mortos vivos começam a se enfraquecer por conta do poder do caldeirão ter sido neutralizado por Gurgi. Quando Horned King descobre Taran e seus amigos soltos, ele tenta jogar o rapaz dentro do caldeirão, mas o objeto começa a sugar tudo ao seu redor de forma desordenada. Taran consegue escapar se segurando em um degrau do castelo, enquanto que o vilão acaba sendo morto após ser tragado brutalmente para dentro do caldeirão. Após isso, o castelo começar a desmoronar através dos poderes do caldeirão, mas os três amigos conseguem escapar ilesos.
Taran se lamenta bastante pela morte de Gurgi, enquanto que as três bruxas reaparecem querendo o caldeirão de volta. Flores Flama resolve desafiar as três bruxas dizendo que só conseguirão o caldeirão de volta se trazerem Gurgi de volta e com vida; de princípio elas se negam, mas após ouvirem de Flores que elas não são poderosas e que não são capazes de nada, as bruxas decidem de forma relutante atender o pedido, retirando Gurgi de dentro do caldeirão com vida. Ao se abraçarem, Gurgi faz com que Taran e Eilonwy se beijem. Os quatro amigos, em seguida, retornam a terra de Prydain. Enquanto isso, o mago Caer Dallben e o Elfo Doli os observam através de uma visão num recipiente com água com ajuda dos poderes da porquinha Hen Wen já segura. Caer Dallben elogia Taran pela sua bravura, apesar do fato de o rapaz ser um mero "guardador de porcos".
Elenco Grant Bardsley como Taran Susan Sheridan como Princesa Eilonwy Freddie Jones como Caer Dallben Nigel Hawthorne como Flores Flama Arthur Malet como Rei dos Elfos John Byner como Gurgi e Elfo Doli Phil Fondacaro como Creeper John Hurt como Horned King Eda Reiss Merin como Orddu Adele Malis-Morey como Orwen Billie Hayes como Orgoch Wayne Allwine, James Almanzar, Fondacaro, Steve Hale, Jack Laing, Phil Nibbelink e Peter Renaday como os capangas de Horned King John Huston como o narrador do prólogo do filme
Produção Desenvolvimento e pré-produção Em 1971, a Disney iniciou conversas com o escritor Lloyd Alexander para adquirir os direitos cinematográficos de sua coleção de livros As Crônicas de Prydain publicada entre os anos de 1964 a 1968 através de cinco volumes. Com o acordo concretizado em 1973, a pré-produção do filme foi iniciada. O estúdio foi convencido a realizar o filme pelos animadores Ollie Johnston e Frank Thomas; Johnston chegou a declarar que, se tivesse sido feito corretamente, o filme poderia ser "tão bom quanto Branca de Neve". Por causa das inúmeras histórias contidas nos cinco livros, e com mais de trinta personagens na série original, vários artistas e animadores trabalharam no desenvolvimento do filme ao longo da década de 1970. Quando The Rescuers (1977) foi concluído, The Black Cauldron foi provisoriamente programado para ser lançado em 1980. O artista veterano Mel Shaw criou esboços conceituais complexos que o futuro presidente e CEO da Disney, Ron Miller, considerou avançados demais para os animadores novatos recém contratados pelo estúdio.
Em agosto de 1978, o estúdio adiou a data de lançamento de The Black Cauldron para o Natal de 1984 devido à parcial incapacidade dos animadores animarem personagens humanos de maneira mais realista; sua data de lançamento original foi posteriormente assumida por The Fox and the Hound (que acabou sofrendo atrasos e só foi lançado em 1981). Durante o desenvolvimento, o artista Vance Gerry foi selecionado para criar storyboards que delineariam o enredo, a ação e os locais. Tendo estabelecido os três personagens principais, Gerry adaptou o vilão Horned King em um viking barrigudo que tinha barba ruiva, temperamento explosivo e usava um capacete de aço com dois chifres grandes. Enquanto isso, o estúdio contratou a dramaturga inglesa Rosemary Anne Sisson porque desejava um roteirista britânico experiente para o filme.