O Batalhão de Caçadores n.º 5 (BC5) MHL foi uma unidade do Exército Português,Valdez dos Santos (coord.), Batalhão de Caçadores n.º 5. Lisboa, 1969. criada aquando da Primeira Invasão Francesa como Legião Transtagana formada em Beja para guarnição da Praça de Campo-Maior. Teve participação relevante em múltiplos eventos da história militar portuguesa, com destaque para as campanhas da Guerra Peninsular e nos acontecimentos que levaram à constituição da Regência de Angra e ao Desembarque do Mindelo. A unidade foi extinta em 1988. A 25 de abril de 2000, o Batalhão de Caçadores n.º 5 foi feito membro-honorário da Ordem da Liberdade. História Os bons serviços prestados pelas companhias de caçadores dos regimentos de infantaria durante a primeira invasão francesa levaram os governantes portugueses, após a expulsão das tropas napoleónicas no termo da sua primeira incursão em Portugal, a incluir na reorganização do Exército que então foi feita a criação de seis batalhões de caçadores, a cinco companhias cada, uma das quais de atiradores. Assim, por decreto de 14 de outubro de 1808, são criados aqueles batalhões de caçadores, mas só um ano depois, por alvará de 15 de dezembro de 1809, se fizeram os primeiros recrutamentos de pessoal.
Entretanto, aquando da revolta contra a ocupação francesa no Alentejo, dera-se a constituição da Legião Transtagana, formada em Beja em 1808 pelo corregedor daquela cidade, o magistrado João José Mascarenhas de Azevedo e Silva. Quando foi posto em execução o alvará de 15 de dezembro de 1809, atrás referido, uma parte da Legião Transtagana foi incorporada ao Exército Português e deu origem a um dos projetados batalhões, para o comando do qual já havia sido nomeado, em janeiro desse ano de 1809, o tenente-coronel Maximiano de Brito Mouzinho. A unidade fora formalmente criada em Campo Maior a 28 de outubro daquele ano e recebeu, em execução do decreto de 14 de outubro de 1808, a designação de Batalhão de Caçadores n.º 5. Como a este batalhão tinha sido destinada a guarnição da Praça de Campo-Maior, no Alentejo, a unidade também foi inicialmente conhecida por Batalhão de Caçadores de Campo Maior. O Batalhão recrutava no Alentejo. Participação na Guerra Peninsular Poucos meses após a sua organização o Batalhão de Caçadores n.º 5 teve o seu batismo de fogo quando, a 10 de Junho de 1809, desempenhava a missão especial de demolir um dos arcos da Ponte de Alcântara, em Espanha, a fim de impedir, ou pelo menos retardar a marcha de duas colunas francesas que pretendiam forçar a passagem do Tejo em Alcántara. Nesta ação, o Batalhão de Caçadores n.º 5, que a tradição afirma ser então «composto na sua maior parte de recrutas bisonhos e mal instruídos ainda», mereceu do general Athur Wellesley, que comandava as forças anglo-portuguesas, os maiores elogios.
Nas ações que constituíram a campanha da Segunda Invasão Francesa, em que o Batalhão de Caçadores 5 tomou parte, integrado na Leal Legião Lusitana sob o comando do brigadeiro-general britânico John Wilson, destacou-se sempre pela sua bravura, especialmente na Batalha de Talavera de la Reina (26 a 28 de junho de 1809) e no combate pela posse do Desfiladeiro de Baños (12 de agosto de 1809).
A primeira ação das campanhas da Terceira Invasão Francesa em que o Batalhão de Caçadores 5 tomou parte, foi a Batalha do Bussaco, travada 27 e 28 de setembro de 1810. Integrado na 10.ª Brigada do Exército Anglo-Luso, o Batalhão de Caçadores 5 não teve parte ativa no desenrolar da batalha porquanto as suas posições não foram atacadas pelo inimigo. Na continuação da campanha, as tropas anglo-lusas, sob o comando do general William Carr Beresford, entraram em Espanha e, a 16 de maio de 1811, travaram a sangrenta Batalha de Albuera onde o Batalhão de Caçadores n.º 5 se portou com a maior valentia e heroísmo. À Batalha de Albuera seguiu-se o Cerco de Badajoz (19 de maio a 17 de junho), no qual o Batalhão teve participação relevante.
Com a reorganização do Exército que se seguiu, em 22 de agosto de 1811 o Batalhão integrou a brigada formada pelos Regimento de Infantaria n.º 13 e Regimento de Infantaria n.º 24, que a 13 de agosto de 1813 passou a ser designada pela 10.ª Brigada. Já neste enquadramento, participou nos combates de de Villa d'Alfaiates (27 de setembro de 1811), Salamanca em (22 de julho de 1812), de Valladolid (7 de setembro de 1812) e, ao findar do ano, em 19 de outubro de 1812, tomou parte no cerco do Castelo de Burgos, que resistiu aos cinco assaltos das tropas anglo-lusas, que acabaram por retirar.
A 21 de junho de 1813, o comandante-em-chefe das tropas anglo-lusas, o general Arthur Wellington, comandou o ataque ao Exército Francês, na Batalha de Vitoria (em Vitoria-Gasteiz), o qual foi completamente derrotado. Apesar disso, a luta em Espanha continuou até outubro de 1813, travando-se uma série de combates, recontros e cercos, entre os quais Villa Franca de Lascano (22 de junho de 1813) Tolosa (25 de junho de 1813), São Sebastião da Biscaia (25 de julho de 1813), reduto do Convento de São Bartolomeu (31 de agosto de 1813), que obrigaram os franceses a retirar para além dos Pirenéus.
Já em território francês, em meados de outubro de 1813 forças do exército anglo-luso, comandadas pelo general Arthur Wellesley, ao tempo já duque de Wellington, atacou as forças francesas que defendiam a travessia do rio Nivelle, no recontro que ficou conhecido pela Batalha do Nivelle, no qual o Batalhão de Caçadores 5 teve um papel relevante no assalto a um reduto.
Pouco depois, durante três dias, a 10, 11 e 12 de outubro de 1813, feriu-se a Batalha do Nive, onde a atuação do Batalhão de Caçadores 5 foi notável, merecendo elogiosos louvores do general Beresford. A 23 e 24 de fevereiro de 1814, durante a travessia do rio Adour, deram-se alguns recontros com as tropas francesas sendo o Batalhão de Caçadores 5 a unidade mais atacada.
Na manhã de 24 de fevereiro de 1814, as tropas anglo-lusas atingiram as cercanias da cidade de Bayona e, até 27 daquele mês, combateu-se rijamente a fim de se cercar a cidade. Nessa operação, um destacamento do Batalhão de Caçadores 5 encabeçado pelo próprio comandante da unidade, o então tenente-coronel Thomas Staunton St. Clair (1785-1847),Major-General Thomas Staunton St. Clair (1785-1847) in the Peninsular War. tomou parte no combate de Orthez, travado a 27 de fevereiro, com o objetivo de se conquistar a linha de alturas de Saint-Étienne (por vezes referidas por alturas de Santo Estêvão). Coube ao Batalhão de Caçadores n-º 5 e ao Regimento de Infantaria n.º 24 a ação principal do combate e, posteriormente a manutenção da posse do objetivo conquistado que, por ser um ponto essencial, foi repetidamente investido pelas forças francesas.
No relatório da Batalha de Orthez, o general William Carr Beresford, comandante da 10.ª Brigada do exército anglo-luso, afirma ter «Todas as razões de estar satisfeito com o bom comportamento das suas tropas», cujos corpos mais empenhados foram o Batalhão de Caçadores 5, afirmando ser «muito atendível o bom comportamento destas tropas». Para o Batalhão de Caçadores n.º 5 o preço deste combate foi a morte de 3 dos seus soldados, ferimentos em um oficial subalterno, 3 sargentos e 18 cabos e soldados, além de 5 soldados perdidos ou capturados pelo inimigo.
Os combates em torno de Orthez foram os últimos do primeiro período da vida do Batalhão de Caçadores n.º 5 e, talvez por essa razão a Batalha de Orthez escolhida, cem anos mais tarde, para simbolizar todo o heroísmo da unidade, a qual passou a celebrar em 27 de fevereiro o seu dia festivo e comemorativo de todas as suas ações de combate.
Durante o cerco de Bayona, que durou até 28 do abril, as tropas do Batalhão de Caçadores 5 tiveram um papel de grande importância. Ao findar as lutas da Guerra Peninsular, com a queda de Bayona, o Batalhão de Caçadores tinha-se coberto de glória e de honra, mas pelos campos de Espanha e França estavam sepultos 5 oficiais e 163 praças do pré, tinham sido feridos em combate 9 oficiais e 164 praças e tinham-se perdido, ou sido capturados, 1 oficial e 182 praças.
No termo da guerra, o Batalhão de Caçadores 5 foi merecedor das seguintes palavras que Wellington mandou publicar: «que o Batalhão de Caçadores 8 e o destacamento do Batalhão de Caçadores 5, da décima Brigada, recebam a certeza da sua plena aprovação».
Terminada a Guerra Peninsular, o Batalhão de Caçadores 5 regressou a Portugal e, em 31 de julho de 1814, aquartelou-se em Miranda do Douro. Em 1816 passou a ter quartel na Bateria da Feitoria, em Oeiras. Revolução Liberal e Guerra Civil Portuguesa O segundo período da vida do Batalhão de Caçadores 5 foi profundamente ligado às convulsões políticas que se seguiram ao termo da Guerra Peninsular, e posteriormente pelos eventos da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834). Nesse agitado período, o Batalhão de Caçadores n.º 5, ao seguir a causa constitucional e ao transformar-se num dos seus principais baluartes, destacou-se pela sua tenacidade e resiliência.
As consequências da ausência da corte portuguesa, que se refugiara no Rio de Janeiro em 1807, e da situação de protetorado britânico que de facto se instalara em Portugal, foram poderosos catalistas da Revolução Liberal do Porto de 24 de agosto de 1820. Desencadeada a revolta na cidade do Porto, as adesões de unidades militares form acontecendo por todo o país, tendo o Batalhão de Caçadores 5 apenas aderido cerca de um mês depois, isto é, em 16 de setembro de 1820.
Pouco epois, a 29 de outubro daquele ano, os revoltosos conseguiram impor aos membros da Junta Governativa de Portugal a aceitação do regime constitucional. Na sequência destes eventos, realizaram-se as eleições para as Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, seguindo-se a aprovação da Constituição de 1822 e o regresso a Lisboa do rei D. João VI e da sua corte.
A reação absolutista apenas se verificou quase dois ano depois e, desde logo, o Batalhão de Caçadores 5 tomou parte ativa no desenrolar de todas as ações. A 21 de março de 1823 a unidade chegou a Penafiel e, nesse mesmo dia e sem qualquer descanso, foi mandada seguir, em «marcha forçada» para Amarante. A atuação do Batalhão de Caçadores 5 no combate que passou à história com o nome combate da Ponte de Amarante, foi assim descrita por Luís Cláudio de Oliveira Pimentel, o 1.º visconde de Vila Maior: «No momento em que o combate ardia mais furioso, empregando o inimigo os maiores esforços para se assenhorear do posto do Calvário e outros, cuja posse punha em eminente risco a defesa da ponte, da qual estava prestes a ocupar a entrada, soaram da margem direita as cornetas de Caçadores 5, tocando a «avançar» e este bravo corpo, apesar da marcha acelerada em que, desde Penafiel, vinha sem o mínimo descanso e entusiasmado com as breves e heroicas palavras, que naquele momento lhe dirigiu o general Claudino, carregou à baioneta sobre os rebeldes, que já começavam a entrar pela ponte do lado transmontano e nesta carga audaciosa os levou adiante de si, determinando em poucos momentos a sua completa derrota. Foi na verdade este vigoroso ataque de Caçadores 5 o que fez decidir a ação, forçando o inimigo a retirar-se pelas duas estradas, que atravessam a serra do Marão até à Campeã, em direção a Vila Real.»