Sibiu (pronúncia em : ; forma antiquada: Sibiiu; , ; em dialeto saxão transilvano: Härmeschtat; , ; ) é um município e a maior cidade do sul da região histórica da Transilvânia, Roménia. É a capital do județ (distrito) homónimo.
O município tem de área e em 2017 estimava-se que tivesse habitantes (). Segundo o censo de 2011 tinha habitantes, 1,1% deles de ascendência alemã. Situada 275 km a noroeste da capital nacional Bucareste, junto ao rio Cibin, afluente do Olt, Sibiu foi outrora o centro dos saxões da Transilvânia. A esmagadora maioria da população foi germânica até meados do , tendo-se romenizado progressivamente desde então e passando ser maioritariamente romena nos anos 1930; em 2011 só pouco mais de 1% da população era saxã, o que não impedia que a influência cultural e política dessa comunidade continuasse a ser relevante. Em consequência, a arquitectura local é tipicamente germânica. Entre 1692 e 1791 e entre 1849 e 1865 foi a capital do Principado da Transilvânia. É um dos centros culturais, universitários mais importantes da Roménia, além dum centro logístico onde convergem as principais vias de comunicação da Transilvânia.
Tendo sido poupada tanto das guerras como dos planos urbanísticos da era Ceaușescu que fizeram desaparecer grande parte do património edificado noutras partes da Roménia, Sibiu conserva numerosos monumentos civis, religiosos e militares góticos, renascentistas e barrocos, além de numerosas casas residenciais antigas. A sua nomeação como Capital Europeia da Cultura em 2007, juntamente com a cidade do Luxemburgo, estimulou uma extensa campanha de restauro, embelezamento e reabilitação urbana. Os monumentos, a riqueza dos museus e a beleza natural da região envolvente contribuem para que Sibiu seja um dos destinos turísticos mais populares da Roménia. A vizinha serra de Făgăraș, um destino popular de trekking, onde se situam as estâncias de esqui de Păltiniș e Arena Platos, destinos populares de turismo de inverno. Em 2008, um painel de especialistas formado pela revista Forbes considerou Sibiu o oitavo local da Europa mais edílico para se viver.
História Sibiu foi fundada em 1190 por colonos alemães (saxões transilvanos). Fui construída sobre um assentamento romano conhecido a inícios da Idade Média como Caedonia, aparentemente desabitado no momento da chegada dos saxões. A primeira menção histórica a Sibiu data de 1191, quando o confirmou a existência da da comunidade dos colonos saxões (alemães) na Transilvânia com sede em Sibiu, designada pelo nome em latim Cibinium. Sensivelmente na mesma época, foi fundado um priorado e o nome latino de Villa Hermanni é atestado a partir de 1223.
Na antiga Szászföld (nome alemão do cojunto dos cantões dos saxões transilvanos), Sibiu era a capital do Hermannstädter Stuhl ("Cadeira de Sibiu"), o mais importante dos cantões saxões em termos de população e área, que se estendia a sul até à cordilheira dos Cárpatos e era limitado a leste, norte e oeste respetivamente pelos cantões de Leschkirch (Nocrich), Mediasch (Mediaș) e Reußmarkt (Miercurea Sibiului). Em Sibiu convergiam as principais rotas comerciais da Transilvânia, nomeadamente as que iam para sul, em direção à Valáquia pelo . Esta situação privilegiada de cruzamento de vias de comunicação foi benéfica para o desenvolvimento da cidade mas também está na origem de ao longo da história ter sido alvo de violentos ataques, nomeadamente dos otomanos.
thumb|272px|Vista de Sibiu desde norte, numa gravura de meados do
Em 1241 a cidade foi destruída durante uma invasão mongol, mas restabeleceu-se rapidamente. No século XIV, a cidade era um importante centro comercial e uma das cidades alemãs mais importantes da Transilvânia, senão a mais importante, pois além de ser um centro comercial, administrativo e eclesiástico, tinha as fortificações mais extensas de toda a Transilvânia. Em 1376 os artesãos estavam organizados em 19 corporações de ofício. Sibiu tornou-se a cidade etnicamente germânica mais importante das sete cidades que deram à Transilvânia o seu nome em alemão Siebenbürgen ("Sete Cidadelas"), onde se instalou a Universitas Saxorum ("Comunidade dos Saxões"), uma rede de pedagogos, padres, intelectuais, funcionários e vereadores municipais da comunidade alemã que criaram um sistema legal e político na Transilvânia a partir da primeira década do .
Para fazer face à ameaça turca, a cidade foi dotada de três cercas de muralhas, que ainda se conservam parcialmente na atualidade, com dezenas de torres e várias grandes portas. Hermannstadt foi assediada pelos otomanos em várias ocasiões, mas nunca foi tomada, o que lhe valeu o epíteto de "Bastião da Cristandade". Porém, os exércitos de passagem ou que cercavam a cidade arrasavam as terras vizinhas. A cidade só foi tomada militarmente uma vez, quando o príncipe húngaro da Transilvânia logrou invadi-la através dum estratagema, tendo saqueado e expulsado todos os habitantes alemães. Até à primeira década do só viviam saxões na cidade intramuros.
Durante os séculos XVIII e XIX, a cidade tornou-se o segundo centro mais importante de romenos étnicos e mais tarde o primeiro. O primeiro banco detido por romenos — o Banco Albina — foi fundado em Sibiu, o mesmo acontecendo com Associação Cultural ASTRA (Associação Transilvana para a Literatura e Cultura Romenas). Após o reconhecimento oficial da Igreja Ortodoxa Romena pelo Império Habsburgo, a partir da década de 1860, Sibiu foi sede metropolitana e ainda hoje a cidade é considerada o terceiro centro mais importante daquela igreja. Entre a revolução húngara de 1848 e 1867 (o ano do Ausgleich), era em Sibiu que se reunia a , que tomou a sua forma mais representativa após o governo imperial ter concordado em estender o direito de voto na região.
Após o fim da Primeira Grande Guerra, quando o Império Austro-Húngaro foi dissolvido, Sibiu passou a fazer parte da Roménia. Até 1941, a maioria dos seus habitantes continuou a ser etnicamente germânica, apesar das comunidades romena e húngara também serem numerosas. A partir da década de 1950 e até depois de 1990, a maior parte da população de ascendência alemã emigrou para a Alemanha. Entre os pouco mais de mil que não tinham imigrado em 2011, encontra-se Klaus Iohannis, que antes de ser eleito Presidente da Roménia em 2014, foi prefeito de Sibiu. A prefeita eleita em 2016, , também é saxã transilvana e pertence ao partido .
Cronologia Eventos de importância internacional ligados a Sibiu thumb|A porta Burger-Ocnei; pintura de Johann Böbel de 1857
thumb|Feira Anual de Sibiu na Praça Grande; pintura de 1789 de Franz Neuhauser, o Jovem
1671 — descoberta de metano perto de Sibiu 1782 — o químico Franz Joseph Müller descobre o telúrio 1795 — o primeiro para-raios do Sudeste da Europa é instalado em Sibiu 1853 — publicação do primeiro número do Telegraful Român ("Telégrafo Romeno"), o jornal mais antigo do Sudeste da Europa ainda publicado 1896 — instalação da primeira rede elétrica do Sudeste da Europa
Eventos de importância nacional ocorridos em Sibiu 1292 — fundação do hospital mais antigo do atual território romeno 1380 — criação da primeira escola de que há registo no atual território romeno 1494 — abertura da primeira farmácia da Roménia 1534 — primeiro moinho (fábrica) de papel da Roménia 1544 — edição do primeiro livro em língua romena 1817 — abertura do Museu Brukenthal, o mais antigo da Roménia 1859 — inauguração da primeira ponte em ferro da Roménia 1875 — abertura da primeira fábrica de automóveis da Transilvânia 1895 — abertura do Museu de História Natural 1896 — primeiras centrais elétricas da Roménia 1928 — abertura do primeiro jardim zoológico da Roménia 1989 — Sibiu é a segunda cidade romena a opor-se ao comunismo 2007 — Capital Europeia da Cultura
Geografia Sibiu encontra-se perto do centro geográfico da Roménia, na depressão de Cibin, a um quilómetro da serra de Făgăraș, a 12 km da e a 15 km da , que limitam a depressão a sudoeste. A norte e leste de Sibiu encontra-se a meseta de Târnavelor, que desce para o vale de Cibin através do monte Gușteriței.
A cidade é atravessada pelo rio Cibin e outros cursos de água mais pequenos. A posição geográfica de Sibiu faz da cidade um dos centros de transportes mais importantes da Roménia, onde passam estradas e linhas ferroviárias de primeira importância.
Clima O clima de Sibiu é do tipo continental húmido, com temperaturas médias entre 8 e 9 °C. A precipitação média anual é 627 mm e há cerca de 120 de gelo intenso por ano.
Demografia O Instituto Nacional de Estatística da Roménia estimava que em 2017 o município tinha habitantes (). Segundo o censo de 2011 tinha habitantes (), o que faz de Sibiu a 14.ª maior cidade romena em termos de população. Em 2011, a composição étnica era a seguinte: 95,9% romenos, 1,6% húngara (magiares), 1,1% saxões da Transilvânia (alemães) e 0,4% . A população diminuiu 4,9% entre 2002 e 2011 e cresceu praticamente 15% entre 2011 e 2017. + Evolução da população População total Distribuição por etnias ano habitantes %±romenoshúngarosalemães+ Comunidades religiosas Confissão 1910 2002 ortodoxos romenos 18% 91% greco-católicos 8% 1% católicos romanos 20% 2% luteranos 42% 2% calvinistas 7% 1% judeus 4% <1% outros 1% 4% thumb|esquerda|Interior da Catedral Ortodoxa da Santa Trindade Presença alemã thumb|Igreja evangélica fortificada de ,um arrabalde de Sibiu
thumb|Placa toponímica bilingue em romeno e alemão
Não obstante as emigrações maciças que ocorreram a partir de meados da década de 1970, quando o regime comunista romeno caiu em 1989, ainda residiam em Sibiu cerca de saxões da Transilvânia. A partir de 1990 a população alemã não cessou de diminuir, ao ponto de se tornar menor do que a da minoria húngara. No entanto, a cidade tornou-se oficialmente bilingue — as placas de nomes de localidades e de informação turística estão escritas em romeno e em alemão e administrativamente a cidade é designada Sibiu/Hermannstadt.
Há uma revista semanal de língua alemã, a Hermannstädter Zeitung, uma editora privada (a Hora Verlag) que publica regularmente publicações em alemão e uma tipografia moderna (a Honterus-Druckerei), cujos donos são da minoria alemã. Há escolas pré-primárias e primárias que lecionam em alemão, bem como uma escola superior alemã (o ), que goza de excelente reputação em todo o país e cujo grau de bacharel é reconhecido pelas universidades alemãs. Há também uma escola de formação de professores, que forma educadores e professores germanófonos. Há quatro escolas superiores onde as aulas são lecionadas em alemão e na há alguns cursos que podem ser seguidos em alemão. Há também uma faculdade alemã de teologia evangélica, onde a Igreja Evangélica C.A. (que se reclama da Confissão de Augsburgo; ) da Roménia forma os seus sacerdotes. Há ainda uma academia da Igreja Evangélica C.A. em Neppendorf, um casa de retiro evangélica alemã (a arl-Wolff-Altenheim) e uma intensa vida comunitária.
Após o exôdo da maioria dos saxões transilvanos, todos os objetos importantes, como peças de arte, de culto, missais, registos, documentos de arquivo, etc., foram transferidos das comunidades evangélicas dissolvidas e das aldeias abandonadas para arquivos, armazéns e bibliotecas episcopais, ficando em locais seguros. Atualmente é o Centro Cultural e de Reencontro Friedrich Teutsch que tem a seu cargo os arquivos centrais da minoria alemã. Esses arquivos incluem ricas coleções de objetos e documentos históricos, cuja manutenção e catalogação tem sido apoiada financeiramente sobretudo pela Fundação Volkswagen. O edifício dos arquivos alberga também o Museu da Igreja Evangélica C.A. na Roménia .
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