Henrique Antônio Santillo (Ribeirão Preto, — Anápolis, ) foi um médico e político brasileiro filiado ao Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi ministro da Saúde durante o governo Itamar Franco. Por Goiás, foi governador, senador e deputado estadual, além de prefeito e vereador de Anápolis.
Durante o seu mandato de governador do estado, parte de Goiás foi desmembrada para formar o atual estado do Tocantins, sendo portanto o último governador goiano a governar sobre tal região. Além disso, na sua gestão ocorreu o acidente radiológico de Goiânia, que resultaria em mortes de goianienses, contaminações e indenizações do Governo Estadual para com vítimas e/ou seus familiares.
Primeiros anos Henrique Antônio Santillo nasceu no município de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, em 23 de agosto de 1937. Era filho dos imigrantes italianos Virgínio Santillo e Elydia Maschietto Santillo. A família, composta ainda pelos filhos Ademar e Romualdo, transferiu-se para o município goiano de Anápolis, em 1942.
Casou-se com Sônia Célia Santillo, com quem teve dois filhos e três filhas, Elídia Célia, Sônia Míriam, Carlos Henrique (Diretor Parlamentar da Assembleia Legislativa e ex-suplente de deputado estadual por Goiás), Carla Cíntia (deputada estadual e conselheira do Tribunal de Contas do Estado de Goiás) e Virgínio Neto.
Cursou o primário, ginasial e científico, onde iniciou sua militância política no grêmio estudantil. Graduou-se em 1963 pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais. No dia 13 de setembro de 2001, recebeu a Medalha de Honra da UFMG.
Carreira política
Primeira greve estudantil Em janeiro de 1957 foi aprovado em primeiro lugar no vestibular para Medicina na Universidade Federal de Minas Gerais e em terceiro na Católica. Em Belo Horizonte, para manter-se, conciliava seu curso com a função de professor em cursinhos. Sua destacada atuação o levou a quebrar, já no segundo ano, a longa tradição do Diretório Acadêmico da Faculdade de Medicina de só eleger quintanistas, alcançando a presidência do Diretório Central dos Estudantes da UFMG e, depois, da União Estadual dos Estudantes de Minas Gerais, que brando a hegemonia dos grupos que dominavam aquela entidade há 20 anos. Em 1960, quando fazia residência médica no Hospital de pediatria da UFMG, foi eleito conselheiro da União Nacional dos Estudantes. E ganhou notoriedade nacional ao participar da primeira greve estudantil, com duração de quatro meses, até se alcançar a participação do corpo discente nas congregações e conselhos universitários. Formado, retornou a Goiás em 1964 e começou a clinicar, dividindo seu tempo entre a Santa Casa de Misericórdia de Anápolis, como voluntário, consultório particular e seis meses depois nos plantões do SAMDU, ambulatório público federal de emergências médicas.
Filiação ao MDB, vereador e prefeito de Anápolis Em meio ao golpe de estado que instaurou a ditadura militar, além do Ato Institucional n.º 2, Santillo se filia ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido oposicionista e no qual Henrique se tornaria uma das lideranças regionais. Em 1965, lançado por amigos à Câmara Municipal de Anápolis, obteve de um total de 12 mil votos válidos; se tornando um dos quinze membros do legislativo anapolino. Foi empossado em 15 de março do ano seguinte. Atuou em bairros da periferia e estimulou a formação de associações de moradores. Três anos depois, elegeu-se prefeito de Anápolis com dois terços dos votos válidos. Exerceu um mandato de três anos entre 1970 e 1973.
Deputado Estadual por Goiás Nas eleições estaduais em Goiás em 1974, foi o deputado estadual mais votado, com votos. Tomou posse em 15 de março do ano seguinte, na 8.ª legislatura da Assembleia Legislativa. Cumpriu o mandato integralmente, até 15 de março de 1979.
Senador por Goiás No pleito estadual de 1978, candidato a senador, teve de vender a sua casa para pagar os custos da campanha, feita ao volante de um Fusca. Derrotou os três candidatos da Arena, com mais de 100 mil votos de frente.
Governador de Goiás O ano de 1986, o encontrou candidato natural de seu partido ao Governo de Goiás, quando inovou as práticas políticas, a partir da campanha eleitoral, com a realização de caminhadas diárias e de 13 encontros regionais, com a distribuição de questionários para a população sugerir o plano de governo. Mais de 100 mil respostas embasaram seu programa administrativo. A mobilização popular deu-lhe vitória em 235 dos 244 municípios que Goiás tinha à época, consolidando a maior vitória eleitoral do Estado até então –quase um milhão de votos e uma dianteira superior a 400 mil sobre o principal concorrente. Dois dias após o pleito ele voltaria a surpreender os goianos, reeditando as caminhadas e carreatas de agradecimento e reforço dos compromissos assumidos. À frente do Governo de Goiás, direcionou a gestão ao desenvolvimento social, quando implantou as maiores redes de saúde pública e de saneamento básico de que se teve notícia no Estado. Depois de concluir seu mandato Henrique Santillo desfiliou-se do PMDB e presidiu o Partido Progressista em Goiás.
Ministro da Saúde Em setembro de 1993, aceitou convite do presidente Itamar Franco para assumir o Ministério da Saúde. À frente do Ministério Santillo consolidou a implantação dos medicamentos genéricos no Brasil e fez várias mudanças no sistema de saúde, que encontrou em crise. Passou a priorizar a atenção à saúde, com ações e programas de medicina preventiva, de controle social sobre o SUS, de agentes comunitários de saúde, de combate a endemias ressurgentes, como a febre amarela, dengue e cólera, de combate à avitominose, ao bócio endêmico e à fome, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste. Em sua gestão as campanhas de multivacinação não só tiveram sequência como também foram reforçadas, culminando com o recebimento, em 1994, da Organização Mundial de Saúde e da Organização Panamericana de Saúde, o certificado de erradicação da poliomielite no território nacional – coroando assim os esforços que o Brasil já vinha fazendo nesse sentido. Ao deixar o Ministério, ao fim da gestão Itamar Franco, Santillo legou ao País programas de alta relevância, implantados ou em fase inicial e que ainda estão em curso, como o Saúde da Família, de Ambulatórios de Alta Resolutividade 24 Horas, de Resgate a Acidentados em Rodovias, Disque Saúde, Assistência Integral à Saúde da Mulher e da Criança, de Incentivo ao Aleitamento Materno, de Prevenção e Combate à AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis, e, Leite é Saúde.http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd03_01.pdf
Em 1994, foi admitido por Itamar à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.
Trabalho no Governo Marconi Retornando a Goiás Henrique Santillo aceitou os apelos de antigos companheiros políticos e migrou para o PSDB, concorrendo à Prefeitura de Anápolis, após o que voltou a clinicar em sua especialidade, pediatria, gratuitamente, em um posto médico da Jaiara, na periferia daquela cidade. Voltaria à política partidária novamente em 1998 para comandar, em Anápolis, a campanha do então deputado federal Marconi Perillo ao Governo de Goiás, registrando vitória no primeiro e segundo turnos e o fim de um ciclo de 16 anos de mando peemedebista em Goiás. Henrique Santillo foi ainda Secretário de Estado da Saúde e Secretário de Articulação Política do Governo de Goiás, em 1999.
Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás Desligou-se em definitivo da política partidária no final do ano de 1999, quando foi nomeado Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Goiás, após ter sua indicação referendada pela unanimidade dos partidos representados na Assembleia Legislativa. No TCE-GO foi diretor da Sexta Auditoria Financeira e Orçamentária, Corregedor Geral, Vice-Presidente e Presidente, em 2002. Implementou o Plano de Cargos e Salários dos Servidores do TCE e deu início a um amplo programa de modernização do órgão de controle externo. Seu mandato de Presidente foi interrompido com seu falecimento.
O atual edifício-sede do TCE-GO recebeu o nome de Edifício Conselheiro Henrique Santillo, em sua homenagem.
Seu nome é reverenciado no Brasil e especialmente em Goiás como expoente da democracia, coerência, dignidade e ética.
Morte Henrique Santillo morreu em 25 de junho de 2002, aos 64 anos. Ele estava internado na UTI do Hospital Evangélico Goiano, em Anápolis, desde sábado, após sofrer um acidente vascular cerebral. Um dia depois, foi submetido a uma cirurgia para extrair um coágulo no cérebro, exames apontaram a ausência de funções cerebrais. Ele foi velado no Palácio das Esmeraldas.
Após sua morte, em 25 de setembro de 2002, foi homenageado na fundação do moderno complexo hospitalar que atende, especialmente, o grande incapacitado, exclusivamente pelo Sistema Único de Saúde – SUS , o Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo - CRER, unidade da SES-GO. O hospital é reconhecido pelo Ministério da Saúde como Centro Especializado em Reabilitação (CER) IV, por sua atuação na reabilitação de pessoas com deficiência física, auditiva, visual e intelectual
Anistia miniaturadaimagem|36ª Caravana da Anistia, em Anápolis.|240x240px Em 27 de abril de 2010, Henrique Santillo foi anistiado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, com base na Lei nº 10.559, de 13 de novembro de 2002, durante a 36ª Caravana da Anistia, realizada no auditório da UniEvangélica, em Anápolis.
Examinando o requerimento n.º 2009.01.64101, formulado pela viúva Sônia Célia Santillo, a Comissão de Anistia deferiu o pedido e expediu a declaração de anistiado político, tendo ainda, "oficializado, em nome do Estado brasileiro, um pedido de desculpa ao Sr. Henrique Antônio Santillo". O principal fundamento da decisão diz respeito à perseguição política representada pelo descredenciamento do médico Henrique Santillo dos quadros do Instituto Nacional do Seguro Social, por motivação exclusivamente política.
Categoria:Alunos da Universidade Federal de Minas Gerais Categoria:Brasileiros de ascendência italiana Categoria:Deputados estaduais de Goiás Categoria:Governadores de Goiás Categoria:Grandes-Oficiais da Ordem do Mérito Militar Categoria:Médicos de Goiás Categoria:Ministros do Governo Itamar Franco Categoria:Ministros da Saúde do Brasil Categoria:Naturais de Ribeirão Preto Categoria:Pediatras do Brasil Categoria:Prefeitos de Anápolis Categoria:Secretários estaduais de Goiás Categoria:Senadores do Brasil por Goiás Categoria:Família Santillo Categoria:Médicos brasileiros do século XX Categoria:Políticos brasileiros do século XX Categoria:Membros do Partido da Social Democracia Brasileira de Goiás Categoria:Membros do Partido dos Trabalhadores de Goiás Categoria:Membros do Movimento Democrático Brasileiro (1980) de Goiás Categoria:Políticos de Goiás do século XX Categoria:Políticos de Goiás do século XXI