María la del Barrio (no Brasil: Maria do Bairro) é uma telenovela mexicana que foi produzida pela Televisa e exibida pelo Las Estrellas de 14 de agosto de 1995 a 26 de abril de 1996, em 185 capítulos, substituindo Si Dios me quita la vida e sendo substituída por La antorcha encendida. É baseada em Los ricos también lloran, de 1979, que é um remake da telenovela venezuelana Raquel ambas inspiradas em textos originais de Inés Rodena. María la del Barrio é a terceira e última telenovela da chamada Trilogía de las Marías, da qual também fazem parte María Mercedes (1992) e Marimar (1994).
Thalía interpreta a personagem título, uma garota vivaz e graciosa que, após a morte da madrinha, é levada para morar na mansão de uma rica e influente família pelo patriarca e se apaixona por um dos filhos dele, tendo que vencer a hostilidade dos demais moradores. Fernando Colunga interpreta o seu par romântico na trama, um rapaz inconsequente, mas que muda de vida ao conhecer Maria. Itatí Cantoral, Ana Patrícia Rojo e Roberto Blandón interpretam os antagonistas principais. Silvia Caos, Ricardo Blume, Irán Eory, Carmen Salinas, Meche Barba, Rebeca Manríquez, Ludwika Paleta, e Osvaldo Benavides interpretam os demais papéis principais.
Foi exibida originalmente no Brasil pelo SBT, entre 20 de fevereiro e 26 de julho de 1997, substituindo Marimar e sendo substituída por Chiquititas. O enorme sucesso da trama fez com que ela fosse reprisada poucos meses após seu término. A primeira reprise foi exibida a partir 8 de dezembro de 1997. Ganhou novas reprises em 2004, 2007, 2012, 2013, 2015, sendo esta apenas para os estados que não têm programação local, 2022, sendo esta pelo canal de televisão por assinatura Viva e 2025. Em Portugal, foi exibida na RTP1, de 30 de março a 17 de julho de 1998, substituindo a reposição de Coração Selvagem e sendo substituída por Chiquititas. Também foi exibida na RTP Madeira, de 3 de agosto a 11 de dezembro de 1998, de manhã.
Antecedentes
María la del Barrio é a terceira telenovela da Trilogía de las Marías, a qual foi iniciada em 1992 com María Mercedes e sequenciada por Marimar, de 1994. Estas telenovelas têm em comum o fato de terem sido protagonizadas pela cantora e atriz mexicana Thalía, onde ela interpreta uma moça muito pobre e ignorante, de nome Maria. Outros pontos em comum são o de serem baseadas em produções venezuelanas das décadas de 1970 e 1980 escritas pela cubana Inés Rodena (1905-1985), que baseou-se em radionovelas anteriormente escritas por ela, e de contarem com a produção de Beatriz Sheridan e de Valentín Pimstein.
Produção Dando continuidade à trilogia, os produtores decidiram fazer um remake de Los ricos también lloran e convidaram Angelli Nesma Medina para encarregar-se da direção. Também optou-se por dar outro título à nova versão, a fim de que esta tivesse identidade própria; o título escolhido foi María la del Barrio (numa tradução livre: Maria do Bairro). A atriz Thalía assinou com a Televisa um contrato de cerca de 800 mil dólares para protagonizar a telenovela.
Filmagens miniaturadaimagem|Vista aérea das Lomas de Chapultepec, bairro nobre de México D.F. onde grande parte da história é ambientada. As filmagens da telenovela tiveram início no ano de 1995. A exuberante casa de Soraya Montenegro e a mansão dos De La Vega, ficam situadas em Jardines del Pedregal, um bairro nobre residencial no sul da Cidade do México, onde abriga algumas das famílias mais ricas do país. Também é conhecido como lar da maior mansão da cidade. A personagem-título ganhava a vida coletando material reciclável no lixo e, por isso, várias filmagens foram rodadas no maior aterro sanitário da Cidade do México, onde se encontravam várias famílias em extremo estado de miséria e que exerciam, na vida real, o mesmo trabalho que a personagem Maria exerce na ficção. Meses depois, os atores e os profissionais que fizeram parte da equipe voltaram com mantimentos e brinquedos para essas famílias que viviam perto do depósito. Enquanto os catadores vasculhavam as montanhas de lixo reais, Thalía vasculhava um "lixo cenográfico", pré-selecionado pela equipe técnica, a fim de não oferecer riscos à saúde e integridade da atriz ou dos outros membros da equipe. Grande parte da história tem por plano de fundo Lomas de Chapultepec, bairro nobre da capital mexicana. Em uma das cenas da terceira fase, onde a protagonista se vê diante de um incêndio, Thalía sofreu acidentalmente queimaduras em parte da perna.
Em 2011, Thalía publicou uma autobiografia intitulada Cada día más fuerte, na qual narra alguns detalhes e lembranças deste seu trabalho. "María la del Barrio me lançou a um estrelato internacional inigualável", declara a atriz em seu livro, no qual ela também confessa que sempre vivia o sofrimento de suas personagens e, por isso, entrava muitas vezes em depressão nervosa durante o período em que as telenovelas eram gravadas.
Devido ao excesso de trabalho decorrente das gravações e da divulgação de seu álbum En éxtasis, a artista padeceu, em meados de 1996, de uma crise nervosa, vendo-se obrigada a suspender suas atividades profissionais e a permanecer em repouso absoluto em sua casa durante um tempo.
Enredo A trama é dividida em três etapas.
Primeira fase (1978-85) thumb|left|210px|Maria do Bairro (Thalía), recém-chegada à casa dos De La Vega, molha Luís Fernando (Fernando Colunga) após uma discussão.
Maria Hernández Lorráz (Maria do Bairro) é uma jovem humilde, sem instrução e sonhadora que vive com sua madrinha Cacilda no bairro João Diego, na periferia da Cidade do México, e trabalha como catadora de material reciclável em um aterro sanitário. No dia em que Maria completa 15 anos, sua madrinha falece; antes, porém, em seu leito de morte, Cacilda pede ao padre Honório que ele encontre uma residência onde sua afilhada seja acolhida e tenha trabalho como empregada doméstica. A jovem órfã é acolhida pelo bondoso empresário Fernando de la Vega, patriarca da família de la Vega, uma das mais abastadas e influentes do país. Ele deseja lapidar a garota e torná-la uma mulher refinada, acolhendo-a como um membro da família. Fernando encontra resistência em sua esposa Vitória Montenegro de la Vega que, junto da empregada Carlota, despreza Maria desde o primeiro momento.
Luís Fernando, o primogênito do casal de la Vega, foi abandonado pela sua noiva Brenda, o que o transforma em um indivíduo alcoólatra e misógino: ele jura que nunca mais se envolverá afetivamente com mulheres, apenas irá brincar com os sentimentos delas. Ele inicialmente envolve-se com Maria com este objetivo, no entanto, acaba apaixonando-se por ela. Já Soraya Montenegro é sobrinha de Vitória e, desde a adolescência, almeja conquistar Luís Fernando a qualquer custo. Soraya, além de prepotente e orgulhosa, é uma psicopata inata, e também despreza Maria, a qual se refere sob o adjetivo de "marginal".
Maria vai aos poucos conquistando a amizade e a confiança dos moradores e dos empregados da mansão, entre eles Vitória, que muda sua atitude com a jovem, e Guadalupe "Lupe" Linhares, governanta da casa, que a trata como filha, além de Vanessa e Vladimir, os outros filhos do casal de la Vega. Soraya aproveita-se de uma das rotineiras embriaguezes de Luís Fernando, leva-o para a cama e forja um exame de gravidez falso, o que faz com que ele se sinta obrigado a casar-se com ela, mesmo amando Maria. Esta, a fim de esquecer Luís Fernando, por quem também é apaixonada, passa a namorar Vladimir; a jovem também recebe aulas de etiqueta e de alfabetização de Dona Carol, professora especialmente contratada por Fernando para lecionar para Maria. Luís também passa por uma transformação de personalidade: ele amadurece e deixa de ser um rapaz inconsequente e alcoólatra, passando a trabalhar na empresa de seu pai. Ele começa a desconfiar da gravidez de Soraya, e esta forja outro exame, agora dizendo que sofreu um aborto.
Soraya, que passa a morar na mansão dos de la Vega junto de sua preceptora Calixta (que cuida daquela com devoção desde que era uma menina), entra constantemente em atrito com Maria, e obstina-se a matá-la. Calixta, que também é curandeira, ajuda a sua protegida colocando ervas venenosas na água que Maria bebe. Esta passa mal e é internada num hospital, onde se descobre a causa da enfermidade. Calixta revela a Soraya que é sua verdadeira mãe; com ódio por sua condição social, Soraya a expulsa da mansão. Osvaldo, o amante de Soraya, descobre o perverso plano e a denuncia. Em uma violenta briga, Soraya tenta matá-lo e acaba caindo da janela de um apartamento, sendo dada como morta. Maria se recupera, Luís Fernando pede ela em casamento e ela aceita.
A família de La Vega vai para a Espanha para passar uma temporada, só ficando os recém-casados Maria e Luís Fernando na casa. Pouco tempo depois, ele precisa viajar para o Brasil a negócios, deixando Maria na Mansão. Vladimir vai à mansão pedir desculpas à Maria por não ter comparecido ao casamento dela com o irmão dele. Luís Fernando tem seu voo cancelado e volta à mansão. Ao chegar, flagra os dois abraçados e ele tem uma crise de ciúmes. Isso faz com que Luís Fernando e Maria se separem. No mesmo dia, Maria descobre que está grávida e encontra apoio e amizade em Lupe, a governanta da casa. Ela tenta localizar Luís Fernando para dar a notícia mas não o encontra. Dias mais tarde, Luís Fernando viaja ao Brasil a trabalho. Com isso, Maria o segue para contar que estava esperando um filho dele, mas é ignorada e humilhada por ele e, com isso, volta ao México.
Maria passa toda a gravidez com profunda depressão, voltando a andar com roupas rasgadas e cabelos avoados. Momentos antes de ter a criança, Luís Fernando pede o divórcio de Maria, que sai de casa desesperada. A jovem dá à luz a seu filho, chamado Fernando, em um hospital público distante de casa. Ela recebe alta junto com a criança e sai vagando pelas ruas com o bebê no colo, chorando e querendo se matar.
Com depressão pós-parto, acaba rejeitando a criança, e entregando o recém-nascido a uma vendedora de doces chamada Agripina. Em um breve momento de consciência, Maria percebe que não está mais com seu filho e tenta sequestrar um bebê, acabando presa e encaminhada a um hospício, onde Lupe e Luís Fernando a encontram. Maria informa Luís Fernando que o bebê havia morrido, seguindo a sugestão do psiquiatra, Dr. Carreras, que acreditava que assim ela poderia permanecer casada e ter condições financeiras para reencontrar o filho.
Luís Fernando se culpa por tudo o que aconteceu e, ao conseguir permissão para ver Maria, pede perdão por tudo o que a fez passar, e ela ainda, entre lágrimas, o perdoa. Luís Fernando decide compensar a dor da esposa de ter perdido o filho, adotando uma recém-nascida chamada Maria dos Anjos, e a família a apelida de Tita. Maria rejeita aquela criança a princípio, ainda está arrependida e abalada por ter abandonado seu filho, e, até então, tomando ansiolíticos e antidepressivos. Ela não queria adotar nenhuma criança, não queria substituir o filho que passou a procurar, mas faz de tudo para se tornar uma boa mãe para a menina, e só concordou com a adoção para fazer o marido feliz.
Alguns anos se passam. Maria ainda continua, junto de Lupe, a fazer buscas ao seu filho perdido. Um dia, Maria vê um garoto conversando com a pequena Tita e pergunta qual é seu nome, sem saber que aquele era seu filho. O menino responde Fernando e deixa Maria ainda mais determinada a encontrar a criança.