Lourenço Castanho Taques (c. 1609 - 1677) foi um bandeirante natural de São Paulo, fundador de São Lourenço e o primeiro descobridor das minas de ouro do Brasil. A este respeito, o historiador Pedro Taques de Almeida Pais escreveu que Lourenço Castanho Taques "tendo recebido um convite do príncipe regente Dom Pedro em 1674 para o descobrimento de ouro e prata (...) resolveu-se com seus cabedais e força de armas penetrar o sertão dos gentios Cataguazes (...) e conseguiu o 1.º conhecimento das minas, a princípio chamadas de Cataguazes, e mais tarde (...) chamadas Minas Gerais".Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme – "Genealogia Paulistana", Tit. Taques Pompeus Vol. IV, pág.232 e 233
Biografia e família Lourenço Castanho Taques era filho do português Pedro Taques e da paulista Ana de Proença. Era neto paterno de Francisco Taques Pompeu, do Brabante, e de Inês Rodrigues, de Setúbal, e neto materno de Antônio de Proença, fidalgo de Belmonte, moço da câmara do infante dom Luiz, e de D. Maria Castanho, de Montemor-o-Novo.Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme – "Genealogia Paulistana", Tit. Taques Pompeus, Vol. IV, pág. 223
O Dr. Augusto de Siqueira Cardoso escreveu a seu respeito: "Lourenço Castanho Taques - o velho - foi notabilíssimo e nobre cidadão de S. Paulo. Como homem opulento que era em bens e também em virtudes privadas e cívicas, prestou muitos serviços ao governo da metrópole e à administração da Capitania se S. Vicente. Exerceu como seu pai o cargo de juíz de orfãos".Dr. Augusto de Siqueira Cardoso – "Notas genealógicas sobre os ascendentes e descendentes de Pedro Taques de Almeida Paes Leme" in "Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo", vol. X, Typographia do Diário Official, São Paulo 1906, pág. 65, disponível no Internet Archive
Segundo Pedro Taques de Almeida Pais "faleceu em 1677 em avançada idade, depois de recolhido da conquista dos [índios] cataguases. Foi governador das minas do Caeté. Foi sepultado no jazigo do Carmo de São Paulo, onde jaziam as cinzas de seu pai Pedro Taques".Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme – "Genealogia Paulistana", Tit. Taques Pompeus, Vol. IV, pag. 233
Eram seus irmãos Pedro Taques de Almeida, o potentado Guilherme Pompeu de Almeida, Sebastiana Taques, Mariana Pompeu e Antônio Pompeu de Almeida.
Lourenço Castanho Taques e a vida política em São Paulo em meados do século XVII thumb|right|200px|Aclamação de Amador Bueno por Oscar Pereira da Silva, episódio em cujo desfecho Taques teve um papel importante Aclamação de Amador Bueno No dia 1 de Abril de 1641, em reação à recente restauração da independência de Portugal e à aclamação de D. João IV, rei de Portugal, que pôs fim a 60 anos de União Ibérica, o partido espanhol e o povo aclamaram rei de S. Paulo Amador Bueno, por ele ser o major da vila e de origem espanhola. Amador, que era prudente e sensato, se refugiou no Mosteiro de São Bento e mandou chamar Lourenço Castanho Taques para persuadir o povo a se acalmar, tendo este acudido "imediatamente com sua influência para que o povo não insitisse no seu revolucionário propósito".Dr. Augusto de Siqueira Cardoso – "Notas genealógicas sobre os ascendentes e descendentes de Pedro Taques de Almeida Paes Leme" in "Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo", vol. X, Typographia do Diário Official, São Paulo 1906, pág. 66, disponível no Internet Archive Diogo de Vasconcellos – "História Antiga das Minas Gerais", Imprensa Official do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte 1904, pág. 58, disponível no Internet Archive
O partido espanhol, despeitado, retirou-se da influência de Amador Bueno e uniu-se a Lourenço Castanho Taques. Este que já gozava à data de prestigio quase igual ao de Amador Bueno tournou-se a partir dessa altura o "cidadão preponderante na vila, e mesmo na capitania",Dr. Augusto de Siqueira Cardoso – "Notas genealógicas sobre os ascendentes e descendentes de Pedro Taques de Almeida Paes Leme" in "Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo", vol. X, Typographia do Diário Official, São Paulo 1906, pág. 66 um verdadeiro "potentado em (...) cabedais e forças (...) que (...) exercia sem rival o majorato da vila de São Paulo".Diogo de Vasconcellos – "História Antiga das Minas Gerais", Imprensa Official do Estado de Minas Gerais, Belo Horizonte 1904, pág. 58
Guerras entre os Pires e os Camargos A partir de 1640, São Paulo foi o cenário de violentos combates entre o partido dos Pires (a quem os Taques eram ligados) e dos Camargos que se prolongaram por mais de duas décadas. Acerca deste conflito, do nome de duas grandes famílias de São Paulo, escreveu Afonso d’Escragnolle Taunay, na sua "História da Cidade de São Paulo", que a inconciabilidade destas duas famílias "redundou em verdadeira guerra civil, à semelhança das lutas municipais assoladoras das cidades italianas medievais e das quais a mais conhecida é a dos Capuletti e Montecchi de Verona, por Shakespeare imortalizada". As razões para estas lutas não são totalmente claras o que leva Taunay a supor "que a longa luta, aliás intermitente, nasceu de mera rivalidade de chefes de clã sem motivo algum alheio ao personalismo e ao espírito de família e à tendência gregária tão profundamente humana e tão veemente nas pequenas aglomerações".Afonso d’Escragnolle Taunay – "História da Cidade de São Paulo", Edições Senado Federal (1954), diponível no site Literatura Digital da UFSC
thumb|right|220px|A antiga matriz de São Paulo por Benedito Calixto (1865), cenário do assassinato do irmão de Lourenço Castanho Taques dois séculos atrás Na sua "Nobiliarquia Paulistana", Pedro Taques de Almeida Pais escreveu que "em 1640, tendo se levantado uma disputa entre Fernando de Camargo (o Tigre) e Pedro Taques (irmão de Lourenço Castanho Taques e chefe do partido dos Pires), desembainharam ambos as espadas e adagas no largo da matriz da vila de S. Paulo (hoje largo da Sé) e se travou renhido combate em que tomou parte numeroso concurso de um e outro partido (...) tendo morrido no conflito muitas pessoas, feridas por escopetas".Nobiliarchia Paulistana - Genealogia das Principaes Familias de S. Paulo Escaparam os principais contendores, mas logo no ano seguinte, "em 1641, estando Pedro Taques em conversação com um amigo, e tendo as costas para a porta travessa da matriz de S. Paulo, veio à falsa fé Fernando de Camargo, e correu a adaga pelas costas de Pedro Taques, que para logo perdeu a vida".Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme - "Genealogia Paulistana", Tit. Taques Pompeus Vol. IV, pág.224
Este episódio levou muitos partidários de Pedro Taques a abandonar "São Paulo, indo morar em Parnaíba com o seu opulento irmão Guilherme Pompeu de Almeida, ao passo que o outro irmão, Lourenço Castanho Taques se acastelava no Ipiranga como um barão medieval em sua torre albarrã".Afonso d’Escragnolle Taunay – « História da Cidade de São Paulo », Edições Senado Federal (1954)
Pedro Taques de Almeida Pais escreveu a este respeito que Lourenço Castanho Taques "se conservou sempre em São Paulo sem que o infeliz sucesso de seu irmão Pedro Taques, morto a falsa fé por Fernando de Camargo, o obrigasse a mudar-se como o fizeram seus irmãos, porque seu grande respeito e força de armas o prontificavam a pôr em cerco aos inimigos do partido contrário. Foi estabelecido na fazenda da Ipiranga que tinha sido de seu pai Pedro Taques; foi opulento em cabedais, com o que sustentou e conservou o respeito e o tratamento de sua pessoa potentada. Em relação ao real serviço, deu sempre acreditadas provas de honrado vassalo, com liberal despesa da própria fazenda".Pedro Taques/Luis Gonzaga da Silva Leme - "Genealogia Paulistana", Tit. Taques Pompeus Vol. IV, pág.231
Esta fazenda da Ipiranga ou da Ribeira do Ipiranga é a mesma que pertencera a seu avô Antônio de Proença e "abrangia, em seus limites, tudo o que mostra actualmente [em 1906] naquele lugar vestígios de cultura antiga e de bemfeitorias e edificações".Dr. Augusto de Siqueira Cardoso – "Notas genealógicas sobre os ascendentes e descendentes de Pedro Taques de Almeida Paes Leme" in "Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo", vol. X, Typographia do Diário Official, São Paulo 1906, pág. 68
Apoio aos jesuítas e ao governador Sustentava o partido dos jesuítas, que queriam civilizar os índios em aldeamentos, contra o partido escravagista, que lhes movia guerra e queria escravização franca. Ambos, Amador Bueno e Lourenço Castanho Taques, apoiavam o governador Salvador Correia de Sá e Benevides.
Escreve Pedro Taques: Em 1659 passou a São Paulo Salvador Correia de Sá e Benevides no cargo de administrador geral das minas de ouro e prata, e como governador das três capitanias: Rio de Janeiro, Espírito Santo e a de S. Vicente e S. Paulo por ordem de D. João IV. Nessa ocasião recebeu Lourenço Castanho uma carta firmada pelo real punho, em que lhe recomendava desse ajuda e favor a Salvador Correia de Sá e Benevides para bem desempenhar-se na diligência a que era enviado, qual era a de descobrimento de ouro e de pedras preciosas, ao que correspondeu prontamente Lourenço Castanho.
Conservando-se em São Paulo para esse fim o governador Salvador Correia até 1661, aconteceu que na sua ausência do Rio de Janeiro em 1660, onde deixara como governador da praça a Tomé Correia de Alvarenga, como sargento-mor a Martim Correia Vasques, e provedor da fazenda real a Pedro de Sousa Pereira, praticaram os oficiais da câmara e povo do Rio de Janeiro um grave atentado, depondo do governo os ditos representantes que foram todos presos em uma fortaleza, e negando obediência ao governador Salvador Correia de Sá e Benevides. Este governador, ao ter notícia em São Paulo do ocorrido no Rio de Janeiro, e principalmente ao ver uma carta escrita pelos camaristas do Rio aos de São Paulo, em que faziam graves exprobações a sua pessoa como autor de tiranias e de mau governo, se dispôs a pôr-se em caminho para o Rio de Janeiro com o fim de sossegar o tumulto e castigar os culpados. Lourenço Castanho, vendo o perigo a que ia se expor o governador, juntamente com os paulistas da primeira nobreza lhe representaram, suplicando que não pusesse em tão evidente a sua vida e autoridade; o valor e constância do governador o levaram a não atender a essa rogativa, pelo que Lourenço Castanho resolveu-se a acompanhá-lo com força de armas até o Rio de Janeiro, mas nem este auxílio aceitou o governador. Então Lourenço Castanho lembrou-se de reunir a nobreza de São Paulo ao corpo do senado, e em número de 58 pessoas escreveram ao governador uma carta em nome de Sua Majestade em que ponderavam a necessidade de aceitar as rogativas e conselhos dados. A esta carta respondeu o governador agradecendo aos paulistas o apoio que lhe prestavam; mas, não tendo mais serviço nesta banda do Sul, o seu dever o chamava a prestar serviço a S. Majestade, pelo que estava resolvido a voltar para o Rio de Janeiro a assumir a jurisdição real, para o que esperava encontrar o povo mais acomodado."
As bandeiras de Lourenço Castanho Taques Fez em 1662 grande expedição, como preador de índios que era, aos sertões habitados pelos índios. Mais tarde alguns historiadores comentaram que seriam índios cataguás, mas o termo era desconhecido na época! Fez viagens em terras desconhecidas, certamente, e receberia elogios em uma Carta Régia de 23 de março de 1664.