Dodge Dakota é uma picape de porte médio da Ram Trucks, uma divisão da Chrysler desde 2009. Até então, era produzida sob a bandeira da Dodge, embora essa mudança tenha sido apenas uma estratégia de mercado da nova controladora da Chrysler, a Fiat.

A Dodge Dakota brasileira e a americana

Nos EUA a Dodge Dakota foi produzida na Dodge City, nas fábricas de Warren, Michigan, entre 1987 e 2011.http://www.allpar.com/trucks/dakota-1997.html/, Seção Quality and Production A primeira picape Dodge Dakota a entrar no mercado americano foi produzida no ano de 1987, como reestilização da Ram 50.

Em 1997 chegou a segunda geração da Dakota nos Estados Unidos, vendendo quase 160.000 unidades em 1998http://www.allpar.com/trucks/dakota-1997.html, Allpar, trucks, dakota1997. No ano 2000 foi escolhida como North American Truck of the Year, em português, A Picape Norte-Americana do Ano (essa geração de Dakotas foi fabricada em Campo Largo, Paraná, no Brasil, entre 1998 e 2001).

A terceira geração de Dakotas chegou a o mercado norte-americano em 2005.

A quarta geração de Dakotas chegou a o mercado norte-americano em 2008. Deixou de ser fabricada em 2011 após 2.751.226 unidades de Dodges Dakotas terem sido fabricadas na planta de Warren.

Produzida no Brasil entre junho de 1998 até abril do ano 2001 pela Dodge em Campo Largo - PR, região metropolitana de Curitiba, a versão produzida no Brasil corresponde à segunda geração das Dakotas americanas, que foi a geração de mais sucesso naquele país, quebrando vários recordes de vendas.http://www.allpar.com/trucks/dakota-1997.html/, Seção Dodge Dakota performance upgrades

A Chrysler volta ao Brasil

Um Breve Histórico

A volta da Chrysler ao mercado brasileiro teve início em 1994, quando começou a importar uma série de modelos. Dois anos depois era anunciada a decisão de erguer uma linha de montagem em Campo Largo, cidade próxima da capital paranaense. A aposta da Chrysler Corporation (nome da empresa na época) no mercado brasileiro foi confirmada em setembro de 1996, quando anunciou a construção de uma fábrica de motores no Paraná em sociedade com a alemã BMW. Essa unidade, conhecida como Tritec Motors, envolveu um investimento inicial de US$ 310 milhões, com capacidade de produzir 400.000 motores por ano.http://www.uel.br/pos/economia/material/2%20ECO%20113/umberto.pdf/, INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO PARANÁ: impactos na produção local e no Restante do Brasil - capítulo 2.1 Dessa fábrica saíram motores 1,6 litro, que durante seis anos, de 2001 a 2006, propulsionaram os Mk I Mini One, Cooper and Cooper S, da BMW, de aspiração normal e comprimidos, e por um período menor equiparam os Chrysler Neon e PT Cruiser, e os motores que mais tarde se chamariam Torque de 1.6 e 1.8 litro da Fiat.

Um Ano Lucrativo Para a Chrysler http://www.allpar.com/history/chrysler-years/1998.php, An Excellent Final Year

A Chrysler, que naquela época se chamava Chrysler Corporation, tinha em 1998 uma boa linha de produtos, altos lucros e otimismo para o futuro. Nos Estados Unidos suas marcas estavam sendo revigoradas com uma nova imagem de líderes. A Chrysler tinha o seu Chronos; a Dodge tinha o seu Viper de segunda geração; a Plymouth tinha o Prowler e o Pronto Spyder, com o PT Cruiser em planejamento. O Durango, o SUV da Dodge há muito esperado, foi introduzido no meio do ano, junto com a Ram cabine estendida, a Dakota R/T e o Jeep Grand Cherokee 5.9 Limited.

Ela estava lucrando alto (US$ 5,7 bilhões de lucro em 1998) e tinha tanto mais clientes fiéis, quanto novos clientes do que a média das outras empresas automobilísticas instaladas nos EUA. Cheques de distribuição de dividendos estavam sendo enviados anualmente, e seus fornecedores estavam recebendo a sua parte por terem economizado bilhões de dólares para a Chrysler todos os anos, graças ao seu Sistema de Empreendimento Estendido, ou Extended Enterprise System. Novos carros eram desenvolvidos em conjunto com os fornecedores, clientes e trabalhadores de linha de montagem, com melhorias mecânicas para fazerem deles carros mais confiáveis, mais fáceis de serem reparados, mais baratos e mais desejados. Cada veículo reprojetado parecia estar um passo a frente de seus competidores, e revistas americanas especializadas cobriam essas novidades com palavras positivas, ainda surpresas com o fato de que a "companhia dos carros-K" tinha ultrapassado os japoneses com o Neon e o Inteprid, tinha batido a Ford e a Chevy com a Dodge Ram, e tinha batido as mais tradicionais marcas de super carros da Europa com o Dodge Viper. Ainda na época do lançamento da primeira geração do Dodge Viper, o otimismo e o orgulho na Dodge era grande, e foi quando surgiu uma agressiva campanha publicitária para essa divisão da Chrysler, que denominava seus veículos como The New Dodge, nome que vinha na capa dos manuais de proprietários de seus veículos, e incluía desafios explícitos aos seus competidores em propagandas na televisão.

Na sua última prestação de contas ao público naquele ano, a Chrysler Corporation anunciou que os ganhos em vendas foram de 40,650 milhões de dólares para 45,805 milhões de dólares para o 3º trimestre de 1998. Seu braço financeiro havia ganho US$ 300 milhões a mais do que os primeiros três trimestres de 1997 juntos. O lucro líquido no terceiro quarto de 1998 teve um aumento de 2740 milhões de dólares - comparado ao já bom lucro líquido de 1950 milhões de dólares conseguido entre janeiro e setembro de 1997. 1998 estava se transformando em um ano de recordes. Eles haviam vendido 2.510.011 veículos nos EUA, um recorde e 9% a mais do que em 1997; e pela primeira vez, mais de 3 milhões de veículos pelo mundo (3.093.716 carros, sendo 300 mil no Canadá e 200 mil no resto do mundo). A companhia tinha 123.180 empregados, 5 mil a mais do que em 1997 (em 2007 a Chrysler tinha apenas 72.000 empregados). A Chrysler Corporation afirmava ter US$ 7,85 bilhões em caixa; sem mencionar os US$ 2 bilhões em benefícios, taxas e custos pagos de forma adiantada, 13500 milhões de dólares em títulos financeiros a receber, e vários outros ativos, totalizando US$ 60,4 bilhões, com obrigações pecuniária de US$ 49 bilhões. Suas posses, incluindo matérias primas, autopeças, e veículos em leasing, totalizavam 6000 milhões de dólares. A Chrysler também aparecia como sendo a empresa de mais rápido crescimentos dentro da indústria automobilística.

Em termos de confiabilidade de seus carros, um estudo da revista britânica de automóveis What Car? com 80 mil veículos em leasing, incluindo 422 veículos Chrysler no Reino Unido, na maioria Jeeps, com algumas minivans Chrysler Voyager e Chrysler Neons, concluiu que em 1997 15,8% dos carros da Chrysler tiveram algum problema mecânico. Em 1998, esse número caiu para 14,7%, número muito melhor do que os 27% de falhas mecânicas dos carros da Land Rover (que pertencia a BMW nessa época). A maioria desses problemas mecânicos foram causados por uma mangueira defeituosa que foi revisada em 1997, e constou num boletim de serviço e reparos gratuitos nas concessionárias. O número de Voyagers e Neons foi pequeno demais para ser listado separadamente.

Inaugurado em 1993, mas completado apenas em 1996, o Centro de Tecnologia Chrysler colocou juntos engenheiros de todas as disciplinas, todos no topo do maior e mais avançado centro de testes, capaz de produzir neve, fortes ventos e calor escaldante. Cobrindo uma área de 40 mil metros quadrados e representando um investimento de mais de US$ 140 milhões, os laboratórios ainda simulam desde centenas de condições de direção até tempo de produção, enquanto aumentam a confiabilidade do produto e a satisfação do consumidor.

A Dodge Dakota tinha sido totalmente reprojetado em 1997, e ganhou o apelido de "Baby Ram" devido ao seu estilo se parecer muito com a da Dodge Ram, sua irmã maior. Com uma sofisticada e bem acertada suspensão, a Dakota entregava um rodar luxuoso combinado com uma boa capacidade de fazer curvas, e uma alta capacidade de carga. Sob o capô estava o motor padrão AMC 2.5 litros e quatro cilindros, o 3.9 litros V6 e o 5.2 litros V8; o 5.9 litros V8 seria disponibilizado apenas em 1998 para a rápida Dakota R/T. Nesse ano, o Dodge Dakota batia recordes de vendas nos Estados Unidos, com mais de 150 mil unidades vendidas só em 1998.

Foi nesse ambiente de grande otimismo que a fábrica das picapes Dodge Dakota foi estabelecida em Campo Largo (PR), instalada em abril de 1998, ao custo de US$ 315 milhões. Era uma fábrica muito bem organizada, no "estado da arte" das fábricas de automóveishttp://www.allpar.com/ed/2003/future-of-chrysler.html. Empregava 250 trabalhadores, com previsão de empregar 400 trabalhadores.http://www.uel.br/pos/economia/material/2%20ECO%20113/umberto.pdf/, INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO PARANÁ: impactos na produção local e no Restante do Brasil - capítulo 2.3 Vários fornecedores de peças também fizeram investimentos para montar unidades fabris junto à Chrysler, como a fábrica de motores diesel Detroit Diesel e a fábrica de chassis Dana.http://bestcars.uol.com.br/pandini/106p.htm, Final Infeliz

Fabricantes de Auto-Peças e a Fábrica dos Dakota no Paraná

Em seu país de origem a Chrysler já vinha utilizando, desde os anos 90, o Sistema de Empreendimento Estendido, ou Extended Enterprise System. Esse é um método similar ao modo com que a indústria automotiva japonesa vinha se relacionando com seus fornecedores. Esse sistema de produção de automóveis também foi aplicado no Brasil, e junto com a vinda da Dodge em 1998, a fim de fabricar picapes Dodge Dakota em regime CKD, muitos fornecedores de peças se instalaram em torno da fábrica de Campo Largo, no Paraná.

Dentre esse fornecedores, a fábrica de motores Detroit Diesel foi instalada com um investimento inicial de US$ 130 milhões, com capacidade de produzir 11.000 motores por ano, e empregava 71 trabalhadores, com previsão de empregar 220 trabalhadores quando atingisse sua plena capacidade de produção.http://www.uel.br/pos/economia/material/2%20ECO%20113/umberto.pdf/, INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO PARANÁ: impactos na produção local e no Restante do Brasil - capítulo 2.3

Abaixo segue a lista dos fornecedores de peças nacionais para o Dodge Dakota brasileiro, bem como as partes que forneciamhttp://www.uel.br/pos/economia/material/2%20ECO%20113/umberto.pdf/, INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO PARANÁ: impactos na produção local e no Restante do Brasil - capítulo 2:

FORNECEDOR PARTE EMPREGOS PREVISTOS EMPREGOS CRIADOS Alpine Rádio Cassete * * Blindex Vidros * * Cofap Amortecedores * * Dana Rolling Chassis 40 52 Detroit Diesel Motores diesel 200 71 Delphi Direção Hidráulica * * Eaton Sistema de direção * * Goodyear Pneus * * Hayes Rodas * * ITT Sistema de freios * * Lear Corp Assentos 40 41 Meritor Rodas * * Moura Baterias * * PPG Pintura * * Solvay Tanque de combustível * * Walker Escapamentos * *

Cronologia de lançamento dos modelos da picape Dodge Dakota no Brasil

1998 - inaugurada a fábrica em junho. A picape Dakota estava disponível apenas nas versões de cabine simples (modelos com acabamento Básico e Sport) e cabine estendida (apenas modelo com acabamento Sport). O modelo com acabamento Básico vinha apenas com o motor a gasolina de 2.5 litros, enquanto que a versão com acabamento Sport vinha com um dos mais potente motor de um veículo fabricado no Brasil naquele ano, um motor V6 a gasolina, que só não era mais potente que o V6 de 4.3 litros da Chevrolet S10. São produzidas 3.642 picapeshttp://www.uel.br/pos/economia/material/2%20ECO%20113/umberto.pdf/, INDÚSTRIA AUTOMOBILÍSTICA NO PARANÁ: impactos na produção local e no Restante do Brasil - item 2.3.