200px|right|thumb|O cavaleiro, herói ideal da Idade Média A prosa medieval é um ciclo de histórias, geralmente com temas ligados à cavalaria, que dominaram o período medieval.

Divisão Pode ser dividida em quatro tipos de narrativas: Cronicões: narrativas de fatos históricos importantes colocados em ordem cronológica, entremeados de fatos fictícios; Hagiografias: narrativas que contam a vida de santos (biografias); Nobiliários: ou livros de linhagens, relatórios a respeito da vida de um nobre, sua árvore genealógica (antepassados), relação das riquezas e dos títulos de nobreza que possui, etc.; Novelas de Cavalaria: narrativas literárias em capítulos que contam os grandes fatos de um herói (acompanhado de seus cavaleiros), entremeados de célebres histórias de amor.

Tais histórias de amor não são melancólicas e platônicas como o que aparece nas cantigas: o herói cultua a amada, mas não se contenta apenas em vê-la; ele quer e é correspondido pela amada, que por ser casada (ou religiosa: "casada com Cristo"), torna-se adúltera para concretizar o seu amor; os obstáculos incentivam o herói na fase de conquista, ao invés de torná-lo impotente como acontece nas cantigas; a esse amor físico, adúltero, presente nas novelas e xácaras medievais, dá-se o nome de amor cortês, em que o casal central não tem final feliz e é severamente punido pelo pecado cometido. Os heróis medievais não têm a força física exagerada dos heróis da antiguidade clássica, mas são sempre jovens, belos e elegantes. Suas amadas são sempre "as mais belas do reino".

Ciclos A maioria das novelas de cavalaria em língua portuguesa são traduções ou adaptações de novelas francesas ou inglesas. Dependendo de quem é o herói principal da novela, ela faz parte de um dos seguintes ciclos: Ciclo clássico: conjunto de novelas de cavalaria que narram as façanhas de heróis da Antiguidade; Ciclo carolíngio ou francês: novelas cujo herói é Carlos Magno; Ciclo arturiano ou bretão: as novelas deste ciclo são as mais famosas, adaptadas e traduzidas; o herói dessas novelas é o Rei Artur, sempre acompanhado de seus célebres cavaleiros da távola redonda.

Essa Matéria da Bretanha é uma das fontes que dão origem às novelas de cavalaria portuguesas: tanto que as novelas portuguesas mais importantes pertencem ao Ciclo Arturiano ou Bretão, como "José de Arimatéia", "História de Merlin", etc. As novelas mais marcantes porém são: A Demanda do Santo Graal: narra a busca do cálice sagrado pelo rei Artur e os cavaleiros da távola redonda; Amadis de Gaula, de autoria de Vasco ou João de Lobeira. Palmeirim de Inglaterra, de Francisco de Moraes Cabral

As novelas de cavalaria portuguesas também são inspiradas nas Canções de Gesta ou Matéria de França (cantigas que homenageavam os heróis e seus feitos). A prosa medieval portuguesa, como se pode concluir, é predominantemente do gênero épico.

A Literatura Medieval Portuguesa expressa a simplicidade, a ingenuidade e a passividade do homem medieval e contém marcas do contexto em que foi produzida. Completamente dominado pelo medo do pecado e com o objetivo de agradar sempre a Deus, o homem medieval ainda consegue fazer uma literatura que em determinados momentos rompe com esse domínio: é o caso das novelas de cavalaria, dos romances ou xácaras. O segundo período medieval vai mostrar que esse "rompimento" vai aumentando com o passar do tempo, até que o homem consegue sair das trevas medievais definitivamente.

Categoria:Literatura da Idade Média