miniatura|Baianas de acarajé em festa folclórica em Caetité, em 2007.

Símbolos da Bahia abrangem tanto os três símbolos oficiais definidos constitucionalmente na esfera estadual, quanto representações simbólicas do estado brasileiro da Bahia estabelecidas na esfera federal, em outras definições legais estaduais e também aquelas estabelecidas sem qualquer cunho oficial. Nesse rol variado, há bandeira, brasão, hino, data magna, cidades capitais, abreviaturas e encômios, heróis e heroínas nacionais, orago, ofício, seres vivos (frutos, plantas, ave), corpos naturais (mineral, estrela), instrumento musical, além de um conjunto de patrimônios culturais representativos da identidade baiana.

Nesse contexto, a baianidade representa o modo de ser da população baiana e suas particularidades e constroem a imagem da Bahia, o jeito baiano. Entretanto, esse imaginário não é o mesmo ao longo da história. Assim, no início do século XX a partir de obras de Jorge Amado e Dorival Caymmi, simbolizam a Bahia a combinação entre bucolismo, praia e folclorização por meio da preguiça e da malemolência. Com o avanço da modernização urbano-industrial capitalista na segunda metade do século XX, esses elementos foram enquadrados no desenvolvimento econômico do estado via planejamento da atividade econômica do turismo a fim da construção da "baianidade turística", iconizada no Centro Histórico de Salvador após a reforma. Para isso, foram somadas a patrimonialização de monumentos históricos, a vida urbana intensa e a promoção de grandes espetáculos (carnaval e concertos musicais), destacando a afrodescendência (em sua estética, expressões musicais e gingado) sob o mito do "paraíso racial". Essa baianidade turística tem com símbolos a felicidade, festa, sol eterno, calor, praia, carnaval, axé, hospitalidade, tolerâncias racial, cultural e religiosa, além de se mostrar como uma unidade, quando são características folclorizadas de Salvador e do restante do Recôncavo Baiano.

Oficiais Conforme definidos constitucionalmente em 1989, a Bahia tem três símbolos em caráter oficial: uma bandeira, um brasão de armas e um hino.ALVES. Derly Halfeld. Bandeiras: nacional, históricas e estaduais. Brasília. Edições do Senado Federal, 2011. ISBN 978-85-7018-358-3. Em 2011, o então governador Jaques Wagner editou o Decreto n. de 2 de dezembro de 2011 com normas do cerimonial do poder executivo baiano, dentre as quais aquelas relativas ao uso da Bandeira Estadual da Bahia e do Hino Oficial do Estado da Bahia.

Anteriormente, a primeira constituição baiana, de 1891, não mencionou qualquer símbolo representativo para o estado. A Constituição do Estado da Bahia de 1935 estabeleceu dentre suas disposições gerais que "O Estado e os Municípios adotarão a bandeira, o hino, o escudo e as armas nacionais, sem prejuízo, porém, da faculdade de estes e aquele instituírem, por lei, escudo e insígnias próprias, para as coisas de seu domínio, uso e economia, respeitada a legislação federal sobre o assunto." Porém, a ditadura do Estado Novo (1937-1945), em nome de uma unidade nacional, vetou o uso de símbolos estaduais, o que ficou em vigor até a revisão do assunto pelos constituintes e revogação com a promulgação da Constituição brasileira de 1946. Assim, a constituição baiana de 1947 previu como símbolos apenas o hino e o brasão de armas em vigor até então. Já a Constituição Estadual de 1967 introduziu dentre suas disposições preliminares que "São símbolos do Estado a bandeira, as armas e o hino vigorantes na data da promulgação desta constituição, ou os que forem adotados em lei".

Bandeira

Brasão de armas

Hino

Outros definidos estadualmente miniatura|Pavilhão Dois de Julho, onde se encontram as figuras do Caboclo e da Cabocla, símbolos da Independência

Para além dos três símbolos definidos expressamente como "símbolos oficiais" na constituição baiana, há outros símbolos definidos no âmbito legal do estado da Bahia. A Constituição do Estado da Bahia de 1989, no parágrafo segundo do seu artigo sexto, definiu a data de 2 de julho como a data magna do estado, colocada de forma à parte do trio de símbolos oficiais. Esse dia é um feriado estadual, uma comemoração cívica em referência à consolidação da Independência do Brasil na Bahia, comumente referida como a “independência da Bahia”. Ela difere do Sete de Setembro, por representar o esforço coletivo (e não decisões de elites), a defesa contínua da liberdade (e não um episódio único conclusivo), a conquista da liberdade com resistência e união (e não algo meramente simbólico e diplomático).

Além da data magna, a mesma constituição designa uma cidade capital para o estado: Salvador, função que exerce desde sua fundação no período colonial e lhe rende a designação "Cidade da Bahia". Contudo, a capital estadual é transferida temporariamente em duas ocasiões para outro município. Cachoeira, de acordo com a Lei Estadual 10.695 de 2007, torna-se no dia 25 de junho de todos os anos (desde 2008) a capital em reconhecimento histórico pelas lutas na Independência da Bahia. E Porto Seguro vira capital no dia 22 de abril, desde 2016, em referência à chegada dos portugueses em 1500 à região do Monte Pascoal.

Noutro campo, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) reconhece na esfera estadual os patrimônios culturais representativos da história e cultura baianas. Eles são símbolo da identidade baiana e abrangem o patrimônio material e o imaterial.

Definidos nacionalmente thumb|Constelações representadas na bandeira brasileira, dentre as quais a mais acima do grupo 6 (constelação do Cruzeiro do Sul) representa a Bahia

A Bahia também é representada por símbolos definidos nacionalmente. Dentre eles, está a representação do estado da Bahia na Bandeira do Brasil pela estrela Gamma Crucis ( ) da constelação do Cruzeiro do Sul (). A Gama do Cruzeiro do Sul é a estrela posicionada muito próxima ao centro do losango amarelo e a mais acima dentre as cinco da constelação.

O Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves reconhece heroínas e heróis nacionais do país, listando personalidades baianas como Maria Filipa de Oliveira, Joana Angélica, Maria Quitéria e João das Botas pelo heroísmo na independência do Brasil na Bahia, João de Deus Nascimento, Manuel Faustino dos Santos Lira, Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas do Amorim Torres pelo heroísmo na Revolta dos Búzios, Luís Gama pelo heroísmo na abolição da escravidão no Brasil, e Ruy Barbosa.

Em publicações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bahia tem seu nome comumente abreviado com a sigla BA, ao menos desde a década de 1940.Divisão territorial do Brasil , Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1945.Divisão territorial do Brasil , Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1965.

Como instituição nacional brasileira encarregada dos assuntos referentes ao patrimônio histórico no país, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) registra os patrimônios materiais e inscreve os patrimônios imateriais. Nos dois tipos, há patrimônios ligados à Bahia, ou seja, simbólicos do estado. Na lista de imateriais, estão a roda de capoeira, os ofícios dos mestres de capoeira e das baianas de acarajé, o samba de roda do Recôncavo Baiano e a Festa do Senhor Bom Jesus do Bonfim. Nesse sentido, Milton Moura descreveu a capoeira como "manifestação cultural que configura e constitui historicamente um modo de ser baiano". Já as baianas de acarajé com sua vestimenta levam o gentílico do estado no nome do ofício e são símbolos da Bahia — por extensão, da cultura popular brasileira também — bastante explorados para a promoção turística do estado no resto do Brasil e no mundo.

Não oficiais miniatura|Alegoria personificada da Bahia, componente do Monumento ao Dois de Julho, no Largo do Campo Grande em Salvador miniaturadaimagem|O umbuzeiro carregado de frutos Em âmbitos fora do governo, outros símbolos foram atribuídos ao estado. O curió (Sporophila angolensis), um pássaro nativo no estado, foi alçado como a ave-símbolo da Bahia no livro As aves-símbolos dos estados brasileiros, de 2003, em função de associação feita pelo zoólogo brasileiro Olivério Mário de Oliveira Pinto com sua abundância na Bahia e o tráfico que existia desde lá para o litoral atlântico africano. Essa representação não oficial é difundida desde então.

São recorrentes também indicações de que o berimbau é o instrumento musical que simboliza a Bahia.

Já o umbuzeiro é referido como “árvore sagrada do Sertão”, símbolo do semiárido brasileiro e, também, árvore-símbolo do sertão da Bahia.

A Igreja Católica instituiu em 1971, pelo Papa Paulo VI, Nossa Senhora da Conceição da Praia como Padroeira do Estado da Bahia, atendendo solicitações de Avelar Brandão Vilela, então arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, após tornar basílica a Igreja da Conceição da Praia, em Salvador. Trata-se de um título de Maria relacionado ao mais amplo "Nossa Senhora da Conceição" e cujo dia comemorativo é o 8 de dezembro.

Adicionalmente, ao longo da história, a Bahia recebeu diversos encômios como Boa Terra e Terra da Felicidade, por causa da recorrente caracterização de sua população como alegre e festiva. Por outro lado, a ocorrência de certos frutos, plantas e minerais no estado também ocasionaram referências à Bahia em seus nomes, tal como coco-da-baía, laranja-da-baía, jacarandá-da-baía, sambaíba-da-baía e bahianita. E similar à abreviatura do IBGE, o padrão ISO 3166 publicado pela Organização Internacional para Padronização (ISO) definiu o código BR-BA para simbolizar o estado.

No âmbito das discussões do centenário da Independência do Brasil, houve proposta de um monumento com representações de cada um dos estados, no qual a Bahia seria representada por "uma indígena, cristianizada, seminua, genuflexa, conchegando ao seio de uma cruz", em função do processo colonial de catequização das populações indígenas para a Igreja Católica ter início na Bahia.

O Carnaval de Salvador e alguns de seus blocos (como o Ilê Aiyê e o Filhos de Gandhy) são símbolos representantes de baianidade, muitas vezes transformados em produtos turísticos. São referidos ainda como símbolos de baianidade: o Elevador Lacerda, a fita do Senhor do Bonfim, a expressão "baianidade nagô" (com canção homônima de axé).

Ver também Monumento ao Caboclo Obelisco da Bahia Hino ao Senhor do Bonfim Fita do Senhor do Bonfim Carnaval de Salvador Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira

Ligações externas Itens registrados no Wikidata nomeados em referência à Bahia