A superinteligência, hiperinteligência ou inteligência sobre-humana é um agente hipotético que possui uma inteligência superior à das mentes humanas mais brilhantes e bem-dotadas. O filósofo Nick Bostrom define o termo como "qualquer intelecto que exceda grandemente o desempenho cognitivo dos seres humanos em praticamente todos os domínios de interesse".

Os pesquisadores de tecnologia divergem sobre a probabilidade de a inteligência humana atual ser superada. Alguns argumentam que os avanços na inteligência artificial (IA) resultarão em sistemas de raciocínio geral desprovidos das limitações cognitivas humanas. Outros acreditam que os humanos evoluirão ou modificarão diretamente a sua biologia para alcançar uma inteligência radicalmente maior. Vários cenários da futurologia combinam elementos de ambas as possibilidades, sugerindo que os humanos provavelmente utilizarão interfaces cérebro-computador ou farão o upload de suas mentes para máquinas, o que permitiria uma amplificação substancial da inteligência. A criação hipotética da primeira superinteligência pode ou não resultar de uma explosão de inteligência ou de uma singularidade tecnológica.

Alguns especialistas acreditam que a superinteligência surgirá logo após o desenvolvimento da inteligência artificial geral (AGI). As primeiras máquinas com inteligência geral teriam imediatamente uma enorme vantagem em várias capacidades mentais, incluindo a memória fotográfica perfeita, uma base de conhecimento vastamente superior e a capacidade de realizar múltiplas tarefas de maneiras impossíveis para entidades biológicas.

Vários cientistas têm defendido a priorização de pesquisas sobre os possíveis benefícios e riscos do aprimoramento cognitivo de humanos e máquinas, devido ao imenso impacto social que tais tecnologias poderiam causar.

Superinteligência Artificial (ASI) miniaturadaimagem|direita|A inteligência artificial tem feito progressos rápidos e superado as capacidades humanas em vários testes de referência.

O filósofo David Chalmers argumenta que a inteligência artificial geral é um caminho muito provável para a superinteligência artificial (ASI). Chalmers divide essa afirmação no argumento de que a IA pode alcançar a "equivalência" com a inteligência humana, pode ser "estendida" para superá-la e, por fim, pode ser "amplificada" para dominar completamente os humanos em tarefas arbitrárias.

Em relação à equivalência, Chalmers argumenta que o cérebro humano é um sistema mecânico e, portanto, deveria ser emulável por materiais sintéticos. Ele também observa que a inteligência humana evoluiu biologicamente, tornando provável que engenheiros consigam recapitular essa invenção. Algoritmos evolutivos, em particular, deveriam ser capazes de produzir uma IA de nível humano. Quanto à extensão e amplificação, Chalmers afirma que novas tecnologias de IA podem ser aprimoradas continuamente, algo especialmente provável quando a própria invenção puder ajudar no design de tecnologias ainda mais avançadas.

Um sistema de IA capaz de se aprimorar poderia aumentar a sua própria inteligência e se tornar mais eficiente na tarefa de melhorar a si mesmo. Esse ciclo de "autoaperfeiçoamento recursivo" poderia causar uma explosão de inteligência, resultando na criação de uma superinteligência.

Os componentes dos computadores já superam amplamente o desempenho humano em velocidade. Os neurônios biológicos operam a uma velocidade máxima de cerca de 200 Hz, o que é sete ordens de grandeza mais lento que um microprocessador moderno. Além disso, os neurônios transmitem sinais através de axônios a não mais de 120 m/s, enquanto os núcleos de processamento eletrônico podem se comunicar quase à velocidade da luz. Assim, o exemplo mais simples de uma superinteligência poderia ser uma mente humana emulada rodando em um hardware muito mais rápido que o cérebro.

Outra vantagem dos computadores é a modularidade, o que significa que seu tamanho ou capacidade computacional pode ser aumentado com facilidade. Um cérebro não biológico poderia se tornar muito maior que o cérebro humano atual, operando de forma semelhante a supercomputadores. Nick Bostrom também levanta a possibilidade de uma "superinteligência coletiva", formada por um grande número de sistemas de raciocínio separados que, se comunicassem e se coordenassem bem o suficiente, poderiam agir em conjunto com capacidades muito maiores do que qualquer agente individual.

Projetos e desenvolvimentos Em 2024, o pesquisador Ilya Sutskever deixou a OpenAI para cofundar a Safe Superintelligence Inc., uma startup focada exclusivamente na criação de uma superinteligência que seja segura por design, evitando as distrações impostas por ciclos de produtos ou pressões de gestão. Em 2025, a Meta criou o Meta Superintelligence Labs, uma nova divisão de ponta liderada por Alexandr Wang.

Superinteligência biológica O astrônomo Carl Sagan sugeriu que o advento das cesarianas e da fertilização in vitro poderia permitir que os humanos evoluíssem cabeças maiores, resultando em melhorias através da seleção natural no componente hereditário da inteligência humana. Em contraste, pesquisadores como Gerald Crabtree argumentam que a diminuição da pressão seletiva na sociedade moderna está resultando em uma redução lenta e secular da inteligência humana. Não há consenso científico sobre essas possibilidades, mas, em ambos os casos, a mudança biológica natural seria muito lenta.

A reprodução seletiva, os nootrópicos, a modulação epigenética e a engenharia genética poderiam melhorar a inteligência humana de forma mais rápida. Bostrom escreve que se compreendermos o componente genético da inteligência, o diagnóstico genético pré-implantação poderia ser usado para selecionar embriões com ganhos massivos de QI ao longo de várias gerações. Uma sociedade bem organizada de humanos com alta inteligência poderia potencialmente alcançar uma superinteligência coletiva.

Um método final de amplificação da inteligência seria aprimorar diretamente os indivíduos através de terapias genéticas somáticas ou interfaces cérebro-computador. No entanto, o design de uma interface ciborgue superinteligente é considerado um problema técnico tão complexo quanto o próprio desenvolvimento de uma IA autônoma.

Previsões A maioria dos pesquisadores de IA espera que as máquinas consigam rivalizar com os humanos em inteligência, embora haja pouco consenso sobre quando isso acontecerá. Em uma pesquisa de 2022, o ano mediano esperado pelos entrevistados para o surgimento de uma "inteligência de máquina de alto nível" foi 2061.

Em 2023, líderes da OpenAI, como Sam Altman e Ilya Sutskever, publicaram recomendações sobre a governança da superinteligência, prevendo que ela poderia surgir em menos de dez anos. Relatórios e análises recentes indicam que as pesquisas com especialistas preveem o advento da AGI e de capacidades sobre-humanas por volta da década de 2040.

Considerações de design Ao explorar as possíveis motivações de uma superinteligência artificial, Bostrom faz uma distinção entre objetivos finais e objetivos instrumentais. Ele propôs a "tese da ortogonalidade", que postula que quase qualquer objetivo final pode ser combinado com praticamente qualquer nível de inteligência. Além disso, o conceito de "convergência instrumental" sugere que certos objetivos (como autopreservação ou aquisição de recursos) aumentam a probabilidade de alcançar a meta final e seriam perseguidos por um amplo espectro de agentes inteligentes.

O filósofo William MacAskill argumentou que alinhar a superinteligência com os valores humanos atuais poderia ser catastrófico se esses valores fossem permanentemente fixados, considerando que a humanidade ainda pode ter pontos cegos morais graves (assim como teve com a escravidão no passado).

Várias propostas para os objetivos finais de uma ASI foram apresentadas, como a "vontade extrapolada coerente" (que foca nos valores que os humanos teriam se fossem mais conhecedores e racionais), a retidão moral (programar a IA para fazer o que é moralmente correto de forma autônoma) e a permissibilidade moral (manter a IA dentro dos limites do que é moralmente permitido enquanto busca outros objetivos).

Ver também Alinhamento da inteligência artificial Aprendizado de máquina Filosofia da inteligência artificial Inteligência artificial geral Singularidade tecnológica Transumanismo

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