Yolanda de Ataliba Nogueira Penteado (Leme, 6 de janeiro de 1903 – Stanford, 14 de agosto de 1983) foi uma mecenas, colecionadora de arte e fazendeira brasileira. Ligada à elite cafeeira paulista, destacou-se pelo apoio às artes visuais e pela atuação, ao lado de Francisco Matarazzo Sobrinho, na criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e na organização das primeiras edições da Bienal de São Paulo.
Sobrinha da colecionadora Olívia Guedes Penteado, recebeu de Mário de Andrade a alcunha de "Nossa Senhora do Brasil", em referência à sua atuação como anfitriã e incentivadora de artistas e intelectuais. Ficou conhecida também como "caipirinha de Leme", alusão à sua origem no interior paulista.
Biografia
Família e primeiros anos Yolanda nasceu em 6 de janeiro de 1903, na Fazenda Empyreo, em Leme. Era filha de Juvenal Leite Penteado e de Guiomar de Ataliba Nogueira, ambos naturais de Campinas. Aos sete anos, mudou-se com a família para a cidade de São Paulo.
Pertencia à família Penteado e era sobrinha de Olívia Guedes Penteado, colecionadora e incentivadora do modernismo brasileiro. Em seu livro de memórias, Yolanda afirmava descender de João Ramalho e da indígena Bartira, associados aos primeiros povoadores europeus da região de São Paulo.
Em 1921, casou-se com Jayme Nogueira da Silva Telles, de quem se separou em 1934. Em dezembro de 1946, casou-se com o industrial e mecenas Francisco Matarazzo Sobrinho, conhecido como Ciccillo Matarazzo. O casal separou-se em 1961, ano em que Yolanda também se afastou da organização da Bienal de São Paulo.
Mecenato e colecionismo Depois de seu casamento com Ciccillo Matarazzo, Yolanda participou da formação de uma coleção de arte moderna que contribuiria para o acervo inicial do MAM-SP, fundado em 1948. Em 1951, o museu promoveu a I Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo, presidida por Matarazzo e dirigida artisticamente por Lourival Gomes Machado. O MAM atribui a criação do evento à iniciativa de seus patronos, Ciccillo e Yolanda.
A primeira bienal foi inaugurada em outubro de 1951 e reuniu obras de artistas brasileiros e estrangeiros. Entre suas premiações havia um prêmio de desenho instituído por Olívia Guedes Penteado. Yolanda e Ciccillo também organizaram a segunda edição, realizada em 1953 como parte das comemorações do Quarto Centenário de São Paulo. O principal destaque da mostra foi a apresentação de Guernica, de Pablo Picasso.
Yolanda voltou a colaborar com a Bienal em sua quinta edição, realizada em 1959, e desligou-se da instituição em 1961. No ano seguinte, a Bienal separou-se do MAM-SP com a criação da Fundação Bienal de São Paulo. O Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP), criado em 1963, recebeu o acervo do antigo MAM, constituído pelas coleções particulares de Yolanda e Ciccillo, pelas obras adquiridas pelo museu e pelos prêmios das bienais realizadas até 1961.
Atuação rural Na administração da Fazenda Empyreo, Yolanda substituiu parte dos cafezais pelo cultivo de algodão, introduziu máquinas agrícolas e diversificou a produção durante a Segunda Guerra Mundial, incluindo a criação do bicho-da-seda. Foi também idealizadora e fundadora do Clube de Campo Empyreo, instalado em terras da antiga fazenda, no qual recebeu o título de sócia número 0001.
Obra literária Em 1976, Yolanda publicou pela editora Nova Fronteira o livro de memórias Tudo em cor-de-rosa, reeditado no ano seguinte. A obra continha textos introdutórios de Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre. Em ensaio sobre o livro, Joaquim Alves de Aguiar qualificou-o como um "testemunho proustiano da cultura no Brasil" e analisou sua representação dos costumes da elite paulista do século XX.
Morte Yolanda Penteado morreu em 14 de agosto de 1983, aos 80 anos, em um hospital da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, onde estava internada havia aproximadamente um ano. Seu corpo foi cremado e as cinzas foram levadas ao Brasil e espalhadas nas terras da Fazenda Empyreo.
Representação na cultura Yolanda foi interpretada por Ana Paula Arósio na minissérie Um Só Coração, exibida pela TV Globo em 2004.
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