A Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima é um templo católico localizado na freguesia de Avenidas Novas, antiga freguesia de Nossa Senhora de Fátima, na cidade de Lisboa, em Portugal.Ficha na base de dados SIPA
Igreja-sede da paróquia lisboeta de Nossa Senhora de Fátima, foi projetada por Porfírio Pardal Monteiro e é uma obra marcante do modernismo nacional. Foi o primeiro templo católico a ser construído em Lisboa após a implantação da República Portuguesa (1910).
A Igreja de Nossa Senhora de Fátima está classificada como Imóvel de Interesse Público desde 1971.
Historial thumb|250px|Igreja de Nossa Senhora de Fátima, c. 1938 O projeto foi encomendado a Pardal Monteiro em 1933 pela Sociedade Progresso de Portugal, tendo demorado um ano a realizar; teve colaboração de Raul Rodrigues Lima e de alguns estudantes então a trabalhar no ateliê de Pardal Monteiro, onde se destaca João Faria da Costa. A igreja foi consagrada em Outubro de 1938, sendo galardoada com o Prémio Valmor desse ano. Apesar do apoio expresso por parte da igreja, a modernidade do edifício seria contestada pelos meios mais conservadores da sociedade portuguesa.Tostões, Ana – Fotobiografias Século XX: Pardal Monteiro. Lisboa: Círculo de Leitores, 2009, p. 91, 92. ISBN 978-972-42-4517-1
O arquiteto fez coincidir a forma com o sistema estrutural, que foi deixado à vista no interior, sendo o volume desenhado a partir dos pórticos ritmados e repetidos como lâminas. "Essa estrutura foi envolvida por uma caixa formando a nave principal com uma cobertura em terraço plano, que se articula com os volumes mais baixos das duas naves laterais, e ainda com os corpos assumidos do batistério e da torre única e assimétrica na fachada, de formas puras". Herdeira de traços da art déco, patentes na fragmentação dos volumes e no modo como estes estão ornamentados, "a linguagem moderna reside essencialmente na assimetria, na cobertura em terraço e na exteriorização do programa e da estrutura".
O edifício teve colaboração artística de Francisco Franco (Friso dos Apóstolos no pórtico de entrada), Almada Negreiros (vitrais), Leopoldo de Almeida (escultura da Virgem e os pastorinhos de Fátima; Ressurreição de São Lázaro; São João Baptista), Barata Feyo, Anjos Teixeira, Raul Xavier, António da Costa, Henrique Franco (pintura mural da via sacra) e Lino António (frescos dos arcos e do coro alto, considerados os primeiros frescos num edificio público moderno em Portugal).
Projecto Após a escolha da comissão delegada para a construção da igreja e o seu arquitecto, surge a escolha do lugar. Este, é o talhão contornado pelas Avenidas de Berna, Marquês de Tomar, Barbosa da Bocage e a Rua Poeta Mistral, por estas reunirem um grande número de condições favoráveis para a sua implantação. Tais como, a posição central em relação aos limites da freguesia que viria a ser criada. A orientação do edifício, não sob ponto de vista litúrgico mas quanto a valorização estética do local. Quanto a orientação, duas soluções foram apresentadas como viáveis, uma orientando o edifício ao Norte, nesse caso para a Avenida de Berna, por ser a artéria mais importante, e a outra orientação seria a Nascente. A primeira solução infelizmente teve de ser abandonada porque implicava a compra de todo o quarteirão e consequentemente o desperdício de fundos que mais tarde iriam afectar os planos grandiosos para a futura construção. Sem mencionar que alguns proprietários de alguns lotes não estavam dispostos a vender as suas partes. A segunda embora com todos os inconvenientes da futura vizinhança de construções de destino e de arquitectura muito diferente, apresentava entre outras vantagens, a de não se gastar quantias avultadas no terreno e de permitir a colocação da igreja como fundo de perspectiva da Avenida Elias Garcia. E assim foi essa por consequência adoptada apesar dos seus inconvenientes. E assim no ano da publicação do seu projecto, em 1934, a igreja começa a ser construída, com uma planta rectangular irregular, dividida entre igreja e um centro paroquial, separados apenas por um pequeno corredor longitudinal pavimentado de calçada de calcário. Igreja formada por três naves escalonadas, sendo a central mais larga sem colunas, pilares ou outro qualquer elemento de estrutura que estorvasse a vista do altar, tendo cerca de dezoito metros de largura podendo albergar até oitocentas pessoas sentadas. Adossadas a nave central estão seis capelas três de cada lado, antecedidas por exo nártex, que apenas dá para esta nave central, tendo o baptistério e a torre sineira adossados ao lado direito, com uma capela-mor estrita com várias dependências adossadas à fachada posterior, dando origem as capelas mortuárias no piso térreo e as dependências paroquiais no piso superior, com coberturas diferenciadas em terraços não acessíveis, de betão com tela asfáltica e material drenante, formado por gravilha. Fachadas As fachadas da igreja são percorridas por um alto embasamento de cantaria cinza saliente, coroado por placas do mesmo material, interrompidas equidistantes por frisos salientes de calcário, as paredes à cima rebocadas e pintadas de branco, rematadas por friso de betão. A fachada principal, orientada a Este, marcada no seu lado esquerdo por um cunhal mais alto que o edifício, onde é erguida uma imagem do orago, em cantaria de calcário, evocando o Art Déco é rasgada por três janelões retangulares divididos por molduras salientes e protegidos por vitral. Na zona inferior, o corpo saliente do exo nártex, coroado por treze edículas retangulares em que cada uma alberga um apóstolo, marcado por um amplo vão rectangular. Anda essa fachada é flanqueada por dois corpos de menores dimensões, marcando os vestíbulos e as naves laterais, surgindo no lado direito, a torre sineira, quadrangular, mas com ângulos truncados por pequenos ressaltos, rematada em coruchéu octogonal, com um cata-vento de bronze no topo, cada face é rasgada por cinco pequenas frestas que dão luz as escadas de acesso às sineiras, estas protegidas por adufas geométricas, a frontal e posterior ostentando a enorme cruz latina. Ao lado da torre, como um corpo individualizado, mas articulado com a igreja, está o Baptistério, de planta circular e cobertura em falsa cúpula escalonada em betão com uma cruz no vértice, toda a sua superfície é revestida a cantaria de liós, com os habituais frisos salientes cinzas, tendo no lado NE., sete vãos rectilíneos divididos por colunas cilíndricas protegidos por vitrais. O nártex acede ao templo por portal axial de verga recta, amplo e com duas folhas de madeira e por duas portas laterais, com o mesmo perfil mas só com uma folha de madeira, estas duas portas dão acesso a dois pequenos vestíbulos. As fachadas laterais possuem características semelhantes a principal, tendo no corpo da nave um ressalto e seis pequenos contrafortes que ajudam a escorar a cobertura interna onde surgem cinco frestas longilíneas protegidas por vitral. Num nível inferior, os corpos das naves laterais são iluminadas por frestas rasgadas nas faces laterais. A fachada posterior é marcada por um presbitério sem vãos e ligeiramente mais estreito que a nave, a capela-mor forma um polígono de cinco faces, marcadas por contrafortes de cantaria, sendo estas faces totalmente preenchidas por vitrais, inscritos em quadrados com molduras vazadas. Na base da capela-mor está um corpo de dois pisos, o primeiro corresponde às capelas mortuárias, rasgadas por sete janelas rectilíneas, e no segundo piso está a zona do cartório e da sacristia, com igualmente sete janelas mas nesse caso angulares, com molduras recortadas superiormente. Interior O interior da igreja é composto por quatro vestíbulos em cada ângulo, revestidos a cantaria com tectos planos e pavimento em lajeado, possuindo uma porta principal de acesso e uma de acesso aos anexos. Tem três naves de oito tramos, o primeiro ocupado pelo coro-alto, separadas por amplos pilares de cantaria, onde surgem as cruzes de sagração pintadas de dourado, ao longo das quais estão exteriormente dois corredores junto à cobertura que funcionam como piso técnico para ventilação lateral e acesso aos holofotes de iluminação e manuseamento dos candeeiros da nave central. As paredes apresentam alto lambril de cantarias, com a zona superior e coberturas pintadas de azul. O pavimento é em cantaria de calcário com parquet na zona dos bancos dos assistentes e coberturas diferenciadas, planas e em betão, cortada, na nave central por sete arcos diafragma de perfil apontado também em betão e possuindo as zonas superiores vazadas em quadrículas ornada com candelabros, cálices, pombas e cruzes de cristo e o intradorso pintado com estrelas. Junto aos portais encontramos pias de água benta em mármore preto de perfis poligonais com um nicho da mesma forma assentes sobre mísula. O coro-alto em betão com guarda plena pintada com a coroação da Virgem ao centro flanqueada pelas figuras de São Teotónio, Bento Nuno Álvares, João de Deus, São Gonçalo, Santo António e São João de Brito, surgindo no lado oposto as Virgens Júlia e Máxima, Beata Teresa, Santa Isabel, Santa Luzia e Beata Beatriz. Sobre o coro ergue-se um grande órgão e é iluminado por vãos protegidos por vitral, compondo uma crucificação tripartida. As frestas existentes nas naves também em vitrais apresentam imagens da virgem, com dez invocações e cenas bíblicas ou profanas. Em cada uma das naves laterais abrem três capelas de perfil poligonal, revestidas a brecha da Arrábida, iluminadas por duas frestas com vitrais a representar turíbulos. São dedicadas a Santo António, Nossa Senhora do Carmo e Sagrado Coração de Jesus, no lado do Evangelho, surgindo, no oposto, Santa Teresinha, São José e Nossa Senhora das Dores. Nos ângulos das naves surgem dois espaços rasgados no muro com acesso por um degrau onde estão quatro confessionários e no lado oposto dois, todos eles em madeira. No centro do altar está a pia baptismal circular metálica, centrada pela figura de São João Batista. O presbitério é marcado por grande arco onde estão inscritos símbolos salvíficos, identificados por dísticos latinos. Este altar-mor é em cantaria por detrás do qual surge o sacrário embutido num cibório composto também por base de cantaria onde surge uma estrutura de quatro pilares que sustentam a cobertura piramidal, forrada a mosaico dourado e com símbolos eucarísticos que amparam trono expositivo de cinco degraus escalonados, tendo este o acesso por duas escadas de perfil curvo também em cantaria e com guardas escalonadas do mesmo material. Este espaço que comporta o altar é coberto por um tecto plano onde surge a figura do Espírito Santo, contra um fundo azul. Ao lado da igreja está o centro paroquial onde funcionam várias actividades e também onde se encontra a habitação dos párocos. Colado a si está também um edifício de cinco pisos que também alberga várias funções, tendo a sala de catequese, salão de festas, refeitório, cozinha, hospedaria e casa do pároco com o acesso ao Sul por um alpendre gradeado. Esse edifício multifuncional possui as fachadas rasgadas regularmente por vãos rectilíneos que no lado Norte correspondem no piso inferior a portas de acesso as diferentes dependências protegidas por palas de betão.)
Estrutura