As eleições legislativas de 1979 foram realizadas em Portugal no dia 2 de dezembro de 1979 para elegerem o segundo consistório da I Legislatura.
Estas eleições ocorreram três anos e meio depois de Mário Soares, líder do Partido Socialista (PS), se ter tornado primeiro-ministro em julho de 1976. Este governo do PS, que não tinha maioria parlamentar, foi um governo instável e em dezembro de 1977 viria a ser derrubado, após uma moção de confiança ter sido rejeitada pela oposição (PPD/PSD, CDS, PCP e UDP). Soares iria formar um governo de coligação com o Partido do Centro Democrático Social (CDS) em janeiro de 1978, mas em julho do mesmo ano a coligação seria rompida devido a uma falta de entendimento sobre a reforma agrária. Em agosto, o presidente Ramalho Eanes nomeava Nobre da Costa para primeiro-ministro mas este não conseguiria ver o seu programa ser aprovado no Parlamento e, apenas dois meses depois, Mota Pinto seria nomeado para o cargo e governaria durante cerca de nove meses, embora sem nunca ter uma maioria estável.
Face a esta situação, em julho de 1979, Ramalho Eanes decidiu dissolver o parlamento e convocar eleições intercalares para dezembro, uma vez que o texto originário da Constituição de 1976 previa, nas suas disposições finais e transitórias (art.° 299, n.° 1), que a I Legislatura terminaria no dia 14 de outubro de 1980. Entretanto, entre agosto e dezembro, Maria de Lourdes Pintasilgo tornou-se a primeira mulher (e até agora única) a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro — chefiando o V Governo Constitucional, o último de iniciativa presidencial, com o único propósito de organizar as eleições intercalares.
Nas eleições, a recém-formada Aliança Democrática (formada pelos partidos de centro-direita: PPD/PSD, CDS e PPM) venceria com mais de 45% dos votos, conseguindo a maioria absoluta no parlamento. Com isto, Francisco Sá Carneiro foi nomeado para o cargo de Primeiro-Ministro.
O Partido Socialista obteve um fraco resultado ao perder mais de trinta deputados e ao ficar-se pelos 27,3% dos votos. O Partido Comunista Português (PCP), agora concorrendo em conjunto com o Movimento Democrático Português (MDP/CDE) na coligação Aliança Povo Unido (APU), obtinha o seu melhor resultado de sempre ao conseguir 18,8% dos votos e quarenta e sete deputados.
Partidos Os partidos ou coligações que tiveram deputados eleitos foram os seguintes: Partido/coligaçãoLíderIdeologiaEspectroAliança DemocráticaADFrancisco Sá CarneiroDemocracia cristãCentro-direitaPartido SocialistaPSMário SoaresSocial-democraciaCentro-esquerdaAliança Povo UnidoAPUÁlvaro CunhalComunismoEsquerdaUnião Democrática PopularUDPMário ToméComunismoExtrema-esquerda
Resultados nacionais PartidoADPSAPUUDPLíderFrancisco Sá CarneiroDiogo Freitas do AmaralGonçalo Ribeiro TellesMário SoaresÁlvaro CunhalJosé Manuel TengarrinhaMário Tomé100x100px100x100px100x100px100x100px100x100px100x100px100x100pxVotos2 719 208 (45,3%) 1 642 136 (27,3%)1 129 322 (18,8%)130 842 (2,2%)Deputados128 (51,2%)74 (29,6%)47 (18,8%)1 (0,4%) PartidoVotos%+/-Deputados+/-Aliança Democrática (a)2 554 458Partido Social Democrata (b)141 227 - -Partido do Centro Democrático Social (b)23 523 - -Aliança Democrática (Total)2 719 2084,4113Partido Socialista1 642 1367,6333Aliança Povo Unido (c)1 129 3224,417União Democrática Popular130 8420,51Partido da Democracia Cristã72 5140,67Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses53 2680,23União da Esquerda para a Democracia Socialista43 325Partido Socialista Revolucionário36 9780,23Partido Operário de Unidade Socialista12 713Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa3 433 - -Votos inválidos163 7141,98Total6 007 45313Eleitorado/Participação7 249 3460,66Fonte(a) Coligação eleitoral ad hoc entre PPD/PSD (73 deputados), CDS (43 deputados) e PPM (5 deputados)(b) PPD/PSD e CDS apenas concorreram nos Açores e Madeira(c) Coligação permanente entre PCP (44 deputados) e MDP/CDE (3 deputados) ↓APUPSAD14774128
Dos partidos inscritos no Supremo Tribunal de Justiça, não participaram nas eleições a Frente Socialista Popular (FSP), o Movimento de Esquerda Socialista (MES), o Movimento Independente para a Reconstrução Nacional / Partido da Direita Portuguesa (MIRN/PDP), o Partido Comunista de Portugal (marxista-leninista) (PCP(m-l)), o Partido Democrático do Atlântico (UDA/PDA) e o Partido Trabalhista (PT).
Gráfico Percentagem dos votos
Percentagem de lugares
Tabela de resultados por círculo eleitoral %D%D%D%D%D%DCírculo eleitoral AD PS APU PPD/PSD UDP PDC Totaldeputados VotantesAçores--30,023,1-52,031,7---5130 094Aveiro56,7928,457,91--1,2-1,7-15357 926Beja19,0122,0150,73--1,8-0,6-5125 270Braga51,9930,2510,01--1,4-1,5-15380 407Bragança60,7322,215,8---1,9-3,1-4105 220Castelo Branco49,9427,8212,4---1,9-1,5-6153 642Coimbra44,8635,1511,21--1,3---12268 374Évora26,9116,9148,93--1,7-0,9-5125 841Faro34,6434,0320,32--3,2-1,3-9205 953Guarda60,6426,315,4---0,9-1,2-5133 771Leiria56,2723,2310,91--1,5-1,8-11254 113Lisboa40,02425,81526,016--2,810,9-561 313 372Madeira--17,213,1-57,846,6---5127 391Portalegre32,1229,8129,41--1,7-0,9-498 924Porto44,51834,81414,56--1,9-1,0-38911 338Santarém41,0627,3321,73--2,2-1,4-12288 737Setúbal22,3421,4447,09--4,0-0,5-17403 544Viana do Castelo54,8424,929,8---0,9-1,7-6145 411Vila Real57,7424,826,1---1,5-1,6-6145 817Viseu64,1821,425,5---1,4-1,7-10243 929Europa38,3133,2113,4---5,7-5,7-242 203Fora da Europa77,325,7-3,1---0,7-9,0-246 176Portugal42,512127,37418,8472,472,211,2 -2505 843 739
Resultados por concelho centro|miniaturadaimagem|Partido mais votado por concelho.|381x381pxA seguinte tabela contém os resultados obtidos pelos partidos que tenham tido, pelo menos, 1% dos votos expressos a nível nacional: