A de Havilland Aircraft Company Limited, nome pronunciado /də ˈhævɪlənd/ em inglês, foi uma fabricante britânica de aeronaves fundada por Geoffrey de Havilland no fim de 1920, no aeródromo de Stag Lane, em Edgware, nos arredores do norte de Londres. Suas operações foram transferidas para Hatfield, em Hertfordshire.

A empresa introduziu inovações em aviões como o biplano Moth, que mudou a aviação na década de 1920, o Fox Moth, avião comercial leve de passageiros da década de 1930, o Mosquito, aeronave multifunção de madeira usada na Segunda Guerra Mundial, e o Comet, um dos primeiros jatos de passageiros.

A de Havilland entrou para o grupo Hawker Siddeley em 1960 e perdeu sua identidade separada em 1963. A Hawker Siddeley foi incorporada à empresa que viria a se tornar a BAE Systems, companhia britânica dos setores aeroespacial e de defesa. O nome de Havilland permanece na De Havilland Canada, que detém os direitos sobre a marca e sobre os aviões fabricados pela antiga subsidiária canadense, entre eles o Dash 8, avião regional produzido anteriormente pela Bombardier Aerospace.

História Origens Em janeiro de 1920, Geoffrey de Havilland trabalhava na Airco como diretor técnico e projetista-chefe. A Airco atravessava dificuldades financeiras após a guerra, quando havia pouca procura por aviões civis. A BSA comprou a Airco de George Holt Thomas em 20 de janeiro de 1920, por recomendação de Percy Martin, um dos diretores da BSA. O objetivo era adquirir as fábricas e os equipamentos, pois a BSA não tinha interesse pela aviação.Birtles, Philip. De Havilland. Planemakers, n.º 3, Janes, 1984, p. 18. As perdas foram tão grandes que a BSA não conseguiu pagar dividendos nos três anos seguintes.Davenport-Hines, 2002, p. 216.

Com a ajuda de Thomas, de Havilland instalou-se em dependências modestas no aeródromo de Stag Lane e formou a sociedade de responsabilidade limitada de Havilland Aircraft Company Limited, constituída em 26 de setembro de 1920. Seus diretores eram de Havilland, Arthur Edwin Turner, que viera do Departamento de Guerra, e o engenheiro-chefe Charles Clement Walker. O capital nominal era de 50.000 libras esterlinas.Flight Magazine, 7 de outubro de 1920, p. 1070. Geoffrey de Havilland investiu 3.000 libras e George Holt Thomas, 10.000 libras. Outros investidores acrescentaram mais 1.000 libras. Além de conseguir a liberação de suas obrigações contratuais com a BSA, de Havilland comprou da empresa o Airco DH.18, dois DH.14, os serviços de reparo do DH.9 e outros ativos da Airco. O investimento de Thomas dependia da nomeação de A. E. Turner, gerente financeiro da Airco, para a presidência da nova empresa.Birtles, Philip. De Havilland. Planemakers, n.º 3, Janes, 1984, p. 19.

De Havilland contava com uma encomenda de cerca de 2.500 libras destinada originalmente à Airco.Flight Magazine, 20 de setembro de 1940, p. 254. Ele levou consigo uma equipe unida da antiga empresa. Charles Clement Walker cuidava da aerodinâmica e dos cálculos estruturais, Wilfred E. Nixon era secretário da companhia, Francis E. N. St. Barbe respondia pelos negócios e pelas vendas, e Frank T. Hearle, vindo do departamento experimental da Airco, era gerente da fábrica.Mick Davis. Airco, the Aircraft Manufacturing Company. The Crowood Press, Wiltshire, 2001, p. 13. . Hugh Burroughes foi para a Gloster Aircraft Company. No ano seguinte, Alan Samuel Butler procurou a nova empresa porque queria que ela construísse um avião para ele. Butler fez um grande investimento no negócio. No primeiro ano, o faturamento foi de 32.782 libras e o lucro líquido, de 2.387 libras. No início de 1922, a empresa comprou o aeródromo de Stag Lane por 20.000 libras. Ela conseguiu se manter até 1925, quando o Moth, projeto do próprio de Havilland que voou pela primeira vez em 22 de fevereiro daquele ano, encontrou um mercado receptivo."Obituary: Sir Geoffrey de Havilland, O.M." The Times, n.º 56.328, 22 de maio de 1965, p. 10. Em 1928, a de Havilland Aircraft Company Limited abriu seu capital.Flight Magazine, 20 de setembro de 1940, p. 255.

No início, a de Havilland se concentrou em biplanos de um ou dois lugares. A empresa deu continuidade à linha DH da Airco, adaptando seus aviões ao uso por companhias aéreas, e depois lançou aeronaves menores equipadas com motores Gipsy de fabricação própria. Entre elas estavam o Gipsy Moth e o Tiger Moth. Esses aviões estabeleceram muitos recordes aeronáuticos, em voos pilotados com frequência pelo próprio de Havilland. Amy Johnson voou sozinha da Inglaterra à Austrália em um Gipsy Moth, em 1930.

A linha Moth prosseguiu com o Hornet Moth, modelo mais refinado com cabine fechada, e o Moth Minor, monoplano de asa baixa construído em madeira. Uma das marcas da de Havilland era o nome do modelo pintado em letras romanas maiúsculas, com um tipo particularmente elegante. Durante uma greve na fábrica, os artesãos responsáveis por pintar os nomes nos aviões usaram os mesmos caracteres nos cartazes de protesto dos trabalhadores.

O DH.84 Dragon foi o primeiro avião comprado pela Aer Lingus, em 1936. A companhia aérea também operou o DH.86B Dragon Express e o DH.89 Dragon Rapide. A de Havilland prosseguiu com a fabricação de aviões de alto desempenho, entre eles os DH.88 Comet de corrida, equipados com dois motores a pistão. Um deles venceu a corrida aérea MacRobertson, da Inglaterra à Austrália, em 1934.

Segunda Guerra Mundial miniaturadaimagem|Fabricação de aviões Mosquito na fábrica da de Havilland em Hatfield, em 1943

Os projetos de alto desempenho e os métodos de construção em madeira chegaram ao auge no Mosquito, feito principalmente desse material. A escolha evitava o uso de matérias-primas estratégicas, como o alumínio, na Segunda Guerra Mundial. O caça Hornet veio em seguida, com desempenho ainda maior, e esteve entre os primeiros aviões a empregar técnicas de colagem entre metal e madeira e entre peças metálicas.

Em 1937, a de Havilland abriu uma fábrica no local mais tarde chamado De Havilland Way, em Lostock, para produzir hélices de passo variável para a Força Aérea Real. A instalação tinha valor estratégico e tornou-se alvo da Luftwaffe alemã. Em 3 de julho de 1942, dois bombardeiros Ju 88 tentaram um ataque em baixa altitude. Os pilotos usaram a cadeia de reservatórios de Rivington para se orientar, mas desviaram-se da rota.

Pós-guerra miniaturadaimagem|direita|Primeiro protótipo do de Havilland DH.106 Comet em Hatfield, em 1949

Depois da Segunda Guerra Mundial, a de Havilland prosseguiu com projetos avançados para os mercados militar e civil, mas acidentes que ganharam atenção pública condenaram sua independência. O jato experimental sem cauda DH.108 Swallow caiu no estuário do Tâmisa e matou Geoffrey de Havilland Jr., filho do fundador. Em 1948, a empresa adquiriu uma grande fábrica de aviões no aeroporto de Hawarden, em Broughton, perto de Chester. Sua produção complementava a de Hatfield. O de Havilland Comet entrou em serviço em 1952 como o primeiro jato comercial de passageiros. Voava duas vezes mais rápido do que os modelos anteriores e despertava orgulho nacional no Reino Unido. Em 2 de maio de 1952, o Comet de matrícula G-ALYP, operado pela British Overseas Airways Corporation, decolou com passageiros pagantes e inaugurou o serviço regular de Londres a Joanesburgo. Movido por quatro motores a jato de Havilland Ghost, o Comet alcançava 805 km/h, reduzindo pela metade o tempo das viagens pelo mundo, e voava a 12.200 metros, desempenho antes restrito aos caças a jato militares. Vinte meses após o lançamento, havia 17 Comets em serviço. O modelo sofreu três acidentes de grande repercussão em dois anos. Dois foram causados por falha estrutural resultante de fadiga do metal na célula da aeronave, fenômeno ainda pouco compreendido. O terceiro ocorreu devido a esforços excessivos sobre a estrutura durante um voo sob mau tempo. Arnold Hall chefiou a equipe do RAE que descobriu pequenas fissuras de fadiga abertas no metal pela rebitagem.

Devido aos problemas estruturais do Comet, em 1954 todos os exemplares restantes foram retirados de serviço. A de Havilland iniciou um amplo trabalho para construir uma versão maior e mais resistente. O avião foi redesenhado com janelas ovais, reforços estruturais e outras mudanças. Os fabricantes concorrentes levaram em conta as lições do Comet ao desenvolver suas aeronaves. O Comet 4 permitiu que o jato da de Havilland voltasse a voar em 1958. Os Estados Unidos já tinham o Boeing 707 e o Douglas DC-8, modelos mais rápidos e econômicos. As encomendas do Comet desapareceram.

A Hawker Siddeley comprou a de Havilland em 1960, mas a manteve como empresa separada até 1963. Naquele ano, ela se tornou a Divisão de Havilland da Hawker Siddeley Aviation. Os modelos em produção ou desenvolvimento tiveram suas designações alteradas de "DH" para "HS". Os últimos projetos da de Havilland tornaram-se o Hawker-Siddeley Trident, originalmente DH.121, e o Hawker Siddeley HS.125, criado como DH.125.

O DH.121 foi reduzido para atender às necessidades de uma única companhia aérea, a British European Airways. Outras empresas não se interessaram pelo modelo e escolheram um trijato concorrente, o Boeing 727, quase do mesmo tamanho do projeto original do DH.121. A de Havilland, já como Hawker Siddeley, construiu apenas 117 Tridents, enquanto a Boeing vendeu mais de 1.800 unidades do 727.

A de Havilland também entrou no setor de mísseis de longo alcancede Havilland Propellers. com o desenvolvimento do Blue Streak, movido a combustível líquido. O míssil não entrou em serviço militar, mas tornou-se o primeiro estágio do Europa, veículo lançador destinado a voos espaciais. O Blue Streak teve bom desempenho nos testes de voo, porém os estágios superiores, construídos na França e na Alemanha, falharam repetidas vezes. O programa Europa foi cancelado em 1973 e levou consigo o Blue Streak. Um dos últimos exemplares acabou nas mãos de um fazendeiro, que usou seus tanques de combustível para abrigar galinhas.

Produtos

Aeronaves miniaturadaimagem|direita|De Havilland Biplane No. 2, ou F.E.1, em voo por volta de 1911 miniaturadaimagem|direita|De Havilland Airco DH.9 exposto no Museu Imperial da Guerra de Duxford em 2008 miniaturadaimagem|direita|De Havilland DH.83 Fox Moth no Aeroporto de Cotswold em 2003 miniaturadaimagem|direita|De Havilland DH.87B Hornet Moth de 1936 decolando no Kemble Air Day, em Wiltshire, em 2008 miniaturadaimagem|direita|DH.89 Dragon Rapide da Army Parachute Association na base da RAF em Netheravon, em 1968 miniaturadaimagem|direita|De Havilland Hercules-66 da Imperial Airways

Projetados por Geoffrey de Havilland De Havilland Biplane No. 1 Royal Aircraft Factory F.E.1, também chamado "de Havilland Biplane No. 2" Projetados por de Havilland na Airco Airco DH.1, avião de reconhecimento com motor e hélice propulsora, com dois lugares Airco DH.2, avião de reconhecimento com motor e hélice propulsora Airco DH.3, bombardeiro bimotor Airco DH.4, bombardeiro monomotor Airco DH.4A, avião de transporte Airco DH.5, avião de reconhecimento Airco DH.6, avião de treinamento Airco DH.9, bombardeiro monomotor Airco DH.9A, versão do DH.9 desenvolvida pela Westland com motor Liberty L-12 Airco DH.9C, conversão do DH.9 em avião de transporte de passageiros Airco DH.9J, DH.9 reequipado com motor radial Airco DH.10 Amiens, bombardeiro bimotor Airco DH.11 Oxford, bombardeiro diurno bimotor de longo alcance DH.12, derivação proposta do DH.11 que não foi construída de Havilland DH.14 Okapi, bombardeiro monomotor DH.15 Gazelle, bancada de ensaios em voo Airco DH.16, avião para quatro passageiros semelhante ao DH.9C DH.18, avião para oito passageiros de Havilland Aircraft Company DH.27 Derby, bombardeiro diurno monomotor de longo alcance DH.34 DH.37 DH.42 Dormouse DH.42A e DH.42B Dingo DH.48 Special, DH.9 equipado com outro motor DH.50 DH.51 DH.53 Humming Bird DH.54 Highclere DH.56 Hyena