Re-Pa é o clássico de futebol entre Clube do Remo e Paysandu Sport Club, ambos sediados na cidade de Belém, capital do estado do Pará, confronto também conhecido como o Clássico Rei da Amazônia, já que envolve as duas maiores forças do futebol da Região Norte do Brasil. É o clássico com mais números de disputas do futebol mundial, com 780 partidas realizadas.

Além de terem as maiores torcidas da região, os jogos entre Remo e Paysandu são conhecidos e admirados pelos grandes públicos mesmo quando os times não atravessam boa fase. A imagem do Mangueirão lotado pelo Fenômeno Azul, como é conhecida a torcida do Remo, e Fiel Bicolor, denominação dada à torcida do Paysandu, demonstra o fanatismo do torcedor paraense pelo futebol.

No dia 4 de maio de 2016, o clássico foi declarado patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará, sendo qualificado como uma expressão cultural do povo paraense.

No dia 2 de junho de 2020, em votação realizada em redes sociais, foi eleito o maior clássico do Brasil.

História

Gênese dos clubes O Clube do Remo foi fundado no dia 5 de fevereiro de 1905, originalmente com a denominação de Grupo do Remo. Como o próprio nome já diz, era um clube inicialmente voltado para as regatas. Em 1908 a agremiação foi extinta, precisando-se de mais três anos para que um conjunto de onze rapazes – o famoso Cordão dos Onze Rowers Remistas – sacramentasse a reorganização azulina. O departamento de futebol foi criado em 1913, ano do primeiro título estadual. A partir do dia 7 de agosto de 1914, passa a se chamar definitivamente pelo nome de Clube do Remo.

Já o Paysandu é fruto do inconformismo dos integrantes do Norte Clube com a decisão da Liga Paraense de Foot-Ball em não anular o empate de 1 a 1 com o Guarani, no dia 13 de novembro de 1913, acusando diversas irregularidades, resultado que beneficiou o Grupo do Remo. Liderados por Hugo de Abreu Leão, 42 desportistas decidiram extinguir o Norte Clube e fundar no dia 2 de fevereiro de 1914, o Paysandu Foot-Ball Club, que permaneceu com esse nome durante 17 dias, quando recebeu a denominação Paysandu Sport Club.

O primeiro jogo

O primeiro jogo dos mais de 700 disputados entre Remo e Paysandu ao longo dos tempos foi realizado no dia 14 de junho de 1914, pelo Campeonato Paraense de Futebol. O Leão venceu por 2 a 1, gols de Rubilar (o primeiro da história do clássico) e Bayma (contra),DA COSTA, Ferreira (2013). 1914 - Surge o Paysandu, mas o Remo conquista o bicampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 19-20 com Matthews,DA COSTA, Ferreira (2015). 1914. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 11-14 um inglês,LIMA, Nildo (7 jan 2018). Bienvenidos al Paysandu!. Bola. Belém: Diário do Pará, pp. 4-5 marcando para os bicolores. Os clubes tiveram as seguintes escalações:

Remo: Corintho; Lulu, Mustard; Galdino, Aimée, Carlito; Macedo, Dudu, Antonico, Infante e Rubilar. Paysandu: Romariz; Bayma, Silvio; Jaime, Moura Palha, Mitchell; Hugo Leão, Garcia, Guimarães, Matthews e Arthur Moraes.

O início da rivalidade

Inicialmente, Remo e Paysandu mantinham uma relação até certo ponto amigável. Entretanto isso mudou no dia 23 de janeiro de 1915, quando o primeiro secretário azulino, Elzemann, enviou um ofício para Antônio Barros (presidente bicolor na época), tratando da realização de uma partida cuja renda seria utilizada para ajudar financeiramente as equipes. Os bicolores enviaram um ofício-resposta, cercado de termos insultuosos à proposta azulina. Em um segundo ofício, a Diretoria do Paysandu aceitou o desafio, sem que deixasse de lado os insultos e injúrias. No dia seguinte, o Clube do Remo mandou outro ofício dando término às relações amistosas entre os times. Era o início de uma das maiores rivalidades do futebol brasileiro.

A maior goleada

Em 22 de julho de 1945 o Paysandu aplicou a maior goleada do clássico: 7 a 0 em pleno estádio Evandro Almeida.

<font size=2>1º Turno do Campeonato Paraense de 1945</font>

Remo: Tico Tico, Jesus, Expedito, Mariosinho, Rubens, Vicente, Monard, Jeju, Jango, Capi e Boró. Paysandu: Palmério, Izan, Athenágoras, Mariano, Manoel Pedro, Nascimento, Arleto, Farias, Hélio, Guimarães e Soiá.

O tabu Entre janeiro de 1993 e junho de 1997, o Remo ficou 33 jogos sem perder para o Paysandu, impondo a maior invencibilidade do confronto. O Remo venceu 21 partidas e empatou 12.

<font color="white"> Lista de Jogos1 Remo 0 x 0 Paysandu Mangueirão 31 de janeiro de 1993 Torneio Pará-Ceará2 Remo 1 x 0 Paysandu Mangueirão 7 de fevereiro de 1993 Torneio Pará-Ceará3 Remo 0 x 0 Paysandu Baenão 16 de maio de 1993 Campeonato Paraense4 Remo 1 x 0 Paysandu Curuzu 20 de maio de 1993 Campeonato Paraense5 Remo 3 x 1 Paysandu Baenão 23 de maio de 1993 Campeonato Paraense6 Remo 1 x 0 Paysandu Baenão 5 de julho de 1993 Campeonato Paraense7 Remo 1 x 1 Paysandu Baenão 26 de julho de 1993 Campeonato Paraense8 Remo 1 x 0 Paysandu Mangueirão 29 de julho de 1993 Campeonato Paraense9 Remo 1 x 0 Paysandu Mangueirão 4 de agosto de 1993 Campeonato Paraense10 Remo 2 x 1 Paysandu Mangueirão 7 de setembro de 1993 Campeonato Brasileiro11 Remo 1 x 1 Paysandu Mangueirão 6 de outubro de 1993 Campeonato Brasileiro12 Remo 1 x 0 Paysandu Mangueirão 23 de janeiro de 1994 Torneio Pará-Ceará13 Remo 4 x 3 Paysandu Mangueirão 30 de janeiro de 1994 Torneio Pará-Ceará14 Remo 0 x 0 Paysandu Mangueirão 10 de abril de 1994 Campeonato Paraense15 Remo 0 x 0 Paysandu Mangueirão 24 de abril de 1994 Campeonato Paraense16 Remo 0 x 0 Paysandu Mangueirão 8 de maio de 1994 Campeonato Paraense17 Remo 2 x 1 Paysandu Mangueirão 4 de junho de 1994 Campeonato Paraense18 Remo 1 x 1 Paysandu Mangueirão 26 de junho de 1994 Campeonato Paraense19 Remo 2 x 2 Paysandu Mangueirão 11 de julho de 1994 Campeonato Paraense20 Remo 1 x 1 Paysandu Mangueirão 19 de julho de 1994 Campeonato Paraense21 Remo 2 x 0 Paysandu Mangueirão 21 de julho de 1994 Campeonato Paraense22 Remo 1 x 0 Paysandu Mangueirão 2 de abril de 1995 Campeonato Paraense23 Remo 1 x 0 Paysandu Mangueirão 11 de junho de 1995 Campeonato Paraense24 Remo 0 x 0 Paysandu Curuzu 3 de agosto de 1995 Amistoso25 Remo 1 x 0 Paysandu Baenão 7 de agosto de 1995 Amistoso26 Remo 4 x 0 Paysandu Mangueirão 31 de março de 1996 Campeonato Paraense27 Remo 2 x 0 Paysandu Mangueirão 25 de abril de 1996 Campeonato Paraense28 Remo 1 x 0 Paysandu Mangueirão 6 de maio de 1996 Campeonato Paraense29 Remo 2 x 1 Paysandu Mangueirão 4 de julho de 1996 Campeonato Paraense30 Remo 1 x 1 Paysandu Mangueirão 22 de setembro de 1996 Campeonato Brasileiro - Série B31 Remo 4 x 2 Paysandu Mangueirão 16 de fevereiro de 1997 Seletivo à Copa Norte32 Remo 2 x 1 Paysandu Mangueirão 13 de abril de 1997 Campeonato Paraense33 Remo 3 x 1 Paysandu Mangueirão 7 de maio de 1997 Campeonato Paraense

Estatísticas e recordes Segundo dados do jornalista Ferreira da Costa, autor dos livros "A História do Clássico Re x Pa" e "Remo x Paysandu - O Clássico mais disputado do futebol mundial - 700 jogos", fornecidos ao jornal O Liberal em 2012 e atualizados a partir de então, o clássico tem as suas estatísticas gerais descritas no quadro acima.Jornal O Liberal, edição de 8 de junho de 2014, página 7, que traz as estatísticas do clássico, levantadas pelo jornalista e historiador do futebol paraense, Ferreira da CostaAlcino sentou na bola - Site do jornal O Liberal, página editada em 30 de agosto de 2015 e disponível em 31 de agosto de 2015GoleadasRevista PLACAR GRANDES CLÁSSICOS, Maio de 2005 Maior goleada do Paysandu: 7 a 0 em 22 de julho de 1945

Maior goleada do Remo: 7 a 2 em 5 de março de 1939.ArtilheirosSite ORMNewes - Hélio é maior artilheiro, página editada em 16 de junho de 2014 e disponível em 13 de maio de 2015 Hélio (Paysandu): 47 gols. Itaguary (Remo/Paysandu): 30 gols. Quarenta (Paysandu) e Cacetão (Paysandu): 28 gols Bené (Paysandu): 26 gols. Quiba (Remo): 24 gols. Carlos Alberto Urubu (Paysandu): 23 gols. Jaime (Remo|Paysandu): 22 gols. Farias (Paysandu) e Jeju (Remo/Paysandu): 21 gols. Santo Antônio (Remo): 19 golsMaior artilheiro em um só jogo Jango, do Clube do Remo, que marcou cinco gols na goleada azulina de 7 a 2 sobre o Paysandu em 1939.Jogador que mais atuou Quarentinha, que disputou 135 clássicos pelo Papão entre 1955 e 1973.InvencibilidadesLivro Remo x Paysandu - O Clássico mais disputado do futebol mundial - 700 jogos, 2009 Remo: 33 jogos, de 31 de janeiro de 1993 a 7 de maio de 1997. Remo: 24 jogos, de 17 de abril de 1973 a 10 de março de 1976. Remo: 15 jogos, de 21 de agosto de 1983 a 10 de outubro de 1984. Paysandu: 13 jogos, de 29 de janeiro de 1970 a 9 de setembro de 1970. Remo: 12 jogos, de 18 de setembro de 1977 a 29 de abril de 1979. Paysandu: 11 jogos, de 19 de novembro de 2000 a 24 de fevereiro de 2002 (maior invencibilidade do século 21).Maior sequência de vitórias Paysandu: 9 vitórias consecutivas, de 28 de março de 1943, a 14 de maio de 1944.

Cidades Belém, 761 jogos. Paramaribo (Suriname), 3 jogos. Macapá (Amapá), Santarém e São Luís (Maranhão), 2 jogos. Cametá, Bragança, Soure, Barcarena e Castanhal, 1 jogo.

Estádios O primeiro estádio de um clássico Re-Pa foi a atual Curuzu (Paysandu), em 14 de julho de 1914, na época pertencente à firma Ferreira & Comandita, com um público estimado em 2 mil pessoas. A Curuzu já recebeu 190 jogos.

Inaugurado em 15 de agosto de 1917, o Baenão foi durante vários anos, o principal estádio paraense. O Baenão recebeu um total de 204 confrontos entre Remo e Paysandu.

Desde 1978, a maioria dos clássicos passou a ser disputada no Mangueirão, por ter maior capacidade, conforto e segurança para o torcedor. Prova disso é que apesar de mais novo, o Colosso do Benguí já recebeu 219 clássicos, sendo atualmente o estádio que mais vezes recebeu o clássico.

Há ainda o Souza, de propriedade da Tuna Luso Brasileira, palco de 46 partidas entre Remo e Paysandu.

Esses dados são atualizados a partir do livro Remo x Paysandu – O Clássico mais disputado do futebol mundial – 700 jogos (2009). No total, esses quatro estádios de Belém receberam 653 jogos, até então. Os mais de cem clássicos restantes ou foram disputados em outras cidades, ou não foi possível saber o local da partida.

Torcidas Pesquisa do Instituto GPP, exclusiva sobre a distribuição de torcidas no Estado do Pará em 2013, apontou as torcidas de Remo (14,5%) e Paysandu (14%) empatadas tecnicamente (margem de erro de 3,4 p.p., o que explica a alternância entre elas em outras pesquisas realizadas) e ambas com mais de 1 000 000 de torcedores (1 170 719 e 1 130 399 respectivamente), considerando a população paraense de 8 073 924 habitantes em 2014.PAIVA, Vinicius, Blog Teoria dos jogos, site Globoesporte, página editada em 11 de outubro de 2013 e disponível em 10 de outubro de 2014

Maiores públicos Acima de 40 000

Remo 1 - 0 Paysandu, 65.000, 11 de julho de 1999 Remo 1 - 1 Paysandu, 64 010, 29 de abril de 1979 Remo 1 - 0 Paysandu, 52.973, 8 de abril de 1979 Remo 2 - 1 Paysandu, 51 304, 26 de agosto de 1979 Paysandu 0 - 0 Remo, 48 180, 4 de fevereiro de 2024 Remo 1 - 0 Paysandu, 48 141, 13 de setembro de 1992 Remo 0 - 2 Paysandu, 41 932, 23 de março de 2003 Remo 0 - 1 Paysandu, 41 891, 20 de Março de 2005 Remo 1 - 0 Paysandu, 41 869, 20 de setembro de 1981 Remo 0 - 2 Paysandu, 41 700, 16 de novembro de 1980 Remo 2 - 1 Paysandu, 41 604, 26 de janeiro de 2013 Remo 2 - 0 Paysandu, 41 409, 22 de janeiro de 2006 Remo 1 - 2 Paysandu, 41 140, 30 de janeiro de 2005

Confrontos no Campeonato Paraense Jogos: 364. Vitórias do Remo: 126. Vitórias do Paysandu: 112. Empates: 126. Gols do Remo: 431. Gols do Paysandu: 428.

Último jogo considerado: Paysandu 0x0 Remo - jogo de volta da final do Campeonato Paraense de 2026.

Confrontos em competições nacionais Vitórias do RemoEmpateVitórias do Paysandu

Campeonato Brasileiro Histórico em todas divisões Jogos: 35. Vitórias do Remo: 11. Vitórias do Paysandu: 10. Empates: 14.