Percival Farquhar (York, Pensilvânia, 19 de outubro de 1865 — Nova Iorque, 4 de agosto de 1953) foi um empresário e político estadunidense.

Farquhar ficou conhecido por suas atividades empresariais em diversos setores, principalmente no ramo ferroviário e na exploração de recursos naturais na América Latina.

Biografia Nasceu em York na Pensilvânia de uma família quaker. Era filho de Arthur Briggs Farquhar, um industrial milionário e Elizabeth Newbold Jessup.

Em 1884, formou-se em engenharia pela Universidade Yale. Formou-se em direito pela Universidade Columbia. Casou-se com Cathya Popescu Farquhar com quem teve três filhos.

A. B. Farquhar Company Em 1885 se juntou à firma de seu pai, a A. B. Farquhar Company que produzia motores e equipamentos agrícolas. Além de atender o mercado interno, essas máquinas eram exportadas para a América Latina.

Seu irmão, Francis, assumiu controle da companhia da família enquanto que Percival se aventurou pelo mundo.

Cuba Railway Company Em 1898, com a vitória americana na guerra Hispano-Americana, Percival foi a Havana em busca de oportunidades de investimentos. Seu objetivo era obter a concessão para a eletrificação dos bondes da capital. Com seu sócio Tiburcio Castañeda obteve o controle da Havana Tramway, empresa que eles consolidaram em 1902.

Em 25 de abril de 1900, foi fundada a Cuba Company com o intuito de desenvolver Cuba e também construir uma estrada de ferro que cruzasse a ilha toda. Entre seus sócios estavam William Cornelius Van Horne (presidente a Canadian Pacific Railroad), Levi P. Morton (ex-governador de Nova York), Greenville Dodge, e E. H. Harriman (da Union Pacific Railroad). Em 1902, foi formada a companhia subsidiária Cuba Railroad Company.

Guatemala Central Railroad Na Guatemala, o sistema ferroviário enfrentava dificuldades. Faltava demanda suficiente para justificar a extensão norte da Guatemala Central Railroad. O empresário Minor C. Keith convenceu a empresa United Fruit Company a plantar bananas na área.

Em 12 de janeiro de 1904, assinou um contrato com o governo. Participou desse contrato William Cornelius Van Horne e Percival Farquhar que representou Minor C. Keith.

Rio de Janeiro Light and Power Em junho de 1904, William Mackenzie (1849–1923) fundou a Rio de Janeiro Light and Power Company em Toronto. Para administrá-la convidou o advogado Alexander Mackenzie, o engenheiro Frederick Stark Pearson e Percival Farquhar.

William Mackenzie já havia fundado em 1899 a São Paulo Light and Power Company.

Em 1905, a empresa comprou a concessão de quinze anos para gerar eletricidade que fora concedida ao engenheiro William Reid em 1899. Essa foi a usina de Lajes que ficava a noventa quilometros de distância e tinha capacidade de cinquenta seis mil h.p. A companhia comprou o sistema de bonde a tração animal de Vila Isabel, Carris Urbanos, e São Cristóvão. O objetivo era eletrificar esses bondes.

Em novembro de 1907, depois de difíceis negociações com o município, foi assinado o termo de unificação das três áreas de bondes compradas. A companhia enfrentou oposição de Paulo de Frontin, Eduardo P. Guinle e seu sócio Cândido Gaffrée.

Port of Pará Company Em 1905, Percival obteve a concessão para desenvolver transportes fluviais na bacia do Amazonas no porto de Belém.

Brazil Railway Company Em 12 de novembro de 1906, no estado do Maine, Percival fundou a Brazil Railway Company, um projeto para interligar a América Latina com ferrovias.

Sua primeira aquisição foi da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande. Obteve o controle da Estrada de Ferro Sorocabana e Estrada de Ferro Mogiana. E comprou participação na Companhia Paulista.

Em 1910, Percival tentou comprar a São Paulo Railway que detinha o monopólio ferroviário de acesso ao porto de Santos. Essa ferrovia partia da estação do Valongo em Santos para São Paulo (onde se conectava com a Sorocabana) e depois Jundiai (onde se conectava com a Mogiana e Paulista). Sua oferta foi rejeitada. Qualquer tentativa de quebrar o monopólio da São Paulo Railway com uma nova linha falharia por causa da zona anti-competição que a protegia.

A Brazilian Railway (BR) se tornaria a holding dos vários empreendimentos que Percival iniciou no período de 1905 a 1915.

Além da Light carioca, várias ferrovias, e o porto de Belém, a BR controlava um enorme rancho de gado, um abatedouro em São Paulo, uma firma frigorífica no Rio de Janeiro, a Amazon River Steam Navigation Company (empresa de navegação do Amazonas) e terras produtoras de borracha na Bolívia e no Amapá.

O fim do ciclo da borracha em 1912, seguida das guerras nos Balcans em 1913 e o começo da primeira guerra mundial em 1914 foram muito negativos para os negócios de Percival.

Em 1916, ele renunciou como presidente da BR.

Sorocabana Railway Company

Em 1906, em sociedade com o banqueiro francês H. Legru, Farquhar arrendou do governo do estado de São Paulo as linhas que foram da Companhia União Sorocabana e Ituana, denominando a nova empresa Sorocabana Railway Company. Lucrativa até 1912, sua situação começa se deteriorar gravemente no final dessa década.

A princípio Fraquhar conseguiu expandir e operar a rede da ferrovia, que chegou a contar em 1911 com empregados, atingindo em 1918 no último ano antes de ser encampada.

Finalmente o governo do estado de São Paulo, na gestão Altino Arantes, resolve encampar a Sorocabana Railway Company, no dia 9 de setembro de 1919, assumindo novamente sua gestão.

Estrada de Ferro Madeira-Mamoré O Tratado de Petrópolis de 17 de novembro de 1903 resolveu a Questão do Acre. Como parte do acordo, o governo brasileiro se comprometeu a construir uma ferrovia que desse à Bolivia acesso ao mar pela bacia do Amazonas. miniaturadaimagem|Estação inicial da Ferrovia Madeira-Mamoré, Porto Velho, anos 1910. Arquivo Nacional Em 1907, Percival reiniciou os trabalhos para a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, projeto que fora iniciado em 1877 pelos americanos irmãos Collins.

Pelas dificuldades encontradas, tanto de construção como de saúde e higiene, ganhou o apelido de "Ferrovia do Diabo." Percival contratou Oswaldo Cruz para fazer os preparativos de sanemanento.

Foi inaugurada em 7 de setembro de 1912. Ajudou a colonizar as áreas de Porto Velho e Guajará-Mirim.

Southern Brazil Lumber Company Junto à concessão da Estada de Ferro São Paulo-Rio Grande veio o controle de uma enorme área, seis milhões de acres, com vegetação e árvores. Percival observou que o Brasil importava madeira para construção.

Em 1913, criou a a Southern Brazil Lumber Company para suprir esse mercado. Desenvolveu um método mais eficiente para secar madeira em Três Barras.

Sua indústria madeireira ocupava uma área de 60 hectares e empregou 800 operários na sua fase inicial. O complexo tinha 214 casas para os empregados superiores (com água encanada, energia elétrica, aquecimento central e água quente). Até uma fábrica de gelo foi ali instalada. Para a diversão dos operários, foi instalado o terceiro projetor cinematográfico trazido para o Brasil. No museu da cidade de Três Barras ainda se pode ver um filme mudo, produzido na década de 20, que mostra uma visita de Percival à cidade. Idoso e simpático, já a caminho da falência, cumprimenta seus funcionários e sorri.

Itabira Iron Ore Company Após a derrocada dos seus investimentos feitos entre 1905 e 1915 e sua renúncia da presidência da Brazil Railway (BR) em 1916, Percival voltou aos negócios.

Em 1919, obteve um contrato com o Governo de Epitácio Pessoa para desenvolver reservas de minério de ferro pela Itabira Iron Ore Company. Seu plano era construir um enorme complexo de mineração e siderurgia de aço com um enfoque na exportação da matéria prima, o minério de ferro.

Nos governos subsequentes de Artur Bernardes e Getúlio Vargas enfrentou dura oposição até que foi cancelado o contrato em 1939. Por conta do nacionalismo à época, em 1939 fundou a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia (CBMS) com os ativos da Itabira Iron. Em 1942, o governo fundou a Companhia Vale do Rio Doce que adquiriu os ativos da CBMS. Acesita Em 1946, fundou a Companhia Aços Especiais Itabira (Acesita), uma empresa siderúrgica de menor porte. Em 1952 o controle dessa empresa passou para o Banco do Brasil por conta de suas dívidas.

Com essa derrota final, Percival se mudou para Nova York onde morreu em 1953.

Empreendimentos hoteleiros Percival Farquhar acreditava que nenhum país do mundo poderia se desenvolver adequadamente sem contar com bons hotéis e cozinheiros refinados.

Rotisserie Sportsman Para suprir essas lacunas no Brasil do início do século XX, construiu em São Paulo a elegante Rotisserie Sportsman e importou, do famoso Elisée Palace Hotel de Paris, o chef Henri Galon.

Grand Hôtel de la Plage Adquiriu em 1911 da firma Prado, Chaves & Cia. o controle da Companhia Balneária de Santo Amaro, empresa fundada em 1892 que, sob a liderança do conselheiro Antonio Prado fora criada para organizar um conjunto turístico e balneário onde hoje fica o centro do Guarujá. A nova empresa de Farquhar passou a se denominar Companhia Guarujá.Agitado, Guarujá é balneário desde 1893 Caderno Turismo - jornl Folha de S.Paulo

Logo encomendou ao escritório técnico Ramos de Azevedo a construção de um hotel de grandes proporções a ser erguido no local onde funcionara, até 1910, o Grand Hôtel de la Plage, construído no final do século XIX por Elias Fausto Pacheco Jordão.

Inaugurou, em 1912, o novo Grand Hôtel de la Plage que era composto por quatro grandes edifícios, de três e quatro andares servidos por elevadores, contando com 220 apartamentos, muitos deles com terraço, de onde se desfrutava uma bela vista para o mar. Novidade para a época: todos os apartamentos dispunham de aparelhos telefônicos.

Havia um pavilhão para banhistas, com 100 cabines, um local para o exercício de ginástica sueca, duas piscinas de água doce, dois parques junto às áreas ainda florestadas, além de um jardim zoológico.

Com suas iniciativas no turismo incipiente do Brasil, criou centenas de empregos e estimulou a concorrência no setor, como paradigma da elegância e bons serviços.

Guerra do Contestado

O engenheiro João Teixeira Soares, nascido em Formiga, Minas Gerais, projetou, em 1887, o traçado de uma estrada-de-ferro entre Itararé (SP) e Santa Maria (RS), com km de extensão, para ligar as então províncias de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul pelo interior, o que permitiria a conexão, por ferrovia, do Rio de Janeiro à Argentina e ao Uruguai. Em 9 de novembro de 1889, poucos dias antes da proclamação da república brasileira, o Imperador D. Pedro II outorgou a concessão dessa estrada-de-ferro a Teixeira Soares. Sua construção teve início em 1897, no sentido norte-sul, tendo o trecho de 264 km entre Itararé e Rio Iguaçu (em Porto União) sido concluído em 1905.

Em 1908 Percival Farquhar, através de sua holding Brazil Railway Company, adquiriu o controle da Companhia de Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande - EFSPRG. Antevendo o enorme potencial de lucro que poderia obter com a exportação de madeira das densas florestas centenárias de araucária existentes na região (sob a copa das araucárias havia imbuias com mais de 10 metros de circunferência) - em terras que viria a receber como doação do governo federal, nos termos do contrato de concessão da ferrovia - já fundara, anteriormente, a Southern Brazil Lumber & Colonization Company, que se tornou conhecida como a Lumber. Farquhar incumbiu o engenheiro Achilles Stenghel de chefiar o ousado empreendimento. Este mandou recrutar, nas principais cidades brasileiras e até no exterior 4 mil operários - mediante a oferta de altos salários e boas condições de trabalho - para aumentar o contingente de mão de obra, que chegou a atingir 8 mil trabalhadores, distribuídos ao longo de 372 km da ferrovia.