All About Eve é um filme estadunidense de 1950, do gênero drama, escrito e dirigido por Joseph L. Mankiewicz, e estrelado por Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders e Celeste Holm. O roteiro foi baseado no conto "The Wisdom of Eve" (1946), de Mary Orr, embora não tenha sido creditado no filme.
O filme estrela Bette Davis como Margo Channing, uma altamente renomada, mas envelhecida estrela da Broadway. Anne Baxter interpreta Eve Harrington, uma jovem fã ambiciosa que se infiltra na vida de Channing, em última instância, ameaçando sua carreira e seus relacionamentos pessoais. O filme ainda têm participações de Gary Merrill, Hugh Marlowe e Thelma Ritter, além de apresentar Marilyn Monroe em um de seus primeiros papéis.
"All About Eve" estreou em Nova Iorque em 13 de outubro de 1950. Elogiado pela crítica na época de seu lançamento, o filme recebeu 14 indicações ao Oscar e ganhou seis, incluindo Melhor Filme. O filme é o único filme na história do Oscar a ter quatro atrizes indicadas por suas atuações (Davis e Baxter como melhor atriz, Holm e Ritter como melhor atriz coadjuvante). Em 1990, "All About Eve" foi selecionado para preservação no National Film Registry, seleção filmográfica da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, como sendo "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo". O filme apareceu em 16.º lugar na lista dos 100 melhores filmes estadunidenses, do Instituto Americano de Cinema.
Sinopse Na noite de entrega do prêmio Sarah Siddons, todas as atenções se voltam para a nova estrela em ascensão, Eve Harrington (Anne Baxter). Então, flashbacks revelam como a carreira de Eve começou, desde quando conheceu e foi contratada como secretária de Margo Channing (Bette Davis), uma grande estrela da Broadway que ela começa a perseguir.
Elenco Bette Davis como Margo Channing Anne Baxter como Eve Harrington George Sanders como Addison DeWitt Celeste Holm como Karen Richards Gary Merrill como Bill Sampson Hugh Marlowe como Lloyd Richards Thelma Ritter como Birdie Coonan Gregory Ratoff como Max Fabian Marilyn Monroe como Claudia Caswell Barbara Bates como Phoebe Walter Hampden como Anfitrião Randy Stuart como Garota Craig Hill como Protagonista Leland Harris como Porteiro Barbara White como Caçadora de Autógrafos Eddie Fisher como Gerente de Palco William Pullen como Atendente Claude Stroud como Pianista na Festa Eugene Borden como Francês Helen Mowery como Repórter Steven Geray como Garçom Franklyn Farnum como Comentarista do Prêmio Sarah Siddons (não-creditado) Harold Miller como Comentarista do Prêmio Sarah Siddons (não-creditado)
Produção Desenvolvimento A história de "All About Eve" se originou em uma história real contada a Mary Orr pela atriz Elisabeth Bergner. Enquanto atuava na peça "The Two Mrs. Carrolls" durante 1943 e 1944, Bergner permitiu que uma jovem fã se tornasse parte de sua equipe e empregou-a como assistente, mas mais tarde se arrependeu de sua generosidade quando a mulher tentou tomar seu lugar. Referindo-se a ela apenas como "a garota terrível", Bergner relatou os acontecimentos para Orr, que os usou como base para sua historieta "The Wisdom of Eve" (1946). Na história, Orr dá à garota um caráter mais cruel e faz com que ela consiga roubar a carreira da atriz mais velha. Bergner confirmou mais tarde a base da história em sua autobiografia "Bewundert viel, und viel gescholten".
Em 1949, Joseph Mankiewicz estava considerando uma história sobre uma atriz madura e, ao ler "The Wisdom of Eve", sentiu que a garota ardilosa seria um elemento adicional útil. Ele enviou uma nota para Darryl F. Zanuck dizendo que a historieta "se encaixa com uma ideia original [minha] e podem ser combinados. É um esplêndido papel para Susan Hayward". Mankiewicz apresentou um tratamento das histórias combinadas sob o título "Best Performance". Ele mudou o nome da personagem principal de Margola Cranston para Margo Channing, e manteve vários dos personagens originais de Orr — Eve Harrington, Lloyd e Karen Richards e Claudia Casswell — mas removeu o marido de Margo Channing completamente, substituindo-o por um novo personagem, Bill Sampson. A intenção era retratar Channing em um novo relacionamento e permitir que Eve Harrington ameaçasse ambas as vidas profissional e pessoal da atriz. Mankiewicz também acrescentou os personagens Addison DeWitt, Birdie Coonan, Max Fabian e Phoebe.
Zanuck estava entusiasmado e forneceu numerosas sugestões para melhorar o roteiro. Em algumas seções, ele sentiu que a escrita de Mankiewicz não possuía sutileza ou fornecia detalhes excessivos. Ele sugeriu diluir a desconfiança de Birdie Coonan em Eve para que o público não a reconhecesse como uma vilã até muito mais tarde na história. Zanuck reduziu o roteiro em cerca de 50 páginas e escolheu o título "All About Eve" da cena de abertura em que Addison Dewitt diz que logo contará "mais de Eve ... tudo sobre Eve, na verdade".
Escolha do elenco Entre as atrizes originalmente consideradas para interpretar Margo Channing, estava a inspiração original de Mankiewicz, Susan Hayward, que foi rejeitada por Zanuck por ser "muito jovem"; Marlene Dietrich, descartada por ser "muito alemã"; e Gertrude Lawrence, que foi descartada quando seu advogado insistiu que ela não deveria beber ou fumar no filme, e que o roteiro deveria ser reescrito para permitir que ela cantasse uma canção de amor. Zanuck estava de olho em Barbara Stanwyck, mas ela não estava disponível. Tallulah Bankhead foi considerada, assim como Joan Crawford, que estava trabalhando no filme "The Damned Don't Cry".
O papel foi dado para Claudette Colbert, mas ela retirou-se da produção após lesionar gravemente as costas pouco antes do início das filmagens. Mankiewicz considerou brevemente Ingrid Bergman antes de oferecer o papel para Bette Davis. Davis, que tinha terminado recentemente um contrato de dezoito anos com a Warner Bros. depois de inúmeros filmes seus fracassarem na bilheteria, aceitou o papel ao perceber que o roteiro era um dos melhores que ela já havia lido. Margo havia sido originalmente concebida como gentil e bem-humorada, mas com a contratação de Davis, Mankiewicz modificou a personagem e adicionou qualidades mais abrasivas. Mankiewicz elogiou Davis por seu profissionalismo e pelo calibre de sua atuação.
Anne Baxter havia passado uma década em papéis secundários e ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel em "O Fio da Navalha" em 1946. Ela conseguiu o papel de Eve Harrington após a primeira escolha, Jeanne Crain, ficar grávida. Crain estava no auge de sua popularidade e já havia estabelecido uma carreira interpretando heroínas boazinhas; Zanuck acreditava que ela não possuía o "virtuosismo de vadia" exigido para o papel, e que o público não a aceitaria como uma personagem traiçoeira.
O papel de Bill Sampson foi originalmente planejado para ser de John Garfield ou Ronald Reagan. Nancy Davis, a futura esposa de Reagan, foi cogitada para interpretar Karen Richards, e José Ferrer para interpretar Addison DeWitt. Zsa Zsa Gabor ativamente solicitou o papel de Phoebe, sem perceber que os produtores estavam cogitando-a, juntamente com Angela Lansbury, para dar vida à Claudia Casswell.
Mankiewicz admirava grandemente Thelma Ritter e escreveu o papel de Birdie Coonan para ela depois de trabalharem juntos em "A Letter to Three Wives" em 1949. Como Coonan era a única que imediatamente suspeitava de Eve Harrington, ele estava confiante que Ritter contribuiria com uma caracterização perspicaz, lançando dúvidas sobre Eve e fornecendo um contraponto às personalidades mais "teatrais" dos outros personagens. Marilyn Monroe, relativamente desconhecida na época, foi escalada como Claudia Casswell, referida por DeWitt como "graduada pela Escola de Arte Dramática de Copacabana". Monroe conseguiu o papel depois de uma campanha a seu favor feita por seu agente, apesar da antipatia inicial e crença de Zanuck de que ela era mais adequada para a comédia. A inexperiente Monroe ficou intimidada com Davis, e levou 11 tomadas para completar a cena no saguão do teatro com a estrela; quando Davis gritou com ela, Monroe deixou o set para ir vomitar. Papéis menores foram preenchidos por Gregory Ratoff como o produtor Max Fabian, Barbara Bates como Phoebe, uma jovem fã de Eve Harrington, e Walter Hampden como o anfitrião da cerimônia de premiação. Hampden era o presidente do prestigiado Players Club, em Nova Iorque, um clube para atores que oferece um prêmio pelo conjunto de suas obras.
Recepção "All About Eve" recebeu críticas extremamente positivas dos críticos após seu lançamento em 13 de outubro de 1950, em uma estreia na cidade de Nova Iorque. O filme concorrente, "Sunset Boulevard", lançado no mesmo ano, recebeu elogios semelhantes e os dois foram frequentemente comparados favoravelmente.
O crítico de cinema Bosley Crowther, do The New York Times, amou o filme, afirmando que ele era "uma bela produção de Darryl Zanuck, a excelente música e extraclasse na tela completam essa sátira superior".Crowther, Bosley (October 14, 1950). "Movie Review – All About Eve". The New York Times. A revista Variety chamou-o de "um filme adulto letrado" com "atuações extremamente bem elencadas", enquanto Harrison's Reports chamou-o de "uma história fascinante e continuamente absorvente sobre o pessoal do teatro da Broadway, com um tratamento maduro e permeado por diálogos realistas e flashes de humor sarcástico e astuto". John McCarten, do The New Yorker, chamou-o de "um filme completamente divertido".
Em 2000, o crítico de cinema Roger Ebert, do jormal Chicago Sun Times, elogiou o filme, dizendo que a personagem de Bette Davis, "a veterana atriz Margo Channing em All About Eve foi seu maior papel". A Box Office afirmou que o filme "é um clássico do cinema estadunidense – até hoje, a representação quintessencial da ambição implacável na indústria do entretenimento, com performances lendárias de Bette Davis, Anne Baxter e George Sanders ancoram um dos melhores filmes de um dos melhores cineastas da Era de Ouro de Hollywood: Joseph L. Mankiewicz. É um filme que deve estar na prateleira de todo colecionador – seja em vídeo ou DVD. É um clássico que merece mais do que a Fox deu a ele".Boxoffice.com|data=novembro de 2017 |bot=InternetArchiveBot |urlmorta=sim }}
No Rotten Tomatoes, site agregador de críticas, 99% das 107 críticas do filme são positivas, com uma classificação média de 9,3/10. O consenso do site diz: "Esperto, sofisticado e devastadoramente engraçado, All About Eve é um clássico de Hollywood que só melhora com os anos".
O Metacritic deu uma pontuação média de 98/100, com base em 15 críticas, indicando que o filme é uma "aclamação universal".
Bilheteria De acordo com os registros da Warner Bros., o filme arrecadou US$ 3.1 milhões nacionalmente e US$ 5.3 milhões no exterior, totalizando US$ 8.4 milhões mundialmente., .
"All About Eve" foi o segundo filme de maior bilheteria do ano de 1950, ficando atrás somente de "King Solomon's Mines", que arrecadou cerca de US$ 9.9 milhões mundialmente.
Tema Os críticos e acadêmicos delinearam vários temas no filme. Rebecca Flint Marx, em sua crítica para o site Allmovie, observa o antagonismo que existia entre a Broadway e Hollywood na época, afirmando que o "roteiro trouxe à tona a existência de toda uma gama de tipos teatrais dolorosamente reconhecíveis, da envelhecida, egomaníaca grande dama à exteriormente dócil, interiormente traiçoeira e ingênua, ao poderoso crítico que cheira a encanto maligno". Abel Green, escrevendo para a Variety, disse: "As referências sarcásticas ao retratar pessoas e afins são propositais e manifestam um reflexo inteligente de um grupo de pessoas hipertalentosas em relação ao negócio do cinema".