O guzerate,Dicionário Aurélio guzarate,Peixoto da Fonseca, F. V.; Ciberdúvidas da Língua Portuguesa – Lista de idiomas gujarati ou gujarateBoletim da Sociedade de Geographia de Lisboa, volume 36. Sociedade de Geografia de Lisboa. A Sociedade, 1918.Revista USP, edições 68-71. Universidade de São Paulo, Coordenadoria de Atividades Culturais, 2006.Malheiros, Jorge Macaísta. Imigrantes na região de Lisboa: os anos da mudança, imigração e processo de integração das comunidades de origem indiana, p. 120. Volume 1, Colecção Geografia (Colibri). Edições Colibri, 1996. , 9789728288358. (ગુજરાતી, transl. Gudjarātī) é uma língua indo-ariana falada principalmente no oeste da Índia e em menor quantidade no Paquistão. O número de falantes é incerto, mas são estimados cerca de 61 milhões de falantes no total, o que o faz a 26.ª língua mais falada no mundo. Destes, de 55 a 60 milhões vivem na Índia, onde a língua é um dos 22 idiomas oficiais da Índia e a sexta mais falada no país. É a língua principal do estado indiano do Guzerate, bem como dos territórios federais adjacentes de Damão e Diu, onde é falado por pelo menos metade dos habitantes, e Dadrá e Nagar-Aveli. É também o idioma da numerosa comunidade guzerate de Bombaim.
Ademais da Índia, a língua é falada de forma minoritária em Uganda (150.000 falantes), na Tanzânia (250.000) e no Quênia (50.000). Há também um significante contingente de falantes de guzerate na América do Norte, no Reino Unido, na ilha Maurícia e também na ilha francesa da Reunião.
O guzerate era a língua nativa de Gandhi, Jinnah e Sardar Patel. O atual primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, é etnicamente guzerate e falante da língua.
Etimologia e nome em português A língua guzerate e o estado indiano Guzerate recebem esses nomes a partir da dinastia Gurjara, supostamente uma subtribo dos hunos, que governou parte da Índia Medieval durante os séculos VI e IX da Era Comum.
Entre os dicionaristas brasileiros e portugueses contemporâneos, há um consenso quanto à preferência pela forma "guzerate": o Dicionário Aurélio registra como forma preferencial guzerate, dando como formas não preferenciais guzarate, guzeráti, guzerate e gujarate. O Dicionário Houaiss registra igualmente guzerate como forma preferencial, registrando como variante secundária guzarate. O Dicionário Michaelis registra apenas guzerate, forma preferida igualmente por Aurélio e Houaiss.
Na mesma linha, os dicionários da Porto Editora e o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa grafam guzerate como forma preferencial, e guzarate como variante secundária.
Em Portugal, o Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa traz tanto a grafia Guzarate quanto Guzerate.
História A língua evoluiu a partir do sânscrito assim como o hindi, o panjabi e os dialetos rajastani. As principais mudanças fonológicas do sânscrito para o guzerate são a perda de vogais longas e a transformação de encontros consonantais em consoantes geminadas e depois em consoantes simples. Na morfologia, houve a fusão do dual com o plural e substituição de afixos de declinação (não todos) em posposições.
O guzerate antigo foi uma língua que se separou da antiga língua indo-ariana central por volta de 1100 da Era Comum. Era uma língua falada pelos "gurjares" que viviam nos atuais estados de Guzerate e Rajastão. Textos desse período mostram características presentes no guzerate moderno como verbos declinados nos casos nominativo e oblíquo e presença de posposições e verbos auxiliares.
Demografia e distribuição Há uma estimativa de quase 62 milhões de falantes no mundo todo. Sendo 60 milhões só na Índia, onde é a primeira língua de 55 milhões. Entretanto, líderes de comunidades falantes de guzerate no Paquistão afirmam que há cerca de 3 milhões de falantes na cidade de Carachi, mesmo sem dados oficiais. Ainda no Paquistão, a língua é falada na província de Panjabe.
Devido às diversas migrações do povo guzerate, a língua se espalhou por diversos países fora do subcontinente indiano. Na África, existem comunidades falantes de guzerate em países como Tanzânia, Quênia, Maláui, Uganda, África do Sul, Zâmbia e Zimbábue. Na Uganda, tanto o hindi como o guzerate são falados pela comunidade hindu que imigrou para o país no início do século XX. Na África do Sul, a constituição estabelece que o governo deve promover e proteger o uso do guzerate pelas comunidades do país assim como outras línguas minoritárias faladas no país.miniaturadaimagem|Encontro de Gandhi e Muhammad Ali Jinnah em 1944. Ambos eram falantes de guzerateNa Ilha da Reunião, a língua é falada por imigrantes guzerates que se mudaram para a ilha entre os séculos XIX e XX, onde muitos começaram pequenos negócios e se desenvolveram economicamente. Paradoxalmente, o sucesso econômico dos guzerates causou insatisfação entre os demais habitantes e dificultou a sua integração.
Nos Estados Unidos da América, pelo menos 300 mil pessoas conversavam em guzerate em suas casas. Em 2016, segundo o censo do governo canadense, havia mais de 120 mil falantes de guzerate no país, o que correspondia a cerca de 0,4 da população. Fonologia Vogais As vogais podem ser classificadas em questão de posição da língua, altura da língua e arredondamento. As vogais , , ʊ, , , e possuem versões nasais.
AnteriorCentralPosteriorFechadaQuase-fechadaɪʊSemifechadaMédiaSemiabertaAberta Notas:
Os pares [o]-[ɔ] e [e]-[ɛ] são alofones. [ə] geralmente não é pronunciado no fim de palavras, exceto quando é precedido por um encontro consonantal.<div style="background:transparent;">
Consoantes A tabela seguinte apresenta o inventário consonantal da língua. Os pares [w]-[ʋ] e [pʰ]-[f] são alofones. BilabialLabiodentalDental/AlveolarRetroflexoPalatalVelarGlotalNasalmn̪ɳɲŋPlosivadesvozeadapt̪ʈtʃkvozeadabd̪ɖdʒgaspiradapʰt̪ʰʈʰtʃʰkʰmurmuradabʱd̪ʱɖʱdʒʱɡʱFricativadesvozeadafsʂhvozeadazVibrante múltiplarVibrante simplesɽAproximantewʋjLaterallɭ Sistema de escrita miniaturadaimagem|Página de "The Story of My Experiments with Truth", autobiografia de Gandhi, em guzerate, língua original da obra.O sistema de escrita guzerate é um abugida derivado do devanágari. Diferentemente de outros sistemas derivados do devanágari, o atual abugida guzerate não utiliza a tradicional linha horizontal na parte de cima das palavras (shirorekha), apesar de alguns manuscritos anteriores ao século XIX escritos em guzerate antigo a possuírem. O mais antigo documento escrito com o sistema guzerate data de 1592, e a primeira vez que ele apareceu na forma impressa foi em 1797. Até o século XIX, a escrita guzerate era usada principalmente para escrever cartas e registrar contas, enquanto o devanágari era usado principalmente para literatura e produções acadêmicas. Por essa razão, a escrita foi rotulada como a "dos banqueiros" ou "dos mercadores".
Vogais No abugida, a vogal inerente é o /ə/ (schwa). As demais vogais são representadas por caracteres independentes se estiverem sozinhas na sílaba ou através de diacríticos se acompanharem consoantes, conhecidos como mātrās.https://www.unicode.org/charts/PDF/U0A80.pdf Independentemātrāભ + mātrāRomanizaçãoAFINome do mātrāઅભaəઆાભાā/aaakānoઇિભિiɪhrasva-ajjuઈીભીī/iiidīrgha-ajjuઉુભુū/uuuhrasva-varaṛũઊૂભૂuʊdīrgha-varaṛũએેભેe, ɛek mātraઍૅભૅɛɛcandra eઐૈભૈaiəjbe mātraઓોભોo, ɔkāno ek mātraઑૉભૉɔɔcandra oઔૌભૌauəʋkāno be mātra Existem exceções na regra de adição dos diacríticos. São elas:ર(ra) +ભુ(ū) =રુ(rū); ર(ra) + ભૂ(u) =રૂ(ru); જ(ja) + ભી(ī) = જી(jī).
Consoantes As consoantes são tradicionalmente organizadas em classes (vərgās). As primeiras cinco classes são de oclusivas começando das velares até chegar nas bilabiais. Cada grupo de oclusivas é composto por cinco consoantes: uma desvozeada não-aspirada, uma desvozeada aspirada, uma vozeada não-murmurada, uma vozeada murmurada e uma nasal. As demais consoantes que não encaixam nessas categorias formam um outro grupo a parte. VelarPalatalRetroflexoDentalBilabialdesvozeada não-aspiradaકka[kə]ચca[tʃə]ટtta[ʈə]તta[t̪ə]પpa[pə]desvozeada aspiradaખkha[kʰə]છcha[tʃʰə]ઠttha[ʈʰə]થtha[t̪ʰə]ફpha[pʰə]/[fə]vozeada não-murmuradaગga[ɡə]જja[dʒə]ડdda[ɖə]/[ɽə]દda[d̪ə]બba[bə]vozeada murmuradaઘgha[ɡʱə]ઝjha[dʒʱə]ઢddha[ɖʱə]ધdha[d̪ʱə]ભbha[bʱə]nasalઙnga[ŋə]ઞnya/ña[ɲə]ણnna[ɳə]નna[n̪ə]મma[mə] +Demais ConsoantesConsoanteયરલળવશષસહRomanizaçãoyaralallava/washa/śassa/šasahaAFIjərələɭəʋəʃəʂəsəɦə
Ligaduras Consonantais Quando consoantes formam encontros (ex: shk), a primeira consoante perde a sua vogal inerente (schwa) e para representar essa mudança, ela muda a sua forma e, na maioria das vezes, se liga à segunda consoante. Para modificar as consoantes existem as seguintes regras:
Consoantes que possuem uma linha vertical à direita (ખ, ગ, ઘ, ચ, etc.) perdem essa linha. Por exemplo, a palavra મુશ્કીલ (mushkil), que significa dificuldade, a ligadura de શ com ક resulta em શ્ક. Consoantes que não têm a linha vertical e possuem uma forma arredondada não sofrerão nenhuma alteração em seu formato. Em vez disso, o espaço entre as duas consoantes é removido e as duas ficam mais próximas. Pares de consoantes retroflexas são escritas uma sobre a outra. Ex: ડ્ડ (ડ+ડ), ટ્ટ(ટ+ટ), ઠ્ઠ(ઠ+ઠ), ઢ્ઢ(ઢ+ઢ). શ junto com વ ou ચ assume um formato irregular: શ્વ(શ+વ), શ્ચ(શ+ચ). Kša e jña possuem formas específicas. São elas, respectivamente, ક્ષ e જ્ઞ. Na maioria das vezes, elas são usadas em palavras vindas do sânscrito. દ(d) e હ(h) possuem algumas ligaduras irregulares, são elas: દ્મ(dma), દ્દ(dda), દ્ધ(ddha), દ્ય(dya), હ્ર(hra), હ્ય(hya) e હ્મ(hma). A ligadura de ત+ત pode tanto ser feita segundo a primeira regra (retirando a linha vertical da primeira e unindo as duas consoantes), ou ter a forma irregular ત્ત. Ligaduras com ર(r) seguem regras complexas. Algumas são feitas com a adição de um diacrítico a cima da segunda consoante da ligadura, como é o caso ર+ત que assume a forma ર્ત(rta); outras são com um diacrítico sob a consoante anterior, esse é o caso de ટ+ર que resulta em ટ્ર(ttra); e outras com uma modificação mais considerável, como ocorre em ત્ર(tra), ligadura de ત+ર.
Outra maneira de representar esses encontros é adicionando um diacrítico abaixo da primeira consoante chamado halanta. Esse uso geralmente é usado em livros infantis para facilitar a leitura. A seguir estão algumas consoantes com o halanta: ક્(k), પ્(p), ત્(t).
Modificadores Os modificadores são símbolos específicos usados para modificar as sílabas. ModificadorNomeFunçãoંbindu ou anuswarNasalização de vogais, mātrās e consoantes. Ex: ઈંટ [ĩʈ] (tijolo).ઃvisargaIndicar prolongamento, usada em palavras vindas do sânscrito. Atualmente utilizada em apenas três palavras no guzerate moderno: દુઃખ [d̪uːkʰ] (infelicidade), દુઃસાહ [d̪uːsah] (insuportável) દુઃસાદ્ય [d̪uːsad̪ʱjə] (incurável).્halantaIndicar o não pronunciamento da vogal inerente de uma consoante.ઋru ou riÉ considerado como uma vogal específica pela maneira que se comporta, apesar de foneticamente não ser. Seu mātrā é ૃ. Ex: ઋષી [ruʂi] (ermitão), કૃદંત [krud̪ən̪t̪] (particípio). Ru ainda assume formas irregulares depois de દ(da) e હ(ha. Ex: દૃષ્ટી [d̪ruʂti] (visão), હૃદય [hrud̪əj] (coração).
Algarismos O sistema tradicional guzerate é decimal e posicional, assim como o sistema arábico. Por exemplo, para formar 10, basta justapor o algarismo que representa um com o algarismo que representa 0. AlgarismoEquivalenteNome em guzerate૦0શૂન્ય [ʃʊn̪jə]૧1એક [ek]૨2બે [be]૩3ત્રણ [t̪rəɳ]૪4ચાર [ʧar]૫5પાંચ [pãʧ]૬6છ [ʧʰə]૭7સાત [ʃat̪]૮8આઠ [aʈʰ]૯9નવ [n̪əʋ]
Gramática
Pronomes Existem 6 classes de pronomes em guzerate: pessoais, demonstrativos, reflexivos, interrogativos, relativos e indefinidos. Todos admitem caso oblíquo, mas não em formas vocativas. Quando à conjugação, existem três tipos: os que se conjugam apenas em caso, os que se conjugam em caso e gênero, e os que se conjugam em caso, gênero e número.
Pronomes Pessoais