Oleg Vladimirovich Blokhin ou Oleh Volodymyrovych Blokhin - respectivamente, em russo, Олег Владимирович Блохин, e, em ucraniano, Олег Володимирович Блохін (Kiev, 5 de novembro de 1952), é um ex-futebolista e ex-treinador ucraniano, considerado o maior nome do futebol em seu país, como nos Prêmios do Jubileu da UEFA. É o futebolista ucraniano com mais títulos na UEFA (três, sendo dois na antiga Recopa e outro na Supercopa) e com mais gols (cinco) em finais da entidade.

Ele ocasionalmente é apontado também como o melhor futebolista da antiga União Soviética,Estrela soviética (outubro de 2005). Placar - Especial "Os 100 Craques das Copas". Editora Abril, p. 17 marca mais comumente atribuída a Lev Yashin, sendo ambos considerados os dois principais nomes que o extinto país teve no futebol. Do seu lado, Blokhin, também visto como potencial maior jogador da Cortina de Ferro, detém os recordes de gols e jogos pela extinta seleção soviética, bem como pelo Dínamo Kiev; é também o jogador mais vezes vencedor do campeonato soviético, além de ter liderado os primeiros títulos continentais de algum clube do país - a Recopa Europeia de 1974–75 e a Supercopa Europeia de 1975, ambos com o Dínamo. Na Supercopa, o Bayern Munique foi derrotado dentro de casa em gol no qual o ucraniano driblou quatro adversários antes de bater Sepp Maier. Onze anos depois, o Dínamo venceu nova Recopa, com Blokhin sendo o único remanescente da primeira conquista. Na final, encobriu Ubaldo Fillol no segundo gol dos 3-0 sobre o Atlético de Madrid. Em tempos em que a Liga dos Campeões da UEFA (da qual foi Blokhin duas vezes semifinalista com o Dínamo, em 1976 e em 1987) só fornecia vagas a um time por país, vencer a extinta Recopa, então o segundo torneio em importância dos clubes europeus, proporcionava reconhecimento superior ao da atual Liga Europa da UEFA.

Dotado de grande velocidade e de forte chute com ambas as pernas, costumava jogar aberto para fazer fulminante avanços diagonais rumo ao gol, sendo também dele o recorde de artilharia máxima do antigo campeonato soviético. Foi eleito o melhor jogador europeu de 1975, recebendo 122 pontos de 130 possíveis na apuração da revista France Football para receber a Bola de Ouro, sendo na época o segundo jogador mais jovem contemplado com o prêmio e, à altura de 2021, o quinto mais jovem. Também era frequentemente comparado a Johan Cruijff pelo estilo similar de jogo. Era reconhecido mesmo com a Guerra Fria limitando seu potencial: só depois dos 35 anos de idade foi autorizado a jogar na Europa Ocidental, a despeito de ao longo da careira ter sido sondado pelo próprio Bayern; por Real Madrid, Barcelona e Atlético de Madrid, trio contra quem costumava fazer grandes exibições em valorizados amistosos nos torneios de verão espanhóis, como o Troféu Teresa Herrera; além de Juventus, Milan, e clubes britânicos. Também era frequentemente comparado a Johan Cruijff pelo estilo similar de jogo.

No plano doméstico, Blokhin foi fundamental na ascensão que fez do Dínamo Kiev a equipe mais vezes campeã do extinto campeonato soviético, reforçando-a como símbolo do orgulho ucraniano. Além de oito vezes vencedor (1971, 1974, 1975, 1977, 1980, 1981, 1985 e 1986) e cinco vezes artilheiro (1982, 1973, 1984, 1975 e 1977) dessa competição, Blokhin também venceu cinco vezes a Copa da URSS (1974, 1978, 1982, 1985 e 1987) e três vezes a Supercopa da URSS (1980, 1985 e 1986). Como treinador, sobressaiu-se especialmente como o técnico que classificou pela primeira vez a seleção ucraniana a uma Copa do Mundo FIFA (a de 2006). No torneio, competira como jogador nas edições de 1982 e de 1986, sob elogios especialmente na primeira. Também defendeu as seleções da Europa e do Resto do Mundo, notadamente em variados amistosos beneficentes do UNICEF. Em 2009, nas celebrações do Golden Foot vencido por Ronaldinho Gaúcho, Blokhin foi distinguido com a premiação "lenda de todos os tempos".

Vida pessoal

Blokhin é mestiço de pai russo com mãe ucraniana, sendo inclusive considerado como russo pelos próprios russos, além de saber falar apenas a língua russa. No início da década de 2000, manifestava compreensão à decisão, bastante comum nos anos anteriores, de futebolistas nativos da Ucrânia que optaram por defender a seleção russa, considerando tal escolha como "um direito deles". Enquanto cidadão da União Soviética, tinha seu nome russificado para Oleg Vladimirovich Blokhin - Олег Владимирович Блохин, no alfabeto russo.

Em 2002, justificando ter convidado somente o embaixador russo e não os de outros países para a partida festiva que celebraria seus 50 anos, frisou que "a Rússia foi e continuará a ser o país mais próximo de nós". Em 2006 e em 2013, opôs-se respectivamente à presidência de Viktor Yushchenko e ao Euromaidan, ambos caracterizados pelo posicionamento político mais alinhado com o Ocidente do que com a Rússia.

Apesar dessa ligação com os russos, chegou a ser noticiado ainda em 1977 no Ocidente de que Blokhin estaria em lista de suspeitos de participação de movimentos separatistas ucranianos. Após a dissolução da União Soviética e consequente independência da Ucrânia, tornou-se Oleh Volodymyrovych Blokhin, grafado Олег Володимирович Блохін no alfabeto ucraniano. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 agravando a Guerra Russo-Ucraniana, declarou a respeito de sua nacionalidade ucraniana que "eu nunca pretendi ir a lugar nenhum, eu nasci aqui. O que aconteceu não se encaixa em nenhuma estrutura. Quando bombas voam sobre mim, e uma casa queima literalmente a 200 metros de distância, então você entende que algo está errado nesta vida. Provavelmente, os russos, para mim, existem. Mas a Rússia como país, não. Porque essa agressão é inaceitável para mim sob quaisquer condições”. Foi uma das figuras públicas a exigir o banimento da seleção russa de quaisquer partidas, inclusive amistosas.

Seu pai chamava-se Vladimir Blokhin e a mãe, Kateryna Adamenko, ocasionalmente referida pelo nome russificado Yekaterina ou pela versão inglesa Catherine. Ambos possuíam renome no atletismo da antiga União Soviética: o pai possuía títulos nos 100 metros rasos, sendo também especialista em provas de 400 e 800 metros; e a mãe, além de campeã nos 80 metros com barreiras, no pentatlo e no salto em distância, possuía recorde soviético nos 100 metros rasos e recorde ucraniano nos 400 metros.

A influência dos pais chegou a fazer o próprio Blokhin a, na juventude, também praticar seriamente atletismo. Chegou a ter a décima melhor marca soviética nos 100 metros rasos e ser visto como potencial "novo Borzov" da modalidade, conseguindo percorre-los em 10,8 segundos. A mãe teria demonstrado descontentamento aberto por Oleg ter optado pelo futebol, a partir do momento em que já não conseguia conciliar os dois esportes. Já o pai, veterano da Segunda Guerra Mundial, influenciaria ele a escolher Potsdam, conhecida pessoalmente por Vladimir, como cidade alemã para abrigar na Copa do Mundo FIFA de 2006 a seleção ucraniana.

thumb|right|Foto oficial como parlamentar do Conselho Supremo da Ucrânia, em 2002.

A carreira de futebol não impediria que Blokhin se formasse em outras áreas quando ainda jogava, graduando-se na década de 1970 em Educação física e Relações internacionais, justificada pelo desejo declarado em 1976 de tornar-se diplomata. Em 1981, cursava Direito, restando ainda dois anos para graduar-se. Após parar de jogar, enveredou pela política, integrando o Conselho Supremo da Ucrânia entre o fim da década de 1990 e o início da seguinte. Essa decisão foi assim justificada em 2002: "faço algo próximo de mim. Trabalho na comissão de política para juventude, esporte e turismo. Juntamente com Sergey Bubka; o presidente da Associação Ucraniana de Futebol, Hryhoriy Surkis; o presidente da PFL, Ravil Safiullin. Portanto, há alguém que defende os interesses do esporte e do futebol em particular". Antigo membro do Partido Comunista da União Soviética, elegeu-se pelo Partido Comunista da Ucrânia e depois com o Partido Social-Democrata da Ucrânia; em 2002, quando a nostalgia pelo comunismo era menor nas antigas repúblicas soviéticas, defendia que, em meio aos defeitos do antigo sistema, devia a ele ter se tornado quem era, pelo fomento esportivo que havia.

Em novembro de 1980, casou-se com outra badalada esportista soviética, Iryna Deryugina, então recentemente duas vezes campeã mundial de ginástica rítmica. Formavam o casal mais badalado da Ucrânia. Filha deles, Iryna Blokhina tornou-se celebridade midiática ucraniana como ginasta, apresentadora e cantora, performando o hino da Eurocopa 2012 (sediada pela Ucrania e na qual Oleg trabalhou como embaixador do evento e técnico da seleção nacional) e treinando junto com a mãe a delegação ucraniana de ginástica rítmica nas Olimpíadas de 2024.

Na virada da década de 1990, o primeiro casamento de Blokhin inviabilizou-se pela contínua relação à distância, com o trabalho de treinador em times da Grécia enquanto a então esposa Iryna, que inicialmente o acompanhara a Atenas, preferia residir em Kiev. Em 2000, ele casou-se novamente. Com sua segunda esposa, Angela, teve outras duas filhas, Anya e Kateryna, nascidas respectivamente em 2001 e 2002, período em que ele também instituiu uma Fundação para caridade.

Estilo de jogo e reconhecimentos

Embora nascido destro, jogava habitualmente na ponta-esquerda, para a qual buscou desenvolver habilidade e chute forte também na perna canhota. Com ainda 21 anos de idade, Blokhin já era descrito na imprensa da Europa Ocidental, em 1973, como uma das figuras mais brilhantes do seu clube, então o Dínamo Kiev, e da seleção soviética, como detentor de "grande velocidade, visão e elevada técnica". Naquele mesmo ano, na ocasião de amistoso entre União Soviética e Brasil, já era apresentado por Albert Shesternyov como a principal ameaça à defesa brasileira, em declarações dadas ao Jornal do Commercio. Shesternyov era então justamente o recordista de jogos pela URSS, marca que veio a ser superada por Blokhin.

Nos anos seguintes, Blokhin também era destacado no Ocidente pelo drible “endiabrado” (em 1974) e "magnífico" (em 1976), além de exibir oportunismo de “autêntico virtuoso” perante o gol. Em 1975, um observador brasileiro a passeio em Moscou relatou à imprensa do Rio Grande do Norte que "badalaram muito em torno de dois excelentes jogadores russos: Blokhin e Kolotov. E, de fato, os caras são cracões, futebol muito semelhante ao nosso aí. Driblam, têm malícia, jogos de corpo, chutam com as duas, cabeceiam (olhe que conheço os principais craques do Brasil e já joguei bola, sei quando o cara sabe jogo). O outro craque é o Kolotov, muito bom, porém um pouco inferior a Blokhin, que, inclusive, lembra muito o Fischer, do Botafogo, no futebol e no físico".

Em janeiro de 1976, outro jornal brasileiro, do Mato Grosso, ao repercutir a recente eleição de Blokhin como melhor jogador europeu, comentou a respeito que a premiação "é uma prova da retomada de consciência e de poder dos atacantes numa época em que o mundo teme esteja o futebol se encaminhando para o endurecimento das defesas e para os atacantes sem poesia. Há poesia no futebol deste soviético que se posta quase no meio do campo, um pouco mais para a esquerda: é dali que ele costuma partir em direção à área inimiga, driblando um, dois, três adversários, com uma ginga de corpo que faz lembrar o estilo holandês de Cruijff e dos sul-americanos mais hábeis; estilo em nada parecido com os disciplinados e pouco criativos atacantes soviéticos de outros tempos". No mesmo ano, o Diario de Pernambuco equiparou o ucraniano a Rivellino e a Mario Kempes.